Mostrando postagens com marcador Capítulos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Capítulos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Reencontro!





"Quando cheguei na rodoviária de Campinas, ele já estava me esperando, encostado ao lado de uma lanchonete, seus olhos fixaram nos meus quando ele me viu e ele começou a caminhar em minha direção. Ele estava visivelmente mais magro e abatido, ele que sempre foi tão vaidoso, estava indo em minha direção com um andar duro, vestindo uma camiseta e calças jeans que eu nem conhecia. O rapaz jovem e belo por quem me apaixonei definitivamente não estava ali naquele momento."
(Trechos tirado do livro Valeu a Pena)




O episódio contado acima relata o encontro com meu então namorado após ele ter fugido da casa da irmã no interior de São Paulo, ele havia sido levado para lá após a tentativa e suicídio, a família quis tirá-lo daqui com a intenção de afastá-lo das amizades e lugares que pudessem influenciar para que ele continuasse a consumir o crack.


Ele ficou poucos dias na casa da irmã até que recebo uma ligação dizendo que ele havia sumido. Foram quatro dias sem saber notícias dele, nesses quatro dias, eu, que já era uma CODEPENDENTE sem saber, parei de viver por mim e passei somente a sobreviver por ele.


Eu não comia, mas me preocupava com ele, se ele estava sentindo fome ou não.


Eu não dormia, passei as noites em claro esperando o telefone tocar, mas, estava aflita pensando aonde ele poderia estar dormindo.


Eu não fazia mais nada além do que esperar uma notícia, até que após um sofrimento e uma agonia sem fim, ele ligou. 


Foram mais quatro horas de sofrimento para mantê-lo aonde estava até que o seu pai saísse de Campinas e fosse para Bauru que é onde ele estava para buscá-lo.


Ele passou a semana na casa do pai e na semana seguinte eu fui visitá-lo.


"Eu não precisei fazer pergunta alguma, voluntariamente ele começou a me explicar o que havia acontecido naqueles três dias. Fiquei chocada quando olhando em meus olhos e segurando em minhas mãos ele disse que havia dormido na rodoviária de Bauru, que consumiu droga até não ter mais dinheiro para pagá-la e que na verdade esse foi o motivo que o havia trazido à realidade, a falta de dinheiro, enquanto ele o tinha, em nenhum momento pensou em sua família ou em mim, só se deu conta quando não lhe restara mais nada, quando começou a sentir fome e sono, quando o cansaço o dominou.



"Meus olhos estavam marejados de lágrimas e tive que fazer um esforço grande para não me deixar abater pelo o que eu havia escutado, ele estava sendo sincero e eu não podia fazê-lo recuar por conta das minhas frustrações, eu não tinha esse direito."
(Trechos do livro)


Essa era a minha versão codependente, que estava sofrendo por ouvir da boca dele que nada o fez parar querer ligar e pedir ajuda a não ser quando o seu dinheiro acabou e a fome e o cansaço o dominou.


Nessa versão minha, eu comecei a sofrer por não me sentir mais especial para ele e por não me achar no direito de querer ser especial para ele. Eu tinha que ser forte e cobrava isso de mim, eu achava que eu tinha que ser a heroína da história.


A história não é a mesma, mas, sei que há tantas outras codependentes por aí que pensam da mesma forma que eu pensei um dia, que pensam que precisam ser fortes por eles, seus dependentes, que não se dão o direito de sentir dor, de sofrer, de chorar, e com isso alimentam mais ainda a codependência.


Só por hoje, sejamos fortes ao aponto de admitirmos que somos fracas perante a dependência química de quem gostamos!









segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cap. I - Cont. pág. 13/14

Conforme ele foi falando, parecia que eu estava ouvindo as badaladas do sino da Catedral da Sé bem dentro de meus tímpanos, fui ficando atordoada, sem entender como era possível tudo aquilo ter acontecido
com ele e ele estar bem, ali, ao meu lado, era como se a história queele estava contando não era sobre ele e sim sobre um garoto qualquer, um personagem de um livro. Com o passar dos minutos, o barulho dos
sinos foi diminuindo e tudo foi ficando mais claro, era por isso que ele não estava estudando, ele havia largado os estudos na época da dependência e não havia voltado mais; as peças do gigantesco quebracabeça
foram se encaixando, todas as quartas-feiras, eu sabia que ele tinha compromisso, mas nunca eu havia perguntado o que ele fazia, naquele dia, ele me disse que o seu compromisso, era com a psicóloga,
ele ia toda semana, na verdade, ele não sabia se estava fazendo algum efeito o tratamento, mas que ele se sentia bem ao ir.
Nós estávamos caminhando pelo shopping e eu ainda estava estarrecida com o pouco do que ele me dissera, ele disse que ainda não tinha contado tudo, com um singelo sorriso nos lábios, disse que era
para não me assustar.
- Fique à vontade para dizer o que quiser e quando quiser. - murmurei baixinho.
-Obrigada. - agradeceu ele, sorrindo novamente.
Saímos do shopping e fomos comer um cachorro quente em uma barraquinha de lanches, como se nada tivesse acontecido.
Fiz um esforço tremendo para não pensar mais naquilo durante o resto da noite ao lado dele, mas, quando já estava em casa, deitada em minha cama, flashes do que ele havia me dito vinham à minha mente
como se fossem bolinhas de sabão pairando sobre o ar, sem fazer nenhum sentido, nada parecia fazer sentido naquele momento, fui me lembrando com mais clareza os detalhes do que ele havia me contado
e que na hora eu havia deixado escapar por estar atônita demais. As noites em que passou na rua, dormindo em qualquer lugar, o desespero para comprar e sustentar o seu vício, sua mãe implorando por várias
vezes para que ele parasse, implorando para que ele não levasse mais nada de casa. Por alguns segundos, pude sentir um milésimo da dor que a família dele havia sentido durante anos, uma dor sufocante, o ar
vai acabando e você tenta desesperadamente respirar, você tenta se livrar daquela sensação de que não tem mais jeito, de que não tem mais solução. E eu adormeci com aquele sentimento em mim...

domingo, 22 de maio de 2011

Continuação Cap.I Pág. 13/14

Ele respirou fundo, com as mãos impacientes, talvez com medo de que
eu o desaprovasse por tudo o que ele estava prestes a me contar.
– Comecei a usar com a turma da rua, a turma do bairro, eu tinha por
volta de 13 anos.
Eu não acreditei... Ainda uma criança. Como, uma criança de 13 anos
começa a usar drogas?
- Comecei como tudo mundo, com a maconha, mas não demorou
muito e eu já estava na “pedra”. - ele me encarou e a dor que vi em
seus olhos me fez queimar por dentro, eu queria pedir para ele parar,
dizer para ele que nada que ele dissesse sobre o passado dele
importava, que ele deveria focar no presente, mas eu sabia que não
podia fazer isso, sabia que seria bom pra ele se continuasse, percebi
que ele estava ficando aliviado em me contar.
-Daí em diante, foi só desgraça, minha família sofreu muito, chegou a
pensar que não tinha mais jeito, peguei muita coisa de casa para
vender e comprar crack, minha mãe sofreu muito, meus irmãos
haviam perdido as esperanças de que eu me recuperasse, eu vivi na
rua, dormi na rodoviária, em banco de praça, virei às costas para a
minha família, fiz coisas das quais não me orgulho...
Ele começou a contar cenas da sua tragédia pessoal, parecia que eu
estava inserida em um pesadelo, daqueles em que você tenta gritar
mas, a sua voz não sai, fui dominada por um sentimento terrível de
impotência. O pior momento, o mais agonizante, foi quando ele
começou a contar sobre o dia em que abriram a porta de seu quarto e
sem ter tempo de reação, os enfermeiros enormes que mais pareciam
lutadores de jiu-jítsu o agarraram e ele foi levado às forças para uma
clinica de reabilitação, onde foi sedado com uma injeção de sossega
leão para acalmá-lo. Nesse momento, meus olhos já estavam cheios de
lágrimas, sinceramente, na época, eu não sabia como funcionava as
internações e nem sabia que ainda existia o tal método do sossega
leão, onde, para colocarem o paciente na ambulância, eles aplicam
uma injeção tranqüilizante e o mesmo, quando acorda, já está no leito
de um hospital psiquiátrico ou em uma clínica de reabilitação. Isso
havia acontecido com ele e me doeu mais ainda ao ouvi-lo dizer que
não foi uma única vez, que esse processo havia se repetido inúmeras
vezes, por culpa dele mesmo, porque, na verdade, ele não queria se
curar, não queria se livrar do vício, na verdade, não conseguia e por
isso acabava fugindo das clínicas em que era internado.
Ele estava de cabeça baixa quando disse - Você deve estar me
achando um monstro não é mesmo? Deve estar achando que fui
estúpido por não querer me curar, mas eu te digo uma coisa, eu não
acreditava que eu pudesse me curar, porque no final, o que tirava o
vazio que eu sentia dentro de mim, o que me dava prazer era a maldita
pedra.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Continuação Cap. I - Foi Assim

Certo dia, na minha casa, eu estava deitada sobre o colo dele e ele me fitando e sem saber explicar lágrimas começaram a sair de meus olhos e ao mesmo tempo, olhando nos olhos dele, percebi que também estavam marejados de lágrimas. Isso pode parecer ridículo, pode parecer invenção, mas foi exatamente desse jeito que aconteceu, sem entender choramos olhando um para o outro.
- O que houve? Eu perguntei
-Não sei dizer. Respondeu ele.  - Senti um aperto e também uma alegria e quando percebi já estava chorando.
Foram minutos de silêncio olhando um para o outro, eu senti o mesmo que ele e não sei dizer ao certo se a sensação era boa ou ruim, mas tal fato me marcou muito, pois vim a chorar muitas e muitas vezes depois, só que por um motivo que eu jamais imaginaria.
Eu trabalhava em uma loja de presentes, eu adorava meu emprego, foi o meu primeiro emprego e carrego comigo ótimas lembranças de lá, ele trabalhava em uma loja de ferramentas a pouco mais que um quarteirão do meu trabalho, isso facilitava para que nos víssemos mais vezes durante a semana.
O colégio em que eu estudava era caminho da casa dele, então, saíamos do trabalho e íamos juntos até o colégio e ainda sim, muitas vezes nos falávamos por telefone quando eu chegava em casa após a aula. Ele não estudava e eu não sabia ao certo o porquê, mas também, eu não era do tipo que fazia um interrogatório logo no começo do namoro. Ele era trabalhador e de família boa, fui muito bem recebida pela família dele, no começo, às vezes, eu sentia que eles me viam como a salvação para o Gabriel e eu não entendia o porquê, até que, um dia, estávamos sentados no banco do shopping, ele disse que queria conversar sobre o passado dele, sobre a sua história.
- Jú, faz pouco mais de dois anos que estou limpo - começou ele, e eu sem entender nada deixei que ele prosseguisse.
-Comecei a usar drogas ainda quando criança, logo que meus pais se separaram, não que isso justificasse - continuou ele - Na verdade, não sei se tem um motivo.
Ele fitou-me por alguns instantes esperando alguma reação negativa da minha parte, mas que reação negativa eu poderia ter se nem saber ao certo o que era drogas e diferenciá-las eu sabia?
- Na verdade, tem muita coisa sobre mim que preciso contar, sou filho adotivo, e também não uso isso como justificativa, mas minha mãe biológica, antes de me entregar ao orfanato, tentou me estrangular, eu quase morri por falta de ar, quando ainda era bebê.
Eu pude perceber a dor em seus olhos, eles pareciam arder em fogo, por mais que ele negasse, que ele dissesse que isso não justificava o fato dele ter começado a usar drogas, era difícil acreditar que ele, como filho, não sofresse por saber a verdade sobre sua mãe biológica, já está mais do que comprovado que a criança, quando não se sente amada, passa a ser uma criança insegura, e cresce com esse sentimento embutido em seu subconsciente, acho que com ele não foi diferente, pois em vários momentos, ele demonstrava ser uma pessoa totalmente insegura, com falta de autoconfiança.
- Mas a sua família adotiva gosta muito de você pelo o que pude perceber. Disse eu, tentando diminuir o peso das palavras que ele havia dito.
- Sim, eles gostam, mesmo depois de tudo o que eles já passaram por minha culpa. - ele fez uma pausa, mais uma vez, buscando em meu olhar alguma reação da minha parte, mas eu continuei firme, sentada ao seu lado segurando a sua mão.
-O que pode ser tão grave assim? - perguntei com um nó em minha garganta.
Desse momento em diante, passei a conhecer o sofrimento de um ex- usuário de drogas, que mais tarde, vim a aprender que não existe ex- usuário...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CAP 1 - CONTINUAÇÃO

Senti borboletas em meu estômago, perdi a fala e as palavras pareciam que haviam sumido de minha mente e eu correndo desesperadamente atrás delas, pedindo para que não me abandonassem naquele momento, pois eu não sabia o que dizer, ele percebeu de imediato a minha ridícula situação e fez com que tudo parecesse normal. Eu estava desacostumada a tudo aquilo.
 Por incrível que pareça naquele fim de noite, apenas conversamos, trocamos telefones e fui embora com minhas amigas com a esperança de que no dia seguinte ele me ligasse e me ligou.
Eu já havia marcado de ir ao cinema com minhas amigas, mas nos encontramos no shopping após o filme e naquele mesmo dia começamos a namorar. Conversamos sobre tantas coisas, a sintonia era perfeita, tínhamos os mesmos gostos para tantas coisas, é incrível como no começo de um relacionamento há tantas afinidades, tantos interesses mútuos, tudo parece ser único, simples assim.
Ele era divertido, mesmo com o olhar doce e triste, conseguia me passar uma sensação boa, sem ser demagoga e sem ofender a imaginação de ninguém, eu sentia que estava próxima a um anjo quando estava ao seu lado, talvez, um anjo caído, e quando digo caído é pura e simplesmente pelo fato dele ter se tornado mais terreno do que celestial, por ele ter cedido às tentações, não tem o mesmo sentido de Anjo Caído (mal) que se conhece na história de Bíblia, era um anjo belo e protetor como os que imagino em minha mente.
Em pouco tempo, havíamos incluído um ao outro em nossas rotinas, onde fazíamos tudo juntos, todo tempo disponível que tínhamos, passávamos juntos. Talvez isso incomodasse aos outros, mas não a nós, não ficávamos juntos por obrigação, por sermos namorados, ficávamos juntos porque nos sentíamos incompletos quando estávamos longe um do outro.

CAP. 1 - FOI ASSIM

A música estava tocando e a pista de dança estava cheia, no palco bem acima de nós, o DJ com sua pick up se empolgava mais a cada música e em volta, luzes coloridas iluminavam o grande salão. Eu adorava sair para dançar, estava fazendo isso com freqüência nos últimos três meses, fazia alguns meses que eu estava “solteira” novamente, havia terminado um namoro de dois anos a pouco mais de cinco meses, e estava voltando a viver como uma adolescente de 17 anos, voltando a sair de casa com as amigas, voltando a sair para dançar que é a coisa que eu mais gostava de fazer.
Dançando, o meu mundo parava, era somente eu e minha mente no meio da pista, nada mais importava, tudo ficava perfeito, é a mesma sensação que sinto quando estou no mar, dançando eu me sentia livre e no mar eu sinto que tudo o que há de ruim é levado pelas ondas zerando tudo, recomeçando, ambas, são as sensações que eu mais gosto na vida.
Nos olhamos durante alguns momentos em que estivemos perto um do outro, minhas amigas perceberam, mas eu ainda não estava certa se ele estava me paquerando.
Ele tinha algo no olhar que eu não conseguia decifrar, era angelical e ao mesmo tempo triste, era intimidador e ao mesmo tempo convidativo, eles brilhavam sob a luz intensa da danceteria.
Pele branca como a neve, olhos vibrantes, mas tristes, buscando algo o tempo todo, escondendo algo, se escondendo. Eu o achei, ele me achou.
A noite foi passando, eu estava me divertindo com meus amigos e amigas, dançando, aproveitando a liberdade que há tempos não sentia, meu ex-namorado era extremamente ciumento, então, sair para dançar era um programa que não fazia mais parte do nosso cotidiano, por isso as noites de sábado havia se tornado especial para mim.
Já estava no fim da chamada balada quando ele veio falar comigo, quase que como em um sussurro, perguntou meu nome e se apresentou e foi assim que nos conhecemos.

PRÓLOGO

Comecei a escrever essa história quando tinha ainda 12 anos de idade e mal sabia eu, que anos mais tarde, a história se tornaria realidade, pode parecer coincidência, pode até ser a tal da lei da atração que diz que atraímos para nossas vidas tudo aquilo que desejamos e que não desejamos, somente pelo fato de pensar sobre, não sei ao certo, acontece que de certa forma, eu atraí para a minha realidade aquilo que eu havia escrito, com a diferença de que aos 12 anos eu não sabia ao certo o que era o chamado mundo das drogas, o que eu havia escrito, ainda com uma péssima caligrafia, não chegou nem perto da realidade que eu vim a vivenciar anos depois.
Na minha história, escrita para passar o tempo, um casal de adolescentes se apaixona e tempo depois, o jovem começa a usar drogas e a namorada passa a fazer de tudo para ajudá-lo. Até aí, ficção e realidade caminham lado a lado, mas, a história que vou contar daqui por diante, deixa de ser ficção e vocês passarão a ler a minha realidade e não a de um personagem.
Espero que vocês entrem em meu mundo e passem a enxergar através dos meus olhos como é dura e penosa a vida de um dependente químico e por sua vez, a de um codependente. Quero tentar expor com a maior clareza possível um mundo onde a dor e o sofrimento prevalece quase que vinte e quatro horas por dia, um mundo de constantes batalhas internas entre o certo e o errado, o bem e o mal, um mundo ainda desconhecido por muitos e que por sua vez, julgam de maneira impetuosa o adicto, rotulando-o injustamente como sem-vergonha, covarde, fraco, entre outros adjetivos, sem nem ao menos tentar enxergá-los como seres humanos, seres humanos que estão adoecidos e precisam desesperadamente de ajuda antes que sejam consumidos pela própria doença.
Foi inserida nesse mundo que, descobri o significado da codepedencia, onde parei de viver a minha vida para ajudar o meu companheiro, achando que estava fazendo o certo.
Tudo mudou rápido demais sem que eu percebesse o que estava fazendo, minha vida não era mais minha vida, minha respiração não era mais pela minha sobrevivência, eu respirava por ele, eu vivia por ele, eu me anulei em nome de algo maior, eu deixei de existir, eu era somente a sombra de mim mesma e mais nada e assim fui durante quase um ano de minha vida. Eu deixei de existir convicta de que tudo o que eu estava fazendo era para o bem dele, quando que na verdade, muito do que fiz não o ajudou em nada, apenas postergou algo que poderia ter acontecido antes. Mais, ainda sim, digo que valeu a pena fazer o que fiz, porque conheci o outro lado também, um lado que aqueles que estão com seus olhos encobertos pelo sentimento de julgamento são incapazes de enxergar.
Não vou contar uma história de amor que começa com o “Era uma vez” e termina com o final clichê “E eles viveram felizes para sempre”, nesse mundo, isso não existe, vou contar tudo o que passei tudo o que aprendi e espero que a minha história possa ajudar alguém, talvez um parente, talvez uma namorada (o), talvez um codependente. Espero que o meu sofrimento possa ajudar a acalmar o coração aflito de uma mãe que nesse exato momento possa estar sangrando ao ver seu filho (a) se afundar cada vez mais e não ter mais forças para ajudá-lo; espero que minhas palavras possam diminuir o desapontamento de um pai que viu irem por água abaixo todas as expectativas que depositou em seu filho(a);  espero conseguir acalmar e diminuir o sentimento de impotência de uma namorada(o), que não sabe mais o que fazer para ajudar o seu amado(a) e que não consegue mais enxergar a tão sonhada luz no fim do túnel.
Quando decidi escrever esse livro, decidi que contaria tudo minuciosamente sobre o que vivi em relação às drogas, mas decidi que não iria expor a minha relação vivida com o meu ex, até porque, o meu intuito não é de escrever um romance, embora, seja sim, uma linda e triste história. Tentarei seguir a ordem cronológica dos fatos, embora, alguns acontecimentos, eu fiz questão de esquecer, enterrando-os no lado direito do meu cérebro e por isso, é um esforço grandioso para eu trazer todas essas recordações de sofrimento à tona.
 Por respeito, o nome dele será preservado, o chamarei por um nome fictício de Gabriel e mais tarde entenderão o porquê. Desde já, deixo claro que para mim, ele é um vencedor, seja qual for o final dessa história.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Valeu a pena

Até onde você iria para ajudar alguém? O quanto estaria disposto a abrir mão de si em nome de alguém? O quanto é normal tal ato, deixar de viver e apenas sobreviver em nome de um amor ou de alguém?
Eu não tenho as respostas corretas, o que tenho é a minha história, o que eu fiz e até onde eu aguentei ir.
O prólogo e o primeiro capítulo dessa história estará disponível em breve.Para adquirir o livro o site está no início do blog.
Deixem de lado seus preconceitos, tirem de seus olhos a venda que os impedem de ver a realidade que está por trás de um dependente químico, suspendam todos os seus conceitos a respeito de um viciado e permitam-se ver através de meus olhos os momentos de sofrimentos e também os de alegria que essas pessoas, que também são seres humanos, vivenciam a cada dia, na busca de uma saída.
Sim, a saída existe, mas não é fácil alcançá-la. Acreditem.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...