sábado, 28 de janeiro de 2012

Escolhas!


Não é muito difícil encontrar algum comentário nos blogues que sigo, de alguém falando sobre escolhas, o que me chama a atenção é o fato de que normalmente vejo tais comentários nas postagens de alguém dizendo que decidiu seguir em frente, decidiu voltar a viver, decidiu ser feliz só por hoje!

Pois é, me desculpem a minha sinceridade, mas, eu como Codependente em recuperação, só por hoje, tenho que falar, tenho que desabafar. Por que as pessoas pensam que fomos nós quem escolhemos não estar mais ao lado do dependente químico que amamos ou que um dia amamos?

Por que as pessoas olham dessa forma? "Ah, você decidiu viver sem o seu amor"

Pára tudo! Não fui eu quem decidi viver sem ele, foi ele que ainda não decidiu viver!

Entendem a diferença? Somos tão codependentes que nem percebemos que continuamos a "proteger" o D.Q de tal forma que quando uma co escolhe voltar a viver, ela é vista de certa forma como se tivesse abandonado o barco, como se tivesse pulado fora, mas espera aí minha gente, eu sou responsável pelas minhas escolhas, mas, não posso ser responsável e penalizada pela as escolhas de mais ninguém, nem mesmo de quem amo, se eu escolher seguir em frente não significa necessariamente escolher seguir sem o "amor" do lado, escolher seguir em frente significa escolher viver a vida, é ele que escolheu não viver essa vida ao meu lado.

Quem me acompanha desde o começo, sabe que defendo e muito em meu blogue a ideia de que o D.Q na ativa perde o poder de escolhas, de decisão, eu defendo sim a ideia de que como um D.Q vai pedir ajuda se ele está domado pela vontade incontrolável de usar drogas, mas, não posso fechar meus olhos para a verdade, acredito que um dependente na ativa, como o que está na biqueira, na boca, na cracolândia não em condições de decidir parar ou não, mas, um D.Q em processo de recuperação, um D.Q que já deu o primeiro passo, o passo mais difícil que é o da escolha de parar, esse sim tem um pouco mais de condição de de decidir viver ao lado de quem ama ou decidir não viver e sobreviver somente.

Longe de mim julgar um D.Q, seja ele em recuperação ou não, por tudo o que vivi com meu ex, sou uma das primeiras a defender a "causa", mas, me revolta um pouco saber que a Co que decidiu viver, será sempre vista como aquela que desistiu de seu amor.

A vida é feita de escolhas, e só quem escolhe seguir em frente sem o seu D.Q sabe o quanto lhe custa tal decisão...

"Anjo Gabriel, eu escolhi viver, escolhi parar de sobreviver e voltar a viver. eu hoje posso dizer com toda certeza que fiz a escolha certa, não por você, mas por mim, pela a minha sobrevivência. Quanto a você? Pelo o que sei, você ainda não fez sua escolha, mas, saiba que SÓ ENQUANTO EU RESPIRAR, VOU ME LEMBRAR DE VOCÊ " e completo dizendo que Só enquanto eu respirar, vou ter fé na sua recuperação...


domingo, 22 de janeiro de 2012

Aqui Jaz uma Codependente!


O sol brilha no céu, como uma imensa bola de fogo, aquecendo e trazendo conforto à aquele momento que é uma mistura de dor e alegria.

As pessoas vão chegando aos poucos, alguns rosto bem conhecidos, outros, nem tanto, mas, sei que todos que aqui estão é porque de alguma forma, seja ela direta ou indiretamente, tiverem alguma relação com essa história, com a minha história.

De onde estou, não consigo ver tudo, não consigo ver o horizonte, mas sei que ele está lá, de onde estou, vejo apenas o céu em seu azul claro e as nuvens que parecem brincar de pega-pega com seus movimentos.

Eu ouço o barulho de choro, sinto algumas lágrimas me molharem, eu vejo algumas flores, lindas flores por sinal e vejo as pessoas se aproximarem ao meu redor, eu me tornei o centro das atenções.

O silêncio toma conta, as vozes que antes pareciam serem de um milhão de pessoas, se calam, dando espaço para somente uma única voz, uma voz macia e suave.

"Caros amigos,


Hoje estamos aqui, todos, pelo mesmo motivo, estamos aqui para lembrar e homenagear uma pessoa que com certeza fez o seu melhor para ser quem era. Uma mulher, uma jovem mulher que desde cedo vivenciou a dor e o amor em suas formas mais intensas. 


Estamos aqui, para fazermos nossa última homenagem, mas não para a mulher meiga, sorridente, alegre e otimista, estamos aqui para fazermos nossa última homenagem para a mulher que ela se tornou com as experiências vividas. Damos o nosso Adeus para uma mulher que por um bom tempo carregou consigo a culpa, uma mulher que se sentia na obrigação de salvar o mundo, que se sentia na obrigação de passar por cima de seus sentimentos, de suas vontades para satisfazer as de quem ela amava.


Hoje, essa mulher já não está mais entre nós, essa mulher manipuladora, às vezes egoísta, chantagista, melindrosa e de baixo auto-estima está nos deixando.


E antes que alguns comecem a chorar novamente, quero que saibam que essa mulher está extremamente feliz por não estar mais entre nós, ela está feliz por estar fazendo o funeral de alguém que ela não quer mais ser, de alguém que ela não é e sim havia sido.


Por isso, meus caros amigos, é com imensa alegria que eu lhes digo que AQUI JAZ UMA CODEPENDENTE! Uma codependente que por algum tempo, permitiu ser mantida refém por esse transtorno, uma codependente adoecida, que queria mudar o mundo achando que somente a sua forma de mudar era a correta, uma codependente que se anulou ao ponto de parar de viver e passar somente a sobreviver, uma codependente que havia deixado de ver o lado bom da vida, porque a vida estava pesada demais para ela, uma codependente que se manteve firme ao lado do seu amado dependente porque não se sentia no direito de fraquejar, uma codependente que cometeu insanidades para acobertar os rastros da escolha errada que seu amado dependente havia deixado. Uma codependente que manipulava, mentia, chantageava, que usava o AMOR como ferramente para tentar conseguir, quase que todas as vezes sem sucesso, que seu amado dependente mudasse de estrada.


De agora em diante, teremos apenas lembranças dessa mulher, lembranças de como não queremos que ela volte a ser, somente isso e nada mais."


Quando aquela doce voz se calou, eu fechei meus olhos e por alguns segundos, revivi cenas daquela mulher, daquela codependente, de mim. Revivi alguns momentos que quis por muito tempo esquecer  e ao reviver esses momentos, lentamente, fui me perdoando por cada erro cometido durante aquela jornada, fui me convencendo de que eu fiz o que fiz por achar ser o certo e que era hora de perceber que o passado serve para ficar no passado, que devemos tirar dele o que ele tem de melhor e aprender com ele os erros cometidos e nada mais.

Abri meus olhos novamente e tudo ficou claro, tão claro quanto o brilho do sol.

Aqui Jaz Uma Codependente, e aqui renasce uma mulher."


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Resposta à uma leitora do meu livro

Olá amigos que amo incondicionalmente, amigos que me ajudam diariamente em minha recuperação, como vocês estão?

A postagem de hoje vai ser para responder um comentário de uma pessoa que também sabe o que é estar ao lado de um D.Q., ela deixou um comentário em uma postagem e achei bacana responder por aqui, porque achei interessante o comentário dela.


vivianeJan 15, 2012 04:11 PM
Me desculpe mas comprei o livro achando que ia me ajudar em algo e confesso que alguns capítulos eu me senti descrita,a dor no peito , a terra se abrindo....tudo como vc sentiu eu sinto .Mas o final foi uma decepção.Como vc pode ter desistido de um grande amor assim ? Como consegue deitar e dormir todas as noites ?
Eu juro que não me conformo com a idéia de vc ter casado e seguido sua vida....Eu vou lutar até o fim pq isso é toatal covardia...Me desculpe.

Viviane, em primeiro lugar, obrigada pela confiança em comprar o meu livro, se você o comprou, é porque de fato vive ou viveu algo parecido não é mesmo? Conhece bem essa dor não é mesmo?

No começo do livro eu falo que não é um romance, embora seja sim uma linda e verdadeira história de amor, eu tenho certeza de que foi.

Quero apenas deixar claro que "desistir" desse amor foi o ato mais corajoso da minha vida, desistir dele, sabendo que eu teria que conviver com essa decisão pelo resto da minha vida, exigiu de mim muita coragem, coragem para admitir que eu não tinha mais forças para continuar, (admitir isso, foi o começo da minha recuperação, afinal, a codependência nos dá a suposta impressão de força), coragem em admitir para o mundo que o amor dele por mim não era mais forte do que o suposto amor dele pelas drogas, coragem para dizer para mim mesma que eu tinha que pensar em mim, tinha que ser egoísta e aguentar as consequências disso.

Como consigo dormir todas as noites? Rezando todos os dias por ele, fazem quase 9 anos que tudo isso aconteceu e como pode ver, 9 anos depois, eu ainda escrevo em um blog, comento nos blogs de minhas amigas e escrevi um livro, sabe por que tudo isso? Porque eu jamais vou me esquecer dele, porque eu segui em frente sim, mas jamais deixei ele para trás, ele está em minhas orações, eu ainda tenho a esperança de vê-lo curado.

Sabe Viviane, você deve conhecer o blog da Poly  - Amando um Dependente Químico, ela é uma das mulheres que mais admiro, pela força, garra, coragem, e foi ela quem me ajudou a me perdoar, me ajudou a aceitar e a encarar a realidade. Foi com esse comentário deixado por ela que percebi que eu tomei a decisão certa e que eu não preciso mais me culpar por ela.


Poly P.Jun 3, 2011 09:56 AM
Querida Giulli, "abandonar o barco" nem sempre é sinal de fraqueza... De que adiantaria se afundar com ele? Livre-se dessa culpa, por você, por sua filha, por seu casamento... Se alguém estiver se afogando, tente salvá-la, mas, se no auge do desespero, ela estiver afogando você também, solte-a e nade, salve-se! Isso é regra de sobrevivência! Tenho certeza que fez o que pode, o que foi capaz. Se ele se afundou, foi porque não nadou, e não porque você não o carregou nos braços...

A verdade é que a minha dor, não é maior e nem menor do que dor de ninguém, mas, é a minha dor, só minha e ninguém poderá senti-la por mim nem tampouco compreendê-la, assim como não posso falar da dor de ninguém, faço apenas ideia de como ela é, mas não posso mensurar a dor de ninguém.

Eu gostaria de ter tido a garra da Poly, da P, da Tininha, da Emily, da Adri, a sua e tantas outras que ainda lutam pelo seu amado D.Q, eu não tive, eu tinha dezoito anos, mal sabia diferenciar uma droga da outra e tive um namorado que me amou como ninguém mais vai amar e que mesmo assim, não conseguiu largar as drogas para viver esse amor.

Como eu disse no livro,  eu não acredito em acasos, por isso, acredito que eu tive sim uma missão ao lado dele e eu acredito no verdadeiro amor, sei que o que tivemos, mesmo com pouca idade, foi verdadeiro...

Hoje, eu vivo sem culpas, eu vivo o meu hoje, sou feliz agora, nesse minuto, mas, estarei sempre esperando pela recuperação dele.

Eu não desisti dele, eu desisti de sofrer, e acredite, tomar essa decisão não foi fácil, porque sofrer é mais fácil do que se levantar, muita gente usa o sofrimento como bengala para justificar seus fracassos, suas frustrações, suas dores e a partir do momento que decidi seguir em frente, eu tive que largar essa bengala...

Viviane, obrigada pelo comentário, acho que muitas outras pessoas tenham a mesma visão que você, achei legal você fazê-lo, você me deu a oportunidade para repensar se de fato eu me perdoei... É, eu me perdoei!

Estamos juntas, mesmo eu hoje não estando mais ao lado de um dependente químico, saiba que apoio e admiro quem está!!!

Que o Poder Superior nos ilumine!

Boa Semana à todos...





quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Com minha codependência aprendi...



Ao controlar a minha codependência, eu aprendi que não preciso fugir de mim mesma para agradar alguém.

Aprendi que preciso antes de mais nada me aceitar, que preciso me amar, que não posso colocar todas as minhas expectativas em "cima" de alguém.

Aprendi que preciso estar sempre próxima de mim mesma e que tenho poder de decisão somente sobre a minha vida e de mais ninguém.

Aprendi que nem sempre o que julgo ser importante e essencial para mim é também importante para o outro.

Aprendi a aceitar as críticas sem me corroer por dentro, mas, aprendi também a recusá-las quando não são construtivas.

Aprendi a controlar e canalizar meus acessos de raiva, aprendi que ser contrariada faz parte do processo da vida.

Deixei de ser perfeccionista, aprendi a relaxar.

Deixei de ser insegura, passei a confiar mais em mim mesma e em meu "Poder Superior".

Percebi que não sou o centro das atenções, demorou, mas percebi.

Aprendi que não sou a heroína do mundo, nem mesmo a heroína de quem está próximo de mim, não sou e nem preciso ser.

Parei de buscar situações onde eu me colocava na posição de fracassada.

Aprendi que a minha auto-estima é MINHA, portanto não pode depender de fatores externos para se manter "em alta".

Com a minha codependência em recuperação, aprendi a VIVER e DEIXAR VIVER!!!

Viva e deixe viver!!!

Boas 24 horas para todos nós!

Só Por Hoje, eu escolha a serenidade em minha vida!

" Ninguém pode nos ferir sem o nosso consentimento"
                                                   
                                                    Eleanor Roosevelt.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A dependência em cena!


As luzes do grande palco são acesas, ao fundo, uma música melancólica torna a encenação ainda mais triste, o personagem ali representado é muito mais do que mero personagem, as lágrimas derramadas durante aquela grande estréia são reais, a dor representada ali em um grito, um grito de socorro, é verdadeira, tudo é real, o palco se torna tão grande que faz com que você se sinta ainda mais sozinha e por falar em sozinha, nessa grande estréia falta uma coisa, o público!
É... É justo nesse momento, o momento em que você estava contanto com que todos seu amigos, parentes, conhecidos, colegas e afins estivessem lá, para vê-la, para incentivá-la, mas, ao contrário do que você gostaria, não estão.
Não há ninguém lá.
A solidão é sua companheira e sua sombra feita pela luz é a sua única companhia.
Você já se viu em uma cena parecida?
Já teve esse sentimento? De que a população do mundo não é tão grande assim como dizem os números, porque se fosse, você acredita que não estaria sozinha?
Essa é a sensação de alguém que acabou de descobrir a dependência química de alguém que gosta, é essa solidão que sentimos e é essa dor que vivemos.
Uma doença, como pode uma doença gerar tanto preconceito? Por que não nos sentimos à vontade para dizer aos outros que temos alguém que amamos adoecido com essa doença?
Por que temos medo de sermos julgados ao falar que o nossos namorados, maridos, filhos, estão viciados em drogas?
Por que temos que encenar essa história praticamente sozinhos?
Eu não sei, durante muito tempo eu me fiz essas perguntas, durante muito tempo eu achei que tinha que esconder do mundo o que eu vivi enquanto namorei um dependente químico, como se isso fosse algo para se envergonhar, hoje eu penso diferente, não é algo para se orgulhar, mas, descobri que é algo a se falar, falar cada vez mais, para que mais pessoas se libertem dessa dor, da dor de carregar sozinha o mundo em suas costas, para que mais pessoas descubram que não precisa ser assim.
Dor dividida é dor diminuída, por isso, meu conselho para quem vive isso hoje é: Não tenha vergonha, se você souber procurar, verá que não está sozinha...

Estamos aqui para nos ajudarmos, sempre!!!

Bom final de semana!!!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Momentos!



Oi pessoas!!! Saudades imensa de vocês, como foram de ano novo?

Eu tive uma passagem ótima e como já havia dito no post anterior, ao som da queima de fogos, eu orei, orei por nós, por vocês, pelos dependentes que conhecemos, tentei me lembrar de todas e todos, mas, sei que mesmo que eu não tenha lembrado, sei que o Universo, o Poder Superior estará conosco em mais um ano.

Eu estava lendo os outros blogues e abro um parêntese aqui para dizer que estou feliz em ver quantos novos blogues estão surgindo, quanta gente se ajudando, afinal, uma postagem minha pode ajudar vocês assim como as postagens de vocês, muito me ajudam. Estou feliz em ver que estamos criando uma imensa família virtual, uma família que se ama de verdade, incondicionalmente, não é mesmo?

Nessa minha passagem pelos blogues vizinhos, li várias postagens de alegrias de final de ano, claro, li algumas postagens tristes também, mas, esse post é para falar das postagens alegres, onde a felicidade reinou porque uma co recebeu a ligação do seu amado, outra foi visitar o seu na clínica, outra está feliz com a recuperação do  seu amor e por aí vai, e sabe o que há em comum em cada uma postagem dessas? A alegria nos pequenos momentos, a alegria em um telefonema, um abraço, um beijo... Damos muito mais valor à essas pequenas coisas depois que passamos pelo sofrimento da dor da saudade, é incrível como passamos a dar importância à coisas que uma pessoa "normal" não dá, tudo porque conhecemos a dor em sua forma mais cruel e com isso conhecemos a alegria verdadeira de saber, de ver, de estar ao lado de um dependente químico em recuperação.

É, a vida é feito de momentos não é mesmo?

Então, vamos deixar de esperar a próxima música tocar para ver se é melhor do que a que já está tocando, vamos curtir a atual, pois o momento de ser feliz é o agora, o já, vamos só por hoje vivermos a paz, a serenidade, o amor, a bondade, a alegria de acordar e saber que temos mais um dia de vitórias e conquistas pela frente. Vamos, vamos sim porque não temos escolhas, ficar parado não é uma escolha é desistência e quem ama ou amou um dependente químico sabe que essa palavra não existe para nós!!!

Uma linda semana para todos nós!!!

Amo vocês, porque vocês me fizeram ser uma pessoa melhor!

Encerro esse post com uma música que gosto muito...

"Outro tempo começou, pra mim agora..."




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011



Boa noite pessoal!!!

Não sei se vou conseguir postar antes do ano novo, então vou começar hoje...

Bom, esse ano foi sem dúvida um dos melhores dos meus últimos anos.

Tudo começou em 17 de fevereiro, quando dei como presente para a minha mãe um livro, mas, não um simples livro, um livro escrito por mim em homenagem e agradecimento à ela, por tudo o que ela passou ao meu lado durante a adicção do meu então namorado. Logo em seguida o blog nasceu e pouco tempo depois, eu estava começando a vivenciar uma experiência maravilhosa, eu iniciei de fato a jornada da minha recuperação, eu iniciei uma linda história de amizade, com vocês!!!

Foram cerca de nove meses, nove meses onde aprendi muito, chorei muito, e me emocionei muito.

Eu preciso dizer que sou eternamente grata por cada um de vocês terem entrado na minha vida, mesmo que virtualmente a minha recuperação devo à vocês...

Tenho algumas novidades para o ano que vem e logo compartilharei com vocês, hoje, quero apenas desejar o melhor para vocês, desejar muita luz em seus caminhos e dizer que na virada, enquanto eu estiver fazendo meus agradecimentos e meus pedidos, todos vocês estarão em meu pensamento, de verdade, pedirei por nós, nessa jornada contra as drogas...

Estamos juntas, estamos juntos...

Amo vocês. Feliz 2012.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Resista

Sei que já postei aqui, mas, acho válido postar novamente, dessa vez, em especial para alguém especial, para a Carol do blog http://meuestranhomundoinsano.blogspot.com/.

Estamos juntas, saiba que não está sozinha, a sua dor agora é nossa dor e logo se transformará em alegria. Acredite.


Resista um pouco mais, mesmo que a sua coragem esteja cochilando.
Resista mais um minuto e será fácil resistir aos demais.
Resista mais um instante, mesmo que a derrota seja um imã, mesmo que a desilusão caminhe em sua direção.
Resista mais um pouco, mesmo que os invejosos digam para você parar.
Mesmo que a sua esperança esteja no fim.
Resista mais um momento, mesmo que você ainda não possa avistar ainda a linha de chegada, mesmo que as inseguranças brinquem de roda à sua volta.
Resista um pouco mais, mesmo que a sua vida esteja sendo pesada como a consciência dos insensatos e você se sinta indefeso como um pássaro de asas quebradas.
Resista porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço e essa manhã bonita e ensolarada sem algemas nascerá para você em breve, desde que você Resista!
Resista porque estou sentada na arquibancada, torcendo ansiosa para que você vença e receba do Universo o que você merece. A FELICIDADE!!!


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Notícias do Matheus!!!

Olá pessoas!!!

Quem acompanha meu blog há alguns meses, sabe da história do Matheus, sabe o quanto essa história mexeu comigo, para quem não conhece, aqui vai algumas postagens:

http://livrovaleuapena.blogspot.com/2011/07/diario-de-um-usuario-de-crack.html

http://livrovaleuapena.blogspot.com/2011/07/olhando-pelo-retrovisor.html

http://livrovaleuapena.blogspot.com/2011/07/nao-criar-expectativas-para-nao-me.html

http://livrovaleuapena.blogspot.com/2011/08/blog-do-matheus-direito-de-internacao.html

Bom, como podem ver, fiz algumas postagens sobre essa história, e hoje venho postar novamente sobre ela.

Abri meu blog e nas atualizações dos blogues que sigo, vi que havia uma postagem no blogue dele, eu corri para ver, o mais engraçado é que ontem pensei nele, pensei se ele estaria bem, se estaria em recuperação e hoje o universo me mandou a resposta, através do Rafael, que também já falei sobre ele e seu blogue aqui, ele foi que "conseguiu" a internação para o Matheus e postou uma carta do Matheus lá no blogue.

Quem quiser conferir, segue o link: http://usuariocraque.wordpress.com/2011/12/26/feliz-natal/#comment-49

Resumindo, estou feliz por ele, feliz pela persistência dele, feliz por saber que ele não está mais nas ruas,  passando fome, frio, tomando chuva e consumindo aquilo que o consumia...

Estamos juntos Matheus!!!
E Juntos somos mais fortes!

Estou muito, muito feliz!

Espero um dia fazer um postagem igual, falando sobre a recuperação do meu ex, do anjo Gabriel.

Uma Semana iluminada para nós!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Dia, Feliz Natal

Oi Pessoas... Saudades de vocês, todos vocês!

Isso não é promessa de ano novo, mas, ano que vem voltarei a postar com mais frequência, afinal, a minha recuperação só acontece de fato porque venho aqui desabafar com vocês e ouvir os conselhos de vocês.. Amo isso aqui, amo o retorno que tenho tido com o blogue e com o livro.

Bom, mas hoje, não vou falar de Co não, quero apenas agradecer à todos, nem vou citar os nomes porque a família de blogueiros cresceu bastante, mas, todos os que sigo, os que me seguem, os que acompanham minhas postagens, os que me escrevem e-mails, enfim, todos, quero desejar um Feliz Natal, não esquecendo que todos os dias podemos decidir sermos felizes e que todos os dias podemos desejar felicidades aos outros, portanto, FELIZ DIA para todos nós!!!


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dia triste!



Entra ano e sai ano e toda vez que o Natal se aproxima, isso acontece, mesmo após anos, mesmo após ter conseguido me recuperar da minha codependência, ainda há algo que é mais forte do que a minha recuperação. São as lembranças que essa época me traz.

Hoje eu já não fujo mais dessas lembranças, hoje, elas não me assustam mais, mas, mesmo assim, é inevitável, elas se fazem presente em minha vida e sempre farão.

A realidade é que sempre achei a data do Natal um dia triste, nostálgico, desde pequena, não que eu não goste ou não curta a data, a magia que envolve a data, eu gosto sim, mas me sinto normalmente triste quando vai se aproximando do dia.

Foi no Natal de 2002, fazia menos de uma semana que eu o havia confrontado na meio da rua, perguntando se ele estava usando drogas, fazia menos de uma semana que eu aprendi que o SILÊNCIO também é resposta, porque foi esse silêncio que me fez ter a certeza de que meu então namorado estava trilhando uma estrada quase que sem volta.

Naquela noite, ele iria passar o Natal na minha casa, eu estava ansiosa esperando pela a sua chegada, eu já estava começando a sentir a dor de estar ao lado de um dependente químico, a dor de ver os ponteiros do relógio se arrastarem lentamente e praticamente não saírem do lugar, a dor de não saber se a tão esperada hora iria chegar de fato.

Chovia bastante, e aquela chuva tornou tudo mais triste e doloroso, lentamente as horas se arrastaram, minhas mãos, que já estavam cansadas de tanto discar no telefone o número do celular dele, já estavam tremendo de tanto pavor também.

Na tv, o som do Feliz Natal ecoava em minha mente, me esforcei para desejar para a minha família um feliz Natal, enquanto buscava desculpas para justificar a ausência dele. Quando então o telefone tocou, meus olhos não conseguiram segurar as lágrimas, aquela foi a primeira vez de várias que senti medo ao ouvir o telefone tocar. Foram mais de cinco horas de agonia, de dor e angústia, de medo, pavor e desespero, eu quis xingá-lo, mas, apenas pedi que ele fosse para a minha casa, eu precisava vê-lo mesmo depois de ouvi-lo dizer que havia passado a noite em um beco, usando droga, tudo o que eu mais queria era acalmar o meu coração que sangrava de tanta dor.

Esperei por ele... E ele chegou...

"Entramos em casa, ele cumprimentou minha família, ficamos um pouco na sala, sentados no sofá, ele quase não pronunciou palavra alguma, pálido, quieto, não conseguia me olhar nos olhos, ou não queria, porque sabia que meus olhos estavam ardendo em fogo enquanto eu o estudava minuciosamente, depois do alívio de vê-lo bem, fui tomada por um sentimento obscuro, senti ódio dele, senti raiva, dele e de mim, queria desesperadamente entender o porquê, ele havia estragado a minha noite de Natal, a nossa noite de Natal e parecia não estar se importando com isso! Enquanto eu o fitava, busquei nele algum indício de que o Gabriel que eu havia conhecido ainda existia, por trás daquele outro que eu não sabia quem era.


- Onde você estava? - perguntei em voz baixa - Quero que me diga a verdade, só isso. Eu quero te ajudar.
- Jú... - ele estava relutante e tive que me controlar para não fazê-lo recuar com o meu desespero, eu precisava saber. - Eu não consegui, eu tentei, mas não consegui. Eu estava sentado, no meio do mato, em um
terreno baldio. Quando te liguei ainda estava lá, o efeito já havia passado, estava chovendo e eu não sabia o que fazer. Para ser sincero, não pretendia vir mesmo, estou envergonhado por decepcioná-la.

Minha garganta ficou seca, senti-la queimar, posso sentir novamente como se estivesse acontecendo agora nesse exato momento. A respiração dele estava ofegante, quase pude ver o movimento de seu coração bater enquanto ele falava, seus olhos estavam marejados de lágrimas e a única coisa que pude pensar é que ele ainda gostava de mim, pois havia pensado em mim logo depois que passou o efeito da droga. Essa foi à primeira vez, dentre várias em que me submeti a ser colocada em segundo plano, em que aceitei ficar atrás das drogas na lista das prioridades dele.

Nos abraçamos, choramos, começaram as promessas."



E desde então, por mais que eu queira não lembrar, todos os anos, nessa época eu revivo internamente essa data, mesmo não querendo "curtir" essa dor, tudo porque há feridas que não se fecham e não se curam jamais...



"...E eu me lembro de você assim, em dias de chuva, em dias de sol"

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Conte a sua história - Amiga dos Animais!



ANGÚSTIAS DE UMA CODEPENDENTE

A minha história começa em 1997, quando me apaixonei por um traficante e dependente químico, casado!
Mantive um longo relacionamento ilícito com ele, até que ele acabou sendo preso. Como ele era casado, nosso relacionamento acabou, pois a esposa era quem o visitava na cadeia.

Um ano e meio depois, ele ainda estava preso e acabei me envolvendo com outro dependente quimico, ex-traficante e ex-presidiário... havia cumprido uma pena de quase cinco anos! A única diferença era que esse não era casado. Eu já o conhecia desde a infância, mas passamos
muito tempo sem nos ver, pois ele se mudou com a mãe e o padrasto pra longe da minha casa e nossas vidas tomaram rumos diversos.

Quando nos reencontramos aos 26 anos de idade, ele já possuia as marcas indeléveis de uma longa temporada na prisão... na "escola do crime" e, como nossa sociedade é extremamente segregacionista e preconceituosa, ele não conseguia emprego algum!
Foi ai que o ócio e a mente perturbada de quem acabara de sair da prisão, mais os "amigos", o levaram a experimentar o crack. Foi então que o inferno dele começou!

Sem dinheiro para manter o, até então apenas uso, da droga, ele começou a traficar pequenas quantidades de drogas para se manter!
Além do mais, como dependente que já era, da maconha, ele "precisava" do dinheiro que um emprego (e uma vida) digno não lhe pôde dar!
Ocasionalmente, principalmente nos fins de semana, durante as noitadas ele usava também o álcool e a cocaína.
Até neste ponto, ele ainda estava com outra mulher, e como as teias do destino o trouxeram para morar do lado da minha casa outra vez,
eu sabia de tudo isso pela mãe dele, até então amiga de minha mãe, e através da minha prima, casada com um tio dele.
Quando ele acabou se separando de vez da outra namorada, com quem tem uma filha, eu decidi que queria ficar com ele...
Foi ai que o meu inferno começou!

Perdi a conta das noites mal dormidas... noites em claro, vagando pelas ruas da cidade, nas "bocas de pedra" e nas "biqueiras", como chamam.
Muitas vezes ele carregava os eletrodomésticos da casa da mãe, enquanto ela dormia...
Quantas vezes vi ele pegar os produtos da despensa, caixas de leite, sacos de arroz, macarrão, o próprio colchão onde dormia... e, junto comigo, na maioria das vezes, subindo e descendo o morro nas madrugadas geladas, em busca da droga maldita!
Em algumas ocasiões, chegou a praticar e tentar praticar pequenos furtos, e num desentendimento com um traficante uma certa noite, ficou
na mira de um revólver! Cheguei a interceder e fiquei entre ele e o traficante armado! Felizmente não aconteceu o pior...
Quando eu não estava junto, estava em casa morrendo de preocupação e desespero, que nunca se mostravam em vão, pois ele sempre se metia
em alguma confusão, principalmente quando se juntava com outros usuários, inclusive um primo dele...
Certa vez, ele e o primo, se meteram em uma briga de bar e os dois foram parar no hospital. O primo com um ferimento à faca no rosto, e ele com a cabeça atingida por um tijolo, sangrava...

Ele, assim como eu, gosta de animais. Entretanto a criação dele, ao contrário da minha é para fins comerciais... pois foi onde muito me doeu!!
Vi ele acabar com as criações muitas e muitas vezes... galinhas, franguinhos, filhotes de cães...
Um dia ele ameaçou arrancar o pescoço de uma garnizé na minha frente, se eu não desse dez reais (o preço de uma pedra de crack) pra ele.
Minha irmã acabou dando, vendo o desespero em que eu me encontrava e não tinha o dinheiro pra dar a ele...
Minha família sofreu e chorou lágrimas de sangue comigo... e ao ver o que eu sofria, dia após dia!!
Quantas madrugadas tirei meu pai da cama pra me buscar no meio de ruas desertas e sombrias!
E ele ia, junto com minha mãe... 

Estamos juntos há mais de 6 anos e ele chegou a ser internado, por causa do crack, umas 8 ou 9 vezes... nem lembro direito!
No início de nossa relação ele ainda amava a outra mulher, que o abandonou quando ele fora preso e voltou quando ele saiu...
Eu pensava que fazendo ele esquecer da outra e se apaixonando por mim, ele abandonaria as drogas! Ledo engano...

Ele é usuário de maconha desde os 14 anos.
Ao longo do tempo foi se tornando dependente de cocaina, "amesclado" e, depois que saiu da prisão, do crack propriamente dito! Hoje ele e eu temos 33 anos.
Eu não fazia idéia do martírio que viveria... Além das drogas, do temperamento irascível e genioso, ele chegou a me trair descaradamente com a outra, muitas vezes! Como antes éramos vizinhos de muro, ele não tinha como esconder as traições e nem se dava ao trabalho de irem
pra outro lugar... Ela o "usava" quando queria... e eu o perdoava... e ele me "tolerava"... Gostava da outra, mas não a queria mais por companheira, já que ela o maltratava muito emocionalmente, inclusive o traindo! Então, me "deixava" ficar do lado dele...
Com o coração sangrando, eu o perdoava, mas não esquecia!

Com o passar do tempo ele esqueceu a outra, se apaixonou por mim, mas estava cada vez mais e mais dependente do crack, que acabava usando junto com a maconha, a cocaina, o álcool e tranquilizantes.
Quando saíamos nos finais de semana, eu parecia um "estranho no ninho", pois eu não usava drogas, nem álcool e nem tinha assunto com os "amigos" dele que estavam junto.

Começaram as internações quando a mãe viu que ele estava acabando com tudo dentro de casa!
Eu mais vivia lá do que na minha própria casa...
Esta última internação durou apenas dois meses, já que a Prefeitura de nossa cidade "não pôde" pagar e nem eu, nem a mãe dele temos condições pra isso.
Depois que ele chegou ainda não o vi. Ainda não tive coragem de tentar viver novamente ao lado de uma "bomba-relógio", mas só Deus sabe o quanto tenho sofrido e chorado a saudade dele... Não sei o que fazer!!
Ele diz que está me esperando... e isso me destrói mais ainda por dentro!

Primeiro foram internações voluntárias, onde ele nunca conseguia ficar até o término dos tratamentos. Depois, a mãe começou a interná-lo involuntariamente (como das 3 últimas vezes), mas, sabe-se lá porquê, ela mesma interrompia o tratamento dele, tirando-o das
clínicas.
Juntando-se ai os obstáculos da Prefeitura... os tratamentos nunca deram em nada. Mas, uma vez, depois de 43 dias internado, ele chegou a ficar nove meses limpo e frequentando os Narcóticos Anônimos!
Chego a me perguntar por quê ele voltou à "ativa", já que conhece os 12 passos de N.A., sabe o que deve fazer e o que deve evitar para ficar limpo, mas não o fez... um dia ele me disse que uns "tirinhos" de vez em quando ele vai dar mesmo! Fiquei decepcionada e sem esperanças de que ele realmente queira a recuperação um dia!

É preciso que eu diga que ele foi criado por uma mãe solteira, abandonada ainda na gravidez, e que depois do nascimento dele, ela o deixava aos cuidados da avó, que por sua vez, vivia com outro filho traficante. A figura masculina que ele cresceu tendo por referência foi este tio traficante, que hoje se encontra desencarnado, por desavenças com outros traficantes. Quando ele já era um pouco mais velho a mãe se juntou com um homem e o levou para morar com eles... o padrasto e ele se adoravam, mas infelizmente o alcoolismo o levou cedo demais!

Quando mais crescido, já quase adolescente, a mãe arrumou um namorado e o colocava pra fora de casa pra namorar porque o tal namorado "não se sentia à vontade com ele em casa". Muitas vezes ele disse que a avó o encontrava dormindo na porta de casa. A mãe engravidou de
novo, e foi novamente abandonada! O irmão, que também cresceu sem a presença paterna e hoje está com 17 anos, está indo pelo mesmo caminho do irmão mais velho... mas ainda não é um dependente, visto que ainda consegue esconder o uso.

O que me atormenta nisso tudo é que estou por demais exausta e com minha estrutura emocional e mental completamente transtornadas... tenho a humildade e a vergonha de me assumir uma desequilibrada!
Fiquei dependente de calmantes e antidepressivos e não durmo mais sem remédios!
A ociosidade em que estou vivendo ainda contribui mais ainda para minha condição desesperada e desesperadora diante da minha situação!!
Minha única "janela para o mundo" é este computador e, só posso dizer que não estou uma completa inútil por causa do meu ativismo virtual pela causa animal.

Por outro lado, certos comportamentos e atitudes dele para comigo, até quando passa longos períodos "limpo", me confundem e me machucam.
Ele diz que me ama, mas só consegue ver defeitos em mim e me critica por tudo e por nada!
Me agride, sem nenhum motivo lógico, com palavras ferinas que ele sabe que vão me machucar... chegou certo dia a dizer que não me suportava!
Parece que ele só me aceita "incondicionalmente" quando está na ativa...
Mas, quando me afasto e me separo dele, ele diz que não vive sem mim!

Não consigo compreendê-lo!
Não consigo compreender a mim também...
Ao mesmo tempo, por mais que eu sofra ao lado dele, sempre acabo voltando pra ele. A codependencia "roubou" minha vida própria. Passei
anos vivendo a vida dele e só agora comecei a tentar entender essa doenças e tentar me modificar, mas parece que me esqueci como é que se vive a própria vida. Mas, quanto mais eu reflito, mais duvidas eu tenho sobre se devo voltar pra ele ou não...

Nosso amor mais parece um vício, uma codependencia mutua... um "precisar" do outro!
Sinto muita culpa por pensar que ele pode estar sofrendo por minha ausência... Sinto pena, por toda a história de vida dele... mas também penso que preciso me preocupar mais comigo.
A única coisa que tem me confortado são os meus livros e os meus animais...
Não sei o que fazer da minha vida... "com" a minha vida...
Só consigo vislumbrar uma noite terrivelmente escura à minha frente!

Grito por socorro, mas só ouço o mais atordoante silêncio...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Feridas, dor, liberdade!


A dor chega sorrateiramente, de mansinho, como uma leve brisa.
Com o passar do tempo, ela vai aumentando e então essa brisa se torna uma rajada de vento, e com um pouco mais de tempo, uma tempestade.

E então, você percebe que a dor existe porque há em você uma ferida aberta, uma ferida exposta, uma ferida que já deveria ter cicatrizado, mas, não cicatrizou... E talvez, nunca cicatrize.

A grande verdade é que quem um dia esteve ao lado de um dependente químico, raramente conseguirá seguir sua vida em frente sem se lembrar de tudo o que passou, porque estar ao lado de um dependente químico é uma mistura de sentimentos tão intenso que ultrapassam as barreiras do nosso entendimento.

Você sente dor quando o vê lutando desesperadamente contra seu vício, sente amor a cada dia que ele consegue ficar sem a droga, sente ódio a cada recaída, sente raiva a cada nova promessa de que vai parar, sente pena a cada lágrima derramada, sente culpa quando decide não sentir mais nada disso.

Eu carrego e carregarei comigo pelo resto da minha vida as lembranças dos anos vividos ao lado do "Anjo" que se tornou um dependente químico, ele não é um dependente químico, ele está um dependente químico, ser e estar são condições diferentes e eu espero que ele deixe de estar logo e volte a ser quem ele era.

Acredito que eu tomei a decisão de deixá-lo seguir seu próprio caminho, sem mim, na hora certa, no momento em que as lembranças boas ainda eram maiores do que as lembranças más, isso me reconforta, porque não sinto raiva, não sinto desamor, não sinto ódio por tudo oque passei.

Eu o libertei para encontrar sua própria recuperação antes de que nossas lembranças se tornassem apenas borrões em uma lousa velha, antes que a maldita pedra branca fosse capaz de apagar tudo o que de bom tivemos. Eu o libertei, ele me libertou e espero que ele encontre as suas asas de volta e volte a voar como um anjo de pele vibrante como a neve e olhos vibrantes, como quando eu o conheci.

"Tentamos ser Suficientes para os outros e acabamos sendo Insuficientes para nós mesmos..." Isso é ser codependente.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Aprendendo a ser quem sou!

"Você tem o direito de pensar o que quiser de mim, não vou forçá-lo a me conhecer, não tenho o propósito de mudar os conceitos de ninguém, mas, também não vou esconder meus momentos de insanidades, minhas alternâncias de humor, minhas lágrimas, meus momentos infantis e minhas risadas que duram até que me falte o fôlego. Eu sou o que sou e quem eu sou por livre e espontânea vontade, sou propositalmente complicada e perfeitinha, não posso mudar a minha essência, não vou me moldar aos seus gostos, não vou me politizar para agradar a sociedade e tão pouco fingir ser quem não sou"






terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vamos mudar só por hoje!

Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia é capaz de provar o gosto da verdade. Seja ela qual for.

O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros e trambolhões existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento. A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos).

A pessoa é impelida para a aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial.

Nada mais verdadeiro e simples do que isso, sofrer faz parte do aprendizado, só não percebe isso quem após ter passado por uma situação de sofrimento, não foi capaz de olhar para trás e perceber que tinha alguma lição para tirar daquilo.

Nem sempre entendemos os desígnios de Deus, nem sempre entendemos a vontade do nosso Poder Superior, nem sempre compreendemos de imediato que algo melhor está por vir. Uma nuvem de chuva não fica por muito tempo no mesmo lugar, basta acreditar nisso, basta saber que o Sol está lá, atrás dela, esperando ela caminhar para aparecer novamente e inundar nossas vidas com sua luz brilhante e seu calor que acolhe.

Acredite que você sempre terá escolhas a fazer, às vezes só enxergamos somente uma, normalmente aquela que não nos agrada, mas tudo porque estamos tão focados em nossos problemas que não percebemos que há outra opção além daquela que vemos.

Mude de foco,  mude de pensamento... Mude, mude o que for necessário para que você possa perceber as mudanças em sua vida.

Se você continuar fazendo as mesmas coisas, continuará obtendo os mesmos resultados...

Só Por Hoje, vamos mudar algo em nossas vidas!!!






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