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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Modus Operandi do dependente químico


Quem acompanha o blog, deve se lembrar da postagem "Desligando a humanidade" (aqui), onde falo que o dependente químico na ativa, desliga as suas emoções e passa a viver somente em função da droga, buscando nela o prazer e o alívio.

Hoje, vou falar do processo que se inicia quando o dependente desliga as suas emoções. É quase que sincronizado, ele desliga as suas emoções e aperta o "Start" em seu processo de "Modus Operandi".

Modus Operandi é uma expressão que vem do latim que significa modo de operação, utilizada para designar  uma maneira de agir, operar ou executar uma atividade seguindo sempre os mesmos procedimentos.

Na dependência química, utiliza-se muito o exemplo de uma mulher em uma praia, muito bonita, sozinha. Um homem normal, olha para ela, sente desejo por ela, pensa em flertar com ela. Mas, raciocina, pensa que ela pode ter um namorado ou marido e decide não se envolver em confusão. já o adicto olha para essa mulher e sente obsessão e parte para o assédio impulsivamente, pensando nas consequências dos seus atos, somente depois é que vai pensar nas consequências dos seus atos.

Em outras palavras, o adicto inicia um processo de piloto automático, um processo cíclico e repetitivo para nada além do que satisfazer a sua vontade e necessidade pela droga.

Todos nós temos um modus operandi, sem exceção, mas, o do dependente se potencialliza com o poder e efeito das drogas.

Diante disso, talvez, fique um pouco mais fácil entender e compreender a obsessão do dependente pela sua droga de preferência, o desespero e a compulsão dele para poder usá-la e usá-la. Não existe um segredo para desligar o tal modus operandi, é algo que dependente totalmente do dependente, ele é desligado quando o dependente chega em um determinado ponto onde algo de drástico acontece, drástico para ele, o chamado fundo do poço, é nesse momento que as chaves são invertidas, a chave do modus operandi é desligada e a chave das emoções começa a ser ligada lentamente.

E é nesse momento em que o dependente tem a chance de ser "resgatado" de seu submundo e trazido de volta ao mundo.

É cansativo, doloroso, massacrante e muitas vezes, quase que impossível, mas, saber identificar esse momento é de extrema importância no árduo trabalho para ajudar um dependente, é nesse hora em que a lacuna que se abre na vida do dependente quando está na ativa, se torna visível, aparente e com isso, possível de ser dominada, controlada, trabalhada e preenchida.

Acho que eu não soube identificar esse momento exato, talvez, eu não tenha percebido os sinais, mas, ainda sim, eu tentei e ainda sim eu sei que há no Anjo Gabriel, uma lacuna, em branco, vazia, precisando ser preenchida.

Espero pela notícia em que ele desligou o seu modus operandi e ligou novamente as suas emoções. Que o Universo trabalhe a favor dessa realização. Que assim seja.

Boas 24 horas.

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