Talvez, o post de hoje seja um tanto quanto polémico ou até mesmo "maluco", mas, antes de começar a escrever, quero deixar claro aos meus leitores que não quero de forma alguma ir contra as crenças e dogmas de ninguém.
Cerca de 80% das postagens que faço aqui, são feitas com base na minha experiência em relação as drogas, na minha vivência, os outros 20%, antes de fazer uma postagem, eu procuro investigar e me aprofundar mais no assunto para garantir uma melhor qualidade das mesmas.
Bom, feita essa explicação, vamos à postagem, e eu começo ela com uma pergunta:
O que a RELIGIÃO significa para você e para a sua vida?
Respondendo a minha própria pergunta, eu digo que para a mim e para minha vida, a religião é algo essencial, mas, a religião que me refiro aqui não é aquela associada a uma construção, a um espaço físico, eu me refiro a uma questão espiritual que vai muito além disso.
Religião vem do Latim - Religare - Religar-se com o Divino, religar-se com Deus, ou com Algo Superior.
Para mim, não há uma verdadeira religião, uma verdadeira igreja, um verdadeiro livro sagrado, desde que aquela que você se propôs a seguir e digo aqui seguir de forma clara, sem vendar os olhos, te leve para o caminho da Deus, o caminho da paz e da verdade.
É comum vermos hoje em dia um grande número de pessoas que atribuem a sua recuperação após terem começado a frequentar algum tipo de Igreja, até aí, acho válido e maravilhoso, eu mesma, em meu livro, falo que a minha Fé foi testada durante a minha jornada e que eu nunca tive tanta Fé em algo como naquela época, eu acredito no poder da oração, não importa que religião seja, eu rezava o Salmo 91 todos os dias, várias vezes ao dia, fazer isso me trazia conforto, renovava as minhas esperanças. O que quero dizer com esse parágrafo é que eu sou totalmente a favor da religião, mas, não concordo com a forma como o tema Recuperação X Religião são abordados por muitos.
Sabemos que a recuperação de um adicto, se dá pela junção de diversos fatores e a religião é um deles, porém, hoje em dia, muito se vê pessoas que encontram na religião a sua aparente recuperação e com isso elas ignoram os outros fatores, e passam a aceitar somente a religião, ou melhor a igreja como forma de recuperação. Por isso, digo que é uma aparente recuperação. Eu tenho total convicção de que Deus, ou Algo Superior quer que nós sejamos felizes, porém eu acredito que nós temos que fazer a nossa parte, utilizar das "ferramentas" que nos são apresentadas, no caso da recuperação da dependência, é preciso que o dependente em questão não se feche somente na Igreja, pois, para que o mesmo esteja verdadeiramente trilhando o caminho da recuperação, ele precisa mudar muitas coisas em sua vida.
É claro, há muitas pessoas que conseguem parar de usar drogas somente seguindo a sua religião, mas, já perceberam porque isso acontece? A resposta é clara, normalmente, quando a pessoa começa a frequentar uma Igreja assiduamente, ele gradativamente passa a mudar os HÁBITOS, para se "adequar" a filosofia daquela Igreja, percebam que hábitos está em maiúsculo, justamente porque a mudança de hábito é um dos fatores essenciais para a recuperação de um dependente, é por isso que ele consegue se manter em sua recuperação, ele muda as companhias, o ambiente, passa a viver para a Igreja.
Isso é sem dúvida algo muito bom, mas, na grande maioria das vezes, quando o adicto se vê na condição de um dependente em recuperação devido a sua religião, ele passa a negar a necessidade de um acompanhamento em uma irmandade por exemplo, ou com um psicólogo ou terapeuta, aí o que vemos na sequência é que se essa pessoa por algum motivo se afasta da igreja, fatalmente ele recai. Sabem por que?
Porque não houve uma mudança interna, o dependente não teve a chance de trabalhar os seus conflitos, suas mágoas, seus medos e aflições, ele apenas mudou seus hábitos, deixando a vida anterior em nome da Igreja, mas, não abandonou o seu EU antigo, por isso, eu acho que quando um dependente consegue parar de usar drogas somente indo em uma Igreja, há a necessidade de que ele busque paralelamente uma ajuda especializada.
Mais uma vez, darei a minha experiência como exemplo, eu já disse em posts anteriores que quando conheci o meu ex-namorado, ele estava limpo há mais de dois anos, pois é, e ele parou somente com a ajuda da Igreja, no caso, Católica, ele passou a frequentar as missas constantemente, a sua família é bem religiosa e o incentivou sempre, com isso, ele foi mudando seus hábitos, companhias, passou um tempo longe da cidade e com ajuda de várias pessoas "chaves", da Igreja ele foi voltando à sua vida normal. Começamos a namorar, íamos à missa juntos, e seguíamos o mesmo estilo de vida que ele seguia antes de me conhecer, ele trabalhava, estava estudando e ainda sim recaiu.
Recaiu porque colocou a sua recuperação a cargo da Igreja, depositou em sua religião a responsabilidade de mantê-lo limpo, ele não se ajudou, por fora, ele havia mudado, mas, por dentro, tudo estava igual. Ele não teve a ajuda de um N.A por exemplo, onde experiências são trocadas e com isso, um ajuda o outro, ele não teve um acompanhamento para trabalhar tudo o que ainda o estava incomadando por dentro, e assim, a queda foi inevitável.
Para finalizar, eu deixo claro que não sou contra a nenhuma religião, menos ainda nego a importância delas na ajuda ao dependente, acredito que não importa qual seja a religião escolhida, desde que haja Fé Religiosa, ou seja, que acredite emindependende
de estar em um templo, igreja ou não é importante e válido, eu diria ainda essencial na recuperação.
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