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domingo, 28 de julho de 2013

E por que não?

Dezesseis de Julho, meu aniversário, meus 29 anos, que foi celebrado, esperado e bem recebido por mim.

Dezoito de Julho, meu presente do Universo: A notícia de que ele está em recuperação.

Na noite de dezessete para dezoito, eu sonhei com ele, sonhei que ele estava em uma roda dando depoimento sobre a sua recuperação, acordei de madrugada e o sonho ficou em minha mente. No dia seguinte, recebo uma mensagem da irmã dele, dizendo que não havia se esquecido do meu aniversário, que não tinha conseguido entrar na internet antes e... Que o Gabriel está internado.

Quando eu vi em meu celular a mensagem dela, corri para o banheiro do meu trabalho e dentro de uma pequena cabine, eu chorei e agradeci pelo presente, Deus sabe o quanto significa para mim saber que o Gabriel está buscando ajuda novamente.

Ele está passando por aquele processo difícil dos três primeiros meses, a grande maioria de nós conhece esse processo, mas, eu tenho fé, ele foi por conta própria, pediu ajuda no CAPS e se internou sozinho, a família ficou sabendo após ele estar há mais de 45 dias internado.

Ele não desistiu dele.

Nem a família dele.

E nem eu...

Então, quando me perguntam se eu ainda acho que é possível a recuperação do Gabriel, a minha única resposta é: E por que não?

Eu acredito, o Universo está conspirando a favor da recuperação dele, o Poder Superior o está guinado, eu tenho fé de que ele consegue e não há motivos para eu não ter. Sempre tive e sempre terei.

Só por hoje, as lágrimas que escorrem pelo meu rosto, são de alegria, lágrimas de satisfação, felicidade, de renovação da fé.

Que ele consiga, um dia de cada vez, encontrar a sua recuperação.

Aqui sou eu, feliz por inteira!

Boas 24 horas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eu ainda acredito na recuperação!


Eu escolhi voltar a viver, eu soltei a mão dele mesmo ainda querendo estar ao lado dele, eu o deixei livre para fazer suas próprias escolhas mesmo sabendo que os riscos dele escolher o caminho errado eram grandes.
Eu não tive opção. Era ou a doença dele ou a minha saúde. Eu cheguei no meu fundo do poço e ele ainda estava em queda livre para o fundo do poço dele.

É, cada um tem o seu próprio fundo do poço e só se volta à superfície depois que se encontra o fundo, pois é lá no fundo que encontramos meios de nos impulsionar de volta à superfície.

Eu voltei, busquei forças para dar o impulso e voltar a ver a claridade, após um longo período na escuridão, no caos profundo.

Ele ainda não encontrou forças para dar o impulso final, talvez, ainda não tenha chego em seu próprio fundo do poço, mas, eu não desisti dele.

Eu desisti sim, de me acabar com ele, de me afogar com ele, de me matar com ele, mas, isso não significa ter desistido da recuperação dele, eu não perdi a fé nele, não perdi a fé em meu Poder Superior, eu só segui em frente, só me dei o direito de buscar a felicidade, de encontrar a felicidade.

É o chamado desligamento com amor, eu deliguei, por necessidade, mas, jamais deixei de acreditar na recuperação dele. Ainda espero por ela. Mesmo tanto tempo depois, eu escolhi não desistir, escolhi não esquecer.

E para você que se pergunta o que fazer, para você que se questiona se deve ou não continuar ao lado de seu amado dependente químico, vai a minha opinião:

Não existe uma resposta pronta para tal indagação, é o seu coração que vai lhe dizer o momento, só não deixe de ouvi-lo, porque se hoje olho para o meu passado com ternura é porque tive coragem de ouvir o meu coração e entender que o nosso tempo havia chego ao fim antes que a dor transformasse o que de bonito tivemos em algo escuro e sombrio.

Se você achar que o amor está a ponto de virar ódio, talvez esse seja o momento de pensar se não está em seu fundo do poço, e se estiver faça o que for necessário para sair dele, mas também para não permitir que o que os sentimentos que um dia existiu entre ambos, vire cinzas ou pó junto com as drogas.

Eu fiz a minha escolha, convivo com ela diariamente e ela me faz crer que Valeu a Pena!

Eu ainda acredito na recuperação.

Boas 24 horas.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal, codependência, Dependência

Feliz Natal meus amores!!!
Sumida, eu? Impressão...rs
É, estou ausente mesmo, mas não pensem que abandonei a minha recuperação, o meu blog, foi só a correria de fim de ano mesmo, tudo voltará ao normal, em breve.

Vamos primeiro para as notícias, para depois eu fazer a postagem sobre o tema escolhido.

Gabriel...

Poucos dias antes do Natal, fiquei sabendo pela irmã dele que ele "desistiu", ele disse para ela que não queria mais continuar o tratamento, que queria voltar para São Paulo, para a vida de antes. Tanto a irmã dele quanto o irmão tentaram convencê-lo a continuar na clínica, mas, ele estava irredutível e sabemos que não podemos controlar a recuperação de ninguém e então, ele se foi...

Chorei um bocado quando recebi a notícias, algumas amigas, companheiras viram no meu Face e me apoiaram bastante no dia e hoje, alguns dias depois, posso dizer que estou aceitando. É claro que pensei que depois de anos e mais anos, pela primeira vez eu ia ter um Natal completo, porque passar a noite de Natal sabendo que ele está em recuperação, seria a felicidade plena pra mim, já que foi na noite de Natal que descobri a dependência dele...Não foi nesse Natal, ainda não chegou a hora, mas a minha esperança sem expectativas continua e sempre continuará, só por hoje eu ainda creio na recuperação.


E por falar em Natal, é sobre isso o que eu realmente quero falar. Tenho estado ausente aqui do meu blog, mas acompanhando os outros blogs e as postagens na "nossa" comunidade no face e andei reparando em uma coisa, na repetição de fatos, parece que todas nós, Codependentes, passamos pela mesma experiência em uma determinada data.

E essa data é o Natal. Li várias companheiras falando dessa data, do quão triste ela costuma ser para várias delas, várias de nós.

Parece que todas Co, em algum Natal de suas vidas ao lado de seus amados dependentes, tiveram assim como eu alguma experiência nada agradável e que fez com que passasse a fazer se sentir triste nesta data.

Não foi um comentário somente, foram vários, dizendo quase a mesma frase: Não gosto do Natal, Natal me deixa triste, Natal me traz lembranças...

Normalmente, no Natal agente relembra de alguns fatos do ano que está chegando ao fim mas, para nós Co, não é somente as memórias do ano todo que retornam, é a memória também de algum Natal em que tenhamos passado imersas na dor, do desespero, na dúvida, em lágrimas, por causa de nossos amados dependentes químicos.

É minhas amigas, essa data nos deixa mesmo um pouco nostálgicas, mas, podemos mudar esse padrão certo? Vamos então daqui até o nosso novo ano, agradecer por estarmos em recuperação, agradecer por termos consciência de que podemos fazer as escolhas em nossas vidas e que somos fortes para arcar com as consequências dela...

Só por hoje minhas amadas, vamos apenas agradecer pela noite de ontem, seja como foi, vamos apenas agradecer por estarmos vivas, com dor ou sem dor, ainda sim, estamos vivas, não sobrevivendo, mas vivendo!

Um grande beijo!



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Eu não aceito!


E as coisas vão simplesmente acontecendo, como um trem desgovernado em alta velocidade sem estação certa para parar, um atropelamento de situações, você quase não tem tempo para respirar, a única coisa que você consegue fazer é seguir o tal do fluxo, é lutar para não ser arremessada para fora desse trem, nada mais do que isso.

É estressante, você é testada além do seus limites, muito além do que você um dia pensou suportar e tudo continua a passar em sua vida com um cometa, dia após dia, é tudo rápido demais, a única coisa que você sente em câmera lenta é a dor, essa, passa estranhamente lenta demais, não importa em qual velocidade o trem esteja, ela parece não seguir o mesmo ritmo, o mesmo tempo, o mesmo espaço.

Tristezas, decepções, mágoas, dor, lágrimas, pequenos sorrisos, esperança, alegria...Uma mistura de sentimentos em erupção, quase explodindo enquanto você luta para controlar cada um deles. Cansaço. Desânimo.

-Até quando? Você se pergunta.

-Quanto tempo eu ainda vou suportar? Você se indaga esperando um resposta, mesmo que seja o eco de sua própria voz.

-Eu não aguento mais! Você se lamenta.

-Até quando? Você se pergunta novamente e então a resposta lhe aparece como uma nuvem acinzentada. Você percebe que têm estado ocupada demais se escondendo da verdade, com medo de gritar para o mundo o que sente e a partir daí não suportar mais sentir. E quando você percebe isso, você definitivamente gritou para si que não aceita mais isso, não aceita mais sofrer dessa forma, não aceita mais se anular, não se amar, não se valorizar, não se colocar como prioridade.

E você não aceita mais não se feliz.

E o que acontece depois?

Parece que de uma certa forma, quando você diz para o Universo que você não aceita dele nada menos que a felicidade, ele tem um jeito estranho e inigualável de fazer com que as coisas se ajeitem e aos poucos, a felicidade passa a ser a sua companhia novamente.

Quando não aceitamos algo que nos tem machucado, estamos não só dizendo não para aquela situação, mas, estamos dizendo não para toda e qualquer situação que tente nos derrubar.

Apenas não aceite àquilo que te faz mal, quando você tiver consciência do que realmente te faz mal, o Universo vai trabalhar para mudar essa situação.

Quer uma dica?

Não aceite a compulsão desenfreada do seu amado dependente químico, aceite a doença, é diferente.

Quando você aceita a doença, o Universo trabalha na cura, quando você aceita a compulsão, o que você recebe de volta é a Codependência, fruto dessa compulsão...

Boas 24 horas!


domingo, 28 de outubro de 2012

Sentir para controlar!


Você só aprende a controlar o desejo se você sentir o desejo!

Isso é fato, enquanto não nos permitirmos sentir algo, enquanto não liberamos nossas sensações e emoções para que esse algo extravase, nós não poderemos controlar esse algo.

É simples, eu sou louca, quase que compulsiva por chocolate e sei que só consigo dominar esse desejo quando me permito sentir a vontade de comer um chocolate. Enquanto eu tento bloquear o pensamento da minha mente, enquanto digo para mim mesma que hoje não vou comer, que não estou com vontade, mas vontade pareço sentir, mas, quando me entrego à essa vontade em pensamento, quando assumo que ela existe, eu consigo controlá-la, eu assumo as rédeas da minha vontade e mostro que eu é que estou no comando.

É claro, estou parafraseando aqui, sabemos que essa questão de vontade e desejo é bem mais complexa do que a minha louca vontade por chocolates, mas, o que eu quis dizer com o parágrafo acima é que muitas vezes, a nossa vontade de que "nossos" adictos se livrem das drogas é tão grande que não permitimos que eles enfrentem as suas próprias vontades, nós não permitimos que eles demonstrem sentir essa vontade e com isso estamos impedido-os de controlá-la.

Um dependente químico, mesmo que em recuperação, sentirá vontade de sua droga preferida pelo resto de sua vida, todos os dias, sentirá saudades dela mesmo que ele dê o máximo de valor para a sua vida em recuperação e não deixá-lo expressar essa vontade é forçá-lo a não controlá-la, é não permitir que ele enfrente o seu próprio desejo.

Você, que está ao lado de um adicto, você permite que ele fale com você sobre o que a droga faz com ele, como ela o controla, quantas vezes ele sente vontade de usá-la?

Posso estar errada, mas acho que na maioria das vezes, a resposta vai ser não e sabe por quê? Porque a verdade é que quando eles falam sobre a vontade que sentem de usar droga, nós nos sentimos inferiorizadas, tristes e até mesmo fracassadas.

É só o assunto começar que lá vem a nossa codependência com seu sentimento de inferioridade para atrapalhar tudo, e aí começamos com o papo "Não diga isso", "Você é forte", " Você vai conseguir", "Olha o que você já conseguiu" e por aí vai.

É claro que não há nada de errado em sermos positivas, mas temos que pensar que às vezes, o que eles precisam é sentir que somos conscientes de que eles não são fortes como queremos que sejam e nem fracos como eles pensam que são.

Acho que às vezes, cobramos demais de "nossos" adictos e não percebemos que nessa cobrança, não estamos dando direito à eles de fraquejarem. Não quero dizer que não temos que cobrar, eles tem que ser responsáveis por cada ato que comentem, o que quero dizer é que momentos de conversa franca são importantes para a recuperação deles, eles precisam saber que somos conscientes das limitações deles e que eles podem falar sobre elas.

Vamos, só por hoje, permitir que eles falem sobre as suas vontades, com franqueza, sem medos.
Vamos, só por hoje, aceitar que eles sentirão falta da droga pelo resto de suas vidas e que de nada vai adiantar fazermos chantagens emocional para bloquear tal vontade.

Só por hoje, vamos aceitar essa doença e permitir que eles se recuperem dela de verdade, assumindo ela, para então, lutar contra ela.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eu nunca deixei de acreditar, feliz demais!


Boa noite pessoas!!!

Estou sentindo o mundo girar, como se ele tivesse saído de sua órbita, minhas pernas estão bambas e nesse momento, meus dedos tremem ao digitar.

A sensação do coração palpitando, a sensação do gelo no estômago, a mistura de sentimentos e as lágrimas nos olhos que não param de escorrer são os efeitos colaterais do que estou sentindo nesse exato momento.

Não faz muito tempo, postei para vocês sobre a descoberta do Anjo estar preso e depois sobre a confusão de sentimentos que eu estava sentido por não saber o que fazer diante da minha descoberta. Eu cheguei a comentar que não sabia se devia falar para a família dele ou não, enfim, eu nada fiz a não ser orar e orar, às vezes, antes de dormir, eu orava tanto e as lágrimas escorregavam pelos meus olhos que o ar chegava a me faltar, mas, orar foi a única coisa que fiz.

Hoje, agora pouco pra ser sincera, eu falei pelo Facebook com a irmã dele, ela fez um comentário em uma foto minha e eu fui agradecer e acabei falado sobre ele, sobre a prisão e aí foi que o melhor aconteceu.

Ela me respondeu que ele não está mais preso, que ele está em uma clínica de recuperação!!!

Disse que não me contou antes porque teve medo de me fazer relembrar de tudo e sofrer, mas que faz apenas uma semana que ele aceitou ser internado.

Eu estou radiante, porque eu nunca deixei de acreditar na recuperação dele, nunca deixei de crer que ela é possível e nesse momento, eu só tenho que agradecer!

Obrigada meu PS, obrigada Universo!

"Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você"
"Só enquanto eu respirar, vou acreditar na sua recuperação"


sábado, 8 de setembro de 2012

Aceitando a dor!


Segredo para recuperação? Não sei se existe.

Uma coisa é fato, fórmulas milagrosas não funcionam nesse caso.

Se há um caminho mais curto para se chegar na tão esperada recuperação, também não sei, não fui apresentada à esse caminho, a minha recuperação se deu da forma mais lenta possível, Deus e como foi lenta!

Mas, funcionou! E funcionou de forma verdadeira, real, sem fantasias, sem máscaras.

Então, se me perguntarem qual é o segredo, não saberei responder, mas, se me perguntarem qual foi o caminho que percorri até chegar aqui, eu diria que foi sentindo DOR.

Vocês devem estar dizendo agora mesmo: - Ah, mas dor todos os Codependentes sentem e isso não significa que estão em recuperação!

E eu concordo! Dor todos os Co sentem, mas, a grande maioria sente ao fugir dela e eu me recuperei ao senti-la enfrentando-a de frente, é claro, após fugir dela por um bom tempo...

Com a minha jornada, onde eu camuflava meus sentimentos, medos e dores, eu pude perceber que evitando a dor, que fugindo dela, eu não a estava destruindo-a, ela continuava dentro de mim, como uma pequena ferida latente.

Dizem que o crescimento é doloroso, eu concordo, porque crescer é enfrentar momentos dolorosos, é enfrentar a dor que por tempos reprimimos.

A verdade é que somos condicionados de uma certa forma a reprimirmos tanto a dor quanto o prazer, aprendemos a escondê-los até de nós mesmos. E a lógica de tal condicionamento é simples, o prazer é reprimido por causa da dor, porque estamos condicionados com a ideia de que se estamos felizes demais, algo vai acontecer e levar embora a nossa felicidade, então, evita-se a verdadeira felicidade para evitar-se a dor mais profunda.

São os dois lados de uma mesma moeda, porque evitamos o prazer para evitar a dor e nos privamos de momentos felizes para não corrermos os riscos de encararmos os momentos de tristeza.

O real problema não está em sentir dor e sim em como você olha para ela, afinal, essa polaridade dor/prazer é necessária, se tirarmos um dos pólos, teremos uma vida sem graça, sem aprendizado, sem crescimento.

Mas, quanto mais você se conscientizar daquilo que lhe causa dor e quanto mais você enfrentá-la, mais próximo estará de superá-la.

O nosso sofrimento às vezes é muito maior ao tentar negar a dor do que se decidíssemos encará-la. Para se livrar dela é preciso aceitá-la e foi aceitando-a que comecei a me recuperar.

Aceitar a dor é reconhecer os motivos que causaram ela e nesse pacote todo, vem a culpa, remorso, medo, frustração e eu tive que enfrentar cada um desses sentimentos, tive que me livrar de cada um desses sentimentos em um mergulho profundo dentro de mim mesma, onde encontrei uma mulher de baixa auto-estima, medrosa, com suas emoções em frangalhos e eu tive que encarar essa mulher para aceitá-la e então mudá-la.

Estou, só por hoje em recuperação porque eu enfrentei a mim mesma, eu enfrentei àquilo que me causava dor, eu enfrentei a dor.

Cada um encontra a sua recuperação de uma forma, essa é a minha forma de recuperação.

Aceitando, analisando, enfrentando e mudando.

Aceitando a presença de tudo o que me trouxe dor;
Analisando cada sentimento que com ela veio
Enfrentando ela
E mudando tudo o que percebi estar me afastando de mim mesma.

Espero que seja assim, pelo resto de minha vida.

Boas 24 horas!



O resultado da promoção está na postagem anterior, agora, conto com vocês na ajuda para a escolha do nosso E-book!


sábado, 11 de agosto de 2012

Recaídas!


Eu afirmo que a minha recuperação começou de fato após eu ter escrito o livro, foi digitando e revivendo cada linha contida nele que pude enxergar com clareza os erros cometidos, as insanidades que fiz, os momentos de fraqueza e os de superação também.

Percebam que o livro foi escrito 8 anos depois que tudo aconteceu, foram oito anos vivendo bem, porém, não vivendo em paz comigo mesma, porque a paz eu só encontrei quando ao reviver tudo novamente, pude me perdoar por tudo o que fiz e o que não fiz.

O livro foi lançado em fevereiro de 2011, ou seja, estou em recuperação cerca de 1 ano e meio e esse tempo, em comparação aos 8 anos pode parecer pouco, mas, não é, porque como pessoa, eu melhorei muito, eu mudei, eu evolui. Mas, como sempre tem um "mas", isso não significa que eu esteja 100% bem em 100% dos momentos.

Eu tenho os meus momentos de recaídas.

E a noite passada foi uma delas.

O sono me fugiu e infelizmente, quando isso acontece é porque algo está me incomodando e de fato, estava.

Vocês que me acompanham desde o começo podem até me darem bronca pelo o que vou dizer, eu mereço, eu preciso de que me tragam à realidade nesses momentos meus, mas, eu também preciso viver esses momentos para que eles passem de vez, sem deixar rastros.

Ontem, mais uma vez, digitei o nome dele no Google com a intenção de ver se tinha mais alguma informação, para ser sincera, não encontrei nada de relevante, apenas abri um processo que acho que deixei passar quando fiz isso pela primeira vez (na postagem De repente o chão sumiu), a data dele era de 2010 e nele tinha o endereço do "Gabriel", um endereço totalmente desconhecido para mim, mas, que faz todo sentido para a realidade atual dele.

Ele estava morando em uma favela em São Paulo, procurei no Google Street View a rua e pude ver o lugar que a princípio, parece ser o começo de uma favela, de um bairro simples de uma cidade grande.

Iniciei o meu processo de flash back nesse momento, um processo desesperador de volta ao passado, não para revivê-lo, mas, para tentar entendê-lo. Para ver se algo havia me escapado em minhas lembranças, para ver se eu havia fantasiado algo em minha mente, porque pensar que o Anjo Gabriel, aquele que fora capaz de fazer aflorar em mim o meu melhor hoje é alguém totalmente desconhecido para mim, me dói demais, me castiga e me tortura.

É doloroso para mim saber que alguém cujo a sua essência eu conheci, alguém cujo o coração era grande e generoso, alguém cujo o olhar angelical era encantador, hoje se encontra em um estado de vida deplorável escolhido por ele mesmo.

E é mais doloroso ainda encarar a realidade e perceber que as chances dele de sair dessa vida são poucas. Eu não posso ser hipócrita ao dizer que "se ele quiser ele saí, se ele quiser de verdade ele consegue", porque  eu sei que ele "desligou" as suas emoções no momento em que o crack o dominou por completo e com isso, ele não é capaz de sentir vontade alguma de sair dessa vida, porque com os seus sentimentos desligados, ele hoje não deve ter expectativa nenhuma de uma vida diferente, por isso, dizer que se ele quiser ele sai, é utópico para mim, não é como dizer que se uma pessoa realmente quiser emagrecer ela consegue, isso sim é possível, porque a pessoa será movida pela força de vontade, pela vontade de mudar, mas, para alguém que já não tem perspectiva de vida, só um MILAGRE para trazê-lo de volta à vida, para lhe dar suporte, amor, carinho, atenção e motivação.

E é isso o que me corrói, é tentar aceitar que a vida é assim e tentar conviver com a ideia de que eu nada posso fazer para mudar a vida dele, um ser-humano, um filho de Deus, do Universo, assim como eu, um anjo caído...

Eu fui dormir no alto da madrugada e orei por ele, chorei e pedi para Deus que se tiver algo que eu possa fazer para ajudá-lo, que o Universo me mostre, que estou aqui disposta a ajudar um filho de Deus.

E aqui estou eu, partilhando com vocês, porque isso é a minha RECUPERAÇÃO!

Boas 24 horas para nós, mais um dia, só por hoje, eu aceito que nesse momento, o que posso fazer, está sendo feito.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Recuperação e Religião


Talvez, o post de hoje seja um tanto quanto polémico ou até mesmo "maluco", mas, antes de começar a escrever, quero deixar claro aos meus leitores que não quero de forma alguma ir contra as crenças e dogmas de ninguém.

Cerca de 80% das postagens que faço aqui, são feitas com base na minha experiência em relação as drogas, na minha vivência, os outros 20%, antes de fazer uma postagem, eu procuro investigar e me aprofundar mais no assunto para garantir uma melhor qualidade das mesmas.

Bom, feita essa explicação, vamos à postagem, e eu começo ela com uma pergunta:

O que a RELIGIÃO significa para você e para a sua vida?

Respondendo a minha própria pergunta, eu digo que para a mim e para minha vida, a religião é algo essencial, mas, a religião que me refiro aqui não é aquela associada a uma construção, a um espaço físico, eu me refiro a uma questão espiritual que vai muito além disso.

Religião vem do Latim - Religare - Religar-se com o Divino, religar-se com Deus, ou com Algo Superior.

Para mim, não há uma verdadeira religião, uma verdadeira igreja, um verdadeiro livro sagrado, desde que aquela que você se propôs a seguir e digo aqui seguir de forma clara, sem vendar os olhos, te leve para o caminho da Deus, o caminho da paz e da verdade.

É comum vermos hoje em dia um grande número de pessoas que atribuem a sua recuperação após terem começado a frequentar algum tipo de Igreja, até aí, acho válido e maravilhoso, eu mesma, em meu livro, falo que a minha Fé foi testada durante a minha jornada e que eu nunca tive tanta Fé em algo como naquela época, eu acredito no poder da oração, não importa que religião seja, eu rezava o Salmo 91 todos os dias, várias vezes ao dia, fazer isso me trazia conforto, renovava as minhas esperanças. O que quero dizer com esse parágrafo é que eu sou totalmente a favor da religião, mas, não concordo com a forma como o tema Recuperação X Religião são abordados por muitos.

Sabemos que a recuperação de um adicto, se dá pela junção de diversos fatores e a religião é um deles, porém, hoje em dia, muito se vê pessoas que encontram na religião a sua aparente recuperação e com isso elas ignoram os outros fatores, e passam a aceitar somente a religião, ou melhor a igreja como forma de recuperação. Por isso, digo que é uma aparente recuperação. Eu tenho total convicção de que Deus, ou Algo Superior quer que nós sejamos felizes, porém eu acredito que nós temos que fazer a nossa parte, utilizar das "ferramentas" que nos são apresentadas, no caso da recuperação da dependência, é preciso que o dependente em questão não se feche somente na Igreja, pois, para que o mesmo esteja verdadeiramente trilhando o caminho da recuperação, ele precisa mudar muitas coisas em sua vida.

É claro, há muitas pessoas que conseguem parar de usar drogas somente seguindo a sua religião, mas, já perceberam porque isso acontece? A resposta é clara, normalmente, quando a pessoa começa a frequentar uma Igreja assiduamente, ele gradativamente passa a mudar os HÁBITOS, para se "adequar" a filosofia daquela Igreja, percebam que hábitos está em maiúsculo, justamente porque a mudança de hábito é um dos fatores essenciais para a recuperação de um dependente, é por isso que ele consegue se manter em sua recuperação, ele muda as companhias, o ambiente, passa a viver para a Igreja. 

Isso é sem dúvida algo muito bom, mas, na grande maioria das vezes, quando o adicto se vê na condição de um dependente em recuperação devido a sua religião, ele passa a negar a necessidade de um acompanhamento em uma irmandade por exemplo, ou com um psicólogo ou terapeuta,  aí o que vemos na sequência é que se essa pessoa por algum motivo se afasta da igreja, fatalmente ele recai. Sabem por que?

Porque não houve uma mudança interna, o dependente não teve a chance de trabalhar os seus conflitos, suas mágoas, seus medos e aflições, ele apenas mudou seus hábitos, deixando a vida anterior em nome da Igreja, mas, não abandonou o seu EU antigo, por isso, eu acho que quando um dependente consegue parar de usar drogas somente indo em uma Igreja, há a necessidade de que ele busque paralelamente uma ajuda especializada.

Mais uma vez, darei a minha experiência como exemplo, eu já disse em posts anteriores que quando conheci o meu ex-namorado, ele estava limpo há mais de dois anos, pois é, e ele parou somente com a ajuda da Igreja, no caso, Católica, ele passou a frequentar as missas constantemente, a sua família é bem religiosa e o incentivou sempre, com isso, ele foi mudando seus hábitos, companhias, passou um tempo longe da cidade e com ajuda de várias pessoas "chaves", da Igreja ele foi voltando à sua vida normal. Começamos a namorar, íamos à missa juntos, e seguíamos o mesmo estilo de vida que ele seguia antes de me conhecer, ele trabalhava, estava estudando e ainda sim recaiu.

Recaiu porque colocou a sua recuperação a cargo da Igreja, depositou  em sua religião a responsabilidade de mantê-lo limpo, ele não se ajudou, por fora, ele havia mudado, mas, por dentro, tudo estava igual. Ele não teve a ajuda de um N.A por exemplo, onde experiências são trocadas e com isso, um ajuda o outro, ele não teve um acompanhamento para trabalhar tudo o que ainda o estava incomadando por dentro, e assim, a queda foi inevitável.

Para finalizar, eu deixo claro que não sou contra a nenhuma religião, menos ainda nego a importância delas na ajuda ao dependente, acredito que não importa qual seja a religião escolhida, desde que haja Fé Religiosa, ou seja, que acredite emindependende de estar em um templo, igreja ou não é importante e válido, eu diria ainda essencial na recuperação.
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quarta-feira, 22 de junho de 2011

PLANO DE PREVENÇÃO À RECAÍDA - TERENCE GORSKI

O PPS abaixo é referente ao Plano de Prevenção à Recaída, escrito por Terence Gorski, ele é estudioso e especialista na área de dependência química, tanto alcoólica quanto outras drogas. O texto foi escrito primeiramente para ser aplicado aos dependentes de álcool de posteriormente viu-se que surtiria efeitos também com os dependentes de outras drogas.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Recuperação


 Se uma pessoa falha em aprender com seu próprio passado, 
ela está condenada a repetí-lo.
(Terence Gorski)

Ao procurar no dicionário o significado para a palavra RECUPERAR, encontrei a seguinte definição: Reaver o que se perdeu. Ou seja, a palavra nos faz pensar em algo que está no passado, algo que tínhamos e que perdemos.

Antes de mais nada, é preciso compreender que para que haja a recuperação de um adicto, não basta apenas parar com o comportamento compulsivo, é preciso entender que esse comportamento não surgiu do nada, ele teve uma causa, e é essa causa que precisa ser tratada, precisa ser olhada com muita cautela, caso contrário, mesmo após anos e mais anos em recuperação, na primeira decepção amorosa ou profissional por exemplo, o dependente corre um grande risco de recair, isso porque ele não estava recuperado emocionalmente.

Para haver a recuperação, é preciso haver compreensão do motivos que levaram o dependente ao uso das drogas, é preciso mudar as atitudes, companhias e ambientes frequentados.

O processo de recuperação é longo e muitas vezes sofrido, o dependente passa a enxergar os seus erros e precisa aprender a lidar com eles, precisa se perdoar por tudo o que foi feito no passado para a partir daí, focar no presente e trabalhar o seu emocional para conseguir lidar com seus fantasmas, seus medos, suas frustrações.

O adicto, na maioria das vezes, se sente sozinho, imerso em sua própria confusão, em um mundo distante e vazio e quando inicia o processo de recuperação, ele demora a perceber que não está sozinho, embora esse processo seja algo individual onde ninguém poderá fazer por ele, é também um processo de coletivo, onde a família e os mais próximos são de extrema importância para a recuperação dele.

Na recuperação, o "método" da identificação é de extrema importância, quando o dependente que está iniciando o processo de recuperação vê através de exemplos de quem já passou pelo o que ele passou e que hoje está bem, está em um processo de recuperação diária, o Só Por Hoje, esse dependente que está iniciando a sua jornada de recuperação se identifica com esse outro que já está nela, fazendo com que ele perceba que há saída, que há vida após as drogas, por isso, o adicto que já está em recuperação é uma das pessoas que melhor pode ajudar o adicto a se recuperar.

O mais importante nesse processo todo é que se ele se iniciou, significa que o adicto reconheceu que está doente, seja por vontade própria ou devido a um grande fato que tenha ocorrido, como por exemplo uma overdose, assim como para o alcoólotra, um acidente da carro por estar conduzindo embriagado, é o chamado fundo do poço, onde não se pode cavar além dele. 

Eu chamo de fundo da piscina, pois acredito que quando a pessoa chega lá no fundo e está prestes a se afogar, ela é acometida por uma súbita vontade de viver e então dá um impulso com seus pés no fundo, fazendo com que ela retorne à borda e volte a respirar.

"Para recair não precisa muito, mas pare se recuperar, é uma vida toda".

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