Até onde você iria para ajudar alguém que escolheu o caminho errado em busca da tal felicidade? Em um mundo sofrido, perigoso e doloroso, eu senti na pele a dor de ver alguém querido tomar a decisão errada. Eu carreguei a minha própria nuvem de chuva enquanto decidi caminhar ao lado dele. Eu adoeci sem saber, uma doença tão perigosa quanto à dependência química. Eu me tornei uma codependente. E essa é a minha jornada, uma jornada de lágrimas, promessas, sofrimentos e vitórias.
Dezesseis de Julho, meu aniversário, meus 29 anos, que foi celebrado, esperado e bem recebido por mim.
Dezoito de Julho, meu presente do Universo: A notícia de que ele está em recuperação.
Na noite de dezessete para dezoito, eu sonhei com ele, sonhei que ele estava em uma roda dando depoimento sobre a sua recuperação, acordei de madrugada e o sonho ficou em minha mente. No dia seguinte, recebo uma mensagem da irmã dele, dizendo que não havia se esquecido do meu aniversário, que não tinha conseguido entrar na internet antes e... Que o Gabriel está internado.
Quando eu vi em meu celular a mensagem dela, corri para o banheiro do meu trabalho e dentro de uma pequena cabine, eu chorei e agradeci pelo presente, Deus sabe o quanto significa para mim saber que o Gabriel está buscando ajuda novamente.
Ele está passando por aquele processo difícil dos três primeiros meses, a grande maioria de nós conhece esse processo, mas, eu tenho fé, ele foi por conta própria, pediu ajuda no CAPS e se internou sozinho, a família ficou sabendo após ele estar há mais de 45 dias internado.
Ele não desistiu dele.
Nem a família dele.
E nem eu...
Então, quando me perguntam se eu ainda acho que é possível a recuperação do Gabriel, a minha única resposta é: E por que não?
Eu acredito, o Universo está conspirando a favor da recuperação dele, o Poder Superior o está guinado, eu tenho fé de que ele consegue e não há motivos para eu não ter. Sempre tive e sempre terei.
Só por hoje, as lágrimas que escorrem pelo meu rosto, são de alegria, lágrimas de satisfação, felicidade, de renovação da fé.
Que ele consiga, um dia de cada vez, encontrar a sua recuperação.
A vida não é feita somente de momentos felizes e de sorrisos abertos. Se não conhecêssemos a dor e as lágrimas, não daríamos valor para a felicidade.
Chorar é tão importante quanto sorrir.
Às vezes precisamos sentir o peso do mundo sob nossas costas para percebermos o quão fortes somos, às vezes é necessário sentirmos saudades para valorizarmos os bons momentos, precisamos atravessar a chuva para chegar ao arco-íris.
Demorei tanto para perceber e aceitar essa realidade, mas, hoje eu a entendo bem e pode parecer surreal dizer que até mesmo a dor é necessária, ainda mais para quem está sendo esmagada por ela, mas eu sei do que estou falando, assim como tantas outras mulheres,sou PhD em sentir dor e tive que me tornar especialista em me recuperar dela também.
Como?
Aprendendo a me amar novamente, porque se é fato que a dor sempre existiu e sempre vai existir, é fato também que podemos escolher ou não adoecer com ela. Eu adoeci e me permiti senti-la até ela se esgotar dentro de mim, talvez, se eu tivesse a consciência na época de que é quem decido se vou permitir que ela me domine ou não, muitas lágrimas teriam sido evitadas, mas, não foram e então, o que me sobrou foi a necessidade de insuportável de voltar à viver.
E eu voltei, eu olhei para mim e percebi que não posso mudar o mundo, não posso mudar a vida das pessoas ao meu redor, mas, posso mudar a minha.
Eu deixei de ser a sombra de mim mesma e voltei a ser a minha própria luz. Isso não significa que eu tenha desistido, se tem uma coisa que uma codependente (em recuperação) aprende a fazer é a viver sem desistir, eu desliguei, deletei a versão fantasma de mim mesma mas, ainda sim, todas as noites, meus pensamentos se elevam e peço ao Poder Superior que proteja e guie o caminho dele, o anjo caído, que me ensinou a ser forte quando a situação exigia que eu não fosse.
Só Por hoje, eu aprendi a aceitar a dor para apreciar a alegria.
Só por hoje, eu sou forte porque a dor me tornou assim.
Só por hoje, eu não recamo de tudo o que passei, e sim agradeço.
Sobrevivi.
Aprendi a dar valor à coisas e momentos que antes não pareciam ter importância.
E era assim... Ele precisava de mim e no fundo, eu também precisava dele.
Eu me tornei o foco, o centro das atenções dele, o ponto de equilíbrio e também desequilíbrio.
Eu estava tentando salvá-lo e esperava que eu conseguisse.
O ciclo da codependência estava criado.
Ele se tornou o meu foco, o centro das minhas atenções, o meu ponto de equilíbrio e também desequilíbrio. Ele se tornou o meu ar, a minha comida, o meu sono, os meus sonhos e algumas vezes, o meu pesadelo.
É perigoso precisar tanto assim de alguém.
Nós precisávamos um do outro, éramos bons dessa forma, dessa forma doentia de precisar.
Ele não se deva o devido valor, era eu quem fazia esse papel e em contra partida, ele cada vez mais aumentava a redoma de vidro em que havia me colocado. Ele não entendia que eu também precisava dele, achava que era uma via de mão única, mas a verdade é que ambos, precisávamos ridiculamente um do outro, ele precisava de mim e eu da sensação que o precisar dele causava em mim.
Sentimento egoísta.
Fomos sim, egoístas com nós mesmos, não um com o outro. Não, eu me doei e ele se doou, não houve egoísmo entre nos, houve "com nós".
É perigoso precisar tanto assim de alguém.
E eu precisei tanto dele, precisei tanto que ele se recuperasse, precisei tanto que ele parasse de se matar com o crack por mim, precisei tanto que ele provasse que o nosso sentimento era maior, precisei tanto que ele renascesse, que não me dei conta de que eu estava em uma missão kamikaze, eu PRECISAVA DE MIM e custei a perceber isso.
Adoeci. Sofri. Chorei. Me revoltei. Chorei. Lutei. Desisti. Não desisti. Abri mão e agora eu só preciso que ele não precise de mais ninguém além dele mesmo para encontrar a sua recuperação.
Eu preciso que ele pare de se drogar pelo simples fato de precisar fazer isso por ele mesmo e mais ninguém.
É... Eu ainda preciso, seja lá qual seja a necessidade, eu ainda preciso, porque no fundo, mesmo dizendo que preciso que ele pare por ele, é por mim que preciso.
É perigoso precisar tanto assim de alguém. Hoje eu sei. Nós precisamos passar por isso.
Hoje, eu preciso primeiro precisar de mim. Hoje a minha doença está controlada e hoje eu só quero não precisar que ele se recupere e sim somente acreditar que ele vai se recuperar.
Eu seu que vocês vão entender de cara o que essa imagem e essa frase significam, afinal, sei que não sou a única que um dia teve o desprazer de sentir essa sensação. Medo que o medo acabe.
É tão estanho e contraditório, mas, ao mesmo tempo, tão real. É exatamente isso que sentimos quando estamos no na roda viva da condependência, quando estamos alimentando-a sem perceber, quando estamos sobrevivendo e não mais vivendo.
Medo que o medo acabe, quer dizer nada além do que a própria palavra diz, quando a Co esta ativa, não percebemos que nos acostumamos com ela, com o ciclo viciante dela e passamos a caminhar em círculos, onde sentimos medo por tudo o que nos está acontecendo e quando (nada de repente) as coisas começam a se ajeitarem, passamos a sentir medo (inconscientemente) de não termos mais esse medo.
Em outras palavras, quando estamos começando a sair da roda cíclica da codependência, sem perceber, passamos a nos preocupar com o que vamos nos preocupar a partir desse momento, a ausência da doença nos traz outra preocupação, a de não saber mais como será as nossas vidas sem ela. Entramos em abstinência da doença, abstinência do medo, das situações limites, do desespero, das lágrimas e até mesmo da dor.
E para você que está lendo pela primeira vez sobre o assunto, não, não somos masoquistas, não gostamos de sofrer, muito pelo contrário, entramos nesse ciclo justamente por achar que podemos evitar o sofrimento.
Não somos malucas, nem suicidas e muito menos Kamikazes, na verdade, não percebemos que estamos entrando nesse novo ciclo quando começamos a nossa recuperação, mas, esse ciclo faz parte dela, é necessário. Sentir esse medo nos faz repensar nossas atitudes, o que não podemos permitir é que esse medo nos domine, o medo de viver feliz, o medo da nova vida, o medo de recomeçar, esse medo às vezes nos paralisa e é esse medo que sentimos quando deixamos de lado o medo da dependência e da codependência.
Agora que você conhece esse medo, basta controlá-lo, e normal, quando estamos entrando em recuperação, às vezes nos sentirmos inseguras em relação ao futuro, mas, ter medo de não ter mais medo não nos levará à lugar algum!
Ontem, em uma conversa com um amigo, falando um pouco sobre tudo o que passei durante a minha tentativa de ajudar o anjo Gabriel, houve um momento em que ele usou o termo FRUSTRAÇÃO, e em como "deve" ser frustrante tentar ajudar um DQ e ele recair.
Oh... Por Deus, como eu sei o quanto isso é frustrante e ontem eu percebi que mesmo tantos anos depois, ainda sinto a mesma frustração, é como se eu soubesse lá no fundo, que ela vai me acompanhar pelo o resto da minha vida, aquela estranha sensação de impotência, a estranha vontade de estar no controle, a necessidade de ser forte, o sentimento de inferioridade, a busca inconstante pela a aprovação dos outros, o desejo de ser a heroína, o sentimento de não me sentir boa o bastante, todos esses sentimentos juntos fazem parte da palavra FRUSTRAÇÃO que meu amigo ontem se referiu.
Nove anos depois, eu ainda sinto a mesma frustração quando me lembro do que passei e por mais que falem, que digam que não devo me sentir assim, é como eu me sinto e acho que essa marca estará em mim pra sempre.
No fundo, sou como um vaso quebrado que foi colado, a trinca que ficou, fruto do "conserto", é a marca da frustração que jamais se apagará.
Eu testo meus limites na tentativa apagar essa marca, mas ela não vai se apagar e a necessidade de provar para mim mesma que eu consigo é o meu maior teste de auto-controle, de recuperação.
Porque não importe o quanto passe o tempo, não importa o quanto eu seja amada, o quanto eu seja forte, o quanto eu esteja no controle da minha vida, talvez nunca será o bastante, talvez eu terei que constantemente estar renovando tais sentimentos, provando pra mim mesma sem querer provar para o mundo que eu consigo.
Só por hoje, estou tentando não provar nada à ninguém, só por hoje, estou tentando não precisar da aprovação de ninguém para me sentir bem, só por hoje, não estou jogando o jogo do ganha e perde, onde o meu ego precisa que alguém assuma que ganhei para se sentir feliz e realizado.
Só por hoje, eu aceito a minha trinca, aceito todas as frustrações que essa trinca carrega.
Sou como um vaso quebrado, mas um vaso de valor inigualável e imensurável!
Pelo resto da minha vida, terei que controlar a minha tendência pelo sofrimento.
Pelo resto da minha vida, terei que vigiar a minha compulsão por me colocar em situações em que tenho que provar a minha força.
Pelo resto da mina vida, terei que driblar a minha tendência a me diminuir diante dos outros.
Pelo resto da minha vida, terei que lidar com problemas de baixa auto-estima que possam vir a surgir.
Pelo resto da minha vida, terei que trabalhar em mim a tendência que tenho pelo excesso de sentimentos, pelo extremo, pelo épico e trágico.
Pelo resto da minha vida, terei que manter sob controle a facilidade que tenho de me anular em nome de algo ou alguém.
Pelo resto da minha vida, terei que conviver com o pior de mim que a codependência fez aflorar.
Pelo resto da minha vida, terei que saber controlar as lágrimas que me rasgam a face quando as lembranças do passado vêem à tona.
Pelo resto da minha vida, terei medo de sofrer e terei que lidar com o medo de não sofrer.
Pelo o resto da minha vida, terei que me convencer de que não preciso ser forte o tempo todo, eu posso ter os meus momentos de fraqueza.
Pelo resto da minha vida, terei que acordar e dizer para mim mesma que seja lá o que acontecer, é só por hoje e que sou responsável pelas escolhas que faço.
Pelo resto da minha vida, terei que aprender que eu posso escolher deixar algo me afetar e me entristecer ou não.
Estou em recuperação e estar em recuperação é escolher ser feliz com minhas limitações, minhas cicatrizes, meus defeitos, minhas qualidades. Meu passado.
E eu sou uma codependente e sempre serei.
Não existe cura para a doença que contraí, existe recuperação e por isso, sou uma codependente em recuperação.
Mas, estar em recuperação não significa estar curada, é um trabalho diário, uma escolha diária.
Feliz Natal meus amores!!!
Sumida, eu? Impressão...rs
É, estou ausente mesmo, mas não pensem que abandonei a minha recuperação, o meu blog, foi só a correria de fim de ano mesmo, tudo voltará ao normal, em breve.
Vamos primeiro para as notícias, para depois eu fazer a postagem sobre o tema escolhido.
Gabriel...
Poucos dias antes do Natal, fiquei sabendo pela irmã dele que ele "desistiu", ele disse para ela que não queria mais continuar o tratamento, que queria voltar para São Paulo, para a vida de antes. Tanto a irmã dele quanto o irmão tentaram convencê-lo a continuar na clínica, mas, ele estava irredutível e sabemos que não podemos controlar a recuperação de ninguém e então, ele se foi...
Chorei um bocado quando recebi a notícias, algumas amigas, companheiras viram no meu Face e me apoiaram bastante no dia e hoje, alguns dias depois, posso dizer que estou aceitando. É claro que pensei que depois de anos e mais anos, pela primeira vez eu ia ter um Natal completo, porque passar a noite de Natal sabendo que ele está em recuperação, seria a felicidade plena pra mim, já que foi na noite de Natal que descobri a dependência dele...Não foi nesse Natal, ainda não chegou a hora, mas a minha esperança sem expectativas continua e sempre continuará, só por hoje eu ainda creio na recuperação.
E por falar em Natal, é sobre isso o que eu realmente quero falar. Tenho estado ausente aqui do meu blog, mas acompanhando os outros blogs e as postagens na "nossa" comunidade no face e andei reparando em uma coisa, na repetição de fatos, parece que todas nós, Codependentes, passamos pela mesma experiência em uma determinada data.
E essa data é o Natal. Li várias companheiras falando dessa data, do quão triste ela costuma ser para várias delas, várias de nós.
Parece que todas Co, em algum Natal de suas vidas ao lado de seus amados dependentes, tiveram assim como eu alguma experiência nada agradável e que fez com que passasse a fazer se sentir triste nesta data.
Não foi um comentário somente, foram vários, dizendo quase a mesma frase: Não gosto do Natal, Natal me deixa triste, Natal me traz lembranças...
Normalmente, no Natal agente relembra de alguns fatos do ano que está chegando ao fim mas, para nós Co, não é somente as memórias do ano todo que retornam, é a memória também de algum Natal em que tenhamos passado imersas na dor, do desespero, na dúvida, em lágrimas, por causa de nossos amados dependentes químicos.
É minhas amigas, essa data nos deixa mesmo um pouco nostálgicas, mas, podemos mudar esse padrão certo? Vamos então daqui até o nosso novo ano, agradecer por estarmos em recuperação, agradecer por termos consciência de que podemos fazer as escolhas em nossas vidas e que somos fortes para arcar com as consequências dela...
Só por hoje minhas amadas, vamos apenas agradecer pela noite de ontem, seja como foi, vamos apenas agradecer por estarmos vivas, com dor ou sem dor, ainda sim, estamos vivas, não sobrevivendo, mas vivendo!
Quanto mais o tempo passa, mais tenho plena convicção que tudo aconteceu em seu devido momento.
Eu fiz a minha escolha, isso não significa que eu não tenha sofrido com ela, não significa que tenha sido fácil fazê-la e arcar com as consequências que vieram depois, mas, foi sim, a escolha certa, na hora certa.
Eu escolhi sair de cena, dar alguns passos para trás, abrir espaço, soltar a mão dele e deixar que ele caminhasse com suas próprias pernas no exato momento em que um limite havia se formado, o limite dos nossos sentimentos e isso explica o fato de mesmo, tanto tempo depois, eu ainda ter por ele um sentimento lindo, de carinho, admiração, compaixão.
Eu o deixei antes que as drogas transformasse tudo o que de lindo vivemos em algo escuro e triste.
Eu o deixei antes que em minha memória ficassem apenas as lembranças de dor e lágrimas.
Eu o deixei antes que a minha doença se tornasse tão perigosa e mortal quanto a doença dele.
Eu o deixei antes que o amor que tínhamos um pelo outro se transformasse em raiva e nada mais.
Eu o deixei.
Eu o deixei livre para fazer as suas próprias escolhas, para reescrever a sua história, eu dei à ele uma página em branco com apenas um dizer no rodapé : Seja feliz!
E desde então, esse é o meu desejo, que ele encontre a felicidade, que ele saiba reconhecer a chegada dela.
Eu o amei com todo o meu coração, ele foi o meu mundo durante o tempo em que juntos ficamos e eu sei que fui o mundo dele também e por isso é tão importante para mim ter feito a escolha de deixá-lo na hora certa, é por isso que consigo viver com as boas lembranças dele mesmo em meio às lembranças dolorosas, porque não há um céu cinza de lembranças escuras sobre a minha cabeça, há somente tempestades pela qual eu passei.
Não matamos o nosso sentimento, pelo contrário, o vivemos como tínhamos que viver e pelo tempo em que tínhamos que viver.
Não tivemos tempo de nos magoar, não tivemos tempo de ferirmos um ao outro, toda dor sentida foi somente fruto da doença dele e das atitudes dele decorrente dessa doença, nada mais além disso, nenhuma decepção pessoal, nenhuma frustração que não fosse por causa da droga. Não, não tivemos.
Estou feliz com minha escolha, feliz por poder todos os dias dizer que Valeu a Pena.
E se alguém me perguntar como ainda consigo ter lembranças boas depois de tudo o que vivi com ele, eu responderei que foi porque paramos no tempo certo, aonde um dos sentimentos mais lindo do mundo ainda existia entre nós. Somente isso.
"...Ele quase não pronunciou palavra alguma, pálido, quieto, não conseguia me olhar nos olhos, ou não queria, porque sabia que meus olhos estavam ardendo em fogo enquanto eu o estudava minuciosamente. Depois do alívio de vê-lo bem, fui tomada por um sentimento obscuro, senti ódio dele, senti raiva, dele e de mim, queria desesperadamente entender o porquê. Ele havia estragado a minha noite de Natal, a nossa noite de Natal e parecia não estar se importando com isso!"
(Trecho do livro Valeu a Pena - A Jornada de uma Codependente )
E essa foi acho que a primeira vez que senti raiva dele, foi quando, cerca de uma semana após eu ter descoberto a recaída dele, após longos 3 anos, e na noite de Natal ele se presenteou com o seu objeto de desejo, necessidade e por que não, obsessaõ? Foi uma longa noite de espera, uma longa e torturante noite de espera, a primeira vez de fato que eu sabia o real motivo do seu desaparecimento, que eu sabia que a droga havia se tornado então, o seu bem mais precioso.
A única coisa que eu não sabia era como lidar com esse novo sentimento que passei a sentir. A Raiva.
Eu não sabia que senti-la fazia parte do processo e que trabalhá-la era a minha mais nova obrigação.
Houve momentos em que tive vontade de arremessá-lo em um penhasco e me jogar em seguida para salvá-lo, momentos em que tive vontade de atirar nele e me jogar na frente para não acertá-lo. Amor e raiva, dois sentimentos totalmente confusos e perdidos dentro de mim.
E estar ao lado de um dependente químico é exatamente isso, essa confusão de sentimentos, essa montanha-russa de emoções.
E quantas outras vezes não vim a sentir essa mesma sensação sem ainda entender que ela fazia parte do "pacote ajudando um dependente químico"? Eu sentia raiva dele cada vez que desaparecia e embora esse sentimento fosse neutralizado pela alegria de vê-lo vivo cada vez que ele retornava, ainda sim ele estava dentro de mim e eu não sabia como trabalhá-lo.
Sentir raiva não é um sentimento nobre, e eu não me permitia senti-lo, então comecei a trocá-lo por um sentimento muito pior, a Culpa. Toda e cada vez que ele sumia, que eu me sentia trocada pela droga, cada vez que ele agia como se não se importasse mais comigo e com meus sentimentos, eu passei a não mais sentir raiva dele por me fazer sofrer, eu passei a me culpar por não ser boa o bastante para fazê-lo parar, passei a me culpar por não ser o suficiente para ele ao ponto de tirar dele a vontade da droga.
Acredite, sentir raiva pode ser destruidor, mais, sentir culpa é apavorantemente pior. A raiva pode e precisa ser trabalhada, senti-la às vezes é necessário, para que possamos colocar para fora o que dentro de nós não pode mais ficar, mas, sentir culpa, é assumir a responsabilidade de algo que não temos controle algum e isso é capaz de nos matar lentamente.
O meu conselho?
Permita-se sentir raiva e depois disso, trabalhe-a! Se você não senti-la, não poderá substituí-la. Sinta a raiva que o momento exige e depois troque-a pela serenidade que você precisa!
Esse é o meu conselho, não fugir dos sentimentos e o mais importante, não trocá-los por sentimentos mais destrutivos ainda, como a culpa.
Boas 24 horas para nós.
Serenidade!
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Você só aprende a controlar o desejo se você sentir o desejo!
Isso é fato, enquanto não nos permitirmos sentir algo, enquanto não liberamos nossas sensações e emoções para que esse algo extravase, nós não poderemos controlar esse algo.
É simples, eu sou louca, quase que compulsiva por chocolate e sei que só consigo dominar esse desejo quando me permito sentir a vontade de comer um chocolate. Enquanto eu tento bloquear o pensamento da minha mente, enquanto digo para mim mesma que hoje não vou comer, que não estou com vontade, mas vontade pareço sentir, mas, quando me entrego à essa vontade em pensamento, quando assumo que ela existe, eu consigo controlá-la, eu assumo as rédeas da minha vontade e mostro que eu é que estou no comando.
É claro, estou parafraseando aqui, sabemos que essa questão de vontade e desejo é bem mais complexa do que a minha louca vontade por chocolates, mas, o que eu quis dizer com o parágrafo acima é que muitas vezes, a nossa vontade de que "nossos" adictos se livrem das drogas é tão grande que não permitimos que eles enfrentem as suas próprias vontades, nós não permitimos que eles demonstrem sentir essa vontade e com isso estamos impedido-os de controlá-la.
Um dependente químico, mesmo que em recuperação, sentirá vontade de sua droga preferida pelo resto de sua vida, todos os dias, sentirá saudades dela mesmo que ele dê o máximo de valor para a sua vida em recuperação e não deixá-lo expressar essa vontade é forçá-lo a não controlá-la, é não permitir que ele enfrente o seu próprio desejo.
Você, que está ao lado de um adicto, você permite que ele fale com você sobre o que a droga faz com ele, como ela o controla, quantas vezes ele sente vontade de usá-la?
Posso estar errada, mas acho que na maioria das vezes, a resposta vai ser não e sabe por quê? Porque a verdade é que quando eles falam sobre a vontade que sentem de usar droga, nós nos sentimos inferiorizadas, tristes e até mesmo fracassadas.
É só o assunto começar que lá vem a nossa codependência com seu sentimento de inferioridade para atrapalhar tudo, e aí começamos com o papo "Não diga isso", "Você é forte", " Você vai conseguir", "Olha o que você já conseguiu" e por aí vai.
É claro que não há nada de errado em sermos positivas, mas temos que pensar que às vezes, o que eles precisam é sentir que somos conscientes de que eles não são fortes como queremos que sejam e nem fracos como eles pensam que são.
Acho que às vezes, cobramos demais de "nossos" adictos e não percebemos que nessa cobrança, não estamos dando direito à eles de fraquejarem. Não quero dizer que não temos que cobrar, eles tem que ser responsáveis por cada ato que comentem, o que quero dizer é que momentos de conversa franca são importantes para a recuperação deles, eles precisam saber que somos conscientes das limitações deles e que eles podem falar sobre elas.
Vamos, só por hoje, permitir que eles falem sobre as suas vontades, com franqueza, sem medos.
Vamos, só por hoje, aceitar que eles sentirão falta da droga pelo resto de suas vidas e que de nada vai adiantar fazermos chantagens emocional para bloquear tal vontade.
Só por hoje, vamos aceitar essa doença e permitir que eles se recuperem dela de verdade, assumindo ela, para então, lutar contra ela.
E então você percebe que depois de verbalizar um sentimento, seja bom ou ruim, ele vai com o tempo diminuindo, é como se a consequência de guardá-lo para você fosse a angústia e a recompensa por verbalizá-lo fosse a liberdade dele mesmo.
Giulliana Fischer Fatigatti
E é por isso que dividir a nossa dor é tão importante. Não é apenas uma filosofia demagoga que diz que dor dividida é dor diminuída, é simplesmente pelo fato que ao dividi-la estamos verbalizando aquilo está nos consumindo por dentro e ao fazer isso, estamos nos libertando desse sentimento.
Se eu jogar para cima uma bexiga cheia de água, eu consigo agarrá-la de volta quando ela estiver caindo, se eu jogar duas bexigas cheias para cima, talvez eu ainda consiga agarrá-las na volta sem que elas estourem no chão, mas, para que eu consiga agarrar mais de duas bexigas, eu preciso de alguém para me ajudar e se forem várias bexigas, eu e esse mais alguém precisaremos de mais alguém também.
É uma reflexão simples, porém verdadeira. Se não buscarmos ajuda, dificilmente conseguiremos!
O problema é que na maioria das vezes, estamos tão anestesiados com a nossa própria dor que não nos damos conta de que ela existe, nós camuflamos ela tão bem que às vezes é como se ela já fosse parte de nós mesmos, de nossa essência e chegamos a nos esquecer de como éramos sem ela antes e quando nos damos conta da sua existência, ficamos tão perdidos por não saber lidar com ela que parece que ela vai nos levar à loucura e algumas vezes, mesmo que por alguns segundos, chega a levar...
O momento mais difícil é esse, é quando nos tornamos conscientes de que do jeito que está não dá mais, é quando percebemos que precisamos fazer algo para matar aquilo que vem há tempos nos matando e que só agora nos demos conta, esse momento de conscientização por si só já nos faz sentir mais dor, porque lembranças boas e ruins surgem como um vulcão em erupção e não estamos preparados para lidar com as larvas que estão escorrendo por ele.
Às vezes, deixamos de acreditar que será possível superar a dor somente pelo fato de que não a dividimos, ás vezes, achamos que não vamos suportar tamanha provação e acabamos perdendo a fé em nós mesmos e em nossa capacidade de superação, mas, como eu disse no post anterior,Somos Resilientes, temos a capacidade de seguir em frente, de irmos para o fundo do poço e de lá sairmos porque sabemos que o chão não é o nosso lugar, somos sim como a Fênix que renasce das cinzas e só precisamos aceitar a nossa dor para então percebermos que podemos sim superá-la!
Eu já aceitei e você?
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Consultando o meu amigo Dicionário, Resiliência é definida como um processo da física que remete à elasticidade, poder de recuperação e resistência ao choque.
Achei incrível essa definição, embora seja uma definição da física, notaram alguma semelhança com nós, Codependentes e Dependentes em recuperação?
Eu me vi em cada uma dessas palavras, me senti elástica em várias situações, senti o meu poder de recuperação e a força da minha resistência ao choque.
Mas, não me contive, tive que continuar a minha busca e então no meu amigo Wikipédia encontrei outra definição, a da Psicologia, a minha área de paixão. Diz:
Resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico.
Tá, tudo bem, concordo que às vezes nós estramos em alguns pequenos surtos né, mas, ainda sim, se viram nessa definição? Eu me vi, com toda certeza me vi!
É a qualidade de seguir em frente e sair fortalecido de uma crise e tal qualidade tem feito com que a medicina se interrogue por que alguns são mais resistentes que outros.
Quando aceitamos o que não podemos mudar, estamos também nos concentrando sobre as que podemos mudar e com isso, deixamos de reagir à uma determinada situação e passamos a agir em como resolvê-la.
Resumindo, resiliência é a capacidade de psicoadaptação de cada ser humano. Adaptar a sua psique às mudanças da vida.
Ser resiliente é reagir positivamente às mudanças e situações adversas.
O Prof. Rolf Roberto Kruger, especialista em dependência química e codependência, mestre em Teologia, diz que embora as causas que levam o indivíduo a usar drogas são várias, existe uma que é sempre comum à todos, é a falta de RESILIÊNCIA, e não só do indivíduo, mas da família, de quem convive com ele. Ele diz que a ausência da resiliência é uma das causas da dependência química e também da codependência.
Somos portanto resilientes, nos adaptamos as dificuldades, temos a capacidade de irmos para o fundo do poço e voltar à superfície com força total, sabemos que o chão não é o nosso lugar e por isso, afzemos questão de nos mantermos em pé, somos guerreiras e guerreiros, somos como a Fênix que renasce das cinzas, somos portanto resilientes sim!
Força! Boas 24 horas!
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Uma coisa é fato, fórmulas milagrosas não funcionam nesse caso.
Se há um caminho mais curto para se chegar na tão esperada recuperação, também não sei, não fui apresentada à esse caminho, a minha recuperação se deu da forma mais lenta possível, Deus e como foi lenta!
Mas, funcionou! E funcionou de forma verdadeira, real, sem fantasias, sem máscaras.
Então, se me perguntarem qual é o segredo, não saberei responder, mas, se me perguntarem qual foi o caminho que percorri até chegar aqui, eu diria que foi sentindo DOR.
Vocês devem estar dizendo agora mesmo: - Ah, mas dor todos os Codependentes sentem e isso não significa que estão em recuperação!
E eu concordo! Dor todos os Co sentem, mas, a grande maioria sente ao fugir dela e eu me recuperei ao senti-la enfrentando-a de frente, é claro, após fugir dela por um bom tempo...
Com a minha jornada, onde eu camuflava meus sentimentos, medos e dores, eu pude perceber que evitando a dor, que fugindo dela, eu não a estava destruindo-a, ela continuava dentro de mim, como uma pequena ferida latente.
Dizem que o crescimento é doloroso, eu concordo, porque crescer é enfrentar momentos dolorosos, é enfrentar a dor que por tempos reprimimos.
A verdade é que somos condicionados de uma certa forma a reprimirmos tanto a dor quanto o prazer, aprendemos a escondê-los até de nós mesmos. E a lógica de tal condicionamento é simples, o prazer é reprimido por causa da dor, porque estamos condicionados com a ideia de que se estamos felizes demais, algo vai acontecer e levar embora a nossa felicidade, então, evita-se a verdadeira felicidade para evitar-se a dor mais profunda.
São os dois lados de uma mesma moeda, porque evitamos o prazer para evitar a dor e nos privamos de momentos felizes para não corrermos os riscos de encararmos os momentos de tristeza.
O real problema não está em sentir dor e sim em como você olha para ela, afinal, essa polaridade dor/prazer é necessária, se tirarmos um dos pólos, teremos uma vida sem graça, sem aprendizado, sem crescimento.
Mas, quanto mais você se conscientizar daquilo que lhe causa dor e quanto mais você enfrentá-la, mais próximo estará de superá-la.
O nosso sofrimento às vezes é muito maior ao tentar negar a dor do que se decidíssemos encará-la. Para se livrar dela é preciso aceitá-la e foi aceitando-a que comecei a me recuperar.
Aceitar a dor é reconhecer os motivos que causaram ela e nesse pacote todo, vem a culpa, remorso, medo, frustração e eu tive que enfrentar cada um desses sentimentos, tive que me livrar de cada um desses sentimentos em um mergulho profundo dentro de mim mesma, onde encontrei uma mulher de baixa auto-estima, medrosa, com suas emoções em frangalhos e eu tive que encarar essa mulher para aceitá-la e então mudá-la.
Estou, só por hoje em recuperação porque eu enfrentei a mim mesma, eu enfrentei àquilo que me causava dor, eu enfrentei a dor.
Cada um encontra a sua recuperação de uma forma, essa é a minha forma de recuperação.
Aceitando, analisando, enfrentando e mudando.
Aceitando a presença de tudo o que me trouxe dor;
Analisando cada sentimento que com ela veio
Enfrentando ela
E mudando tudo o que percebi estar me afastando de mim mesma.
Espero que seja assim, pelo resto de minha vida.
Boas 24 horas!
O resultado da promoção está na postagem anterior, agora, conto com vocês na ajuda para a escolha do nosso E-book!
Olá, são aproximadamente duas da tarde de um lindo domingo ensolarado aqui na minha cidade e eu me dei o direito de reservar algum tempo para vir escrever aqui no blog.
Eu estava a poucos minutos atrás lavando a garagem da minha casa quando ouvi um grito estridente de uma mulher, seguido de um barulho de porta batendo e depois mais um grito, eu olhei pelo meu portão e vi uma vizinha, uma moça de seus 28 anos eu acho, que mora poucas casas a baixo da minha, ela parecia estar descontrolada, entrou em seu carro e pude ouvir mais um grito e uma batida na buzina. Pensei que ela ia sair com o carro naquele estado, mas ela apenas permaneceu ali, dentro do carro e mais nada.
Eu voltei a lavar a garagem e pensei comigo: - É apenas um momento de surto, as pessoas surtam às vezes...
Logo após esse pensamento, me veio a mente a época em que eu estava com o Anjo Gabriel e de imediato pensei: - As pessoas surtam às vezes, menos eu...
Pois é, durante um ano da minha vida, quando estava deixando de ser adolescente e passando a ser mulher, com meus 18 anos, eu convivi diariamente com a situação limite me testando, eu tive vários motivos para SURTAR, para gritar, para me descabelar, para me atirar no chão e de lá não sair mais, mas, eu não fiz nada disso, tirando as lágrimas que escorriam pelos meus olhos no silêncio da minha cama, no escuro do meu quarto, eu nada mais fazia, nenhuma reclamação para ninguém, nenhuma lamentação, eu havia escolhido passar por aquilo e ninguém era obrigado a ouvir minhas frustrações.
Mas, por que achamos que ninguém pode nos ver surtando, por que temos que ser sempre tão fortes quando a situação nos permite e às vezes até exige que sejamos fracas?
Essa é uma características da Codependente, nós não nos damos o direito de sermos fracas porque sabemos que tem alguém que precisa que sejamos fortes.
Pessoas normais podem ter pequenos surtos, mas, nós, nós não, afinal, não somos apenas pessoas normais, vamos além da normalidade quando nossa fé e nossa força é testada e medida, sentimos a obrigação de amar e proteger e até mesmo de passar por cima de nossos sentimentos e nossa emoções para que possamos cumprir com o nosso papel de esposa, namorada, mãe ou amiga.
Vejo nos blogues de amigas que sigo, situações descrita por elas, que com certeza pessoas "normais" já teriam surtado, gritado, esperneado, sem medir sequer as consequências do seu surto momentâneo, mas, essas mulheres não fazem isso porque sentem a necessidade de se manterem firme, porque seu dependente químico é que está surtando naquele momento.
Pois é, vai aqui o conselho de quem também já sofreu muito por achar que não merecia o seu próprio momento de surto:
Se for necessário, surte, grite, coloque para fora, extravase!
Por um bom tempo eu achei que encontrar a serenidade era me manter firme em todas as situações, me manter quase que apática às situações limites, hoje, eu entendo que encontrar a serenidade é me dar o direito de sentir quando isso for para me ajudar a me curar dela, é me permitir chorar quando tudo o que me resta no momento são as lágrimas, é colocar para fora aquilo que sei que dentro de mim não pode ficar.
Encontrar a serenidade é ter a sabedoria para distinguir quando é o momento certo de surtar, é saber que se aquele é o momento certo, algo de bom vai acontecer como consequência da minha explosão de sentimentos.
Só por hoje eu vivo a serenidade na minha vida e só por hoje, eu me dou o direito de SURTAR se isso significar encontrar a serenidade em seguida.
Bons momentos amigas guerreiras e lembrem-se, não precisamos sermos fortes 24 horas por dia, não temos que ser.
E foi em um momento de distração minha que ele desapareceu, como uma brisa que passa por nós silenciosamente, ele seguiu rumo ao seu pote de ouro atrás do arco-íris.
As estrelas já haviam alcançado o céu no momento da sua fuga, a lua de prata brilhava em sua majestosa aparição, pendurada entre as estrelas. O ar era quente, a rua estava silenciosa, as luzes das casas ao redor já haviam se apagado, provavelmente todos já tinham ido dormir, era tarde, tarde o suficiente para sentir minha espinha se contorcer quando dei falta dele dentro de casa, tarde o suficiente para sentir o meu estômago congelar com medo de que algo pudesse acontecer com ele durante a sua jornada pelas ruas escuras da cidade em busca daquilo que iria lhe trazer alívio e lhe satisfazer. Era tarde o suficiente para eu saber que nada poderia ser feito a não ser esperar.
E a espera foi longa, cruel, esmagadora. A dúvida, o medo, o desespero me consumiam a cada segundo, a cada volta do ponteiro em meu relógio. A agonia foi a minha companhia durante aquela noite em que meu sono, minha paz, minha tranquilidade haviam me abandonado e eu fiquei a espera de uma notícia dele noite adentro, a espera de um telefone, desejando ouvir mais uma vez o toque horripilante do meu telefone, que me fazia paralisar e estremecer toda vez que soava e que ele não estivesse em casa. A dúvida em relação ao que eu poderia ouvir ao atender o telefone me entorpecia, o medo da notícia ruim, a esperança da notícia boa.
E não precisou mais que dois assombrosos toques para que eu disparasse em direção àquele fazedor de barulhos fantamasgórico e me atirasse para pegá-lo como uma águia em busca de sua comida.
Sua voz tremula, baixa, era quase que inauditível, era como um sopro em uma montanha.
Eu fui para o portão. A lua ainda brilhava no céu, mas, já dava indícios de que logo iria passar o seu posto para o astro-rei Sol, estava amanhecendo. Eu havia passado a noite em claro. Mais uma noite em claro.
Mas, aquilo já não era mais importante, porque do momento em que eu ouvi a sua voz até o momento em que eu o vi chegar, a única coisa que pareceu fazer sentido era que havíamos sobrevivido eu e ele a mais um dia. Ele havia sobrevivido após ter se auto-flagelado com as drogas e eu havia sobrevivido após ter passado por mais uma noite mergulhada em desespero.
A única coisa que importou, foi vê-lo parado no portão, com olhos perdidos, como se estivesse vagado a noite toda pelo deserto.
Muitas vezes, as pessoas me perguntam como eu ainda me considero uma Co em recuperação, uma vez que já faz anos que não tenho mais contato com a dependência química, o caso que vou citar abaixo, acho que exemplifica bem quando digo que a codependência nos rodeia constantemente.
Comecei na segunda a noite a participar de um curso promovido pelo DENARC juntamente com o Conselho Municipal de Combate as Drogas da minha cidade,são quatro horas de curso, até sexta-feira, com delegados e profissionais do DENARC, eu é claro, mais do que depressa me inscrevi e fui.
Na segunda-feira, meu marido me deixou lá, já que temos um carro só e ele ia me buscar as 22horas, horário previsto para acabar, e as dez da noite lá estava eu, na frente do auditório da prefeitura esperando por ele, assim que saí, liguei para ele perguntando aonde ele estava estacionado e a resposta do outro lado, meio sonolenta é de que ele estava saindo de casa naquela hora, nem preciso dizer que ele havia cochilado e... ...Esquecido de me buscar.
Era para ser um acontecimento normal, acontece, nada demais, mas, não para uma codependente, as pessoas começaram a sair, algumas olhavam para mim, encostada na beirada da escada, eu sabia que ainda levariam uns quinze minutos para ele chegar, cruzei os braços com o celular na mão e é claro, a cara não estava as das melhores, parece que tive uma espécie de Insight, de Dejavú, porque alguns tolos sentimentos vieram à tona, o sentimento de inferioridade, a auto-piedade, porque comecei a sentir dó de mim mesma por estar lá, já praticamente sozinha, no meio do nada, aí veio o sentimento de que ele havia me esquecido, de que ele havia me colocado em segundo plano, e confesso que a minha auto-piedade foi tanta que até tive vontade de chorar. Vocês leram isso né? Só porque ele cochilou, pegou no sono e só acordou com o toque do telefone, eu já me coloquei na situação de trocada, esquecida, em segundo plano.
Isso é um absurdo não é mesmo? Tudo bem, algumas pessoas até ficariam bravas por ter que ficar esperando, mas, não ficariam bravas pelos mesmos motivos que fiquei, pelos motivos de uma codependente, não mesmo.
Quinze minutos depois, ele chegou, não tinha mais ninguém ao redor, somente o vigilante noturno, ele encostou o carro e eu já estava pensando em um monte de coisas para falar, esse é o outro lado da Co né, alterna entre vítima e vilã. Quando abri a porta do carro, naquele instante, me lembrei da minha última postagem, onde falo que me comprometo comigo mesma a buscar os momentos de felicidade em meu dia e então eu percebi que eu poderia entrar no carro emburrada, ir para casa emburrada e nada falar ou, entrar no carro como se nada demais tivesse acontecido e contar para ele como havia sido bom o curso, a palestra daquela noite com o delegado do DENARC.
É, eu entrei e conversamos até chegarmos em casa, eu acho que ele até já havia se preparado para ouvir meus "esporros" e no fundo deve ter se espantado por eu nada ter falado.
A Codependência por alguns momentos me dominou, me cegou, mas, no tempo certo eu voltei à mim e voltei a ser eu mesma, escolhendo ser feliz.
Só por hoje eu sou feliz, mesmo que meu dia não saia como eu planejei, mesmo que contra-tempos venham a acontecer, eu me comprometo comigo mesma a buscar os pequenos momentos de felicidade em meu dia!
É muito comum hoje em dia ouvirmos as pessoas dizerem que querem ser felizes, que estão buscando a felicidade, que estão fazendo hoje algo que amanhá trará a felicidade, e eu me questiono se isso é bom, não que também seja ruim, temos sim que buscar cada vez a realização que consequentemente nos levará à felicidade, mas, acho que não é certo passarmos a vida esperando a felicidade chegar, até quando vamos ficar esperando o dia mais feliz? Até quando vamos esperar pelo momento perfeito?
Estamos sempre em busca de algo, isso é fato, mas, essa busca nos leva a achar que amanhã seremos mais felizes do que hoje e com isso não nos damos conta que o tempo está passando e com ele a nossa felicidade.
Durante o tempo em que convivi com a adicção do meu ex-namorado, não me lembro de conseguido encontrar a felicidade diante do inferno que estava a minha vida, não me lembro de ter conseguido encontrar algo bom diante de tanto sofrimento, e quem perdeu com isso?
Somente eu! Porque eu não fui capaz de conviver com a minha realidade de forma clara, meus olhos se ofuscaram com tanta dor e frustração que eu não fui capaz de reconhecer os pequenos momentos felizes que tive durante esse tempo, isso veio a acontecer somente muito tempo depois, aliás, acho que me dei conta realmente que tive vários pequenos momentos felizes quando escrevi o livro, quando revivi vários desses momentos a cada frase formada em meu livro.
Como por exemplo quando ele voltava de madrugada, após horas de sumiço, após horas consumindo droga, aquele momento, o que ele entrava em casa, era um momento de felicidade, mesmo na dor, porque eu me sentia feliz por ele estar vivo e ter voltado, mas, esses momentos de felicidades não se resumem somente à dependência dele e ele, eu tive momentos de felicidade também quando por exemplo ia para a faculdade, que era o meu sonho sendo realizado, esse era um momento de felicidade só meu que a Co não me permitiu enxergar a princípio.
Pois é, mesmo em meio ao furacão, eu tive sim bom momentos, momentos felizes, é claro que eu estava esperando a felicidade chegar, porque para mim, aquele período era o inferno, mas, a felicidade nunca me abandonou, eu é que no meio da escuridão esqueci de acender a vela.
Hoje eu entendo bem o que a codependência fez comigo, e me alegro quando vejo nos blogues que sigo, a coragem das mulheres que ainda estão dentro desse furacão que um dia eu fiquei e que conseguem na medida do possível, dar valor à esses pequenos momentos de felicidade, são mulheres que estão aprendendo a "domar" suas codependências e com isso aprendendo a ser feliz Só Por Hoje e isso é o que mais importa, porque problemas, todo mundo tem, seja com alguém querido doente, seja financeiro, seja amoroso e se não soubermos reconhecer os momentos de felicidade mesmo diante dos problemas, viveremos esperando pelo dia feliz e talvez nos frustremos por não o vermos chegar.
Não espere a felicidade, ela está aí, mesmo na dor ela existe, acorde e perceba que sempre há algo bom em cada provação que passamos.
Só por hoje eu sou feliz, mesmo que meu dia não saia como eu planejei, mesmo que contra-tempos venham a acontecer, eu me comprometo comigo mesma a buscar os pequenos momentos de felicidade em meu dia!
Eu muito falo aqui sobre a minha recuperação, sobre o tempo que levei para que eu de fato inciasse o processo de recuperação, cerca de 8 anos aproximadamente, como podem ver, fazem cerca de 9 anos que tudo aconteceu e eu levei quase o mesmo tempo para perceber o quão adoecida eu era.
Não posso simplesmente dizer que foi a dependência química do namorado que tive aos dezoito anos que fez com eu me tornasse uma Co, a grande e cruel verdade é que eu já era uma Co sem saber, sem entender. Eu já era dependente emocionalmente de alguém que dependia de mim, eu sempre precisei sentir esse sentimento de "importância" de ser especial para alguém, de ser aprovada, de ser querida, de ser a salvadora.
Pegando gancho em uma postagem da Poly, fiz uma análise da minha história de Co e sim, ela vem de muito, mas muito tempo atrás.
Praticamente todos os meus namorados, de uma certa forma "precisavam" de mim, ou pelo menos me faziam me sentir como "necessária" à vida deles, o mais engraçado é que tirando o meu marido, acho que somente um namorado que não, um que eu já falei sobre na postagem... ele foi o único com quem não me senti ser necessária na vida dele, parecia que de fato, estávamos juntos por querermos e não por precisarmos. E, o que eu, como uma boa codependente fiz? Estraguei tudo! Eu não me sentia necessária, ele não precisava da minha opinião para nada, se ele a pedisse era pura e simplesmente por prazer de saber o que eu achava, mas, não por a minha opinião ser algo decisiva na vida dele, e pode parecer ridículo, mas, para uma Co, isso é horrível.
Esse terrível transtorno que é a Codependência é mesmo algo traiçoeiro, quando agente encontra um caminho de viver sem ele, ele aparece de outra forma, se manifesta fazendo com que recuemos em nossas empreitadas, tudo porque estamos tentando não sermos mais dependente de ninguém.
Depois do anjo Gabriel, conheci esse rapaz e a minha Co fez presença constante, então, foi apenas uma tentativa frustrante de voltar a viver, mas, viver uma vida que ainda não era uma vida saudável, porque a Co ainda me dominava, eu conheci meu marido e foi com ele que percebi de fato que o Co não precisa estar necessariamente ao lado de um D.Q. para ser um Co.
Meu marido não tem problemas com bebida, álcool ou qualquer outro vício, teoricamente era para q minha Co desaparecer, sumir do espaço, mas, isso não aconteceu, porque ela estava enraizada dentro de mim, a necessidade de me sentir importante e essencial para alguém, era algo tão forte dentro de mim que, fazendo uma viagem ao túnel do tempo, vejo que muitas vezes fui chantagista e manipuladora até mesmo com meu marido, que nada tinha a ver com essa história toda.
Fiz chantagens emocionais para ele não sair de casa com os amigos, fiz chantagens emocionais por muitas vezes não me sentir como se eu fosse a "coisa" mais importante para ele, deixei de aproveitar momentos por estar emburrada por motivos tolos, me senti em segundo plano por várias vezes e tive dificuldade em aceitar isso (hoje sei que tenho que estar em primeiro lugar para mim mesma e ponto) e os exemplos não param...
Mas, hoje, em recuperação, posso dizer que não sofro mais com isso, hoje sou plenamente consciente da minha importância, para mim mesma!
Aconselho aos meu leitores que busquem sem nunca desistir de encontrar a paz em primeiro lugar consigo mesmo, assim a serenidade vai reinar, independente da situação...
Vamos ser felizes, só por hoje!!!
E que o universo ilumine o caminhos dos dependentes que ainda estão se encontrando.
Não é muito difícil encontrar algum comentário nos blogues que sigo, de alguém falando sobre escolhas, o que me chama a atenção é o fato de que normalmente vejo tais comentários nas postagens de alguém dizendo que decidiu seguir em frente, decidiu voltar a viver, decidiu ser feliz só por hoje!
Pois é, me desculpem a minha sinceridade, mas, eu como Codependente em recuperação, só por hoje, tenho que falar, tenho que desabafar. Por que as pessoas pensam que fomos nós quem escolhemos não estar mais ao lado do dependente químico que amamos ou que um dia amamos?
Por que as pessoas olham dessa forma? "Ah, você decidiu viver sem o seu amor"
Pára tudo! Não fui eu quem decidi viver sem ele, foi ele que ainda não decidiu viver!
Entendem a diferença? Somos tão codependentes que nem percebemos que continuamos a "proteger" o D.Q de tal forma que quando uma co escolhe voltar a viver, ela é vista de certa forma como se tivesse abandonado o barco, como se tivesse pulado fora, mas espera aí minha gente, eu sou responsável pelas minhas escolhas, mas, não posso ser responsável e penalizada pela as escolhas de mais ninguém, nem mesmo de quem amo, se eu escolher seguir em frente não significa necessariamente escolher seguir sem o "amor" do lado, escolher seguir em frente significa escolher viver a vida, é ele que escolheu não viver essa vida ao meu lado.
Quem me acompanha desde o começo, sabe que defendo e muito em meu blogue a ideia de que o D.Q na ativa perde o poder de escolhas, de decisão, eu defendo sim a ideia de que como um D.Q vai pedir ajuda se ele está domado pela vontade incontrolável de usar drogas, mas, não posso fechar meus olhos para a verdade, acredito que um dependente na ativa, como o que está na biqueira, na boca, na cracolândia não em condições de decidir parar ou não, mas, um D.Q em processo de recuperação, um D.Q que já deu o primeiro passo, o passo mais difícil que é o da escolha de parar, esse sim tem um pouco mais de condição de de decidir viver ao lado de quem ama ou decidir não viver e sobreviver somente.
Longe de mim julgar um D.Q, seja ele em recuperação ou não, por tudo o que vivi com meu ex, sou uma das primeiras a defender a "causa", mas, me revolta um pouco saber que a Co que decidiu viver, será sempre vista como aquela que desistiu de seu amor.
A vida é feita de escolhas, e só quem escolhe seguir em frente sem o seu D.Q sabe o quanto lhe custa tal decisão...
"Anjo Gabriel, eu escolhi viver, escolhi parar de sobreviver e voltar a viver. eu hoje posso dizer com toda certeza que fiz a escolha certa, não por você, mas por mim, pela a minha sobrevivência. Quanto a você? Pelo o que sei, você ainda não fez sua escolha, mas, saiba que SÓ ENQUANTO EU RESPIRAR, VOU ME LEMBRAR DE VOCÊ " e completo dizendo que Só enquanto eu respirar, vou ter fé na sua recuperação...
Entra ano e sai ano e toda vez que o Natal se aproxima, isso acontece, mesmo após anos, mesmo após ter conseguido me recuperar da minha codependência, ainda há algo que é mais forte do que a minha recuperação. São as lembranças que essa época me traz.
Hoje eu já não fujo mais dessas lembranças, hoje, elas não me assustam mais, mas, mesmo assim, é inevitável, elas se fazem presente em minha vida e sempre farão.
A realidade é que sempre achei a data do Natal um dia triste, nostálgico, desde pequena, não que eu não goste ou não curta a data, a magia que envolve a data, eu gosto sim, mas me sinto normalmente triste quando vai se aproximando do dia.
Foi no Natal de 2002, fazia menos de uma semana que eu o havia confrontado na meio da rua, perguntando se ele estava usando drogas, fazia menos de uma semana que eu aprendi que o SILÊNCIO também é resposta, porque foi esse silêncio que me fez ter a certeza de que meu então namorado estava trilhando uma estrada quase que sem volta.
Naquela noite, ele iria passar o Natal na minha casa, eu estava ansiosa esperando pela a sua chegada, eu já estava começando a sentir a dor de estar ao lado de um dependente químico, a dor de ver os ponteiros do relógio se arrastarem lentamente e praticamente não saírem do lugar, a dor de não saber se a tão esperada hora iria chegar de fato.
Chovia bastante, e aquela chuva tornou tudo mais triste e doloroso, lentamente as horas se arrastaram, minhas mãos, que já estavam cansadas de tanto discar no telefone o número do celular dele, já estavam tremendo de tanto pavor também.
Na tv, o som do Feliz Natal ecoava em minha mente, me esforcei para desejar para a minha família um feliz Natal, enquanto buscava desculpas para justificar a ausência dele. Quando então o telefone tocou, meus olhos não conseguiram segurar as lágrimas, aquela foi a primeira vez de várias que senti medo ao ouvir o telefone tocar. Foram mais de cinco horas de agonia, de dor e angústia, de medo, pavor e desespero, eu quis xingá-lo, mas, apenas pedi que ele fosse para a minha casa, eu precisava vê-lo mesmo depois de ouvi-lo dizer que havia passado a noite em um beco, usando droga, tudo o que eu mais queria era acalmar o meu coração que sangrava de tanta dor.
Esperei por ele... E ele chegou...
"Entramos em casa, ele cumprimentou minha família, ficamos um pouco na sala, sentados no sofá, ele quase não pronunciou palavra alguma, pálido, quieto, não conseguia me olhar nos olhos, ou não queria, porque sabia que meus olhos estavam ardendo em fogo enquanto eu o estudava minuciosamente, depois do alívio de vê-lo bem, fui tomada por um sentimento obscuro, senti ódio dele, senti raiva, dele e de mim, queria desesperadamente entender o porquê, ele havia estragado a minha noite de Natal, a nossa noite de Natal e parecia não estar se importando com isso! Enquanto eu o fitava, busquei nele algum indício de que o Gabriel que eu havia conhecido ainda existia, por trás daquele outro que eu não sabia quem era.
- Onde você estava? - perguntei em voz baixa - Quero que me diga a verdade, só isso. Eu quero te ajudar.
- Jú... - ele estava relutante e tive que me controlar para não fazê-lo recuar com o meu desespero, eu precisava saber. - Eu não consegui, eu tentei, mas não consegui. Eu estava sentado, no meio do mato, em um
terreno baldio. Quando te liguei ainda estava lá, o efeito já havia passado, estava chovendo e eu não sabia o que fazer. Para ser sincero, não pretendia vir mesmo, estou envergonhado por decepcioná-la.
Minha garganta ficou seca, senti-la queimar, posso sentir novamente como se estivesse acontecendo agora nesse exato momento. A respiração dele estava ofegante, quase pude ver o movimento de seu coração bater enquanto ele falava, seus olhos estavam marejados de lágrimas e a única coisa que pude pensar é que ele ainda gostava de mim, pois havia pensado em mim logo depois que passou o efeito da droga. Essa foi à primeira vez, dentre várias em que me submeti a ser colocada em segundo plano, em que aceitei ficar atrás das drogas na lista das prioridades dele.
Nos abraçamos, choramos, começaram as promessas."
E desde então, por mais que eu queira não lembrar, todos os anos, nessa época eu revivo internamente essa data, mesmo não querendo "curtir" essa dor, tudo porque há feridas que não se fecham e não se curam jamais...
"...E eu me lembro de você assim, em dias de chuva, em dias de sol"