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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Encontrando uma leitora


Olá pessoas, espero que estejam todos bem!!!

Hoje vim aqui para contar sobre um acontecimento maravilhoso que ocorreu nesse final de semana, eu tinha que dividir com vocês, afinal, não vale eu vir aqui somente para desabafar, as coisas boas tem que ser compartilhadas, certo?

Bom, vocês se lembram da MI? Eu fiz uma postagem sobre ela, para quem quiser se lembrar da história, esse é o link: http://livrovaleuapena.blogspot.com.br/2012/03/o-e-mail-da-mi.html

Então, a Mi mora no Espírito Santo e ela tem uma irmão que mora próximo a minha cidade e ela veio visitar essa irmã nesse feriado e foi incrível a insistência dela em não desistir de me achar para que pudéssemos nos encontrar.

Eu e ela nos falamos sempre pelo FACEBOOK, ela me mantêm atualizada sobre a sua vida e juntas refletimos sobre vários aspectos e então, ela veio para cá, e ela não tinha meu telefone para me avisar que estava na minha cidade que é ao lado da cidade da irmã dela, pois, ela foi em uma lan house, buscou meu perfil no FACE e como lá não tinha o meu fone, ela achou o perfil de uma prima minha que mora em outra cidade, achou o telefone dela e ligou e então essa prima ligou na casa da minha mãe que me ligou, eu estava no mercado e logo que desliguei o fone, liguei para ela no número de celular que ela havia deixado.

Resultado:

Quinze minutos depois, estávamos nos encontrando no shopping da minha cidade, foi quase que um encontro às escuras, como eu brinquei com o meu marido, que inclusive foi comigo conhecê-la.

Gente, foi algo tão fantástico, sentir o carinho dela por mim, não só dela, mas também da irmã dela seu namorado, que nem me conheciam, fui tão recebida por eles que senti que já os conhecessem, e quando a Mi pegou o livro para eu assinar e me mostrou vários e vários trechos grifados com marca-texto, eu me emocionei, ela disse que o livro é como um guia para ela, que foi muito importante para ela.

Eu não tenho palavras para descrever como é gostoso esse retorno, saber que sim, de alguma forma eu posso ajudar alguém, isso alivia um pouco o sentimento de impotência que carrego comigo por não ter conseguido ajudar mais o Gabriel, isso me alegra profundamente.

Constantemente recebo e-mails dos meus leitores, muitas vezes de pessoas que nem aqui no blog comentam e o retorno positivo tem me trazido muita motivação, mas, essa foi a primeira vez que tive o contato físico com alguma Co em recuperação que leu o meu livro e foi tão bom!!!

Bom, é isso pessoal, eu tinha que dividir né...

Boa 24 horas para nós!!!




sábado, 25 de fevereiro de 2012

Escolhas que valem a pena!



Suas escolhas tem 50% de darem certo mas também tem 50% de darem errado, arrisque-se, a escolha é sua, mas vale a pena, eu arrisquei e valeu, não vou envelhecer em um banco de balanco pensando nas escolhas que poderia ter feito, vou envelhecer orgulhosa de cada escolha que fiz.

Amar um dependente químico não é uma tarefa muito fácil, mas também não é uma obrigação, é uma escolha, acredito que não escolhemos quem ou quando vamos amar, mas, ficar ao lado de um dependente químico é uma escolha sim!

Quando descobri a dependência do meu ex-namorado anjo Gabriel, eu tive a opção de ficar ou correr, e eu escolhi de pura e verdadeira vontade ficar, mesmo sabendo que se escolhesse correr, não estaria dando o direito à ninguém para me julgar, afinal, correr não é fugir, escolher ficar ao lado de um dependente na ativa é quase que insanidade.

Mas, eu não me arrependo nem um minuto sequer de ter cometido essa insanidade, posso até me "arrepender" de tantas outras insanidades que cometi durante essa escolha, mas dessa não.

VALEU A PENA cada segundo desse um ano de lágrimas e dor, porque antes disso foi mais um de alegrias e sorrisos;
VALEU A PENA cada lágrima derramada porque antes disso, foram vários sorrisos abertos;
VALEU A PENA cada abraço de saudades, porque antes disso tantos outros abraços de alegrias foram dados;
VALEU A PENA cada sorriso de alegria por vê-lo voltar vivo após cada espera quase que infindável durante as suas fugas para se drogar; porque antes disso eu sorria a cada encontro nosso;
VALEU A PENA vê-lo lutar bravamente contra o seu próprio corpo, contra a sua própria mente, contra a sua própria vontade; porque antes disso, lutamos juntos por tantas outras coisas;
VALEU A PENA ter ido à casa de um traficante pagar uma dívida dele, mesmo sabendo que tal ato era a fruto da minha codependência desenfreada, mas valeu a pena, ele poderia ter morrido se eu não fizesse isso e porque eu seu que ele faria o mesmo por mim e não por codependência;
VALEU A PENA as horas que passei ao lado de telefone, madrugadas e madrugadas, esperando o toque assombroso dele, esperando uma notícia; porque antes disso, passamos madrugadas e madrugadas juntos, felizes;
VALEU A PENA ter ido com ele em cada internação das várias que fez, mesmo tendo sentido a dor insuportável de ter de deixá-lo e voltar para casa sem ele; porque antes disso quase que não nos separávamos;
VALEU A PENA cada sonho que vi ser destruído pelas drogas, porque muitos outros sonhos foram realizados antes disso;
VALEU A PENA porque sou quem eu sou hoje em decorrência desses dois anos vividos, foi tudo vivido com a máxima intensidade, a dor foi intensa demais, o amor foi intenso demais, a saudade foi intensa demais, a alegria foi intensa demais, a compaixão foi intensa demais e vontade de vê-lo curado ainda é INTENSA demais.

Durante dois anos da minha vida, fiz uma escolha da qual vou me orgulhar pelo resto da minha vida, eu escolhi não me arrepender por escolher ter ficado ao lado de um dependente químico na ativa e quando julguei ser saudável e necessário, escolhi deixar que esse anjo fizesse as suas próprias escolhas.

VALEU A PENA ter conhecido esse anjo, VALEU A PENA ter chorado por esse anjo, VALEU A PENA ter amado esse anjo.

Ele é somente um anjo buscando o seu caminho.


domingo, 22 de janeiro de 2012

Aqui Jaz uma Codependente!


O sol brilha no céu, como uma imensa bola de fogo, aquecendo e trazendo conforto à aquele momento que é uma mistura de dor e alegria.

As pessoas vão chegando aos poucos, alguns rosto bem conhecidos, outros, nem tanto, mas, sei que todos que aqui estão é porque de alguma forma, seja ela direta ou indiretamente, tiverem alguma relação com essa história, com a minha história.

De onde estou, não consigo ver tudo, não consigo ver o horizonte, mas sei que ele está lá, de onde estou, vejo apenas o céu em seu azul claro e as nuvens que parecem brincar de pega-pega com seus movimentos.

Eu ouço o barulho de choro, sinto algumas lágrimas me molharem, eu vejo algumas flores, lindas flores por sinal e vejo as pessoas se aproximarem ao meu redor, eu me tornei o centro das atenções.

O silêncio toma conta, as vozes que antes pareciam serem de um milhão de pessoas, se calam, dando espaço para somente uma única voz, uma voz macia e suave.

"Caros amigos,


Hoje estamos aqui, todos, pelo mesmo motivo, estamos aqui para lembrar e homenagear uma pessoa que com certeza fez o seu melhor para ser quem era. Uma mulher, uma jovem mulher que desde cedo vivenciou a dor e o amor em suas formas mais intensas. 


Estamos aqui, para fazermos nossa última homenagem, mas não para a mulher meiga, sorridente, alegre e otimista, estamos aqui para fazermos nossa última homenagem para a mulher que ela se tornou com as experiências vividas. Damos o nosso Adeus para uma mulher que por um bom tempo carregou consigo a culpa, uma mulher que se sentia na obrigação de salvar o mundo, que se sentia na obrigação de passar por cima de seus sentimentos, de suas vontades para satisfazer as de quem ela amava.


Hoje, essa mulher já não está mais entre nós, essa mulher manipuladora, às vezes egoísta, chantagista, melindrosa e de baixo auto-estima está nos deixando.


E antes que alguns comecem a chorar novamente, quero que saibam que essa mulher está extremamente feliz por não estar mais entre nós, ela está feliz por estar fazendo o funeral de alguém que ela não quer mais ser, de alguém que ela não é e sim havia sido.


Por isso, meus caros amigos, é com imensa alegria que eu lhes digo que AQUI JAZ UMA CODEPENDENTE! Uma codependente que por algum tempo, permitiu ser mantida refém por esse transtorno, uma codependente adoecida, que queria mudar o mundo achando que somente a sua forma de mudar era a correta, uma codependente que se anulou ao ponto de parar de viver e passar somente a sobreviver, uma codependente que havia deixado de ver o lado bom da vida, porque a vida estava pesada demais para ela, uma codependente que se manteve firme ao lado do seu amado dependente porque não se sentia no direito de fraquejar, uma codependente que cometeu insanidades para acobertar os rastros da escolha errada que seu amado dependente havia deixado. Uma codependente que manipulava, mentia, chantageava, que usava o AMOR como ferramente para tentar conseguir, quase que todas as vezes sem sucesso, que seu amado dependente mudasse de estrada.


De agora em diante, teremos apenas lembranças dessa mulher, lembranças de como não queremos que ela volte a ser, somente isso e nada mais."


Quando aquela doce voz se calou, eu fechei meus olhos e por alguns segundos, revivi cenas daquela mulher, daquela codependente, de mim. Revivi alguns momentos que quis por muito tempo esquecer  e ao reviver esses momentos, lentamente, fui me perdoando por cada erro cometido durante aquela jornada, fui me convencendo de que eu fiz o que fiz por achar ser o certo e que era hora de perceber que o passado serve para ficar no passado, que devemos tirar dele o que ele tem de melhor e aprender com ele os erros cometidos e nada mais.

Abri meus olhos novamente e tudo ficou claro, tão claro quanto o brilho do sol.

Aqui Jaz Uma Codependente, e aqui renasce uma mulher."


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dia triste!



Entra ano e sai ano e toda vez que o Natal se aproxima, isso acontece, mesmo após anos, mesmo após ter conseguido me recuperar da minha codependência, ainda há algo que é mais forte do que a minha recuperação. São as lembranças que essa época me traz.

Hoje eu já não fujo mais dessas lembranças, hoje, elas não me assustam mais, mas, mesmo assim, é inevitável, elas se fazem presente em minha vida e sempre farão.

A realidade é que sempre achei a data do Natal um dia triste, nostálgico, desde pequena, não que eu não goste ou não curta a data, a magia que envolve a data, eu gosto sim, mas me sinto normalmente triste quando vai se aproximando do dia.

Foi no Natal de 2002, fazia menos de uma semana que eu o havia confrontado na meio da rua, perguntando se ele estava usando drogas, fazia menos de uma semana que eu aprendi que o SILÊNCIO também é resposta, porque foi esse silêncio que me fez ter a certeza de que meu então namorado estava trilhando uma estrada quase que sem volta.

Naquela noite, ele iria passar o Natal na minha casa, eu estava ansiosa esperando pela a sua chegada, eu já estava começando a sentir a dor de estar ao lado de um dependente químico, a dor de ver os ponteiros do relógio se arrastarem lentamente e praticamente não saírem do lugar, a dor de não saber se a tão esperada hora iria chegar de fato.

Chovia bastante, e aquela chuva tornou tudo mais triste e doloroso, lentamente as horas se arrastaram, minhas mãos, que já estavam cansadas de tanto discar no telefone o número do celular dele, já estavam tremendo de tanto pavor também.

Na tv, o som do Feliz Natal ecoava em minha mente, me esforcei para desejar para a minha família um feliz Natal, enquanto buscava desculpas para justificar a ausência dele. Quando então o telefone tocou, meus olhos não conseguiram segurar as lágrimas, aquela foi a primeira vez de várias que senti medo ao ouvir o telefone tocar. Foram mais de cinco horas de agonia, de dor e angústia, de medo, pavor e desespero, eu quis xingá-lo, mas, apenas pedi que ele fosse para a minha casa, eu precisava vê-lo mesmo depois de ouvi-lo dizer que havia passado a noite em um beco, usando droga, tudo o que eu mais queria era acalmar o meu coração que sangrava de tanta dor.

Esperei por ele... E ele chegou...

"Entramos em casa, ele cumprimentou minha família, ficamos um pouco na sala, sentados no sofá, ele quase não pronunciou palavra alguma, pálido, quieto, não conseguia me olhar nos olhos, ou não queria, porque sabia que meus olhos estavam ardendo em fogo enquanto eu o estudava minuciosamente, depois do alívio de vê-lo bem, fui tomada por um sentimento obscuro, senti ódio dele, senti raiva, dele e de mim, queria desesperadamente entender o porquê, ele havia estragado a minha noite de Natal, a nossa noite de Natal e parecia não estar se importando com isso! Enquanto eu o fitava, busquei nele algum indício de que o Gabriel que eu havia conhecido ainda existia, por trás daquele outro que eu não sabia quem era.


- Onde você estava? - perguntei em voz baixa - Quero que me diga a verdade, só isso. Eu quero te ajudar.
- Jú... - ele estava relutante e tive que me controlar para não fazê-lo recuar com o meu desespero, eu precisava saber. - Eu não consegui, eu tentei, mas não consegui. Eu estava sentado, no meio do mato, em um
terreno baldio. Quando te liguei ainda estava lá, o efeito já havia passado, estava chovendo e eu não sabia o que fazer. Para ser sincero, não pretendia vir mesmo, estou envergonhado por decepcioná-la.

Minha garganta ficou seca, senti-la queimar, posso sentir novamente como se estivesse acontecendo agora nesse exato momento. A respiração dele estava ofegante, quase pude ver o movimento de seu coração bater enquanto ele falava, seus olhos estavam marejados de lágrimas e a única coisa que pude pensar é que ele ainda gostava de mim, pois havia pensado em mim logo depois que passou o efeito da droga. Essa foi à primeira vez, dentre várias em que me submeti a ser colocada em segundo plano, em que aceitei ficar atrás das drogas na lista das prioridades dele.

Nos abraçamos, choramos, começaram as promessas."



E desde então, por mais que eu queira não lembrar, todos os anos, nessa época eu revivo internamente essa data, mesmo não querendo "curtir" essa dor, tudo porque há feridas que não se fecham e não se curam jamais...



"...E eu me lembro de você assim, em dias de chuva, em dias de sol"

domingo, 20 de novembro de 2011

Anjos sem asas

Eu hoje recebi um e-mail de uma leitora do meu livro, ela me contou um pouco sobre a sua história, mãe solteira, dona de ma loja de roupas no interior de São Paulo, vive o drama da dependência química com seu filho de 18 anos, ela o define como uma rapaz bonito, dos olhos azuis, de personalidade forte, quase rebelde, dono de um coração bondoso e viciado em cocaína.

Ela me contou um pouco sobre a trajetória do seu filho, que hoje encontra-se em recuperação há pouco mais que 6 meses, ela me disse que resolveu ler meu livro porque ficou curiosa ao ler em meu blog que eu hoje não tenho mais laço nenhum com o meu ex D.Q. e que mesmo assim eu ainda me "envolvo na causa", que ela baixou o primeiro capítulo e desde então, passou os dias ansiosa até a chegada do livro, eu fiquei muito feliz com a receptividade dela para com meu filhote, meu livro, mas, de tudo o que ela escreveu, o que me motivou a escrever essa postagem foi o comentário que ela fez em relação a eu me referir ao meu ex, em meu livro, logo no início, como se ele fosse um anjo.

Mariana, eu quis desde o começo do livro plantar na cabeça e no coração de quem o lê que eu conheci um anjo por dois motivos, primeiro que para mim, ele foi e sempre será um anjo sim, em sua essência, seu coração e segundo porque quero que pelo menos quem ler o meu livro, o leia com a mente aberta, sem preconceitos ou rótulos de que o dependente químico está relacionado com algo ruim, quero mostrar que antes de se tornar um D.Q, o meu ex e tantos outros adictos eram dignos do título de anjos, pois eram de fato um.

Eu conheci um anjo sim, um anjo belo, com olhos tristes, perdidos, pela pálida, coração generoso e também dependente químico.

Mariana, tem gente que não precisa ter asas para serem Anjos!!!

Eu acredito quando você me diz que seu filho é um anjo, mesmo sendo um D.Q.

Obrigada pelo e-mail lindo, pela confiança em me contar sua história e em meu livro.

Boa noite à todos...


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ainda dói!


Boa noite meus amigos e amigas!

Fim de feriado, 4 dias sem trabalhar de vez em quando é bom não é mesmo?

Aproveitei bastante, mas, pouco fiquei na internet, desculpem-me pela ausência, logo voltarei ao normal aqui com o blog, vocês não imaginam quanto isso aqui me faz bem...

Eu não ia escrever hoje, estava passando roupa e bem cansada, mas, entrei um pouco na net e vi um comentário aqui no blog de uma escritora que está lançando um livro e o seu comentário me chamou a atenção pois ela disse que o livro teria muito a ver com o meu. Enfim, entrei no blog dela e comecei a ler o primeiro capítulo, foram lágrimas e mais lágrimas, há algumas semelhanças com o começo da história do livro dela e com o que vivi, a dor que ela representa nas palavras, é tão intensa quanto a dor que senti e isso me fez ter a certeza de que essa dor, ela não passa, ela apenas ameniza...

Mais de oito anos se a passaram e se algo me faz lembrar aquela época, é inevitável não revivê-la. Às vezes, é algo tão forte que o choro me vem à garganta e eu tenho que "engoli-lo", e por mais que todos digam à mim que coisas boas e otimistas a respeito de tudo o que vi e vivi, eu ainda tenho esse certo sentimento dentro de mim.

Dói, dói sim e não é pouco, dói porque me lembro de detalhes, pouco a pouco, dia após dia, minha memória vai trazendo à tona alguns acontecimentos que eu havia feito questão de esquecer e isso dói, aperta, espreme, engasga, tudo porque sou humana, tudo porque eu não sei fingir que não aconteceu. Não é reviver o passado, de forma alguma, é apenas não conseguir esquecer, é não conseguir tirar esse sentimento de frustração e de dor de dentro de mim, afinal, é da vida de um ser humano que estou falando, é da vida de alguém que foi importante para mim, para o que sou hoje.

Acho que isso faz parte da recuperação, da minha constante recuperação. Me dói porque até hoje ele ainda está nesse mundo das drogas e por mais espiritualizada que eu seja, por mais que eu saiba que ninguém pode percorrer por ele o caminho dele, eu ainda sim gostaria de, ou melhor, ainda sim quero vê-lo livre das drogas, mas, quanto mais eu pesquiso, quanto mais eu leio, mais frustrada eu fico, porque tenho que ser realista, as chances são pequenas e isso me consome, me corrói, me destrói. Eu tenho medo de a qualquer momento receber uma notícia desagradável sobre ele. É difícil, é muito difícil tirar essa dor, ela adormece, mas não vai embora e acho que jamais irá, acho que ela que no fim das contas me motiva a escrever...

Às vezes, lendo os outros blogs, como o da Poly, da Cicie, da Gaby, eu choro como uma criança, eu gostaria muito de ter tido a oportunidade de conhecer mais sobre essa doença antes, na época em que eu estava no auge da minha Co.

É, se eu uma ex-namorada de um dependente químico, mais de oito anos depois ainda sofro com as sequelas dessa doença, imagino uma mãe, um pai, uma esposa ou esposo, o quanto não sofrem, mesmo anos e anos depois.

Hoje, acho que estou nostálgica, acho que essa leitura que comecei a fazer me balançou um pouco...

Bom, assim que eu ler o livro, posto aqui para vocês sobre ele e sobre a autora...

Boa semana para todos nós!!!

Só por hoje eu escolho a serenidade em minha vida.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

EU CONHECI UM ANJO!


Eu conheci um ANJO.

Um anjo vindo do céu com alguma missão ainda desconhecida.

Durante o seu percurso de descida do Céu à Terra, esse anjo passou a ficar cada vez mais próximo e ter conhecimento acerca das experiências humanas, a cada nível em que ele descia, algo novo era descoberto e lhe era mostrado, paulatinamente ele descobriu o amor, a bondade, a generosidade, descobriu a beleza, aprendeu a sorrir e a fazer os outros sorrirem, descobriu a alegria na forma mais pura que há e quanto mais ele se aproximava da Terra, mais intensas eram suas emoções e mais próximo das emoções humanas ele ficava, entretanto pouco antes de tocar seus pés na Terra, ele descobriu a dor, a inveja, a angústia, descobriu a fraqueza e suas conseqüências, conheceu a solidão sem nem ao menos tê-la vivenciado, descobriu que havia pessoas ruins, energias ruins e momentos ruins, descobriu os vícios e seus malefícios, conheceu a sensação vazia que uma decisão errada pode causar, vivenciou o lado mais obscuro do ser humano. Então, finalmente quando esse anjo chegou, ele já era muito mais humano do que anjo, pois, durante o seu percurso de descida, ele havia se familiarizado com as experiências humanas tornando-o praticamente um humano como nós.

Só quem ao seu lado esteve é que fora capaz de reconhecer a sua origem, porque mesmo tendo vivenciado e praticado as situações e atitudes mais horripilantes, ele ainda tinha dentro de si a alma de um anjo, a bondade de um anjo e a inocência de um anjo. 

Esse anjo vivenciou o terror na Terra, mas aprendi que deveria haver uma explicação para isso e que enquanto a sua alma for a alma de um anjo, haverá sempre uma saída, haverá sempre a possibilidade de um resgate, haverá a possibilidade da nova vida sobre a luz.

É só uma questão de tempo, eu sei que esse anjo encontrará o seu caminho, seguindo a luz que vem do Céu, seguindo a ordem Divina de que ele veio à Terra para ser feliz e não para sofrer.

Eu conheci um anjo e por tudo que vivi, digo que Valeu a Pena.


domingo, 23 de outubro de 2011

Deus sempre teve um plano para mim!


É fácil demais dizer que Deus tem um plano para nós, lançar ao vento tais palavras requer apenas um comando do nosso cérebro para que nossa boca e fala entrem em ação, mas, acreditar que é verdade, esse é o segredo.

Hoje, (como adoro essa palavra) eu acredito verdadeiramente que Deus tem um plano para mim, hoje eu sei que o tempo de Deus, não é o mesmo tempo que o meu, e que nem por isso, ele me abandona e me deixa sozinha.

Estou usando aqui a palavra Deus, mas, quando digo Deus, pode ser Alá, Buda, ou qualquer outra palavra que represente "Alguém" que está acima de nós e olha por nós, como o Poder Superior, para mim, o termo usado é o que menos importa.

Durante a minha jornada, e em meu livro deixo bem claro isso, por várias vezes a minha fé foi testada e de várias formas, tudo aquilo em que eu acreditava e acredito foi colocado a prova de uma vez só, não bastava eu dizer que acreditava que havia "Algo/Alguém" olhando por mim, eu tinha que realmente acreditar porque se eu não acreditasse, eu simplesmente não teria forças para suportar as noites em claro esperando o meu ex dependente voltar de mais um sumiço em busca das drogas, não suportaria a dor de me sentir trocada pelas drogas, não suportaria vê-lo quebrar as promessas feitas de que iria parar de usar, tudo porque muitas vezes, em muitas situações, a única coisa que me restava para fazer é rezar e se eu não acreditasse que rezar adiantaria para alguma coisa, eu não teria outra coisa a fazer a não ser me descontrolar cada vez mais.

Muitas foram as situações em que me vi desesperada e me perguntando por que eu estava passando por aquilo, e toda vez que eu fazia tal pergunta eu a direcionava para alguém, eu a direcionava para Deus e se eu fazia isso é porque de fato eu acreditava que Ele estava em algum lugar me ouvindo e de certa forma olhando por mim.

Eu aprendi que ter Fé, as vezes significa crer em coisas que nem sempre fazem sentido, mas, que dão todo o sentido à nossa vida.

Talvez, no momento de sofrimento e angústia, mesmo acreditando que Deus estava olhando para mim, se alguém chegasse e dissesse que um dia eu ia conseguir dizer que VALEU A PENA, que eu ia saber tirar o melhor de tudo aquilo, eu não acreditaria, mesmo tendo fé, acho que na hora eu não teria "entendimento" para compreender que isso era possível, mas hoje, eu de certa forma sou grata pois eu soube sim tirar da dor  o aprendizado necessário para me comprometer em dizer que sou uma pessoa muito melhor após ter passado por tudo isso.

Naquela época em que eu mal sabia o que eram drogas e diferenciá-las, que eu mal sabia o que era ser codependente mesmo já sendo, eu estava passando por um processo necessário "segundo os planos de Deus" para que eu me tornasse em quem eu sou hoje.

E se vocês me perguntarem quem eu sou hoje, eu vou responder que "Hoje, sou alguém que acredita que a dependência química é uma doença, que alguém que usa drogas não usa porque é malandro ou coisa do tipo e sim porque precisa dela, sou alguém que descobriu ser portadora de um transtorno chamado codependência e que há por aí tantas outras pessoas com esse mesmo transtorno precisando de ajuda para saber lidar com ele, sou alguém que descobriu o prazer em ajudar os outros somente pelo simples fato de contar a minha história de lágrimas, dor, alegrias, vitórias..."

Sou hoje, alguém melhor, a melhor versão de mim mesma, tudo porque Deus sempre teve um plano para mim, desde o começo, ele me deu a chance de escolher seguir esse plano ou não e eu segui.

Boa segunda para todos nós!

sábado, 15 de outubro de 2011

Tudo passa, por isso valeu a pena.



Lágrimas de dor eu chorei, mas, também lágrimas de alegria pela minha face escorreram.
Solidão? Sei bem o que é, por muitas vezes me senti sozinha em meio a multidão, por muitas vezes me senti perdida, por muitas vezes por culpa minha mesma, por medo de pedir ajuda me senti só.
Medo... Essa é a palavra, medo de não conseguir, medo de conseguir, medo de falhar, de decepcionar, de não suportar.
Amor, amar, ser amada, deixar de amar, deixar de ser amada? Conheço bem cada uma dessas palavras, vivi intensamente cada uma delas e algumas, vivi livremente, outras, aprendi a viver novamente.
Coragem de seguir em frente ou medo de ficar presa no passado? Não sei, as coisas aconteceram eu tive que simplesmente escolher, eu tive a opção de ficar aonde estava, de nada mudar, de nada fazer, de apenas continuar esperando o fim chegar, ou a de fazer algo que não me agradaria, mas que sabia que seria necessário, afinal, esperar o fim chegar já não é o fim?
Morrer em vida? Morri... algumas vezes lentamente, outras instantaneamente. Morri diariamente enquanto não busquei ajuda, morri lentamente quando percebi que com a ajuda, eu teria que parar de esperar o fim chegar e perceber que ele já havia chego e ido, que eu já estava no início novamente. Morri por cada lágrima derramada, morri por cada promessa ouvida e não cumprida, morri por cada noite mal dormida e cada refeição não feita.
Inferno? Eu desci, desci ao inferno com minha codependência e de lá saí.
Nuvem? Eu tive a minha própria nuvem de chuva para carregar sob minha cabeça, escalei os mais altos picos de emoção com ela e desci até os mais baixos vales de sentimentos lutando contra ela.
Arrependimentos? Nenhum, apenas lembranças, algumas, bem nítidas em minha mente e outras como borrões em uma tela de pintura, mas, sem nenhum arrependimento.
Valeu a pena? Valeu, cada lágrima, cada sorriso, cada segundo de esperança, cada momento de renovação da fé, cada alívio sentido seguido de uma intensa agonia, cada palavra dita, mesmo aquelas que não deviam ter sido ditas, cada momento vivido, valeu a pena, tudo porque eu cresci e aprendi que tudo passa, seja a dor ou a alegria, elas passam e se renovam, assim como eu, que estou renovada!

domingo, 19 de junho de 2011

Por que Valeu a Pena?


Algumas pessoas, normalmente as que ainda não leram o livro, me perguntam porque o título do livro é Valeu a Pena, o que foi que me motivou a escolher esse nome, e para explicar, fiz esse post. 
Muitos escritores falam que escolhem o título do seu livro, após terem praticamente concluído suas obras, alguns, escolhem durante, ou seja, enquanto ainda estão escrevendo e poucos, antes de começar a escrever. Esse foi o meu caso, eu escolhi o título para o meu livro, para a minha história, muito antes de começar a escrevê-lo, muito antes de criar coragem de remexer no baú esquecido das minhas lembranças e trazer à tona momentos que eu havia feito questão de esquecer.

E como foi feita essa escolha se o livro nem havia começado?

Um dia, há anos atrás, vendo uma reportagem sobre drogas, eu me lembrei de algumas situações que vivi enquanto namorava um dependente químico e nesse momento, uma espécie de filme passou pela a minha mente e no fim desse filme, eu pensei: - Valeu a pena.

O que isso quer dizer?

No começo do meu livro, antes mesmo do prólogo, há um texto, uma homenagem para "Ele", o meu ex-namorado, um dependente químico e para quem ainda não leu o livro e quiser ler o texto, no site http://www.clubedeautores.com.br/book/42747--Valeu_a_Pena é possível ler as primeiras vinte e cinco páginas, o texto a qual me refiro está na página cinco. Eu começo ele dizendo: 

"Eu conheci um anjo"

Pode parecer contraditório, pode parecer estranho, anjo e dependência química são palavras que parecem não combinarem, e essa foi a intenção, de gerar essa dúvida em quem está lendo. Eu comecei dizendo que conheci um anjo, porque de fato ele foi para mim um anjo, eu quero mostrar para quem está lendo que o Dependente Químico não é um marginal, um delinquente ou um vagabundo, como muitos pensam, eu quero desmistificar essa ideia preconceituosa. Eu termino o texto dizendo:

"É só uma questão de tempo, eu sei que esse anjo encontrará o seu caminho, seguindo a luz que vem do céu, seguindo a ordem Divina de que ele veio à Terra para ser feliz e não para sofrer.
Eu conheci um anjo e por tudo o que vivi, eu digo que valeu a pena "

Talvez, você tenha lido tudo isso e ainda sim esteja se perguntando: - Mas afinal, porque valeu a pena?

E eu digo que VALEU A PENA porque mesmo diante de todo o sofrimento vivido, mesmo após noites sem dormir, dias de medo e angústia, lágrimas que saíram e lágrimas que não conseguiram sair, mesmo depois de achar que tudo estava perdido, eu descobri que VALEU A PENA porque ao relembrar e reviver em minha mente, muitas das situações vividas, eu consegui sorrir, eu consegui me lembrar que houve também bons momentos, momentos de coragem, de alegrias e superações.
Então, cheguei a conclusão de que em qualquer situação, não importa qual, se depois que ela passar, você se lembrar dela e conseguir sorrir, mesmo que ela tenha sido dolorosa para você, isso significa que VALEU A PENA.

Eu espero que você tenha muitos motivos para dizer que VALEU A PENA!

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