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domingo, 20 de maio de 2012

Juntas somos mais fortes!

Olá pessoal, vou postar aqui um e-mail que recebi de uma leitora, uma amiga nossa, a querida Rachel, em resposta a postagem sobre a história da "C"...Acho que o espírito é esse, vamos ajudando umas as outras com nossas experiências e histórias!

Querida "C"...gostaria de publicar uns trechos de uma carta que enviei ao meu marido que está internado(tenho 2 filhos com ele e estamos juntos há 6 anos)....o que não significa estar em recuperação...a recuperação de fato só se inicia quando existe uma transformação e aceitação total do adicto, infelizmente enquanto eles não encontram esse caminho dentro deles...as chances...são muito pequenas..o que posso lhe dizer...é uam doença sem cura e muito triste...confie em Deus e peça pra elet e guiar que tudo dará certo..
 
Carta:
 
.....Oi...Anjo...tudo bem...

...Bem em resposta a sua carta.
Entendo que pra vc estar ai esteja sendo difícil, não saber o que ou como vai ser daqui pra frente também da medo, não só em vc, em mim também, que confesso não consigo me imaginar um só dia, vivendo naquele inferno novamente.
Vc se questiona que não sabe se é o fim ou um recomeço isso posso te responder, é o fim de um inferno na minha vida com a possibilidade de um recomeço, eu digo na minha vida, pq só posso responder por mim e não por vc, mais gostaria muito tb que esse “inferno” nunca mais volte a fazer parte do teu presente, mais quem vai determinar isso é vc.
Anjo assim, como vc sofre com a dependência química, eu tb tenho uma doença chamada codependência, descobri que tenho isso desde pequena, eu fui criada dessa forma.
Pra resumir o que é a codependência, nós codependentes, nos colocamos em ultimo lugar sempre, por causa dos outros, permitimos que as pessoas se aproveitem da gente, que nos magoem, aceitamos isso, e depois sentimos raiva e culpa, a gente não consegue se colocar em primeiro lugar nunca.
Exemplo: me sinto culpada em gastar dinheiro comprando uma roupa por causa da situação financeira, enquanto o companheiro compra roupa sempre que lhe da vontade sem pensar se pode ou não comprar, e quem acaba pagando a divida sou eu.
Quantas vezes isso não aconteceu? Deixei de fazer por mim, pra fazer por vc e ficava com raiva depois.
E quando um codependente tem um relacionamento com um dependente, ai como dizem junta a fome com a vontade de comer, os dois se afundam, vc e eu estávamos no fundo do poço. Vc no seu fundo de poço e eu no meu.
E posso descrever o meu fundo de poço: emocionalmente: me senti abandonada, sugada, incapaz, uma tristeza profunda sem fim chorava todos os dias indo e voltando do trabalho, culpada sem ter culpa alguma.
Fisicamente: exausta, sem perspectivas do futuro, impaciente, irritada, dores de cabeça.
Esse foi o meu fundo de poço, Anjo isso não significa não gostar mais de vc, significa gostar de MIM. Eu não posso e não consigo reviver isso nem por um instante mais na minha vida, não dá entende.
Então não sinta medo, nem se preocupe com o meu sentimento em relação à vc, busque a sua recuperação que é a única forma, para que possamos ser felizes juntos, ou separados, enfim. O que mais importa é ter paz, e se não for pra termos paz juntos pra que viver debaixo do mesmo teto?
Eu quero muito ter uma família normal ao seu lado, dividindo as responsabilidades, financeira, física e emocional de uma família, eu não sou super homem, sou uma mulher que quer ser AMADA e quer alguém que me faça feliz, se vc puder me AMAR de verdade e não apenas gostar, pq não com vc?
Uma frase que vc escreveu em sua carta...”melhor que gostar de alguém é ser amado por alguém”...já passou pela sua cabeça que eu penso da mesma forma?
O que eu sempre questionei e te perguntei: Anjo vc me ama? Qual sua resposta: Para de bobeira claro que gosto de vc. Eu quero ser AMADA, tanto quanto vc também quer e foi.
Vc sempre disse que as palavras vão com o vento e por isso eu não deveria dar tanta importância pra frase EU TE AMO.
Se a frase.. EU TE AMO, são só palavras pq ela te causa tanto medo? Afinal vc mesmo diz: são só palavras....
Vc diz que quer me fazer feliz, vc sabe o quanto isso era importante pra mim, se são só palavras que vão com o vento, pq não dize-las?
Meu desejo, meu sonho de felicidade hoje é saber viver em paz, sei que a vida nos reserva surpresas e que nem tudo é como a gente quer,  precisamos saber conviver com o bom e ruim.
É isso que quero ser feliz, se puder ser todos juntos eu vc e as crianças, dividindo a nossas vidas igualmente, sem sobrecarregar ninguém, nos ajudando, pq isso é família. Se Deus permitir e a gente fazer a nossa parte, seria perfeito.
 Mas se não puder ser assim, que a gente encontre a felicidade da melhor maneira que nos couber.
É isso...Anjo...não adianta eu te AMAR se a gente não puder ter paz.
Vc sabe acredito eu, que a forma com que eu me entreguei a esse relacionamento foi intensa DEMAIS...eu amei demais...mais esse amar demais fez muito mau pra gente. Assim como amar demais uma pessoa tb te fez mau no passado.
A culpa não é sua EU escolhi te amar assim na medida errada, assim como a culpa do seu amar demais no passado não foi da tua ex, foi SUA em escolher agir assim.
Hoje eu estou aprendendo a encontrar o equilíbrio nisso tudo, é só isso. Estou em permitindo escolher ser feliz, como todas as pessoas normais fazem.
Hoje eu quero te amar mais acima de tudo me amar tb.

Um grande abraço, e fique em paz...contigo...e com Deus


sábado, 12 de maio de 2012

O desabafo!


Olá Pessoas!

Recebi essa semana um e-mail de uma pessoa a quem vou chamar de "C", ela me comoveu com suas palavras e me autorizou a colocar aqui no blog. Ela é mais uma pessoa guerreira que luta contra a dependência de alguém querido.

Vamos fazer o que sabemos fazer que é com palavras acalmar o coração de alguém que sofre com isso, que é mostrar que temos que controlar a nossa codependência antes de mais nada, antes de tudo, vamos ajudar a "C" com as ferramentas que temos e vamos com ela enfrentar de frente mais essa batalha.

"C", estamos juntas, bem vinda à família!


Bom dia.
Conheci seu livro através de meu esposo, um dia lendo sobre as drogas pra poder se libertar delas ele abriu sua pagina e o cabeçalho que você escreveu o fez chorar, eu que na hora estava vendo TV olhei pra ele e perguntei oque acontecia e ele me disse pra ler. Ele pode perceber oque sinto a cada vez que ele desaparece, choramos juntos e eu comecei a ler oque você escreve, é parece que você esta me descrevendo.

Assim como toda namorada, esposa de dependente me identifico com sua historia, eu estou a pouco mais de 7 meses com um dependente, eu sabia oque eram as drogas mais nunca imaginei como era conviver com ela, quando eu o conheci , já de cara me falaram da doença dele eu não dei assim importância eu simplesmente me propus a ajuda-lo, mais no dia seguinte que eu o conheci ele recaiu, ficou mais de 24 horas desaparecido, quando voltou veio me procurar e me contar, aí eu soube pela boca dele, ele tentou me explicar como funciona e eu novamente me propus a ajuda-lo, mais foram seguidas as recaídas, eu passei a monitora-lo e assim que eu dava falta dele já sai em busca de encontra-lo, foi assim que ele pegou confiança em mim e eu o convidei a vir morar comigo, assim com ele mais perto era mais fácil monitora-lo, passei a viver a vida dele e deixei a minha de lado. Vivemos quase 4 meses sem uma recaída, porém juntos 24horas do dia. Mas, começamos a trabalhar e acabamos nos separando, e uma semana depois ele recaiu e passou novamente mais de 12 horas desaparecido, eu sabia que isso aconteceria, e consegui traze-lo pra perto de novo, mais dessa vez foi mais difícil de conseguir que ele se apegasse em mim, pois ele já não tinha mais que me conquistar então ele começou a usar de novo mais dessa vez ele me pedia pra ir comprar com ele e ele vinha usar em casa, eu sem saber oque era certo ia , pois assim ele tava junto de mim, não estava se acabando e nem se desfazendo das poucas coisas que temos, mais isso ainda foi pouco pra ele,  ele  saiu novamente e passou praticamente um fim de semana todo na rua chegando de madrugada em casa, e assim foram acontecendo e eu me sentindo impotente acabei brigando com a mãe dele, porque ela sem perceber é a pior companhia pra ele, eu o afastei dela. 

Hoje ele começou a trabalhar de novo, esta a pouco menos de 15 dias sem usar pedra, me pediu pra confiar nele, estou tentando ser mais natural possível, apesar de não conseguir fazer nada enquanto ele não chega. Eu esqueci dos meus filhos, da minha casa, pra falar a verdade esqueci de mim, eu emagreci 10 kg em 4 meses e agora estamos indo pra mais uma tentativa a qual eu estou pondo todas as minhas fichas de que seremos uma família normal, que tem suas tristezas e suas alegrias, mais não quero mais passar por madrugadas acordada sem saber se ele está bem, ou que horas vai chegar, se vai chegar. 

Eu nunca me imaginei numa situação dessa e rezo a Deus todas as horas de minha vida pra que ele me de forças e me ajude na cura. 


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Conte a sua história - Amiga dos Animais!



ANGÚSTIAS DE UMA CODEPENDENTE

A minha história começa em 1997, quando me apaixonei por um traficante e dependente químico, casado!
Mantive um longo relacionamento ilícito com ele, até que ele acabou sendo preso. Como ele era casado, nosso relacionamento acabou, pois a esposa era quem o visitava na cadeia.

Um ano e meio depois, ele ainda estava preso e acabei me envolvendo com outro dependente quimico, ex-traficante e ex-presidiário... havia cumprido uma pena de quase cinco anos! A única diferença era que esse não era casado. Eu já o conhecia desde a infância, mas passamos
muito tempo sem nos ver, pois ele se mudou com a mãe e o padrasto pra longe da minha casa e nossas vidas tomaram rumos diversos.

Quando nos reencontramos aos 26 anos de idade, ele já possuia as marcas indeléveis de uma longa temporada na prisão... na "escola do crime" e, como nossa sociedade é extremamente segregacionista e preconceituosa, ele não conseguia emprego algum!
Foi ai que o ócio e a mente perturbada de quem acabara de sair da prisão, mais os "amigos", o levaram a experimentar o crack. Foi então que o inferno dele começou!

Sem dinheiro para manter o, até então apenas uso, da droga, ele começou a traficar pequenas quantidades de drogas para se manter!
Além do mais, como dependente que já era, da maconha, ele "precisava" do dinheiro que um emprego (e uma vida) digno não lhe pôde dar!
Ocasionalmente, principalmente nos fins de semana, durante as noitadas ele usava também o álcool e a cocaína.
Até neste ponto, ele ainda estava com outra mulher, e como as teias do destino o trouxeram para morar do lado da minha casa outra vez,
eu sabia de tudo isso pela mãe dele, até então amiga de minha mãe, e através da minha prima, casada com um tio dele.
Quando ele acabou se separando de vez da outra namorada, com quem tem uma filha, eu decidi que queria ficar com ele...
Foi ai que o meu inferno começou!

Perdi a conta das noites mal dormidas... noites em claro, vagando pelas ruas da cidade, nas "bocas de pedra" e nas "biqueiras", como chamam.
Muitas vezes ele carregava os eletrodomésticos da casa da mãe, enquanto ela dormia...
Quantas vezes vi ele pegar os produtos da despensa, caixas de leite, sacos de arroz, macarrão, o próprio colchão onde dormia... e, junto comigo, na maioria das vezes, subindo e descendo o morro nas madrugadas geladas, em busca da droga maldita!
Em algumas ocasiões, chegou a praticar e tentar praticar pequenos furtos, e num desentendimento com um traficante uma certa noite, ficou
na mira de um revólver! Cheguei a interceder e fiquei entre ele e o traficante armado! Felizmente não aconteceu o pior...
Quando eu não estava junto, estava em casa morrendo de preocupação e desespero, que nunca se mostravam em vão, pois ele sempre se metia
em alguma confusão, principalmente quando se juntava com outros usuários, inclusive um primo dele...
Certa vez, ele e o primo, se meteram em uma briga de bar e os dois foram parar no hospital. O primo com um ferimento à faca no rosto, e ele com a cabeça atingida por um tijolo, sangrava...

Ele, assim como eu, gosta de animais. Entretanto a criação dele, ao contrário da minha é para fins comerciais... pois foi onde muito me doeu!!
Vi ele acabar com as criações muitas e muitas vezes... galinhas, franguinhos, filhotes de cães...
Um dia ele ameaçou arrancar o pescoço de uma garnizé na minha frente, se eu não desse dez reais (o preço de uma pedra de crack) pra ele.
Minha irmã acabou dando, vendo o desespero em que eu me encontrava e não tinha o dinheiro pra dar a ele...
Minha família sofreu e chorou lágrimas de sangue comigo... e ao ver o que eu sofria, dia após dia!!
Quantas madrugadas tirei meu pai da cama pra me buscar no meio de ruas desertas e sombrias!
E ele ia, junto com minha mãe... 

Estamos juntos há mais de 6 anos e ele chegou a ser internado, por causa do crack, umas 8 ou 9 vezes... nem lembro direito!
No início de nossa relação ele ainda amava a outra mulher, que o abandonou quando ele fora preso e voltou quando ele saiu...
Eu pensava que fazendo ele esquecer da outra e se apaixonando por mim, ele abandonaria as drogas! Ledo engano...

Ele é usuário de maconha desde os 14 anos.
Ao longo do tempo foi se tornando dependente de cocaina, "amesclado" e, depois que saiu da prisão, do crack propriamente dito! Hoje ele e eu temos 33 anos.
Eu não fazia idéia do martírio que viveria... Além das drogas, do temperamento irascível e genioso, ele chegou a me trair descaradamente com a outra, muitas vezes! Como antes éramos vizinhos de muro, ele não tinha como esconder as traições e nem se dava ao trabalho de irem
pra outro lugar... Ela o "usava" quando queria... e eu o perdoava... e ele me "tolerava"... Gostava da outra, mas não a queria mais por companheira, já que ela o maltratava muito emocionalmente, inclusive o traindo! Então, me "deixava" ficar do lado dele...
Com o coração sangrando, eu o perdoava, mas não esquecia!

Com o passar do tempo ele esqueceu a outra, se apaixonou por mim, mas estava cada vez mais e mais dependente do crack, que acabava usando junto com a maconha, a cocaina, o álcool e tranquilizantes.
Quando saíamos nos finais de semana, eu parecia um "estranho no ninho", pois eu não usava drogas, nem álcool e nem tinha assunto com os "amigos" dele que estavam junto.

Começaram as internações quando a mãe viu que ele estava acabando com tudo dentro de casa!
Eu mais vivia lá do que na minha própria casa...
Esta última internação durou apenas dois meses, já que a Prefeitura de nossa cidade "não pôde" pagar e nem eu, nem a mãe dele temos condições pra isso.
Depois que ele chegou ainda não o vi. Ainda não tive coragem de tentar viver novamente ao lado de uma "bomba-relógio", mas só Deus sabe o quanto tenho sofrido e chorado a saudade dele... Não sei o que fazer!!
Ele diz que está me esperando... e isso me destrói mais ainda por dentro!

Primeiro foram internações voluntárias, onde ele nunca conseguia ficar até o término dos tratamentos. Depois, a mãe começou a interná-lo involuntariamente (como das 3 últimas vezes), mas, sabe-se lá porquê, ela mesma interrompia o tratamento dele, tirando-o das
clínicas.
Juntando-se ai os obstáculos da Prefeitura... os tratamentos nunca deram em nada. Mas, uma vez, depois de 43 dias internado, ele chegou a ficar nove meses limpo e frequentando os Narcóticos Anônimos!
Chego a me perguntar por quê ele voltou à "ativa", já que conhece os 12 passos de N.A., sabe o que deve fazer e o que deve evitar para ficar limpo, mas não o fez... um dia ele me disse que uns "tirinhos" de vez em quando ele vai dar mesmo! Fiquei decepcionada e sem esperanças de que ele realmente queira a recuperação um dia!

É preciso que eu diga que ele foi criado por uma mãe solteira, abandonada ainda na gravidez, e que depois do nascimento dele, ela o deixava aos cuidados da avó, que por sua vez, vivia com outro filho traficante. A figura masculina que ele cresceu tendo por referência foi este tio traficante, que hoje se encontra desencarnado, por desavenças com outros traficantes. Quando ele já era um pouco mais velho a mãe se juntou com um homem e o levou para morar com eles... o padrasto e ele se adoravam, mas infelizmente o alcoolismo o levou cedo demais!

Quando mais crescido, já quase adolescente, a mãe arrumou um namorado e o colocava pra fora de casa pra namorar porque o tal namorado "não se sentia à vontade com ele em casa". Muitas vezes ele disse que a avó o encontrava dormindo na porta de casa. A mãe engravidou de
novo, e foi novamente abandonada! O irmão, que também cresceu sem a presença paterna e hoje está com 17 anos, está indo pelo mesmo caminho do irmão mais velho... mas ainda não é um dependente, visto que ainda consegue esconder o uso.

O que me atormenta nisso tudo é que estou por demais exausta e com minha estrutura emocional e mental completamente transtornadas... tenho a humildade e a vergonha de me assumir uma desequilibrada!
Fiquei dependente de calmantes e antidepressivos e não durmo mais sem remédios!
A ociosidade em que estou vivendo ainda contribui mais ainda para minha condição desesperada e desesperadora diante da minha situação!!
Minha única "janela para o mundo" é este computador e, só posso dizer que não estou uma completa inútil por causa do meu ativismo virtual pela causa animal.

Por outro lado, certos comportamentos e atitudes dele para comigo, até quando passa longos períodos "limpo", me confundem e me machucam.
Ele diz que me ama, mas só consegue ver defeitos em mim e me critica por tudo e por nada!
Me agride, sem nenhum motivo lógico, com palavras ferinas que ele sabe que vão me machucar... chegou certo dia a dizer que não me suportava!
Parece que ele só me aceita "incondicionalmente" quando está na ativa...
Mas, quando me afasto e me separo dele, ele diz que não vive sem mim!

Não consigo compreendê-lo!
Não consigo compreender a mim também...
Ao mesmo tempo, por mais que eu sofra ao lado dele, sempre acabo voltando pra ele. A codependencia "roubou" minha vida própria. Passei
anos vivendo a vida dele e só agora comecei a tentar entender essa doenças e tentar me modificar, mas parece que me esqueci como é que se vive a própria vida. Mas, quanto mais eu reflito, mais duvidas eu tenho sobre se devo voltar pra ele ou não...

Nosso amor mais parece um vício, uma codependencia mutua... um "precisar" do outro!
Sinto muita culpa por pensar que ele pode estar sofrendo por minha ausência... Sinto pena, por toda a história de vida dele... mas também penso que preciso me preocupar mais comigo.
A única coisa que tem me confortado são os meus livros e os meus animais...
Não sei o que fazer da minha vida... "com" a minha vida...
Só consigo vislumbrar uma noite terrivelmente escura à minha frente!

Grito por socorro, mas só ouço o mais atordoante silêncio...

domingo, 28 de agosto de 2011

Conte a sua história - "L"

A história que vão ler abaixo é de uma leitora que após ler o meu livro, me procurou e começamos então a nos falar primeiramente por e-mail e depois via MSN.


Como sabemos, as histórias de quem ama um dependente químico acabam sendo parecidas, o sofrimento que essa doença traz, acaba sendo sempre o mesmo, são lágrimas nos olhos e dor no coração.


O formato da história de hoje, do Conte a Sua História, vai ser um pouco diferente, ao invés dela escrever, eu é que vou narrar tudo o que ela me escreveu por e-mail e MSN.


Vou chamá-la de "L", apenas pelo motivo que nem todos do seu círculo social conhecem a sua história. Vou começar narrando a história a partir dos primeiros e-mails que recebi dela, há cerca de um mês atrás, quero mostrar à vocês meus leitores algumas atitudes tomadas por alguém codependente, pois, essa moça teve várias delas, vocês vão perceber que ele foi melhorando com o passar dos dias e no final desse texto, verão que hoje ela sabe lidar com a codependência dela.



Ela namora uma rapaz que é dependente químico, faz uso de cocaína, quando começamos a conversar, eu pensei que ele estava no começo de sua adicção e que ainda não tinha tido consequencias maiores pelo seu vício, mas, após trocas de e-mails e conversas, descobri que na verdade, ele já vem deixando claro que a droga o está dominando e que a querida L vai precisar ser firme para não deixar que a codependência estrague a sua vida.


A história dela, na verdade começa antes de namorar esse rapaz.


L tem um filho com um ex-namorado que também foi dependente químico (eu achei isso surpreendente, ela saiu de um relacionamento conturbado devido à dependência e entra em outro onde o namorado também é dependente) será a codependência que nos faz seguir os mesmos padrões? Voltando para o ex, infelizmente, a dependência dele foi séria que ele ele chegou a ser internado com Esquizofrenia, L ficou um bom tempo com ele, mas, após um mês de nascimento do seu pequeno e amado filho, ela decidiu que precisava mudar, que aquela vida estava acabando com ela, ela não sabia, mas, ela já era uma codependente.


Um tempo se passou, ela foi supostamente se recuperando quando começou a namorar o seu namorado atual, um rapaz de família boa, que sempre fora carinhoso com ela, eles se conheceram no trabalho e como todo começo de namoro, tudo é perfeito até que os problemas começaram.


 "Eu não sabia como lidar com as sequelas que as drogas haviam deixado nele. Hoje sei que nada que eu fizesse poderia mudar o fim trágico que ele teve, mas não saber lidar com aquelas situações me fizeram muito mal e me causaram muita dor."


"Naquela época eu já era uma codependente, eu vivia por ele, só me sentia feliz se ele estava feliz e quando isso não acontecia eu ficava frustrada, sentia que o problema era comigo, que ele não me amava mais. Com esse pensamento minha auto estima  ia lá no chão, minha carência me fazia achar que eu não era boa o bastante pra ser amada por ele, mas eu cobrava isso dele e brigávamos muito.Eu só me me sentia bem ao lado dele e por isso largava tudo pra estar com ele."


Após esses anos de sofrimento, ela decidiu que era hora de terminar o relacionamento, as drogas haviam deixado sequelas no seu então namorado, o havia afetado de tal forma que desencadeou o começo de uma esquizofrenia. Eles tiveram um filho juntos, que foi a motivação dela para continuar a viver e a querer ser feliz.


E então, tempos depois ela começa um novo relacionamento, sua auto estima já havia voltado, ela havia retornado aos estudos e estava feliz novamente. Como todo começo de relacionamento, tudo parecia estar perfeito, até que ela começou a desconfiar de que ele estivesse usando drogas. A princípio, ele alegava que era "só maconha', porém, o tempo foi mostrando à ela que era muito mais do que isso, que era Cocaína.


Em seus e-mails, ela conta como é a vida dela desde a descoberta, ele já chegou a ser colocado para fora de casa pelo seu padrasto e foi ela quem o ajudou financeiramente, se afundando em dívidas por causa dele, ela conta um episódio que aconteceu recentemente, quando ela foi se encontrar com ele na casa dele e o encontrou com o nariz sujo de pó (ele nunca admitiu para ela que está sem controle em relação ás drogas) "Quando entrei na casa fiquei observando as ações dele e me dava ódio.Ele ficava procurando bicho dentro da roupa, tirava a camiseta e colocava de novo por varias vezes fazia isso.Entrava no banheiro e demorava horas pra sair, eu ia atrás e ele saia desconfiado.Fiquei tão arrasada que nem tive força de procurar se ainda tinha algum escondido pela casa.Se tinha eu não queria mais ver!"


Naquela noite, ela o questionou sobre a droga e a única resposta que ele deu foi " Já superei isso". Após esse episódio, na sequência, tiveram uma briga e por 2 dias ele não fez contato e então, ela resolveu ir procurá-lo "Era sábado e eu estava com muita saudades dele, não conseguia parar de pensar nele."


Chegando lá, ele a ignorou por um tempo, se fez de indiferente e ela chorou. (Codependência?). Após algumas horas nesse sofrimento, tiveram uma conversa, ele disse que a amava, que não saberia viver sem ela, houve a parte das desculpas e o dia terminou bem.


O segundo e-mail que ela me enviou foi o retorno de um e-mail meu, onde eu a aconselho e aponto alguns de seus atos destrutivos e facilitadores, ela diz: Eu sei que estou fazendo tudo errado e que preciso mudar logo pra não me acabar mais, só que não tenho forças.Parece até que tenho uma doença física que me impede de andar e me movimentar (rss) as vezes tenho que fazer força pra me levantar.Não consigo comer direito, mas durmo bem, porque me sinto sempre cansada. Vaidade eu não tenho mais."


Outro trecho do mesmo e-mail "E eu já estou esgotada, cansada, percebo que não adianta mais sofrer tanto, porque daqui pra frente a tendência é só piorar.Ele já não se desculpa mais, não disfarça, já não se importa se eu vou sofrer ou não.Antes eu via que ele sofria, que ele se esforçava, mas agora percebo que não, como se ele estivesse se acostumado com a situação.mas eu não!"


Mais uma vez, eu escrevei de volta para ela, dando a minha opinião diante de tudo o que ela havia me contado e então ela me mandou outro e-mail, percebam a diferença sutil entre eles: " Refleti muito sobre tudo que vinhemos conversando desde que nos conhecemos, senti que posso mudar essa realidade horrorosa e obscura que tenho vivido até hoje, só depende de mim."


Nesse e-mail ela conta que ele havia ligado para ela, ela já sabia através da mãe dele que na noite anterior ele havia sumido para usar drogas, mas, ao receber o telefonema dele, ao contrário das outras vezes, ela agiu normalmente, com uma certa indiferença e isso o incomodou, ele ligou mais duas vezes naquele dia para ter certeza que estava tudo bem entre eles. 


No próximo e-mail ela conta que foi no salão, que foi se cuidar, que naquele sábado tiveram um programa de casal, saíram para jantar, mas, que porém, ele mentiu para ela no dia seguinte quanto ao horário que ele chegou em casa. Ela fala no e-mail sobre as MENTIRAS, que estão ficando cada vez maior. ( Na verdade é que ela está começando a perceber a dependência dele).


No final de semana seguinte, mais uma vez ela se chateou, ele ficou de ir na casa dela e não foi, só que dessa vez ela não ficou em casa chorando, ela decidiu sair com suas amigas. "Foi bom, eu ri bastante, conversei, já fazia tanto tempo que eu não sentia isso.Por uns momentos eu até esqueci dele e de tudo que me magoava.Eu senti a vida e vi que ainda era bom viver, rir com as minhas amigas e senti vontade que aquele dia não acabasse nunca."


Nesse dia em que ela saiu, ele ligou para a casa dela e a mãe dela disse que ela havia saído, ela chegou a se sentir culpada por ter saído! No dia seguinte, ela soube pela a mãe dele que ele havia passado a noite fora, que havia chego em casa só na manhã seguinte. Ele não ligou para ela.


"Sabe Jú acho que eu cheguei no meu fundo do poço, eu não quero mais, não tenho força pra aguentar isso.Eu quero ser feliz!Ele levou minha alegria, meus sonhos, a alegrias das minhas conquista e agora vai levar minha vida?Não, eu não vou deixar!Chegamos à um ponto que eu tenho de escolher ou ele ou eu.E eu escolho a mim! Eu me amo!Eu sei disso!Eu ainda me orgulho de ser a pessoa que eu sou!Eu lutei tanto pra chegar até aqui, não é justo desistir agora.Além disso ele já está naquela fase que não ama ninguém e já se questiona se ama a si mesmo.

Estou triste!Vai ser muito difícil, mas é preciso.Continuar só vai adiar mais o inevitável!"

Na segunda-feira seguinte, ele ligou para ela, mas para fazer uma pergunta apenas, para pedir informação, como se já não estivessem mais juntos.

Ela fala sobre a sua reação em relação a tudo isso, como as coisas foram acontecendo, foram "piorando", ele passou a não se importar com mais nada, não se desculpa mais, começou a faltar do trabalho e tudo mais. Ela diz que não está deprimida, mas que tem medo de não aguentar e ir atrás dele, diz que está bem e que quer continuar assim, ela sabe que nada pode fazer enquanto ele não decidir se ajudar.

Ele não ligou mais, ela agora tem notícias dele através da mãe dele, ela o ama e se importa com ele, mas ela está tentando seguir em frente. Ela soube que ele recebeu o pagamento e ele sumiu na noite, certamente com as drogas.

O trecho abaixo é de um e-mail de 5 dias atrás. "Ontem eu pensei muito nele na hora de dormir, senti saudades, mas lembrei do pesadelo que é a vida dele e  de quem está lá ao lado dele agora, mas mesmo com saudades e até querendo saber noticias dele eu não tive vontade de pegar o telefone pra ligar( estou progredindo, rs), então foquei meus pensamentos em outra coisas "

"Acho que hoje depois de ter descobrido a codependencia em mim eu estou começando a me conhecer, conhecer um lado meu que eu não conhecia, tudo ficou claro em relação aos meus sentimentos por ele e as coisas que ele fez e que eu não conseguia enxergar, isso explica muitas das minhas ações que hoje não quero fazer mais.
Pensei bastante naquilo que você disse sobre eu ter mudado e isso fazer com que eu atrai pessoas diferentes pra minha vida e isso faz sentido.Quando eu terminei com o pai de meu filho eu era uma pessoa codependente e quando conheci o meu ex eu continuava sendo a mesma pessoa, sem saber lidar com a situação e isso fez com que a historia se repetisse de fato."

Nós os falamos quase que todos os dias, eu percebo a mudança nela, não podemos ajudar o namorado dela, não da forma como queremos, isso tem que partir dele, mas, podemos ajudá-la a se recuperar, a se fortificar, para que quando ele busque ajuda, ela esteja forte para ajudá-lo.

Ela está se controlando para não ir atrás dele, mas não por orgulho, ela só não quer ir atrás nesse momento porque está ciente de que ele agora não está em condições de pensar em alguém, que ele nesse momento só pensa na droga e nada mais. Ela ainda sofre com saudades dele, com vontade de vê-lo, de ligar para ele, mas, vem se controlando, até onde aguentar, ele sabe que ela está disposta ajudá-lo, ela já deixou claro para ele que o ama e que quer ver ele bem, agora, portanto, só depende dele!

Com o passar do tempo, eu descobri que não posso controlar a dependência de ninguém, mas, que posso controlar a minha codependência e foi essa ideia que tentei passar para a queria L, de que ela precisa primeiro assumir o controle da sua vida!!!

Ela me disse via MSN que eu falo em meu livro sobre os anjos que passaram pela a minha vida e que me ajudaram a lidar com a dependência do meu ex e a minha codependência e depois ela diz que eu sou o Anjo dela. L, meus olhos se encheram de lágrimas, fico feliz em saber que de alguma forma te ajudei.

Estamos juntas e saiba que sua história pode ajudar outras pessoas!!!

Pessoal, quem quiser deixar um comentário aqui para a L, fiquem a vontade!!!

domingo, 7 de agosto de 2011

Conte a sua história - "P"

A história que vocês vão ler abaixo, é a história de uma codependente, que recém se descobriu inserida nesse mundo que muitas e muitos de nós já conhecemos bem.

Ela namora um dependente químico e está aprendendo a lidar com a situação sem se tornar uma codependente.
Sabemos que muitas vezes, nos tornamos codependentes e não percebemos, é fato que o codependente nega o seu "estado" assim como o dependente nega a sua dependência. Por isso, conhecer os "sintomas", procurar informações, buscar ajuda, são fundamentais para que um familiar evite se tornar um codependente.

O meu nome é "P", tenho 21 anos, faço faculdade de Psicologia e o meu Amor, que é dependente químico tem 20 anos. Tenho um irmão depende químico também que no momento está em tratamento em uma clínica de recuperação em fortaleza, depois de inúmeras recaídas.

Estava na internet procurando algo que fala sobre esposas de dependentes químicos, então vi muitas histórias, entre estas pesquisas vi o blog da Polly (amando um dependente químico), da Gaby( diário da namorada de um adicto em recuperação) e o seu, parei para ler e achei muito interessante. Então, ao ler várias histórias na internet e ao ler a sua convivência com o seu ex-namorado, percebi o quanto é difícil estar do lado de um dependente químico, até então acreditei que não seria da forma como li nas histórias. Fiquei em estado de choque, pois não imaginava que seria tão difícil assim.

Eu namoro um dependente químico há 5 anos, esse ano (2011) vai fazer 6 anos de namoro, mais esses 5 anos foram anos de sofrimentos, desconfianças e tristezas isso tudo por causa da maldita droga, mais não posso negar de que vivemos durante esses 5 anos momentos felizes também apesar da droga. Começamos a namorar em 2005, eu tinha 15 anos e ele 14, depois de uns messes de namoro sempre ouvia histórias do tipo, “cuidado todas as amizades dele (meu adicto) usam drogas”. No começo do nosso namoro sempre ouvia essas histórias, mais eu não me importava muito por que ele não demonstrava comportamentos de um usuário e também porque sempre que conversava com o meu amor adicto, ele dizia que jamais usaria isso e eu confiava nele e também porque eu mesma não quis acreditar no que estavam me dizendo.


Então depois de uns 2 anos de namoro notei algo estranho, ele mostrou comportamentos comigo e com a família dele que não era típico dele, como por exemplo, eu ligava pra meu amor e ele não atendia, saía para comprar algo e demorava bastante pra voltar e as vezes nem voltava pra casa, desligava o celular, , mentia muito, contava histórias que não faziam sentido, mentia mesmo! 

Então depois de uns tempos isso tudo piorou. Ano passado esses comportamentos ficaram frequentes e assim meu namoro se tornou um inferno! Era horriiiivel!!!Depois de ouvir muitas pessoas comentando que o meu amor estava com rapazes que usavam drogas e que estava usando também, ao ouvir com frequência essas histórias e a partir do momento que notei esses comportamentos estranhos (comportamentos que citei anteriormente) e outros comportamentos, depois de perceber isso tudo desconfiei que ele estivesse usando drogas. 

Todo esse comportamento do meu adicto piorou muito no final do ano passado. Diante desses comportamentos, conversava bastante com ele, e até perguntava se ele estava envolvido com drogas e ele sempre negava.

Então, depois que mudei o meu comportamento com o meu adicto, como por exemplo, passei a ter atitudes frias e cheguei até a não me importar mais com ele, e também depois que passamos a viver um inferno no namoro ele não aguentou mais e confessou que estava usando drogas e a partir daí só ouvi promessas do tipo, “não se preocupe isso não vai mais acontecer”, outra, “eu não vou mais fazer isso”. Sempre ele recaia e prometia, mais não parava de usar. 

Ele passava uma semana em casa tranquilo mais depois de uma semana não aguentava e sumia. Então perdi a paciência e conversei com ele mais uma vez para que ele buscasse tratamento, porque sozinho ele não ia conseguir sair dessa, depois de muito sufoco para convencê-lo que ele precisava de um tratamento, aos poucos ele se conscientizou e percebeu que realmente precisava de um tratamento. Então conversei com a família dele para que o ajudassem, e depois de muita conversa, eles o ajudaram e o colocaram em uma clínica. É  a primeira internação dele.

O meu amor esta em uma clínica em recife, são 6 messes de tratamento, faz 4 messes que está na clínica e esse mês vai fazer 5 messes. A visita é uma vez por mês, e a ligação para falar com ele é de 15 em 15 dias. Então nas ligações sempre vou a casa dele para falamos com ele, eu e a família dele. Dou-me super bem com a família dele. A saudade que sinto do meu amor é muito forte. Sempre a família dele vai à visita e ao chegar da visita sempre recebo notícias boas do meu adicto, fotos, vídeos que ele manda, cartas e também envio cartas para ele .Estou muuuuito feliz porque os profissionais que acompanham o tratamento do meu amor dizem que ele tem tudo para se recuperar, por que ele participa de todas as atividades da clínica, sempre está disposto, gosta de participar e está se ajudando bastante para se recuperar, então fico feliz e ao mesmo tempo aliviada por que ele esta se ajudando, ele demonstra que quer vencer.


 
Essa é a minha história. No inicio do tratamento do meu amor não tive medo de que ele recaísse, mas depois que li umas histórias na internet


Eu amo muuuito ele, eu quero estar sempre com ele, o resto da minha vida! Mas eu tenho medo porque eu sei que durante a recuperação ocorre os momentos de abstinência e durante esses momentos corre o risco de recaídas. Eu tenho certeza que suportarei os momentos de abstinência do meu amor, ele pode ficar muitos dias irritada, chato, querer ficar sozinho, eu aguento isso tudo por que saberei que é uma abstinência, mais eu não sei se vou suportar ficar ao lado dele se caso ele recaia. Eu amo muito ele e quero estar do lado dele sempre, por que ele me ama muito dar pra notar e eu também o amo demais.!

O meu medo é de que ele tenha recaídas e eu não sei se vou superar esses momentos de recaídas, mais eu não quero perdê-lo!  Deixei bem claro para a minha família que se caso ele recair eu termino com ele. Falei desse meu medo para Poly e ela me disse o seguinte: “Querida, não lhes digo para deixá-los, e nem para permanecerem com eles. Mas, lhes digo que essa é uma escolha muito dolorosa. Qualquer caminho escolhido vai exigir força e coragem”. 

Então nem sei mais se vou conseguir deixa-lo e se deixa-lo não sei se vou conseguir seguir minha vida e também nem sei se vou cumprir com o que disse para a minha família. Meu pai sempre conversa comigo e não quer isso pra mim, mais não proibe nada.

Apesar de estar confusa e apesar do meu medo, no momento minha decisão é ficar do lado dele e esperar pra ver o que vai acontecer, caso ele recaia ao voltar da clínica, não saberei o que fazer.


Faltam dois meses pra ele votar e eu tenho que me preparar para o que pode acontecer durante a recuperação. Então meu único medo é este, da recaída, eu não sei se teria a coragem que você teve com o seu ex-namorado, de deixá-lo e fazer uma nova historia para você. Te admiro pela força! Gostaria de ser forte e não ter medo de decidir de verdade! Queria ser forte como você e como a Poly. 

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Conte a sua história - Edilson Silva

Vou começar a contar essa história de trás para frente, a história de um vencedor que superou todas as barreiras que a vida impôs para ele, que transformou o espinho em flor, o amargo em doce, a dor em motivação.

Hoje, um palestrante motivacional "gabaritado" no assunto, formado em administração de empresas, certificado como Master Practitioner em Programação Neurolinguística, formado em Coach, consultor, conferencista, diretor do Instituto Qualivida e Coordenador e conselheiro da Ong Vida Viva e é membro do Colegiado do Conselho do Conen (Conselho de Política Sobre Drogas do DF). Em seu hall de clientes, tem uma longa lista  de clientes atendidos tais como: Microlins, Nipponflex, TAM, Coca-Cola, MRV Construtora e muitas outras.

Eu poderia passar o dia escrevendo sobre o trabalho dessa pessoa, sobre as suas palestras, seus seminários, mas, a história tem que continuar e como comecei ela ao contrário, preciso continuar contando para que entendam a vida desse rapaz.

Hoje, ele vive bem, tem uma família bem estruturada e tem o conforto pelo qual batalhou para ter, mas, a sua vida nem sempre foi assim, abaixo vocês vão conhecer o outro lado dessa história.

O Crack estava destruindo a minha vida, eu vou contar como foi.
Com nove anos de idade comecei a trabalhar como engraxate na Rodoviária de Brasília. Estudava pela manhã e não via a hora de ir engraxar à tarde. Quando era época de férias, engraxava o dia inteiro, era muito divertido. À época de natal, fazia uma caixinha de presente para pedir uma ajuda. Tive uma infância difícil, mas divertida. Meu pai era pedreiro, epilético e alcoólatra, minha mãe era empregada doméstica, uma fonte de sensibilidade, afetiva, dócil, amável; eles tiveram enormes dificuldades financeiras para criar seis filhos.


Aos onze meu pai me deu a minha primeira dose de pinga onde tb virei alcoólatra e com treze anos, meu pai morreu em um bar, apunhalado por causa de uma dose de pinga. A situação, que já era difícil, ficou mais complicada ainda. Deixei de engraxar e comecei a trabalhar como office-boy. Com quatorze anos, me apaixonei e casei-me com Miriã. jovem, morena do tipo índia, cabelos longos, bela, linda e maravilhosa, ela tinha apenas 13 anos e muitos sonhos.

Com quinze anos comecei a fumar maconha e cocaína as dezessete estava viciado em merla(Pasta da cocaína).Aos vinte anos, tive minha filha. Nessa época, já trabalhava em uma empresa de engenharia como auxiliar administrativo ganhava aproximadamente um salário mínimo por mês, porém, não dava para pagar o aluguel de um barraco de dois cômodos e sustentar minha filha. Pegava um minhocão (dois ônibus em um) lotado e sempre ia em pé, numa viagem de 46 km de Planaltina à Brasília, todos os dias, de segunda à sexta-feira. Aos 28 estava fumando a minha primeira pedra da Morte o Crack.

Rapidamente já estava viciado. 
Com cinco anos na empresa, já sustentava mais um filho, que tinha acabado de nascer, no entanto, meu salário, até então, era mais ou menos o mesmo, além de paga alugueu, estava devendo para dois traficantes e comecei a me desesperar; logo comecei a beber, a me fumar o Crack cada fez mais, brigando com minha esposa constantemente, reclamando da vida, me subestimando: “eu não presto, sou um fracasso, sou um perdedor, nasci para sofrer, etc.”. Quando, subitamente, dei por mim, estava dentro de uma prisão em Belo Horizonte, preso por extorsão, condenado a quatro anos e meio de reclusão e longe da minha família. 
Aconteceu da seguinte forma, eu prestava serviços para a Receita Federal, em Brasília, por meio de uma empresa de engenharia. Certo dia, recebi uma ligação de um industrial de Belo Horizonte, denunciando o seu próprio irmão por sonegação de impostos. Segundo ele, seu irmão tinha sonegado aproximadamente três milhões de reais. Tratei de anotar a denúncia, nome completo, nome da empresa, etc. e, após isso, liguei para um amigo meu para que me ajudasse a elaborar uma estratégia que pudesse ser capaz de nos beneficiar com a informação. Meu amigo ligou para o denunciado dizendo que era funcionário da Receita Federal, que já estava sabendo do esquema de sonegação das suas fábricas de tecidos, sabendo inclusive dos valores, que chegavam a três milhões de reais e que tinha provas concretas do esquema de sonegação. Começamos a extorsão e a princípio, ele confirmou e estava disposto a pagar um resgate de cem mil reais pelas informações. Não aceitamos, queríamos trezentos mil e ele pediu dois dias para levantar o dinheiro, que não tinha em caixa no momento. Passados os dois dias, o empresário já tinha arrumado o dinheiro. Confessei ao meu amigo que não ia buscar o dinheiro e que se ele quisesse ir buscar, eu ficaria com cem mil, enquanto ele ficaria com duzentos mil. No mesmo dia, ele pegou um avião e viajou para Belo Horizonte.

Chegando ao aeroporto de Belo Horizonte encontrou-se com o industrial sonegador e foram para um escritório no centro de Belo Horizonte. Quando estava já dentro do escritório, o sonegador colocou uma pasta com os trezentos mil reais sobre a mesa e enquanto meu amigo conferia o dinheiro, chegaram os policias do Departamento de Operações Especiais, dando voz de prisão a ele, que foi encaminhado para o Doesp (Departamento de Operações Especiais), onde foi torturado com choque elétrico até me denunciar como participante ativo no caso.

Os policiais viajaram para Brasília a minha captura. Às 8:00 horas da manhã, eu chegava ao meu trabalho, na Receita Federal, quando os policias do DoespDoesp. Quando o avião estava passando pelo Rio São Francisco, voando a uma baixa altitude, em um momento em que os policiais estavam todos dormindo, passou-me por minha cabeça negativa a vontade de pular sobre o piloto e jogar o avião para o rio. Graças a Deus, não fiz aquilo, pois estava algemado e possivelmente teria morrido. Ao chegarmos no aeroporto de Belo Horizonte, saímos pela portaria principal, onde todas as pessoas olhavam-me algemado como se eu fosse um bandido perigoso, como se eu fosse como o Fernandinho Beira-Mar. Às 16:00 horas, chegamos no Doesp, onde fui colocado numa cela com mais quatro presos, dois seguestradores do paraná e dois assaltante de banco e traficando do comando Vermelho do Rio de Janeiro tinha um dos presos que tinha 151 homicídios.

Recebi um bilhete do meu amigo, que dizia ter sido torturado com choque elétrico durante 8 horas e que por isso tinha me denunciado. Pediu para eu falar toda a verdade, caso contrário, seria torturado da mesma forma que ele.

Na manhã seguinte, fui para a “sala do pau” (sala de interrogatório forçado), onde contei toda a verdade, sem que eles precisassem me torturar.

Foi neste momento que minha vida realmente começou a mudar. Na primeira semana, um dos presos que estava na mesma cela que eu, emprestou-me um livro (O Poder Sem Limite, de Anthony Robbins). Comecei a ler o livro, que era sobre Programação Neurolingüística, e fiquei maravilhado. É um livro que renova os pensamentos para se ter vida positiva no lar, no trabalho, nos estudos, nas amizades. Para se ter vida de progresso e real sucesso, purificando os pensamentos, os sentimentos, em direção a um amor melhor, mais elevado e nobre. Minha mãe também presenteou-me com a Bíblia, que confortou o meu coração. Encontrei naquelas palavras afeto, sabedoria, humildade e, com muita alegria, aceitei Jesus. O muro que tinha sete metros, mas que parecia cinqüenta, começou a cair, a prisão espiritual em que me encontrava começou a ser aberta. Aquele muro de sete metros não representava mais nada para mim.

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei."
Mt 11, 28 

Muitas vezes, é preciso grande desilusão, grande fracasso, um grande romance desfeito na vida do negativo, para que ele saia do negativismo rumo a uma vida mais rica e positiva. Somente grandes acontecimentos em nossas vidas têm o poder de renovar nossos sonhos, pensamentos e purificar nossos sentimentos.
Nessas quedas doloridas e cruéis é que meditamos na solidão de um silêncio renovador e purificador, nos tornando fortes, sem violência, sem medo, com paciência e perseverança, para que nos ergamos felizes novamente, prontos para agir e vencer.
Em Provérbio 23.7 diz assim o que você imagina na sua alma assim é este é o verdadeiro segredo.

E foi assim, mudando o meu pensamento, que saí da prisão depois de um ano e quatro meses de reclusão, amigo de todos os detentos e também de todos os policiais, carcereiros e delegados que ali trabalhavam. Hoje, levo uma vida maravilhosa, próspera e cheia de sucesso. Ministrando palestra de motivação em vários estados tb faço parte do Conen-DF Conselho de Politica Sobre Drogas do DF. Tenho uma bela casa, um Ecosport e um Corolla os carros dos meus sonhos, e agora levo a vida com um novo significado e propósito, ao lado de Jesus, da minha amada esposa e dos meus três filhos. Crack Nem Pensar.
Comece a tecer e Deus lhe mandará a linha. Provérbio alemão 
Depois que saí da prisão, tomei a decisão que alterou minha vida para sempre. Decidi mudar vigorosamente todos os aspectos da minha vida. Decidi que nunca mais me conformaria com menos que eu pudesse ser, de forma moral, legal e ética. Decidi não mais ingerir bebida alcoólica e associei-me ao grupo Alcoólicos Anônimos (A.A.). 

Uma vida de sucesso pode ser construída por toda e qualquer pessoa, independentemente da situação em que se encontra agora, contudo, para se avançar na direção do sucesso, é necessária uma tomada de decisão, além de um processo de esforço contínuo que envolva coragem, determinação, ousadia e mudança de atitude. 


É caro leitores, para esse post não ficar longo demais, vou encerrar por aqui, mas, em breve farei um post com algumas passagens e aprendizados do Edilson Silva.
Apenas reflitam, há sempre dois caminhos a seguir e mesmo quando decidir seguir o B ao invés do A, chegará um momento em que você terá novamente dois caminhos e cabe a você decidir se vai querer continuar no B ou mudar de caminho!!!
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