quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Valeu a pena - A Jornada de uma codependente - O nascimento do livro



Eu pouco sabia de regras ortográficas quando comecei a escrever aos doze anos de idade e uma das minhas primeiras histórias veio a se tornar realidade quando fiz dezoito.

Não sei se foi a chamada lei da atração, onde atraí para a minha vida exatamente aquilo que eu havia escrito anos atrás, uma adolescente se apaixona por um rapaz e passa a enfrentar com ele o problema das drogas, não sei se foi destino ou o que foi.

Com doze anos de idade, eu pouco sabia sobre esse mundo, mas, ainda sim, por um motivo que não sei explicar, resolvi escrever sobre ele e mesmo não sabendo o que era de fato e como era esse mundo, em minha história escrita ainda com uma péssima caligrafia a personagem principal sofre com a dependência química do seu namorado e em minha história real, construída com lágrimas, promessas, vitórias, dor e amor, eu sofri com a dependência do então meu namorado.

Foram dois anos ao lado desse rapaz, após um sofrimento que parecia ser infindável, após ter sentido a dor em sua forma mais cruel, após ter perdido até mesmo a habilidade de chorar, porque as lágrimas já não escorriam mais pela a minha face, após ter tido a minha fé testada e ter sentido o peso do mundo sob as minhas costas, eu percebi que eu estava tão adoecida quanto ele. Ele estava doente porque estava dependente das drogas e eu adoeci por me tornar codependente dele, eu havia assumido para a minha vida a responsabilidade pela a vida dele, onde eu passei a respirar conforme os movimentos dos pulmões dele, passei a comer conforme o apetite dele e a dormir o sono dele.

Eu coloquei em suspenso todos os meus sentimentos, minhas vontades, minhas carências e meus sonhos e passei a viver o sonho e o pesadelo dele. É a chamada ilusória sensação de força que nós codependentes sentimos, eu me coloquei na posição de forte, porque ele precisava de que eu fosse de fato forte, eu não podia chorar, não na frente dele, eu não podia me dar o luxo de desabar porque eu, naquele momento era o chão dele.

A cada racaída dele, uma batalha era travada dentro de mim, onde parte de mim queria desistir de tudo e outra parte me dizia que eu não podia fazer aquilo, dizia que eu precisava permanecer ali, ao lado dele, lutando com ele e muitas vezes até lutando contra ele.

Eu levei sete anos para me perdoar pelos erros que cometi como codependente, para aceitar que eu fiz tudo o que eu podia ter feito e que a recuperação dele não estava nas minhas mãos, que eu também estava adoecida, precisando de ajuda e por esse motivo eu tive que tomar uma decisão, a minha saúde ou a doença dele e eu decidi viver a minha vida sem ele. Eu desejei ter forças para continuar, mas, eu já estava vivendo em um estado de torpor, onde eu não pensava nem em desistir e nem em lutar, eu só estava esperando o fim chegar e ele chegou. Foram longos sete anos, em que muitas vezes fugi do assunto, muitas vezes fingi não ter acontecido, mas, foi o tempo necessário para que eu renascesse das cinzas, assim como a ave Fenix, que renasce após ter tido o seu corpo todo consumido pelo fogo, e tempos depois ressurge tão forte quanto antes, eu renasci e dessa experiência entre vida e morte ainda em vida  me veio a necessidade de voltar a escrever, coisa que eu já não fazia há mais de quinze anos.

E então o meu livro nasceu.

Para escrevê-lo, eu precisei superar meus fantasmas que me assombravam, eu precisei entender que eu desisti não porque eu não tinha mais coragem para lutar, eu desisti porque eu não tinha mais condições de sofrer e perceber isso, levou tempo, exigiu de mim flexibilidade comigo mesma, hoje eu sei que até para desistir é preciso ter coragem. E desistir dele foi o ato mais corajoso que tive nessa jornada, foi o ato mais dolorido e crucial de todos, porém, fiz o que tinha que ser feito.

Escrever o livro, me rendeu lágrimas que estavam presas, eu revivi cenas que meu cérebro havia feito questão de esquecer e pude sentir um pouco daquele sentimento, de anos atrás.

A escolha do nome do livro veio antes mesmo dele estar pronto e representa de fato o meu sentimento em relação a tudo o que passei " VALEU A PENA" SIM, com toda certeza, mesmo com as lágrimas e dor, porque eu não conheci um dependente químico, eu conheci um jovem rapaz de pele pálida e olhos tristes que se tornou um dependente químico e hoje em minha memória, guardo somente o que foi bom e nada mais, do resto, aprendi o que tinha que aprender, mas, ao olhar para trás, eu sorrio pelos bons momentos que tive, é isso o que importa.




7 comentários:

  1. Mais uma vez, parabéns pelo seu trabalho.
    Com admiração e estima,
    TAMUJUNTU.

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  2. Nossa que incrivel Giu, não sabia que vc tinha feito uma redação sobre isso e com 12 anos e depois tornou-se realidade!
    Vc escreve muito bem Giu...
    Grande Beeijo amiga

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  3. Ô Giu, você me fez chorar com seu texto... Fiquei curiosa para saber, como foi o final da sua primeira história, aquela dos 12 anos.
    O livro Valeu a Pena, com certeza, foi enfim seu ato de redenção e de perdão, acredito que você se perdoou e perdoou também, seu anjo Gabriel.
    Lindo de mais...Lindo ver a vida agir, e mesmo que não entendamos agora, um dia entenderemos. Nenhum laço é por acaso.
    Te amo e te admiro!
    Beijos

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  4. Jú, meu amigo, obrigada por me acompanhar sempre!
    Jé, pois é, na verdade eu quando criança gostava de escrever e tenho até hoje guardada essa história da qual me refiro e que se tornou verdade anos depois... e obrigada, eu gosto muito de escrever... OBjos
    Gabyzinha, Você ta certa, foi um ato de redenção e de perdão... adorei o nenhum laço é por acaso...Bjos

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  5. Giulli, tentei comprar o seu livro pela net e não consegui. Tem que se cadastrar no site?

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  6. Muitas vezes dói aprender... mas no momento em que "pegamos os diploma" em nossas mãos, olhamos para trás e carinhosamente agradecemos, não é mesmo? rs

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    1. Cicie, é verdade, acho que cheguei nesse ponto de agradecer.. rs

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