Eu seu que vocês vão entender de cara o que essa imagem e essa frase significam, afinal, sei que não sou a única que um dia teve o desprazer de sentir essa sensação. Medo que o medo acabe.
É tão estanho e contraditório, mas, ao mesmo tempo, tão real. É exatamente isso que sentimos quando estamos no na roda viva da condependência, quando estamos alimentando-a sem perceber, quando estamos sobrevivendo e não mais vivendo.
Medo que o medo acabe, quer dizer nada além do que a própria palavra diz, quando a Co esta ativa, não percebemos que nos acostumamos com ela, com o ciclo viciante dela e passamos a caminhar em círculos, onde sentimos medo por tudo o que nos está acontecendo e quando (nada de repente) as coisas começam a se ajeitarem, passamos a sentir medo (inconscientemente) de não termos mais esse medo.
Em outras palavras, quando estamos começando a sair da roda cíclica da codependência, sem perceber, passamos a nos preocupar com o que vamos nos preocupar a partir desse momento, a ausência da doença nos traz outra preocupação, a de não saber mais como será as nossas vidas sem ela. Entramos em abstinência da doença, abstinência do medo, das situações limites, do desespero, das lágrimas e até mesmo da dor.
E para você que está lendo pela primeira vez sobre o assunto, não, não somos masoquistas, não gostamos de sofrer, muito pelo contrário, entramos nesse ciclo justamente por achar que podemos evitar o sofrimento.
Não somos malucas, nem suicidas e muito menos Kamikazes, na verdade, não percebemos que estamos entrando nesse novo ciclo quando começamos a nossa recuperação, mas, esse ciclo faz parte dela, é necessário. Sentir esse medo nos faz repensar nossas atitudes, o que não podemos permitir é que esse medo nos domine, o medo de viver feliz, o medo da nova vida, o medo de recomeçar, esse medo às vezes nos paralisa e é esse medo que sentimos quando deixamos de lado o medo da dependência e da codependência.
Agora que você conhece esse medo, basta controlá-lo, e normal, quando estamos entrando em recuperação, às vezes nos sentirmos inseguras em relação ao futuro, mas, ter medo de não ter mais medo não nos levará à lugar algum!
Bom final de semana!
Boas 24 horas!
Até onde você iria para ajudar alguém que escolheu o caminho errado em busca da tal felicidade? Em um mundo sofrido, perigoso e doloroso, eu senti na pele a dor de ver alguém querido tomar a decisão errada. Eu carreguei a minha própria nuvem de chuva enquanto decidi caminhar ao lado dele. Eu adoeci sem saber, uma doença tão perigosa quanto à dependência química. Eu me tornei uma codependente. E essa é a minha jornada, uma jornada de lágrimas, promessas, sofrimentos e vitórias.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Medo de não ter mais medo
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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domingo, 3 de março de 2013
Feliz Aniversário Anjo Gabriel!
03/03/83
Essa é a data. Foi nesse dia que aquele a quem eu chamo carinhosamente de anjo Gabriel nasceu. Hoje, ele está completando 30 anos e antes de eu fazer esse post, estava lendo o post que fiz no ano passado, nesse mesmo dia, nesse mesmo mês, onde eu dizia que não sabia nada sobre ele.
Pois é, de lá pra cá, muita coisa mudou, após mais de 8 anos sem nenhuma notícia dele e mesmo assim, sem nunca deixar de acreditar na recuperação dele, sem deixar acreditar que ele estava vivo, ano passado eu vim a ter notícias dele. Então, seu eu pude ficar tanto tempo sem saber nada sobre ele e ainda sim, mantive a minha fé, hoje, mais do que nunca, a minha fé se mantém inabalável em relação à recuperação dele.
Anjo, não importa o que esteja fazendo agora, não importa se está se acabando ou se recuperando, nada é capaz de mudar o meu sentimento por você na data de hoje, nada é capaz de mudar o meu desejo pela a sua felicidade.
Anjo, eu só desejo que você renasça para uma nova vida, só desejo que você deixe de sobreviver e passe a viver novamente, a vida aqui lhe espera, você sempre terá uma chance de recomeçar, nunca será tarde demais para você, eu conheço a sua alma, conheço a sua essência, tive acesso ao seu coração e sei o quão forte ele é.
Tô aqui anjo, torcendo por você, orando por você, que o Universo, que o Poder Superior lhe proteja, lhe abençoe, lhe dê a oportunidade para uma nova vida, eu acredito em milagres e você já é um milagre, um milagre por ter sobrevivido tanto tempo, chega disso anjo, chega de sobreviver e volte a viver!
"É só uma questão de tempo, eu sei que esse Anjo encontrará o seu caminho, seguindo a luz que vem do Céu, seguindo a Ordem Divina de que ele veio à Terra para ser feliz e não para sofrer.
Eu conheci um Anjo e por tudo o que vivi, digo que Valeu a Pena"
(Livro Valeu a Pena - A Jornada de Uma Codependente)
Feliz aniversário, que comece hoje um novo dia para você, o dia do seu renascimento!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Sou como um vaso quebrado!
Ontem, em uma conversa com um amigo, falando um pouco sobre tudo o que passei durante a minha tentativa de ajudar o anjo Gabriel, houve um momento em que ele usou o termo FRUSTRAÇÃO, e em como "deve" ser frustrante tentar ajudar um DQ e ele recair.
Oh... Por Deus, como eu sei o quanto isso é frustrante e ontem eu percebi que mesmo tantos anos depois, ainda sinto a mesma frustração, é como se eu soubesse lá no fundo, que ela vai me acompanhar pelo o resto da minha vida, aquela estranha sensação de impotência, a estranha vontade de estar no controle, a necessidade de ser forte, o sentimento de inferioridade, a busca inconstante pela a aprovação dos outros, o desejo de ser a heroína, o sentimento de não me sentir boa o bastante, todos esses sentimentos juntos fazem parte da palavra FRUSTRAÇÃO que meu amigo ontem se referiu.
Nove anos depois, eu ainda sinto a mesma frustração quando me lembro do que passei e por mais que falem, que digam que não devo me sentir assim, é como eu me sinto e acho que essa marca estará em mim pra sempre.
No fundo, sou como um vaso quebrado que foi colado, a trinca que ficou, fruto do "conserto", é a marca da frustração que jamais se apagará.
Eu testo meus limites na tentativa apagar essa marca, mas ela não vai se apagar e a necessidade de provar para mim mesma que eu consigo é o meu maior teste de auto-controle, de recuperação.
Porque não importe o quanto passe o tempo, não importa o quanto eu seja amada, o quanto eu seja forte, o quanto eu esteja no controle da minha vida, talvez nunca será o bastante, talvez eu terei que constantemente estar renovando tais sentimentos, provando pra mim mesma sem querer provar para o mundo que eu consigo.
Só por hoje, estou tentando não provar nada à ninguém, só por hoje, estou tentando não precisar da aprovação de ninguém para me sentir bem, só por hoje, não estou jogando o jogo do ganha e perde, onde o meu ego precisa que alguém assuma que ganhei para se sentir feliz e realizado.
Só por hoje, eu aceito a minha trinca, aceito todas as frustrações que essa trinca carrega.
Sou como um vaso quebrado, mas um vaso de valor inigualável e imensurável!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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22:00
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Pelo Resto da minha vida!
Pelo resto da minha vida, terei que controlar a minha tendência pelo sofrimento.
Pelo resto da minha vida, terei que vigiar a minha compulsão por me colocar em situações em que tenho que provar a minha força.
Pelo resto da mina vida, terei que driblar a minha tendência a me diminuir diante dos outros.
Pelo resto da minha vida, terei que lidar com problemas de baixa auto-estima que possam vir a surgir.
Pelo resto da minha vida, terei que trabalhar em mim a tendência que tenho pelo excesso de sentimentos, pelo extremo, pelo épico e trágico.
Pelo resto da minha vida, terei que manter sob controle a facilidade que tenho de me anular em nome de algo ou alguém.
Pelo resto da minha vida, terei que conviver com o pior de mim que a codependência fez aflorar.
Pelo resto da minha vida, terei que saber controlar as lágrimas que me rasgam a face quando as lembranças do passado vêem à tona.
Pelo resto da minha vida, terei medo de sofrer e terei que lidar com o medo de não sofrer.
Pelo o resto da minha vida, terei que me convencer de que não preciso ser forte o tempo todo, eu posso ter os meus momentos de fraqueza.
Pelo resto da minha vida, terei que acordar e dizer para mim mesma que seja lá o que acontecer, é só por hoje e que sou responsável pelas escolhas que faço.
Pelo resto da minha vida, terei que aprender que eu posso escolher deixar algo me afetar e me entristecer ou não.
Estou em recuperação e estar em recuperação é escolher ser feliz com minhas limitações, minhas cicatrizes, meus defeitos, minhas qualidades. Meu passado.
E eu sou uma codependente e sempre serei.
Não existe cura para a doença que contraí, existe recuperação e por isso, sou uma codependente em recuperação.
Mas, estar em recuperação não significa estar curada, é um trabalho diário, uma escolha diária.
Estou em recuperação porque escolhi estar!
Boas 24 horas.
Pelo resto da minha vida, terei que vigiar a minha compulsão por me colocar em situações em que tenho que provar a minha força.
Pelo resto da mina vida, terei que driblar a minha tendência a me diminuir diante dos outros.
Pelo resto da minha vida, terei que lidar com problemas de baixa auto-estima que possam vir a surgir.
Pelo resto da minha vida, terei que trabalhar em mim a tendência que tenho pelo excesso de sentimentos, pelo extremo, pelo épico e trágico.
Pelo resto da minha vida, terei que manter sob controle a facilidade que tenho de me anular em nome de algo ou alguém.
Pelo resto da minha vida, terei que conviver com o pior de mim que a codependência fez aflorar.
Pelo resto da minha vida, terei que saber controlar as lágrimas que me rasgam a face quando as lembranças do passado vêem à tona.
Pelo resto da minha vida, terei medo de sofrer e terei que lidar com o medo de não sofrer.
Pelo o resto da minha vida, terei que me convencer de que não preciso ser forte o tempo todo, eu posso ter os meus momentos de fraqueza.
Pelo resto da minha vida, terei que acordar e dizer para mim mesma que seja lá o que acontecer, é só por hoje e que sou responsável pelas escolhas que faço.
Pelo resto da minha vida, terei que aprender que eu posso escolher deixar algo me afetar e me entristecer ou não.
Estou em recuperação e estar em recuperação é escolher ser feliz com minhas limitações, minhas cicatrizes, meus defeitos, minhas qualidades. Meu passado.
E eu sou uma codependente e sempre serei.
Não existe cura para a doença que contraí, existe recuperação e por isso, sou uma codependente em recuperação.
Mas, estar em recuperação não significa estar curada, é um trabalho diário, uma escolha diária.
Estou em recuperação porque escolhi estar!
Boas 24 horas.
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Eu ainda acredito na recuperação!
Eu não tive opção. Era ou a doença dele ou a minha saúde. Eu cheguei no meu fundo do poço e ele ainda estava em queda livre para o fundo do poço dele.
É, cada um tem o seu próprio fundo do poço e só se volta à superfície depois que se encontra o fundo, pois é lá no fundo que encontramos meios de nos impulsionar de volta à superfície.
Eu voltei, busquei forças para dar o impulso e voltar a ver a claridade, após um longo período na escuridão, no caos profundo.
Ele ainda não encontrou forças para dar o impulso final, talvez, ainda não tenha chego em seu próprio fundo do poço, mas, eu não desisti dele.
Eu desisti sim, de me acabar com ele, de me afogar com ele, de me matar com ele, mas, isso não significa ter desistido da recuperação dele, eu não perdi a fé nele, não perdi a fé em meu Poder Superior, eu só segui em frente, só me dei o direito de buscar a felicidade, de encontrar a felicidade.
É o chamado desligamento com amor, eu deliguei, por necessidade, mas, jamais deixei de acreditar na recuperação dele. Ainda espero por ela. Mesmo tanto tempo depois, eu escolhi não desistir, escolhi não esquecer.
E para você que se pergunta o que fazer, para você que se questiona se deve ou não continuar ao lado de seu amado dependente químico, vai a minha opinião:
Não existe uma resposta pronta para tal indagação, é o seu coração que vai lhe dizer o momento, só não deixe de ouvi-lo, porque se hoje olho para o meu passado com ternura é porque tive coragem de ouvir o meu coração e entender que o nosso tempo havia chego ao fim antes que a dor transformasse o que de bonito tivemos em algo escuro e sombrio.
Se você achar que o amor está a ponto de virar ódio, talvez esse seja o momento de pensar se não está em seu fundo do poço, e se estiver faça o que for necessário para sair dele, mas também para não permitir que o que os sentimentos que um dia existiu entre ambos, vire cinzas ou pó junto com as drogas.
Eu fiz a minha escolha, convivo com ela diariamente e ela me faz crer que Valeu a Pena!
Eu ainda acredito na recuperação.
Boas 24 horas.
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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domingo, 27 de janeiro de 2013
Estamos no Jornal o Estado de São Paulo!
Boa noite pessoas!
Como vocês estão? Eu sei, eu sei, ando sumida né? Mas é que estou em dois processos, um é o meu livro, que estou editando novamente, acrescentando detalhes que quando o escrevi, ainda não estava pronta para lembrar e que com o blog, me veio à tona e outro é um segundo livro, se no primeiro conto a minha história, o meu amor, a minha queda, no segundo estou contando a minha recuperação, meus momentos de racaidas, e tudo o que eu aprendi desde então.
Isso tem me tomado tempo, mas logo estarei de volta semanalmente aqui como antes. O blog é a minha recuperação.
Bom, na quinta a noite, recebi uma ligação de um jornalista do Jornal O Estado de São Paulo, Artur Rodrigues, entrou em contato comigo por telefone, ele ligou no meu celular, se identificou e perguntou quanto ao meu blog e quanto o livro.
Contei resumidamente a minha história para ele e falei que quando comecei a escrever no blog, éramos em cerca de 5 blogueiras(os) e que hoje estamos na casa dos 30, ele se interessou por essas histórias, disse que havia visto em meu blog comentários de outras blogues e então disse que faria a matéria sobre o assuntou.
Fique super feliz, indiquei vários blogues para ele ler, todos que me veio à mente, depois ele me enviou um e-mail e constatei que realmente era sério (eu estava com receio).
Bom, a matéria já saiu na internet e amanhã sai a versão impressa, segue abaixo o link
http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/em-blogs-viciados-em-drogas-relatam-hist%C3%B3rias-e-medos
É um passo a mais para todas(os) nós!
TMJ
Como vocês estão? Eu sei, eu sei, ando sumida né? Mas é que estou em dois processos, um é o meu livro, que estou editando novamente, acrescentando detalhes que quando o escrevi, ainda não estava pronta para lembrar e que com o blog, me veio à tona e outro é um segundo livro, se no primeiro conto a minha história, o meu amor, a minha queda, no segundo estou contando a minha recuperação, meus momentos de racaidas, e tudo o que eu aprendi desde então.
Isso tem me tomado tempo, mas logo estarei de volta semanalmente aqui como antes. O blog é a minha recuperação.
Bom, na quinta a noite, recebi uma ligação de um jornalista do Jornal O Estado de São Paulo, Artur Rodrigues, entrou em contato comigo por telefone, ele ligou no meu celular, se identificou e perguntou quanto ao meu blog e quanto o livro.
Contei resumidamente a minha história para ele e falei que quando comecei a escrever no blog, éramos em cerca de 5 blogueiras(os) e que hoje estamos na casa dos 30, ele se interessou por essas histórias, disse que havia visto em meu blog comentários de outras blogues e então disse que faria a matéria sobre o assuntou.
Fique super feliz, indiquei vários blogues para ele ler, todos que me veio à mente, depois ele me enviou um e-mail e constatei que realmente era sério (eu estava com receio).
Bom, a matéria já saiu na internet e amanhã sai a versão impressa, segue abaixo o link
http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/em-blogs-viciados-em-drogas-relatam-hist%C3%B3rias-e-medos
É um passo a mais para todas(os) nós!
TMJ
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Modus Operandi do dependente químico
Quem acompanha o blog, deve se lembrar da postagem "Desligando a humanidade" (aqui), onde falo que o dependente químico na ativa, desliga as suas emoções e passa a viver somente em função da droga, buscando nela o prazer e o alívio.
Hoje, vou falar do processo que se inicia quando o dependente desliga as suas emoções. É quase que sincronizado, ele desliga as suas emoções e aperta o "Start" em seu processo de "Modus Operandi".
Modus Operandi é uma expressão que vem do latim que significa modo de operação, utilizada para designar uma maneira de agir, operar ou executar uma atividade seguindo sempre os mesmos procedimentos.
Na dependência química, utiliza-se muito o exemplo de uma mulher em uma praia, muito bonita, sozinha. Um homem normal, olha para ela, sente desejo por ela, pensa em flertar com ela. Mas, raciocina, pensa que ela pode ter um namorado ou marido e decide não se envolver em confusão. já o adicto olha para essa mulher e sente obsessão e parte para o assédio impulsivamente, pensando nas consequências dos seus atos, somente depois é que vai pensar nas consequências dos seus atos.
Em outras palavras, o adicto inicia um processo de piloto automático, um processo cíclico e repetitivo para nada além do que satisfazer a sua vontade e necessidade pela droga.
Todos nós temos um modus operandi, sem exceção, mas, o do dependente se potencialliza com o poder e efeito das drogas.
Diante disso, talvez, fique um pouco mais fácil entender e compreender a obsessão do dependente pela sua droga de preferência, o desespero e a compulsão dele para poder usá-la e usá-la. Não existe um segredo para desligar o tal modus operandi, é algo que dependente totalmente do dependente, ele é desligado quando o dependente chega em um determinado ponto onde algo de drástico acontece, drástico para ele, o chamado fundo do poço, é nesse momento que as chaves são invertidas, a chave do modus operandi é desligada e a chave das emoções começa a ser ligada lentamente.
E é nesse momento em que o dependente tem a chance de ser "resgatado" de seu submundo e trazido de volta ao mundo.
É cansativo, doloroso, massacrante e muitas vezes, quase que impossível, mas, saber identificar esse momento é de extrema importância no árduo trabalho para ajudar um dependente, é nesse hora em que a lacuna que se abre na vida do dependente quando está na ativa, se torna visível, aparente e com isso, possível de ser dominada, controlada, trabalhada e preenchida.
Acho que eu não soube identificar esse momento exato, talvez, eu não tenha percebido os sinais, mas, ainda sim, eu tentei e ainda sim eu sei que há no Anjo Gabriel, uma lacuna, em branco, vazia, precisando ser preenchida.
Espero pela notícia em que ele desligou o seu modus operandi e ligou novamente as suas emoções. Que o Universo trabalhe a favor dessa realização. Que assim seja.
Boas 24 horas.
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Feliz dez segundos, feliz novo ano!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Natal, codependência, Dependência
Feliz Natal meus amores!!!
Sumida, eu? Impressão...rs
É, estou ausente mesmo, mas não pensem que abandonei a minha recuperação, o meu blog, foi só a correria de fim de ano mesmo, tudo voltará ao normal, em breve.
Vamos primeiro para as notícias, para depois eu fazer a postagem sobre o tema escolhido.
Gabriel...
Poucos dias antes do Natal, fiquei sabendo pela irmã dele que ele "desistiu", ele disse para ela que não queria mais continuar o tratamento, que queria voltar para São Paulo, para a vida de antes. Tanto a irmã dele quanto o irmão tentaram convencê-lo a continuar na clínica, mas, ele estava irredutível e sabemos que não podemos controlar a recuperação de ninguém e então, ele se foi...
Chorei um bocado quando recebi a notícias, algumas amigas, companheiras viram no meu Face e me apoiaram bastante no dia e hoje, alguns dias depois, posso dizer que estou aceitando. É claro que pensei que depois de anos e mais anos, pela primeira vez eu ia ter um Natal completo, porque passar a noite de Natal sabendo que ele está em recuperação, seria a felicidade plena pra mim, já que foi na noite de Natal que descobri a dependência dele...Não foi nesse Natal, ainda não chegou a hora, mas a minha esperança sem expectativas continua e sempre continuará, só por hoje eu ainda creio na recuperação.
E por falar em Natal, é sobre isso o que eu realmente quero falar. Tenho estado ausente aqui do meu blog, mas acompanhando os outros blogs e as postagens na "nossa" comunidade no face e andei reparando em uma coisa, na repetição de fatos, parece que todas nós, Codependentes, passamos pela mesma experiência em uma determinada data.
E essa data é o Natal. Li várias companheiras falando dessa data, do quão triste ela costuma ser para várias delas, várias de nós.
Parece que todas Co, em algum Natal de suas vidas ao lado de seus amados dependentes, tiveram assim como eu alguma experiência nada agradável e que fez com que passasse a fazer se sentir triste nesta data.
Não foi um comentário somente, foram vários, dizendo quase a mesma frase: Não gosto do Natal, Natal me deixa triste, Natal me traz lembranças...
Normalmente, no Natal agente relembra de alguns fatos do ano que está chegando ao fim mas, para nós Co, não é somente as memórias do ano todo que retornam, é a memória também de algum Natal em que tenhamos passado imersas na dor, do desespero, na dúvida, em lágrimas, por causa de nossos amados dependentes químicos.
É minhas amigas, essa data nos deixa mesmo um pouco nostálgicas, mas, podemos mudar esse padrão certo? Vamos então daqui até o nosso novo ano, agradecer por estarmos em recuperação, agradecer por termos consciência de que podemos fazer as escolhas em nossas vidas e que somos fortes para arcar com as consequências dela...
Só por hoje minhas amadas, vamos apenas agradecer pela noite de ontem, seja como foi, vamos apenas agradecer por estarmos vivas, com dor ou sem dor, ainda sim, estamos vivas, não sobrevivendo, mas vivendo!
Um grande beijo!
Sumida, eu? Impressão...rs
É, estou ausente mesmo, mas não pensem que abandonei a minha recuperação, o meu blog, foi só a correria de fim de ano mesmo, tudo voltará ao normal, em breve.
Vamos primeiro para as notícias, para depois eu fazer a postagem sobre o tema escolhido.
Gabriel...
Poucos dias antes do Natal, fiquei sabendo pela irmã dele que ele "desistiu", ele disse para ela que não queria mais continuar o tratamento, que queria voltar para São Paulo, para a vida de antes. Tanto a irmã dele quanto o irmão tentaram convencê-lo a continuar na clínica, mas, ele estava irredutível e sabemos que não podemos controlar a recuperação de ninguém e então, ele se foi...
Chorei um bocado quando recebi a notícias, algumas amigas, companheiras viram no meu Face e me apoiaram bastante no dia e hoje, alguns dias depois, posso dizer que estou aceitando. É claro que pensei que depois de anos e mais anos, pela primeira vez eu ia ter um Natal completo, porque passar a noite de Natal sabendo que ele está em recuperação, seria a felicidade plena pra mim, já que foi na noite de Natal que descobri a dependência dele...Não foi nesse Natal, ainda não chegou a hora, mas a minha esperança sem expectativas continua e sempre continuará, só por hoje eu ainda creio na recuperação.
E essa data é o Natal. Li várias companheiras falando dessa data, do quão triste ela costuma ser para várias delas, várias de nós.
Parece que todas Co, em algum Natal de suas vidas ao lado de seus amados dependentes, tiveram assim como eu alguma experiência nada agradável e que fez com que passasse a fazer se sentir triste nesta data.
Não foi um comentário somente, foram vários, dizendo quase a mesma frase: Não gosto do Natal, Natal me deixa triste, Natal me traz lembranças...
Normalmente, no Natal agente relembra de alguns fatos do ano que está chegando ao fim mas, para nós Co, não é somente as memórias do ano todo que retornam, é a memória também de algum Natal em que tenhamos passado imersas na dor, do desespero, na dúvida, em lágrimas, por causa de nossos amados dependentes químicos.
É minhas amigas, essa data nos deixa mesmo um pouco nostálgicas, mas, podemos mudar esse padrão certo? Vamos então daqui até o nosso novo ano, agradecer por estarmos em recuperação, agradecer por termos consciência de que podemos fazer as escolhas em nossas vidas e que somos fortes para arcar com as consequências dela...
Só por hoje minhas amadas, vamos apenas agradecer pela noite de ontem, seja como foi, vamos apenas agradecer por estarmos vivas, com dor ou sem dor, ainda sim, estamos vivas, não sobrevivendo, mas vivendo!
Um grande beijo!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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sábado, 15 de dezembro de 2012
Reencontro - Leila kruger
Olá pessoas, espero que estejam todos bem, em ritmo de Festas, é claro...
Essa postagem vai fugir um pouco da regra, não vou falar de Codependência, Dependência Química ou Recuperação.
Vou falar sobre um livro que acabei de ler e que gostei muito, me tirou uma boa quantidade de lágrimas...
Já faz quase um ano quando a autora do livro, Leila Kruger deixou um recado aqui no meu blog, falando do lançamento de seu romance e desde então, esse livro se tornou um dos meus desejados em minha extensa lista de livros que quero.
Mês passado finalmente chegou a vez dele, eu o comprei. Eu o devorei.
Abaixo segue a Sinopse:
"Está bem no fundo. Não se pode alcançar... aos poucos, vai roubando o ar.” Ana Luiza vai perdendo seu fôlego: o fim de (mais) um grande amor, um pai distante, uma mãe fútil, uma amizade complexa e "pessoas que sempre vão embora". Com suas músicas de rock, seus livros e seus cigarros, Ana Luiza vê sua vida desmoronar.
"O amor é uma ferida”, ela sentencia. Mas a “garota de olhar longínquo” tem um encontro inesperado com um alguém aparentemente muito diferente dela: os “olhos imensos”, que tudo veem... Presa em seu próprio mundo e rendida ao álcool e às drogas, Ana Luiza tenta fugir. Principalmente do temido amor, que tanto a feriu...
Como encontrar, ou reencontrar o próprio destino?
Até onde o amor pode ir, até quando pode esperar? O que há além das baladas de rock e dos poemas românticos? Poderá o amor salvar alguém de sua própria escuridão?
Às vezes, é necessário perder quase tudo para reencontrar... e finalmente poder amar.
O livro, é um ROMANCE, porém, a autora aborda nele o tema drogas, mas não a versão que nós conhecemos, o foco está no que antecede as drogas, o que leva a personagem a entrar nesse mundo, suas lutas internas, a sensação de estar fora do lugar, de não se encaixar, seus medos, angústias.
Com seus diálogos complexos e cheio de mensagens, a personagem Ana Luiza me conquistou de uma forma única, esse livro tem tanto de mim e do Gabriel, em meu livro falo da sensação que o Gabriel tinha de não pertencer a lugar algum, de achar que sempre estava faltando alguma coisa, com Ana Luiza não é diferente. A trilha sonora que acompanha Ana Luiza, são as músicas preferidas do Anjo Gabriel, e algumas, as minhas também.
Chorei, chorei em vários momentos, eu não conseguia parar de ler porque embora seja um romance, senti ele tão vivo, tão real, justamente por abordar um tema que para mim foi real.
Sem dúvida, Reencontro se tornou um dos meus livros favoritos e por isso deixo aqui a dica, um livro lindo, emocionante, tocante, de tirar lágrimas e de nos fazer acreditar no amor.
Essa postagem vai fugir um pouco da regra, não vou falar de Codependência, Dependência Química ou Recuperação.
Vou falar sobre um livro que acabei de ler e que gostei muito, me tirou uma boa quantidade de lágrimas...
Já faz quase um ano quando a autora do livro, Leila Kruger deixou um recado aqui no meu blog, falando do lançamento de seu romance e desde então, esse livro se tornou um dos meus desejados em minha extensa lista de livros que quero.
Mês passado finalmente chegou a vez dele, eu o comprei. Eu o devorei.Abaixo segue a Sinopse:
"Está bem no fundo. Não se pode alcançar... aos poucos, vai roubando o ar.” Ana Luiza vai perdendo seu fôlego: o fim de (mais) um grande amor, um pai distante, uma mãe fútil, uma amizade complexa e "pessoas que sempre vão embora". Com suas músicas de rock, seus livros e seus cigarros, Ana Luiza vê sua vida desmoronar.
"O amor é uma ferida”, ela sentencia. Mas a “garota de olhar longínquo” tem um encontro inesperado com um alguém aparentemente muito diferente dela: os “olhos imensos”, que tudo veem... Presa em seu próprio mundo e rendida ao álcool e às drogas, Ana Luiza tenta fugir. Principalmente do temido amor, que tanto a feriu...
Como encontrar, ou reencontrar o próprio destino?
Até onde o amor pode ir, até quando pode esperar? O que há além das baladas de rock e dos poemas românticos? Poderá o amor salvar alguém de sua própria escuridão?
Às vezes, é necessário perder quase tudo para reencontrar... e finalmente poder amar.
O livro, é um ROMANCE, porém, a autora aborda nele o tema drogas, mas não a versão que nós conhecemos, o foco está no que antecede as drogas, o que leva a personagem a entrar nesse mundo, suas lutas internas, a sensação de estar fora do lugar, de não se encaixar, seus medos, angústias.
Com seus diálogos complexos e cheio de mensagens, a personagem Ana Luiza me conquistou de uma forma única, esse livro tem tanto de mim e do Gabriel, em meu livro falo da sensação que o Gabriel tinha de não pertencer a lugar algum, de achar que sempre estava faltando alguma coisa, com Ana Luiza não é diferente. A trilha sonora que acompanha Ana Luiza, são as músicas preferidas do Anjo Gabriel, e algumas, as minhas também.
Chorei, chorei em vários momentos, eu não conseguia parar de ler porque embora seja um romance, senti ele tão vivo, tão real, justamente por abordar um tema que para mim foi real.
Sem dúvida, Reencontro se tornou um dos meus livros favoritos e por isso deixo aqui a dica, um livro lindo, emocionante, tocante, de tirar lágrimas e de nos fazer acreditar no amor.
Fica difícil eu falar sobre o livro como somente uma leitora, eu falo dele como uma Codependente em recuperação que espera até hoje que o seu anjo Gabriel reencontre o seu caminho, como Ana Luiza reencontrou o seu.
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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Livro
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Quando acreditamos no impossível...

Olá pessoas, antes de mais nada, desculpa pela minha ausência temporária...
Tenho trabalhado demais, saído tarde do trabalho e quando chego em casa, parece que ando meio travada para escrever, sem coragem, sei lá...
As idéias aparecem e somem rápido demais, mas, acho que é normal, são momentos... Só preciso focar, é isso...
Bom, eu vi em uma postagem no Facebook essa foto ao lado, a imagem por si só já foi capaz de me emocionar, mas, ao ler a frase escrita sobre ela, se tornou impossível segurar as lágrimas que vieram juntamente com as lembranças.
Acho que independente da religião, aliás, no livro eu falo sobre a minha espiritualidade, a minha forma de ver a religião, onde hoje eu creio em Deus e acho válida quase todas as religiões, acredito que elas nos levam para o mesmo lugar, para Deus, Alá, Brahmã, Poder Superior e quanto ao Salmo 91, é um salmo que gosto muito, ele me acompanhou durante toda a minha jornada, quando a minha fé em Deus, no Poder Superior foi testada e toda noite quando o Gabriel sumia, eu me trancava em meu quarto, e a primeira oração que eu fazia, a primeira prece, era o Salmo 91, lembro-me da sensação reconfortante que eu sentia sempre ao terminar de rezar, lembro-me como se fosse hoje da sensação de serenidade que eu sentia, era como se após rezar, eu tivesse certeza de que Deus estava me ouvindo e ia providenciar o retorno do Gabriel, sã e salvo.
E isso de fato acontecia, mesmo após dias de sumiço, sem notícias, algo sempre me dizia que ele ia voltar e ele voltava.
É como se a minha fé fosse crescendo na medida em que o desespero crescia e era como se o Universo, Deus, o Poder Superior encontrasse uma forma de me acalmar e me dar forças.
Não frequento Igrejas, sou católica de berço, cresci em um colégio de freiras, onde se rezava em francês e inglês todos os dias, cresci me confessando desde os 11 anos mais ou menos, mas, isso não foi imperativo para que eu achasse que somente a minha religião era a certa, busquei respostas em várias outras, não por achar que a minha não tinha respostar, mas, por achar que cada uma das religiões tem a sua visão da mesma situação e me inclinar a buscar tais respostas, foi o que me ajudou a entender de diversas formas tudo o que vivi. O que quero dizer é que acho que não importa qual é a sua religião, o que importa é a nossa fé, a nossa crença em Algo que não podemos ver, é acreditar no impossível e saber que quando acreditamos no impossível, ele se torna possível.
É curioso o que vou dizer, mas, às vezes, quando "algum desvio" no rio da minha vida aparece, quando uma "curva" inesperada aparece em meu caminho e eu me sinto um pouco desesperada, eu busco dentro de mim aquela garota de 18 anos que conheceu o inferno na terra e que encontrou forças para não desistir, eu procuro me lembrar daquela fé inabalável que eu sentia e tento trazer para a minha vida atual a mesma fé.
Acho que eu nunca tive tanta fé em Deus, no PS como naquela época e ter tido a minha fé testada e sentir que passei no teste é mais um motivo para eu dizer que Valeu a Pena!
Eu conheci o verdadeiro significado da palavra acreditar e hoje, sempre que algo me tira do meu eixo, busco uma forma de me conectar com aquela garota forte e faço isso, rezando o Salmo 91, é a minha forma de me conectar com minha fé.
É curioso o que vou dizer, mas, às vezes, quando "algum desvio" no rio da minha vida aparece, quando uma "curva" inesperada aparece em meu caminho e eu me sinto um pouco desesperada, eu busco dentro de mim aquela garota de 18 anos que conheceu o inferno na terra e que encontrou forças para não desistir, eu procuro me lembrar daquela fé inabalável que eu sentia e tento trazer para a minha vida atual a mesma fé.
Acho que eu nunca tive tanta fé em Deus, no PS como naquela época e ter tido a minha fé testada e sentir que passei no teste é mais um motivo para eu dizer que Valeu a Pena!
Eu conheci o verdadeiro significado da palavra acreditar e hoje, sempre que algo me tira do meu eixo, busco uma forma de me conectar com aquela garota forte e faço isso, rezando o Salmo 91, é a minha forma de me conectar com minha fé.
Não importa qual é a sua crença, o importante é acreditar!
Boas 24 horas!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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terça-feira, 20 de novembro de 2012
Eu não aceito!
E as coisas vão simplesmente acontecendo, como um trem desgovernado em alta velocidade sem estação certa para parar, um atropelamento de situações, você quase não tem tempo para respirar, a única coisa que você consegue fazer é seguir o tal do fluxo, é lutar para não ser arremessada para fora desse trem, nada mais do que isso.
É estressante, você é testada além do seus limites, muito além do que você um dia pensou suportar e tudo continua a passar em sua vida com um cometa, dia após dia, é tudo rápido demais, a única coisa que você sente em câmera lenta é a dor, essa, passa estranhamente lenta demais, não importa em qual velocidade o trem esteja, ela parece não seguir o mesmo ritmo, o mesmo tempo, o mesmo espaço.
Tristezas, decepções, mágoas, dor, lágrimas, pequenos sorrisos, esperança, alegria...Uma mistura de sentimentos em erupção, quase explodindo enquanto você luta para controlar cada um deles. Cansaço. Desânimo.
-Até quando? Você se pergunta.
-Quanto tempo eu ainda vou suportar? Você se indaga esperando um resposta, mesmo que seja o eco de sua própria voz.
-Eu não aguento mais! Você se lamenta.
-Até quando? Você se pergunta novamente e então a resposta lhe aparece como uma nuvem acinzentada. Você percebe que têm estado ocupada demais se escondendo da verdade, com medo de gritar para o mundo o que sente e a partir daí não suportar mais sentir. E quando você percebe isso, você definitivamente gritou para si que não aceita mais isso, não aceita mais sofrer dessa forma, não aceita mais se anular, não se amar, não se valorizar, não se colocar como prioridade.
E você não aceita mais não se feliz.
E o que acontece depois?
Parece que de uma certa forma, quando você diz para o Universo que você não aceita dele nada menos que a felicidade, ele tem um jeito estranho e inigualável de fazer com que as coisas se ajeitem e aos poucos, a felicidade passa a ser a sua companhia novamente.
Quando não aceitamos algo que nos tem machucado, estamos não só dizendo não para aquela situação, mas, estamos dizendo não para toda e qualquer situação que tente nos derrubar.
Apenas não aceite àquilo que te faz mal, quando você tiver consciência do que realmente te faz mal, o Universo vai trabalhar para mudar essa situação.
Quer uma dica?
Não aceite a compulsão desenfreada do seu amado dependente químico, aceite a doença, é diferente.
Quando você aceita a doença, o Universo trabalha na cura, quando você aceita a compulsão, o que você recebe de volta é a Codependência, fruto dessa compulsão...
Boas 24 horas!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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Dor,
Recupereção
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Momento certo!
Foi o momento certo.
Quanto mais o tempo passa, mais tenho plena convicção que tudo aconteceu em seu devido momento.
Eu fiz a minha escolha, isso não significa que eu não tenha sofrido com ela, não significa que tenha sido fácil fazê-la e arcar com as consequências que vieram depois, mas, foi sim, a escolha certa, na hora certa.
Eu escolhi sair de cena, dar alguns passos para trás, abrir espaço, soltar a mão dele e deixar que ele caminhasse com suas próprias pernas no exato momento em que um limite havia se formado, o limite dos nossos sentimentos e isso explica o fato de mesmo, tanto tempo depois, eu ainda ter por ele um sentimento lindo, de carinho, admiração, compaixão.
Eu o deixei antes que as drogas transformasse tudo o que de lindo vivemos em algo escuro e triste.
Eu o deixei antes que em minha memória ficassem apenas as lembranças de dor e lágrimas.
Eu o deixei antes que a minha doença se tornasse tão perigosa e mortal quanto a doença dele.
Eu o deixei antes que o amor que tínhamos um pelo outro se transformasse em raiva e nada mais.
Eu o deixei.
Eu o deixei livre para fazer as suas próprias escolhas, para reescrever a sua história, eu dei à ele uma página em branco com apenas um dizer no rodapé : Seja feliz!
E desde então, esse é o meu desejo, que ele encontre a felicidade, que ele saiba reconhecer a chegada dela.
Eu o amei com todo o meu coração, ele foi o meu mundo durante o tempo em que juntos ficamos e eu sei que fui o mundo dele também e por isso é tão importante para mim ter feito a escolha de deixá-lo na hora certa, é por isso que consigo viver com as boas lembranças dele mesmo em meio às lembranças dolorosas, porque não há um céu cinza de lembranças escuras sobre a minha cabeça, há somente tempestades pela qual eu passei.
Não matamos o nosso sentimento, pelo contrário, o vivemos como tínhamos que viver e pelo tempo em que tínhamos que viver.
Não tivemos tempo de nos magoar, não tivemos tempo de ferirmos um ao outro, toda dor sentida foi somente fruto da doença dele e das atitudes dele decorrente dessa doença, nada mais além disso, nenhuma decepção pessoal, nenhuma frustração que não fosse por causa da droga. Não, não tivemos.
Estou feliz com minha escolha, feliz por poder todos os dias dizer que Valeu a Pena.
E se alguém me perguntar como ainda consigo ter lembranças boas depois de tudo o que vivi com ele, eu responderei que foi porque paramos no tempo certo, aonde um dos sentimentos mais lindo do mundo ainda existia entre nós. Somente isso.
Boas 24 horas!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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Paixão e drogas
domingo, 4 de novembro de 2012
Amor e Raiva!
"...Ele quase não pronunciou palavra alguma, pálido, quieto, não conseguia me olhar nos olhos, ou não queria, porque sabia que meus olhos estavam ardendo em fogo enquanto eu o estudava minuciosamente. Depois do alívio de vê-lo bem, fui tomada por um sentimento obscuro, senti ódio dele, senti raiva, dele e de mim, queria desesperadamente entender o porquê. Ele havia estragado a minha noite de Natal, a nossa noite de Natal e parecia não estar se importando com isso!"
(Trecho do livro Valeu a Pena - A Jornada de uma Codependente )
E essa foi acho que a primeira vez que senti raiva dele, foi quando, cerca de uma semana após eu ter descoberto a recaída dele, após longos 3 anos, e na noite de Natal ele se presenteou com o seu objeto de desejo, necessidade e por que não, obsessaõ? Foi uma longa noite de espera, uma longa e torturante noite de espera, a primeira vez de fato que eu sabia o real motivo do seu desaparecimento, que eu sabia que a droga havia se tornado então, o seu bem mais precioso.
A única coisa que eu não sabia era como lidar com esse novo sentimento que passei a sentir. A Raiva.
Eu não sabia que senti-la fazia parte do processo e que trabalhá-la era a minha mais nova obrigação.
Houve momentos em que tive vontade de arremessá-lo em um penhasco e me jogar em seguida para salvá-lo, momentos em que tive vontade de atirar nele e me jogar na frente para não acertá-lo. Amor e raiva, dois sentimentos totalmente confusos e perdidos dentro de mim.
E estar ao lado de um dependente químico é exatamente isso, essa confusão de sentimentos, essa montanha-russa de emoções.
E quantas outras vezes não vim a sentir essa mesma sensação sem ainda entender que ela fazia parte do "pacote ajudando um dependente químico"? Eu sentia raiva dele cada vez que desaparecia e embora esse sentimento fosse neutralizado pela alegria de vê-lo vivo cada vez que ele retornava, ainda sim ele estava dentro de mim e eu não sabia como trabalhá-lo.
Sentir raiva não é um sentimento nobre, e eu não me permitia senti-lo, então comecei a trocá-lo por um sentimento muito pior, a Culpa. Toda e cada vez que ele sumia, que eu me sentia trocada pela droga, cada vez que ele agia como se não se importasse mais comigo e com meus sentimentos, eu passei a não mais sentir raiva dele por me fazer sofrer, eu passei a me culpar por não ser boa o bastante para fazê-lo parar, passei a me culpar por não ser o suficiente para ele ao ponto de tirar dele a vontade da droga.
Acredite, sentir raiva pode ser destruidor, mais, sentir culpa é apavorantemente pior. A raiva pode e precisa ser trabalhada, senti-la às vezes é necessário, para que possamos colocar para fora o que dentro de nós não pode mais ficar, mas, sentir culpa, é assumir a responsabilidade de algo que não temos controle algum e isso é capaz de nos matar lentamente.
O meu conselho?
Permita-se sentir raiva e depois disso, trabalhe-a! Se você não senti-la, não poderá substituí-la. Sinta a raiva que o momento exige e depois troque-a pela serenidade que você precisa!
Esse é o meu conselho, não fugir dos sentimentos e o mais importante, não trocá-los por sentimentos mais destrutivos ainda, como a culpa.
Boas 24 horas para nós.
Serenidade!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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Codependência
domingo, 28 de outubro de 2012
Sentir para controlar!
Você só aprende a controlar o desejo se você sentir o desejo!
Isso é fato, enquanto não nos permitirmos sentir algo, enquanto não liberamos nossas sensações e emoções para que esse algo extravase, nós não poderemos controlar esse algo.
É simples, eu sou louca, quase que compulsiva por chocolate e sei que só consigo dominar esse desejo quando me permito sentir a vontade de comer um chocolate. Enquanto eu tento bloquear o pensamento da minha mente, enquanto digo para mim mesma que hoje não vou comer, que não estou com vontade, mas vontade pareço sentir, mas, quando me entrego à essa vontade em pensamento, quando assumo que ela existe, eu consigo controlá-la, eu assumo as rédeas da minha vontade e mostro que eu é que estou no comando.
É claro, estou parafraseando aqui, sabemos que essa questão de vontade e desejo é bem mais complexa do que a minha louca vontade por chocolates, mas, o que eu quis dizer com o parágrafo acima é que muitas vezes, a nossa vontade de que "nossos" adictos se livrem das drogas é tão grande que não permitimos que eles enfrentem as suas próprias vontades, nós não permitimos que eles demonstrem sentir essa vontade e com isso estamos impedido-os de controlá-la.
Um dependente químico, mesmo que em recuperação, sentirá vontade de sua droga preferida pelo resto de sua vida, todos os dias, sentirá saudades dela mesmo que ele dê o máximo de valor para a sua vida em recuperação e não deixá-lo expressar essa vontade é forçá-lo a não controlá-la, é não permitir que ele enfrente o seu próprio desejo.
Você, que está ao lado de um adicto, você permite que ele fale com você sobre o que a droga faz com ele, como ela o controla, quantas vezes ele sente vontade de usá-la?
Posso estar errada, mas acho que na maioria das vezes, a resposta vai ser não e sabe por quê? Porque a verdade é que quando eles falam sobre a vontade que sentem de usar droga, nós nos sentimos inferiorizadas, tristes e até mesmo fracassadas.
É só o assunto começar que lá vem a nossa codependência com seu sentimento de inferioridade para atrapalhar tudo, e aí começamos com o papo "Não diga isso", "Você é forte", " Você vai conseguir", "Olha o que você já conseguiu" e por aí vai.
É claro que não há nada de errado em sermos positivas, mas temos que pensar que às vezes, o que eles precisam é sentir que somos conscientes de que eles não são fortes como queremos que sejam e nem fracos como eles pensam que são.
Acho que às vezes, cobramos demais de "nossos" adictos e não percebemos que nessa cobrança, não estamos dando direito à eles de fraquejarem. Não quero dizer que não temos que cobrar, eles tem que ser responsáveis por cada ato que comentem, o que quero dizer é que momentos de conversa franca são importantes para a recuperação deles, eles precisam saber que somos conscientes das limitações deles e que eles podem falar sobre elas.
Vamos, só por hoje, permitir que eles falem sobre as suas vontades, com franqueza, sem medos.
Vamos, só por hoje, aceitar que eles sentirão falta da droga pelo resto de suas vidas e que de nada vai adiantar fazermos chantagens emocional para bloquear tal vontade.
Só por hoje, vamos aceitar essa doença e permitir que eles se recuperem dela de verdade, assumindo ela, para então, lutar contra ela.
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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