Até onde você iria para ajudar alguém que escolheu o caminho errado em busca da tal felicidade? Em um mundo sofrido, perigoso e doloroso, eu senti na pele a dor de ver alguém querido tomar a decisão errada. Eu carreguei a minha própria nuvem de chuva enquanto decidi caminhar ao lado dele. Eu adoeci sem saber, uma doença tão perigosa quanto à dependência química. Eu me tornei uma codependente. E essa é a minha jornada, uma jornada de lágrimas, promessas, sofrimentos e vitórias.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Eu não aceito!
E as coisas vão simplesmente acontecendo, como um trem desgovernado em alta velocidade sem estação certa para parar, um atropelamento de situações, você quase não tem tempo para respirar, a única coisa que você consegue fazer é seguir o tal do fluxo, é lutar para não ser arremessada para fora desse trem, nada mais do que isso.
É estressante, você é testada além do seus limites, muito além do que você um dia pensou suportar e tudo continua a passar em sua vida com um cometa, dia após dia, é tudo rápido demais, a única coisa que você sente em câmera lenta é a dor, essa, passa estranhamente lenta demais, não importa em qual velocidade o trem esteja, ela parece não seguir o mesmo ritmo, o mesmo tempo, o mesmo espaço.
Tristezas, decepções, mágoas, dor, lágrimas, pequenos sorrisos, esperança, alegria...Uma mistura de sentimentos em erupção, quase explodindo enquanto você luta para controlar cada um deles. Cansaço. Desânimo.
-Até quando? Você se pergunta.
-Quanto tempo eu ainda vou suportar? Você se indaga esperando um resposta, mesmo que seja o eco de sua própria voz.
-Eu não aguento mais! Você se lamenta.
-Até quando? Você se pergunta novamente e então a resposta lhe aparece como uma nuvem acinzentada. Você percebe que têm estado ocupada demais se escondendo da verdade, com medo de gritar para o mundo o que sente e a partir daí não suportar mais sentir. E quando você percebe isso, você definitivamente gritou para si que não aceita mais isso, não aceita mais sofrer dessa forma, não aceita mais se anular, não se amar, não se valorizar, não se colocar como prioridade.
E você não aceita mais não se feliz.
E o que acontece depois?
Parece que de uma certa forma, quando você diz para o Universo que você não aceita dele nada menos que a felicidade, ele tem um jeito estranho e inigualável de fazer com que as coisas se ajeitem e aos poucos, a felicidade passa a ser a sua companhia novamente.
Quando não aceitamos algo que nos tem machucado, estamos não só dizendo não para aquela situação, mas, estamos dizendo não para toda e qualquer situação que tente nos derrubar.
Apenas não aceite àquilo que te faz mal, quando você tiver consciência do que realmente te faz mal, o Universo vai trabalhar para mudar essa situação.
Quer uma dica?
Não aceite a compulsão desenfreada do seu amado dependente químico, aceite a doença, é diferente.
Quando você aceita a doença, o Universo trabalha na cura, quando você aceita a compulsão, o que você recebe de volta é a Codependência, fruto dessa compulsão...
Boas 24 horas!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Momento certo!
Foi o momento certo.
Quanto mais o tempo passa, mais tenho plena convicção que tudo aconteceu em seu devido momento.
Eu fiz a minha escolha, isso não significa que eu não tenha sofrido com ela, não significa que tenha sido fácil fazê-la e arcar com as consequências que vieram depois, mas, foi sim, a escolha certa, na hora certa.
Eu escolhi sair de cena, dar alguns passos para trás, abrir espaço, soltar a mão dele e deixar que ele caminhasse com suas próprias pernas no exato momento em que um limite havia se formado, o limite dos nossos sentimentos e isso explica o fato de mesmo, tanto tempo depois, eu ainda ter por ele um sentimento lindo, de carinho, admiração, compaixão.
Eu o deixei antes que as drogas transformasse tudo o que de lindo vivemos em algo escuro e triste.
Eu o deixei antes que em minha memória ficassem apenas as lembranças de dor e lágrimas.
Eu o deixei antes que a minha doença se tornasse tão perigosa e mortal quanto a doença dele.
Eu o deixei antes que o amor que tínhamos um pelo outro se transformasse em raiva e nada mais.
Eu o deixei.
Eu o deixei livre para fazer as suas próprias escolhas, para reescrever a sua história, eu dei à ele uma página em branco com apenas um dizer no rodapé : Seja feliz!
E desde então, esse é o meu desejo, que ele encontre a felicidade, que ele saiba reconhecer a chegada dela.
Eu o amei com todo o meu coração, ele foi o meu mundo durante o tempo em que juntos ficamos e eu sei que fui o mundo dele também e por isso é tão importante para mim ter feito a escolha de deixá-lo na hora certa, é por isso que consigo viver com as boas lembranças dele mesmo em meio às lembranças dolorosas, porque não há um céu cinza de lembranças escuras sobre a minha cabeça, há somente tempestades pela qual eu passei.
Não matamos o nosso sentimento, pelo contrário, o vivemos como tínhamos que viver e pelo tempo em que tínhamos que viver.
Não tivemos tempo de nos magoar, não tivemos tempo de ferirmos um ao outro, toda dor sentida foi somente fruto da doença dele e das atitudes dele decorrente dessa doença, nada mais além disso, nenhuma decepção pessoal, nenhuma frustração que não fosse por causa da droga. Não, não tivemos.
Estou feliz com minha escolha, feliz por poder todos os dias dizer que Valeu a Pena.
E se alguém me perguntar como ainda consigo ter lembranças boas depois de tudo o que vivi com ele, eu responderei que foi porque paramos no tempo certo, aonde um dos sentimentos mais lindo do mundo ainda existia entre nós. Somente isso.
Boas 24 horas!
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domingo, 4 de novembro de 2012
Amor e Raiva!
"...Ele quase não pronunciou palavra alguma, pálido, quieto, não conseguia me olhar nos olhos, ou não queria, porque sabia que meus olhos estavam ardendo em fogo enquanto eu o estudava minuciosamente. Depois do alívio de vê-lo bem, fui tomada por um sentimento obscuro, senti ódio dele, senti raiva, dele e de mim, queria desesperadamente entender o porquê. Ele havia estragado a minha noite de Natal, a nossa noite de Natal e parecia não estar se importando com isso!"
(Trecho do livro Valeu a Pena - A Jornada de uma Codependente )
E essa foi acho que a primeira vez que senti raiva dele, foi quando, cerca de uma semana após eu ter descoberto a recaída dele, após longos 3 anos, e na noite de Natal ele se presenteou com o seu objeto de desejo, necessidade e por que não, obsessaõ? Foi uma longa noite de espera, uma longa e torturante noite de espera, a primeira vez de fato que eu sabia o real motivo do seu desaparecimento, que eu sabia que a droga havia se tornado então, o seu bem mais precioso.
A única coisa que eu não sabia era como lidar com esse novo sentimento que passei a sentir. A Raiva.
Eu não sabia que senti-la fazia parte do processo e que trabalhá-la era a minha mais nova obrigação.
Houve momentos em que tive vontade de arremessá-lo em um penhasco e me jogar em seguida para salvá-lo, momentos em que tive vontade de atirar nele e me jogar na frente para não acertá-lo. Amor e raiva, dois sentimentos totalmente confusos e perdidos dentro de mim.
E estar ao lado de um dependente químico é exatamente isso, essa confusão de sentimentos, essa montanha-russa de emoções.
E quantas outras vezes não vim a sentir essa mesma sensação sem ainda entender que ela fazia parte do "pacote ajudando um dependente químico"? Eu sentia raiva dele cada vez que desaparecia e embora esse sentimento fosse neutralizado pela alegria de vê-lo vivo cada vez que ele retornava, ainda sim ele estava dentro de mim e eu não sabia como trabalhá-lo.
Sentir raiva não é um sentimento nobre, e eu não me permitia senti-lo, então comecei a trocá-lo por um sentimento muito pior, a Culpa. Toda e cada vez que ele sumia, que eu me sentia trocada pela droga, cada vez que ele agia como se não se importasse mais comigo e com meus sentimentos, eu passei a não mais sentir raiva dele por me fazer sofrer, eu passei a me culpar por não ser boa o bastante para fazê-lo parar, passei a me culpar por não ser o suficiente para ele ao ponto de tirar dele a vontade da droga.
Acredite, sentir raiva pode ser destruidor, mais, sentir culpa é apavorantemente pior. A raiva pode e precisa ser trabalhada, senti-la às vezes é necessário, para que possamos colocar para fora o que dentro de nós não pode mais ficar, mas, sentir culpa, é assumir a responsabilidade de algo que não temos controle algum e isso é capaz de nos matar lentamente.
O meu conselho?
Permita-se sentir raiva e depois disso, trabalhe-a! Se você não senti-la, não poderá substituí-la. Sinta a raiva que o momento exige e depois troque-a pela serenidade que você precisa!
Esse é o meu conselho, não fugir dos sentimentos e o mais importante, não trocá-los por sentimentos mais destrutivos ainda, como a culpa.
Boas 24 horas para nós.
Serenidade!
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domingo, 28 de outubro de 2012
Sentir para controlar!
Você só aprende a controlar o desejo se você sentir o desejo!
Isso é fato, enquanto não nos permitirmos sentir algo, enquanto não liberamos nossas sensações e emoções para que esse algo extravase, nós não poderemos controlar esse algo.
É simples, eu sou louca, quase que compulsiva por chocolate e sei que só consigo dominar esse desejo quando me permito sentir a vontade de comer um chocolate. Enquanto eu tento bloquear o pensamento da minha mente, enquanto digo para mim mesma que hoje não vou comer, que não estou com vontade, mas vontade pareço sentir, mas, quando me entrego à essa vontade em pensamento, quando assumo que ela existe, eu consigo controlá-la, eu assumo as rédeas da minha vontade e mostro que eu é que estou no comando.
É claro, estou parafraseando aqui, sabemos que essa questão de vontade e desejo é bem mais complexa do que a minha louca vontade por chocolates, mas, o que eu quis dizer com o parágrafo acima é que muitas vezes, a nossa vontade de que "nossos" adictos se livrem das drogas é tão grande que não permitimos que eles enfrentem as suas próprias vontades, nós não permitimos que eles demonstrem sentir essa vontade e com isso estamos impedido-os de controlá-la.
Um dependente químico, mesmo que em recuperação, sentirá vontade de sua droga preferida pelo resto de sua vida, todos os dias, sentirá saudades dela mesmo que ele dê o máximo de valor para a sua vida em recuperação e não deixá-lo expressar essa vontade é forçá-lo a não controlá-la, é não permitir que ele enfrente o seu próprio desejo.
Você, que está ao lado de um adicto, você permite que ele fale com você sobre o que a droga faz com ele, como ela o controla, quantas vezes ele sente vontade de usá-la?
Posso estar errada, mas acho que na maioria das vezes, a resposta vai ser não e sabe por quê? Porque a verdade é que quando eles falam sobre a vontade que sentem de usar droga, nós nos sentimos inferiorizadas, tristes e até mesmo fracassadas.
É só o assunto começar que lá vem a nossa codependência com seu sentimento de inferioridade para atrapalhar tudo, e aí começamos com o papo "Não diga isso", "Você é forte", " Você vai conseguir", "Olha o que você já conseguiu" e por aí vai.
É claro que não há nada de errado em sermos positivas, mas temos que pensar que às vezes, o que eles precisam é sentir que somos conscientes de que eles não são fortes como queremos que sejam e nem fracos como eles pensam que são.
Acho que às vezes, cobramos demais de "nossos" adictos e não percebemos que nessa cobrança, não estamos dando direito à eles de fraquejarem. Não quero dizer que não temos que cobrar, eles tem que ser responsáveis por cada ato que comentem, o que quero dizer é que momentos de conversa franca são importantes para a recuperação deles, eles precisam saber que somos conscientes das limitações deles e que eles podem falar sobre elas.
Vamos, só por hoje, permitir que eles falem sobre as suas vontades, com franqueza, sem medos.
Vamos, só por hoje, aceitar que eles sentirão falta da droga pelo resto de suas vidas e que de nada vai adiantar fazermos chantagens emocional para bloquear tal vontade.
Só por hoje, vamos aceitar essa doença e permitir que eles se recuperem dela de verdade, assumindo ela, para então, lutar contra ela.
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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domingo, 21 de outubro de 2012
Consequência e Reconpensa
E então você percebe que depois de verbalizar um sentimento, seja bom ou ruim, ele vai com o tempo diminuindo, é como se a consequência de guardá-lo para você fosse a angústia e a recompensa por verbalizá-lo fosse a liberdade dele mesmo.
Giulliana Fischer Fatigatti
E é por isso que dividir a nossa dor é tão importante. Não é apenas uma filosofia demagoga que diz que dor dividida é dor diminuída, é simplesmente pelo fato que ao dividi-la estamos verbalizando aquilo está nos consumindo por dentro e ao fazer isso, estamos nos libertando desse sentimento.
Se eu jogar para cima uma bexiga cheia de água, eu consigo agarrá-la de volta quando ela estiver caindo, se eu jogar duas bexigas cheias para cima, talvez eu ainda consiga agarrá-las na volta sem que elas estourem no chão, mas, para que eu consiga agarrar mais de duas bexigas, eu preciso de alguém para me ajudar e se forem várias bexigas, eu e esse mais alguém precisaremos de mais alguém também.
É uma reflexão simples, porém verdadeira. Se não buscarmos ajuda, dificilmente conseguiremos!
O problema é que na maioria das vezes, estamos tão anestesiados com a nossa própria dor que não nos damos conta de que ela existe, nós camuflamos ela tão bem que às vezes é como se ela já fosse parte de nós mesmos, de nossa essência e chegamos a nos esquecer de como éramos sem ela antes e quando nos damos conta da sua existência, ficamos tão perdidos por não saber lidar com ela que parece que ela vai nos levar à loucura e algumas vezes, mesmo que por alguns segundos, chega a levar...
O momento mais difícil é esse, é quando nos tornamos conscientes de que do jeito que está não dá mais, é quando percebemos que precisamos fazer algo para matar aquilo que vem há tempos nos matando e que só agora nos demos conta, esse momento de conscientização por si só já nos faz sentir mais dor, porque lembranças boas e ruins surgem como um vulcão em erupção e não estamos preparados para lidar com as larvas que estão escorrendo por ele.
Às vezes, deixamos de acreditar que será possível superar a dor somente pelo fato de que não a dividimos, ás vezes, achamos que não vamos suportar tamanha provação e acabamos perdendo a fé em nós mesmos e em nossa capacidade de superação, mas, como eu disse no post anterior,Somos Resilientes, temos a capacidade de seguir em frente, de irmos para o fundo do poço e de lá sairmos porque sabemos que o chão não é o nosso lugar, somos sim como a Fênix que renasce das cinzas e só precisamos aceitar a nossa dor para então percebermos que podemos sim superá-la!
Eu já aceitei e você?
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Somos Resilientes!
Consultando o meu amigo Dicionário, Resiliência é definida como um processo da física que remete à elasticidade, poder de recuperação e resistência ao choque.
Achei incrível essa definição, embora seja uma definição da física, notaram alguma semelhança com nós, Codependentes e Dependentes em recuperação?
Eu me vi em cada uma dessas palavras, me senti elástica em várias situações, senti o meu poder de recuperação e a força da minha resistência ao choque.
Mas, não me contive, tive que continuar a minha busca e então no meu amigo Wikipédia encontrei outra definição, a da Psicologia, a minha área de paixão. Diz:
Resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico.
Tá, tudo bem, concordo que às vezes nós estramos em alguns pequenos surtos né, mas, ainda sim, se viram nessa definição? Eu me vi, com toda certeza me vi!
É a qualidade de seguir em frente e sair fortalecido de uma crise e tal qualidade tem feito com que a medicina se interrogue por que alguns são mais resistentes que outros.
Quando aceitamos o que não podemos mudar, estamos também nos concentrando sobre as que podemos mudar e com isso, deixamos de reagir à uma determinada situação e passamos a agir em como resolvê-la.
Resumindo, resiliência é a capacidade de psicoadaptação de cada ser humano. Adaptar a sua psique às mudanças da vida.
Ser resiliente é reagir positivamente às mudanças e situações adversas.
O Prof. Rolf Roberto Kruger, especialista em dependência química e codependência, mestre em Teologia, diz que embora as causas que levam o indivíduo a usar drogas são várias, existe uma que é sempre comum à todos, é a falta de RESILIÊNCIA, e não só do indivíduo, mas da família, de quem convive com ele. Ele diz que a ausência da resiliência é uma das causas da dependência química e também da codependência.
Somos portanto resilientes, nos adaptamos as dificuldades, temos a capacidade de irmos para o fundo do poço e voltar à superfície com força total, sabemos que o chão não é o nosso lugar e por isso, afzemos questão de nos mantermos em pé, somos guerreiras e guerreiros, somos como a Fênix que renasce das cinzas, somos portanto resilientes sim!
Força! Boas 24 horas!
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sábado, 13 de outubro de 2012
Minha única opção!
A única opção que tenho é ser feliz, não posso aceitar da vida nada menos do que a felicidade, isso é uma escolha diária, que faço todos os dias ao acordar, desejo sempre que as próximas 24 horas sejam repletas de bons momentos e sei que nem sempre serão, então, quando não são, desejo apenas que eu aprenda com cada momento de não felicidade para que eu logo possa escolher novamente a felicidade em minha vida!
Posso ter meus momentos de tristeza e sei que posso ter e posso até curti-los, porque sei que não tenho a obrigação de estar sempre bem, eu tenho a opção e se eu recair, é só por hoje!
Seja bom ou ruim, são somente 24 horas e nessas 24 horas posso escolher como quero agir e reagir...
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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domingo, 7 de outubro de 2012
Para quem não acredita em milagres...
Um dia você acorda e olha para a linda bola de fogo brilhando lá fora e diz para si mesma que você terá um lindo dia. E tudo caminha para isso, mas, então, acontece alguma coisa, coisa pequena, talvez quase que insignificante diante da magnitude de um dia tão lindo, e te deixa pra baixo, com o coração triste, por algo que nem depende de você e que não está ao seu alcance para mudar.
Você vai dormir, mas, antes de dormir, no banho, ouvindo música, um filme passa pela a sua cabeça, um filme de toda a sua vida e você se dá conta que tem que agradecer pelas bençãos recebidas, pela família que tem, pelo marido maravilho e filha exemplar, pelo emprego, pelas amizades e por fim, por tudo o que viveu até chegar até aqui.
E foi assim que ele me veio à mente, foi no momento em que eu estava agradecendo por tudo o que vivi, que ele surgiu como uma lembrança boa, uma lembrança dele de antes das drogas, uma imagem bonita que me fez repensar em porque eu estava triste, já nem me lembrava mais.
O dia seguinte tinha tudo para ser somente mais um domingo, até que a roda da vida girou e transformou esse simples domingo em um domingo simplesmente perfeito!
Hoje, nesse domingo simplesmente perfeito, tive notícias do Gabriel, conversei com a sua irmã, ela foi visitá-lo e não poderia trazer notícias melhores.
Ele está centrado, aceitando a sua doença, tem recebido elogios dos psicólogos, está forte, bonito, sorridente.
Lágrimas caíram dos meus olhos, só Deus sabe o quanto eu esperei para ouvir isso, mas, as notícias não pararam por aí não. Ela me disso algo muito mais grandioso.
Ele tem um filho!
Um filho de dois anos, fruto de um relacionamento com uma namorada em SP.
A irmã dele disse que teve vontade de pegar o carro e ir direto para a casa da moça, para ver a criança, mas, os psicólogos, ele e o irmão dele acharam melhor esperar.
O mais bonito foi que ele disse para ela que foi a criança que o motivou a buscar ajuda e pedir socorro, que ele acordou um dia, olhou para o seu anjinho e disse que queria ser um pai melhor para ele.
Vocês podem imaginar a minha alegria não é mesmo?
Agora, o mais impressionante foi o que ela falou depois.
Adivinhem o nome desse pequeno anjinho?
Acertaram!!! Ele se chama Gabriel. O mesmo nome que dei à ele em meu livro... Incrível!
Acho que não preciso nem mais continuar essa postagem, vocês entenderam o motivo pelo qual eu a intitulei de Para quem não acredita em milagres.
É isso minha gente, só por hoje, eu sei que ele está bem, sei que está vencendo e isso já faz com que o acredite em milagres.
Boas 24 horas, vamos continuar com as nossas orações, se você ainda não deixou o seu recado com o nome na nossa corrente, entre aqui.
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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Milagres
sábado, 22 de setembro de 2012
Corrente Positiva! Participem!
Olá pessoas, espero que estejam todos bem, aproveitando essas 24 horas!
Estive ausente essa semana pois o trabalho tem consumido de mim algumas horas a mais do meu dia, mas, acredito que será só por mais uma semana e em breve terei as minhas noites de volta e poderei escrever com mais frequência.
Afinal, escrever é um dos pilares da minha recuperação!
Hoje quero fazer um pedido à vocês, fazer uma proposta na verdade.
Conversei muito com a irmã do Anjo Gabriel, foi algo tão fantástico para mim, como a grande maioria de vocês leram o livro, sabem como o meu relacionamento com a família dele ficou desgastado devido ao fato de eu não entender de fato o mundo em que eu estava entrando ao decidir ajudá-lo e a família dele ter tentado me mostrar que não seria fácil.
Na nossa conversa ela disse que lamenta muito por tudo o que passei, pela dor que eu senti e me foi tão fácil dizer para ela que não quero que ela lamente, pois eu não me arrependo nem por um segundo, valeu a pena cada dor, cada lágrima, cada sorriso, cada esperança, cada pequena vitória e diante disso, ela me deu uma ideia ótima e ela que quero compartilhar com vocês.
Por meio de comentários nessa postagem, vamos colocar os nomes dos nossos anjos dependentes químicos, os nomes para quem desejemos recuperação, seja marido, namorado, pai, filho, esposa, filha, namorada, sobrinha...
Cada um coloca o nome em forma de comentário e todos os dias, ao Meio dia, vamos mentalizar a recuperação para essas pessoas, orando por elas. Não precisa de muito tempo, apenas alguns minutos será o suficiente, o importante é que vamos estar todos comprometidos em ao mesmo tempo elevarmos nossos pensamentos ao nosso Poder Superior e desejar com todo o nosso coração que a recuperação dessas pessoas aconteça.
Eu particularmente acredito muito na força do Pai Nosso, não é uma oração restrita á uma religião somente, é um mantra Universal e poderoso.
A partir de amanhã, ao meio dia, estarei inciando essa corrente e conto com vocês!!!
Fiquem em paz, eu estou!
Lista de nomes deixadas como comentário:
"Anjo Gabriel"
"AMS" (Polly)
"Mateus Carvalho Fernandes" (nome deixado pela Julia na comunidade Dependência Química, no Facebook)
"Sandro" (Luciana)
"Angêlo Júnior" (JJ)
"YMCR" (Meu companheiro usuário)
"Dú" (Kel)
"Ícaro" (Anônimo)
"Ricardo" (Anônimo)
"P.R" (Emily)
"D.R.C" (Gaby)
"D.H.N" (Sol Brilhando)
"G.C" (P)
"Jú", "Olímpio", "Leonardo", "Giovanni" e "Ariana" (Adicto em recuperação)
"Henrique" (Cicie)
"D.H.S" (Ledinha)
"K.W.M" (Kaah)
"João" (Maria)
"Diego" (Deborah Machado)
"Antonio Marcos Resende" (Lene)
"Sabrina"
...
...
"Senhor, eu fecho meus olhos elevo meus pensamentos e dedico esse minuto em nome da recuperação de todos os dependentes químicos, que o Senhor ilumine o caminho deles e os tragam de volta para a vida"
Amém!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Eu nunca deixei de acreditar, feliz demais!
Boa noite pessoas!!!
Estou sentindo o mundo girar, como se ele tivesse saído de sua órbita, minhas pernas estão bambas e nesse momento, meus dedos tremem ao digitar.
A sensação do coração palpitando, a sensação do gelo no estômago, a mistura de sentimentos e as lágrimas nos olhos que não param de escorrer são os efeitos colaterais do que estou sentindo nesse exato momento.
Não faz muito tempo, postei para vocês sobre a descoberta do Anjo estar preso e depois sobre a confusão de sentimentos que eu estava sentido por não saber o que fazer diante da minha descoberta. Eu cheguei a comentar que não sabia se devia falar para a família dele ou não, enfim, eu nada fiz a não ser orar e orar, às vezes, antes de dormir, eu orava tanto e as lágrimas escorregavam pelos meus olhos que o ar chegava a me faltar, mas, orar foi a única coisa que fiz.
Hoje, agora pouco pra ser sincera, eu falei pelo Facebook com a irmã dele, ela fez um comentário em uma foto minha e eu fui agradecer e acabei falado sobre ele, sobre a prisão e aí foi que o melhor aconteceu.
Ela me respondeu que ele não está mais preso, que ele está em uma clínica de recuperação!!!
Disse que não me contou antes porque teve medo de me fazer relembrar de tudo e sofrer, mas que faz apenas uma semana que ele aceitou ser internado.
Eu estou radiante, porque eu nunca deixei de acreditar na recuperação dele, nunca deixei de crer que ela é possível e nesse momento, eu só tenho que agradecer!
Obrigada meu PS, obrigada Universo!
"Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você"
"Só enquanto eu respirar, vou acreditar na sua recuperação"
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sábado, 8 de setembro de 2012
Aceitando a dor!
Segredo para recuperação? Não sei se existe.
Uma coisa é fato, fórmulas milagrosas não funcionam nesse caso.
Se há um caminho mais curto para se chegar na tão esperada recuperação, também não sei, não fui apresentada à esse caminho, a minha recuperação se deu da forma mais lenta possível, Deus e como foi lenta!
Mas, funcionou! E funcionou de forma verdadeira, real, sem fantasias, sem máscaras.
Então, se me perguntarem qual é o segredo, não saberei responder, mas, se me perguntarem qual foi o caminho que percorri até chegar aqui, eu diria que foi sentindo DOR.
Vocês devem estar dizendo agora mesmo: - Ah, mas dor todos os Codependentes sentem e isso não significa que estão em recuperação!
E eu concordo! Dor todos os Co sentem, mas, a grande maioria sente ao fugir dela e eu me recuperei ao senti-la enfrentando-a de frente, é claro, após fugir dela por um bom tempo...
Com a minha jornada, onde eu camuflava meus sentimentos, medos e dores, eu pude perceber que evitando a dor, que fugindo dela, eu não a estava destruindo-a, ela continuava dentro de mim, como uma pequena ferida latente.
Dizem que o crescimento é doloroso, eu concordo, porque crescer é enfrentar momentos dolorosos, é enfrentar a dor que por tempos reprimimos.
A verdade é que somos condicionados de uma certa forma a reprimirmos tanto a dor quanto o prazer, aprendemos a escondê-los até de nós mesmos. E a lógica de tal condicionamento é simples, o prazer é reprimido por causa da dor, porque estamos condicionados com a ideia de que se estamos felizes demais, algo vai acontecer e levar embora a nossa felicidade, então, evita-se a verdadeira felicidade para evitar-se a dor mais profunda.
São os dois lados de uma mesma moeda, porque evitamos o prazer para evitar a dor e nos privamos de momentos felizes para não corrermos os riscos de encararmos os momentos de tristeza.
O real problema não está em sentir dor e sim em como você olha para ela, afinal, essa polaridade dor/prazer é necessária, se tirarmos um dos pólos, teremos uma vida sem graça, sem aprendizado, sem crescimento.
Mas, quanto mais você se conscientizar daquilo que lhe causa dor e quanto mais você enfrentá-la, mais próximo estará de superá-la.
O nosso sofrimento às vezes é muito maior ao tentar negar a dor do que se decidíssemos encará-la. Para se livrar dela é preciso aceitá-la e foi aceitando-a que comecei a me recuperar.
Aceitar a dor é reconhecer os motivos que causaram ela e nesse pacote todo, vem a culpa, remorso, medo, frustração e eu tive que enfrentar cada um desses sentimentos, tive que me livrar de cada um desses sentimentos em um mergulho profundo dentro de mim mesma, onde encontrei uma mulher de baixa auto-estima, medrosa, com suas emoções em frangalhos e eu tive que encarar essa mulher para aceitá-la e então mudá-la.
Estou, só por hoje em recuperação porque eu enfrentei a mim mesma, eu enfrentei àquilo que me causava dor, eu enfrentei a dor.
Cada um encontra a sua recuperação de uma forma, essa é a minha forma de recuperação.
Aceitando, analisando, enfrentando e mudando.
Aceitando a presença de tudo o que me trouxe dor;
Analisando cada sentimento que com ela veio
Enfrentando ela
E mudando tudo o que percebi estar me afastando de mim mesma.
Espero que seja assim, pelo resto de minha vida.
Boas 24 horas!
O resultado da promoção está na postagem anterior, agora, conto com vocês na ajuda para a escolha do nosso E-book!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Resultado sorteio!
Olá pessoal!!!
Desculpem o atraso, finalmente o sorteio saiu!!!
Aconteceu da seguinte forma:
Listei e numerei os participantes em ordem alfabética e o resultado através de um gerador automático e aleatório de números, onde informei um numero inicial e um final.
E a grande ganhadora foi a Bárbara, nr. 2!!!
Bárbara, me envie por favor os seus dados para que eu possa lhe enviar o livro, fico aguardando!
Obrigada pela participação de todos, recebi alguns textos de pessoas que já leram o livro e pediram para não participar do sorteio, apenas da formação do nosso livro, então, em breve estarei com o livro montado, aceito sugestões de nomes, deixem aqui a suas opiniões!
Boas 24 horas!
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
às
22:10
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Foi escolha minha!
É tão engraçado como ainda sinto e percebo que algumas pessoas não entendem e se indagam em relação ao fato de que hoje nada mais tenho de ligação com a dependência química e que mesmo assim, continuo a falar sobre o assunto.
É engraçado perceber que algumas pessoas pensam que faço o que faço porque ainda não me desliguei do Anjo Gabriel.
Não entendo por que é tão difícil as pessoas entenderem que EU ESCOLHI seguir a diante, construir uma família, voltar a viver, ser feliz, mas que eu também ESCOLHI não desistir da causa, eu ESCOLHI escrever sobre tudo o que vivi porque fazer isso me faz bem, porque descobri que isso me ajuda da mesma forma que ajudo outras pessoas.
Eu hoje não convivo mais com a dependência química e seria fácil eu viver como se a história que vivi fosse apenas uma página do meu passado, tantas outras pessoas seguem em frente, reconstroem suas vidas, escrevem suas nova histórias nas páginas do grande livro da vida, eu também conseguiria, se eu quisesse, mas, eu não quero!
Não, eu não quero apagar da minha mente a dor e a aflição que essa doença causa, eu não quero esquecer porque lembrar me faz ter vontade de ajudar, de escrever, de falar.
Lembrar me dá forças.
Lembrar me mantém focada e com fé.
Lembrar me mantém consciente de que tudo há um motivo e uma razão e negar que aconteceu seria negar os motivos e as razões pelo qual aconteceu.
Pois é, eu sei que poderia estar quieta no meu canto, sem cutucar feridas, sem mexer em emoções e sentimentos guardados, mas eu não quero ser essa pessoa, eu quero ser eu mesma e fazer o que estou fazendo agora mesmo, escrever sobre algo que conheço: CODEPENDÊNCIA.
Eu escolhi escrever o livro e foi assim que me libertei, eu escolhi criar o blog e então me curei e escolho escrever aqui porque essa é a minha recuperação.
Simples assim, há quem se recupera se afastando e há quem se recupera vivenciando...
Esta sou eu, vivenciando, mas de uma forma diferente, de outro ângulo.
Hoje, sou grata por cada escolha que fiz, sou grata por ter pessoas como vocês que me acompanham, me entendem e me apoiam.
Bons momentos para nós, boas escolhas!
Postado por
GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
às
21:34
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domingo, 2 de setembro de 2012
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Boa tarde pessoal!Estou em débito com vocês, na sexta era para ter ocorrido o sorteio do blog, valendo um exemplar do Livro Valeu a Pena, porém, infelizmente tive que viajar por motivo de falecimento na família e retornei somente hoje e por isso ainda não tive tempo de fazer o sorteio.
Peço desculpas para vocês e me comprometo a fazê-lo durante essa semana, assim que eu colocar a casa em ordem, dois dias longe de casa deixou um acúmulo de coisas para fazer.
Fiquem com em paz, boa semana para todos.
Boas 24 horas!
Postado por
GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
às
18:06
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Entrevista com Luciano - Hoje Conselheiro terapêutico, ontem, um dependente químico.
Hoje trago para vocês uma entrevista super sincera e real com a intenção de mostrar mais uma vez que a recuperação existe sim.
Ele hoje é conselheiro terapêutico, especializado na área e desenvolve trabalhos voltados à recuperação do dependente químico.
NOME: Luciano Brasil Martins Soares
IDADE: 36 anos
TEMPO DE ADICÇÃO: 20 anos
TEMPO EM QUE ESTÁ EM RECUPERAÇÃO: 7 meses
DROGAS EM UMA PALAVRA: Trevas
FAMÍLIA EM UMA PALAVRA: Tudo
ESPIRITUALIDADE EM UMA PALAVRA: Vida
VOCÊ EM UMA PALAVRA: Intenso
Valeu a Pena: Luciano, em minhas leituras ao longo dos anos, pude constatar que em muitas vezes, não sempre, mas em muitas, o Adicto já está adoecido antes mesmo de provar a sua primeira droga, às vezes por falta de estrutura na família, ou problemas de baixa auto-estima e por aí vai. Você atribui o fato de você ter começado a usar drogas a alguns desses fatores? Você acha que teve um motivo que naquele determinado momento parecia ser uma boa justificativa?
Luciano: Bom, primeiramente quero agradecer a Deus e posteriormente a você pela oportunidade que está me concedendo em relatar a minha vida como um adicto pesadíssimo e assim sendo, mostrar para a humanidade que é possível entrar em recuperação e ter uma vida saudável em todos os âmbitos: social, espiritual, mental e físico.
Como devemos saber, existem dois fatores que contribuem para o desenvolvimentos de um adicto antes mesmo que ele use a primeira droga ou que beba o seu primeiro gole. Os fatores são:
FSA= Fator sócio ambiental, caracterizado pelo ambiente em que nasci, que mesmo sendo um ambiente de classe social A, minha família era disfuncional com meu pai alcoólatra e uma mãe extremamente nervosa devido a sua codependência que já se instalava nos idos da década de 70 quando eles vieram a contrai isso o que os homens chamam de matrimônio. Esse ambiente contribuiu muito para que eu me tornasse um adicto pois as brigas eram muitas. O outro fator é o:
FA= Fator genético do qual meu pai como já disse é alcoólatra e creio eu na minha santa ignorância que herdei a predisposição para o uso compulsivo de substâncias que alterem o meu humor.
Valeu a Pena: Quais foram os momentos mais cruciais enquanto a sua adicção estava ativa?
Luciano: Digamos que foram vários os momentos mais cruciais, pois, o crack fez parte do meu dia a dia durante exatos 20 anos e nesse interim eu me vi morando nas ruas, esgotos, cadeia, postíbulos, praças, viadutos, roubando, furtando, me prostituindo. Perdi 2 clínicas do qual era dono e tinha médicos profissionais ao meu comando, perdi um emprego na rede VW, parei no quarto ano de direito, 4 casamentos e um filho
Valeu a Pena: Você precisou chegar ao chamado Fundo do poço para perceber que estava doente e precisava de ajuda? Como foi?
Luciano: Precisei morar nas ruas e não poder mais voltar para nenhuma casa de familiares pois, não abriam
as portas, passava na frente da clínica do meu pai e me colocavam para fora, ligava para mana e ela desligava, esse foi um dos pontos finais, outro foi quando cheguei em casa e meu filho estava no carro da mãe dele e eles indo embora com o caminhão de mudança na frente do carro e eu ajoelhado na rua chorando e implorando para eles não irem e eles indo e meu filhinho com a cabecinha olhando pra trás, pelo vidro traseiro acenando e mandando beijinhos.
Isso foi o ponto final, perdi ali o meu filho amado que eu lavava roupa, fazia papinha, trocava fraldas e contava história de ninar.
Valeu a Pena: E quanto às internações, o que você acha? Passou por alguma?
Luciano: Quanto as internações, nenhuma adiantou, só a última pois é a que realmente eu decidi só por hoje parar. Passei por 30 internações no total.
Valeu a Pena: E internações involuntárias, você acha válido?
Luciano: Muito válido foi através desta última que estou só por hoje em recuperação apesar de ter ido por vontade própria no segundo dia queria ir embora e me levaram para uma involuntária a mando da minha mana.
Valeu a Pena: Algo que pouco se fala, mas que é um fato comprovado é que o D.Q. quando está em recuperação, nos primeiros meses, acaba trocando uma compulsão pela outra, ou seja, ele transfere a sua compulsão pela droga por comida, sexo, a até mesmo religião. Você concorda com essa afirmação? Você se viu alguma vez inserido nesse quadro?
Luciano: Sim, concordo. Namorei uma moça e logo terminei pois na noite das 22 até as 10 horas foram 10 relações e isso é algo que pode me derrubar, me centrei novamente e terminei mesmo. Então, com certeza temos que nos vigiar para não trocar uma compulsão por outra e depois voltar para as drogas.
Valeu a Pena: OS doze passos, você os seguiu? Acredita na funcionalidade dele?
Luciano: Sou um seguidor dos 12 passos e defensor, pois, com ele estou em recuperação e acredito só por hoje na funcionalidade dele, pois está salvando milhões de vidas.
Valeu a Pena: É sabido que a família e/ou os mais próximos acabam se tornando codependentes do Dependente Químico, criando um ciclo vicioso onde a própria família cria justificativas para o que ela está passando e com isso, muitas vezes o codependente sem querer acaba prejudicando o D.Q. Em sua opinião, hoje que você está do lado de cá, o que um codependente não deveria fazer? O que ele faz achando que está ajudando e no fim só está piorando a situação?
Luciano: O que não deve fazer? Ajudar o adicto a usar droga, dar dinheiro, pagar traficante, abrir a porta da casa a noite, emprestar o carro, ir na boca, deixar usar em casa, tirá-lo da cadeia, dar comida, deixá-lo morar em casa sem ajudar em nada.
Valeu a Pena: Para você, qual é a importância dos grupos de auto-ajuda na recuperação do Adicto e na permanência dele nessa nova condição: A de um dependente em recuperação?
Luciano: É essencial para o adicto frequentar um NA ou AA, escolher uma espiritualidade, ter um padrinho ou uma madrinha.
Valeu a Pena: Qual é o papel da sua família na sua recuperação diária?
Luciano: O papel da minha família é fundamental hoje, pois eles me dão amor, estrutura e seu que posso contar com eles a hora que precisar, pois, sozinho eu não consigo.
Valeu a Pena: Qual é o papel da Espiritualidade na sua recuperação?
Luciano: É através de um poder superior maior que para mim é Deus que consigo só por hoje ter forças para continuar e que consigo exercer os doze passos corretamente e consigo ver e sentir as bençãos que Deus me dá a cada dia, como por exemplo estar respondendo estas questões, eu seu que é Ele agindo aqui em mim e aí em você.
Valeu a Pena: Luciano, hoje, o que você já conquistou após ter decidido viver sem as drogas? O quanto a sua vida mudou. Exemplifique para nós, para que outras pessoas possam ver que existe vida após as drogas.
Luciano: Hoje sou amado pela minha família, posso entrar e morar em todas as casas, meus familiares me querem por perto, minha ex, meu filho passa finais de semana comigo, dirijo os carros da família, tenho roupas boas, celular, perfumes, encontrei e conheci Jesus Cristo, sou pregador de comunidade, conselheiro terapêutico, registrado em carteira, trabalho na soconsult, vou à congressos como o do dia 31 de Agosto que é o mundial de drogas e psicode, faço cursos como o da Febract, voltou a minha sanidade através de Deus, acordo sem ressaca moral e física, sou bonito por fora e por dentro, enfim, se eu for enumerar fico até amanhã (rs).
Valeu a Pena: Em algumas palavras, defina a Oração da Serenidade, o que ela significa para você?
Luciano: Significa simplesmente que tenho que aceitar as pessoas como são, pois não as posso modificar e devo ter coragem suficiente para me modificar, pois, é o que preciso.
Valeu a Pena: Eu sei que quando entramos em recuperação, tanto ao dependente químico quanto o Codependente, aprendemos a viver o Só por hoje, mas, acredito que isso não significa que não podemos ter sonhos com amanhã, então, qual o seu sonho em termos de futuro? Vivendo um dia de cada vez, aonde pretende chegar?
Luciano: Querer ser um grande homem no sentido de ajudar o máximo de pessoas com meu testemunho e me aprimorar em cursos, faculdade de psicologia e sendo assim, a princípio trabalhar em clínicas de recuperação e quero escrever um livro um dia, com a ajuda de alguém, pois sozinho eu não consigo, quero casar com uma mulher boa, quero ser o herói para o meu filho depois de Deus, quero nunca mais só por hoje ser chamado de monstro, lixo, louco, doido e etc e ser amado pela minha família.
Valeu a Pena: Fique à vontade para fazer as suas considerações gerais e comentar o que acha ser importante na recuperação de um dependente.
Luciano: Quero agradecer a você por estar nessa luta para ajudar os codependentes e dependentes. O mais importante na recuperação é o AMOR. Doses de amor, assim como alguns precisam de remédios, nós precisamos de amor, pois sem o amor não iremos conseguir nada, então, amem seus filhos, esposos, mas é um amor exigente, amem quando merecerem e amem mais ainda quando não merecerem mas amem exigindo que correspondam esse amor.
Então, o amor é o principal instrumento para um adicto permanecer em recuperação.
Valeu a Pena: Se quiser deixar seus contatos, e-mail, Facebook e por aí vai, fique à vontade!
Luciano: Deixo os meus contatos para palestras, clínicas e ou novas propostas de trabalho:
MSN/e-mail matinluciano14@hotmail.com
Facebook: pequenogafanhoto07@hotmail.com
Fone (19) 9288-0221
Ele hoje é conselheiro terapêutico, especializado na área e desenvolve trabalhos voltados à recuperação do dependente químico.
NOME: Luciano Brasil Martins Soares
IDADE: 36 anos
TEMPO DE ADICÇÃO: 20 anos
TEMPO EM QUE ESTÁ EM RECUPERAÇÃO: 7 meses
DROGAS EM UMA PALAVRA: Trevas
FAMÍLIA EM UMA PALAVRA: Tudo
ESPIRITUALIDADE EM UMA PALAVRA: Vida
VOCÊ EM UMA PALAVRA: Intenso
Valeu a Pena: Luciano, em minhas leituras ao longo dos anos, pude constatar que em muitas vezes, não sempre, mas em muitas, o Adicto já está adoecido antes mesmo de provar a sua primeira droga, às vezes por falta de estrutura na família, ou problemas de baixa auto-estima e por aí vai. Você atribui o fato de você ter começado a usar drogas a alguns desses fatores? Você acha que teve um motivo que naquele determinado momento parecia ser uma boa justificativa?
Luciano: Bom, primeiramente quero agradecer a Deus e posteriormente a você pela oportunidade que está me concedendo em relatar a minha vida como um adicto pesadíssimo e assim sendo, mostrar para a humanidade que é possível entrar em recuperação e ter uma vida saudável em todos os âmbitos: social, espiritual, mental e físico.
Como devemos saber, existem dois fatores que contribuem para o desenvolvimentos de um adicto antes mesmo que ele use a primeira droga ou que beba o seu primeiro gole. Os fatores são:
FSA= Fator sócio ambiental, caracterizado pelo ambiente em que nasci, que mesmo sendo um ambiente de classe social A, minha família era disfuncional com meu pai alcoólatra e uma mãe extremamente nervosa devido a sua codependência que já se instalava nos idos da década de 70 quando eles vieram a contrai isso o que os homens chamam de matrimônio. Esse ambiente contribuiu muito para que eu me tornasse um adicto pois as brigas eram muitas. O outro fator é o:
FA= Fator genético do qual meu pai como já disse é alcoólatra e creio eu na minha santa ignorância que herdei a predisposição para o uso compulsivo de substâncias que alterem o meu humor.
Valeu a Pena: Quais foram os momentos mais cruciais enquanto a sua adicção estava ativa?
Luciano: Digamos que foram vários os momentos mais cruciais, pois, o crack fez parte do meu dia a dia durante exatos 20 anos e nesse interim eu me vi morando nas ruas, esgotos, cadeia, postíbulos, praças, viadutos, roubando, furtando, me prostituindo. Perdi 2 clínicas do qual era dono e tinha médicos profissionais ao meu comando, perdi um emprego na rede VW, parei no quarto ano de direito, 4 casamentos e um filho
Valeu a Pena: Você precisou chegar ao chamado Fundo do poço para perceber que estava doente e precisava de ajuda? Como foi?
Luciano: Precisei morar nas ruas e não poder mais voltar para nenhuma casa de familiares pois, não abriam
as portas, passava na frente da clínica do meu pai e me colocavam para fora, ligava para mana e ela desligava, esse foi um dos pontos finais, outro foi quando cheguei em casa e meu filho estava no carro da mãe dele e eles indo embora com o caminhão de mudança na frente do carro e eu ajoelhado na rua chorando e implorando para eles não irem e eles indo e meu filhinho com a cabecinha olhando pra trás, pelo vidro traseiro acenando e mandando beijinhos.
Isso foi o ponto final, perdi ali o meu filho amado que eu lavava roupa, fazia papinha, trocava fraldas e contava história de ninar.
Valeu a Pena: E quanto às internações, o que você acha? Passou por alguma?
Luciano: Quanto as internações, nenhuma adiantou, só a última pois é a que realmente eu decidi só por hoje parar. Passei por 30 internações no total.
Valeu a Pena: E internações involuntárias, você acha válido?
Luciano: Muito válido foi através desta última que estou só por hoje em recuperação apesar de ter ido por vontade própria no segundo dia queria ir embora e me levaram para uma involuntária a mando da minha mana.
Valeu a Pena: Algo que pouco se fala, mas que é um fato comprovado é que o D.Q. quando está em recuperação, nos primeiros meses, acaba trocando uma compulsão pela outra, ou seja, ele transfere a sua compulsão pela droga por comida, sexo, a até mesmo religião. Você concorda com essa afirmação? Você se viu alguma vez inserido nesse quadro?
Luciano: Sim, concordo. Namorei uma moça e logo terminei pois na noite das 22 até as 10 horas foram 10 relações e isso é algo que pode me derrubar, me centrei novamente e terminei mesmo. Então, com certeza temos que nos vigiar para não trocar uma compulsão por outra e depois voltar para as drogas.
Valeu a Pena: OS doze passos, você os seguiu? Acredita na funcionalidade dele?
Luciano: Sou um seguidor dos 12 passos e defensor, pois, com ele estou em recuperação e acredito só por hoje na funcionalidade dele, pois está salvando milhões de vidas.
Valeu a Pena: É sabido que a família e/ou os mais próximos acabam se tornando codependentes do Dependente Químico, criando um ciclo vicioso onde a própria família cria justificativas para o que ela está passando e com isso, muitas vezes o codependente sem querer acaba prejudicando o D.Q. Em sua opinião, hoje que você está do lado de cá, o que um codependente não deveria fazer? O que ele faz achando que está ajudando e no fim só está piorando a situação?
Luciano: O que não deve fazer? Ajudar o adicto a usar droga, dar dinheiro, pagar traficante, abrir a porta da casa a noite, emprestar o carro, ir na boca, deixar usar em casa, tirá-lo da cadeia, dar comida, deixá-lo morar em casa sem ajudar em nada.
Valeu a Pena: Para você, qual é a importância dos grupos de auto-ajuda na recuperação do Adicto e na permanência dele nessa nova condição: A de um dependente em recuperação?
Luciano: É essencial para o adicto frequentar um NA ou AA, escolher uma espiritualidade, ter um padrinho ou uma madrinha.
Valeu a Pena: Qual é o papel da sua família na sua recuperação diária?
Luciano: O papel da minha família é fundamental hoje, pois eles me dão amor, estrutura e seu que posso contar com eles a hora que precisar, pois, sozinho eu não consigo.
Valeu a Pena: Qual é o papel da Espiritualidade na sua recuperação?
Luciano: É através de um poder superior maior que para mim é Deus que consigo só por hoje ter forças para continuar e que consigo exercer os doze passos corretamente e consigo ver e sentir as bençãos que Deus me dá a cada dia, como por exemplo estar respondendo estas questões, eu seu que é Ele agindo aqui em mim e aí em você.
Valeu a Pena: Luciano, hoje, o que você já conquistou após ter decidido viver sem as drogas? O quanto a sua vida mudou. Exemplifique para nós, para que outras pessoas possam ver que existe vida após as drogas.
Luciano: Hoje sou amado pela minha família, posso entrar e morar em todas as casas, meus familiares me querem por perto, minha ex, meu filho passa finais de semana comigo, dirijo os carros da família, tenho roupas boas, celular, perfumes, encontrei e conheci Jesus Cristo, sou pregador de comunidade, conselheiro terapêutico, registrado em carteira, trabalho na soconsult, vou à congressos como o do dia 31 de Agosto que é o mundial de drogas e psicode, faço cursos como o da Febract, voltou a minha sanidade através de Deus, acordo sem ressaca moral e física, sou bonito por fora e por dentro, enfim, se eu for enumerar fico até amanhã (rs).
Valeu a Pena: Em algumas palavras, defina a Oração da Serenidade, o que ela significa para você?
Luciano: Significa simplesmente que tenho que aceitar as pessoas como são, pois não as posso modificar e devo ter coragem suficiente para me modificar, pois, é o que preciso.
Valeu a Pena: Eu sei que quando entramos em recuperação, tanto ao dependente químico quanto o Codependente, aprendemos a viver o Só por hoje, mas, acredito que isso não significa que não podemos ter sonhos com amanhã, então, qual o seu sonho em termos de futuro? Vivendo um dia de cada vez, aonde pretende chegar?
Luciano: Querer ser um grande homem no sentido de ajudar o máximo de pessoas com meu testemunho e me aprimorar em cursos, faculdade de psicologia e sendo assim, a princípio trabalhar em clínicas de recuperação e quero escrever um livro um dia, com a ajuda de alguém, pois sozinho eu não consigo, quero casar com uma mulher boa, quero ser o herói para o meu filho depois de Deus, quero nunca mais só por hoje ser chamado de monstro, lixo, louco, doido e etc e ser amado pela minha família.
Valeu a Pena: Fique à vontade para fazer as suas considerações gerais e comentar o que acha ser importante na recuperação de um dependente.
Luciano: Quero agradecer a você por estar nessa luta para ajudar os codependentes e dependentes. O mais importante na recuperação é o AMOR. Doses de amor, assim como alguns precisam de remédios, nós precisamos de amor, pois sem o amor não iremos conseguir nada, então, amem seus filhos, esposos, mas é um amor exigente, amem quando merecerem e amem mais ainda quando não merecerem mas amem exigindo que correspondam esse amor.
Então, o amor é o principal instrumento para um adicto permanecer em recuperação.
Valeu a Pena: Se quiser deixar seus contatos, e-mail, Facebook e por aí vai, fique à vontade!
Luciano: Deixo os meus contatos para palestras, clínicas e ou novas propostas de trabalho:
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Valeu a Pena: Obrigada Luciano, pelo seu tempo e sinceridade ao responder as perguntas para o blog, sei que estamos (eu e todas as companheiras e companheiros de blogs) mais um aliado na luta contra esse mal.
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GIULLIANA FISCHER FATIGATTI
às
21:32
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