E assim, a semana foi se passando, eu não saía de casa para nada,
passava o dia todo na frente do computador, lendo e tentando
entender, eram tantas informações, muitas não compreendi na época,
como sobre a codependência, eu havia visto em vários sites, tópicos
direcionados para esse assunto, mas não dei a importância que deveria
ter dado, eu estava me tornando uma codependente e não estava me
dando conta disso.
Em um dos milhares de sites que entrei para ler sobre o assunto, na
primeira página dizia: “A dependência química não tem a ver com
errar, com ser estúpido ou mau caráter, tem a ver com sofrimento e
necessidade de ajuda”. Mais tarde, vim a descobrir que o problema
não era ele usar drogas, não era isso que o tornava doente, o problema
era ele estar adoecido existencialmente, era os sentimentos e emoções
que ele tinha que o tornava doente e por vontade própria o levou a
buscar força e consolo nas drogas. Descobri que tratava-se de um
assunto psicológico e científico.
Estávamos nos falando todas as noites, ele dizia que estava bem, que
não estava sentindo falta e nem vontade, dizia apenas que sentia
saudades de mim, isso fazia eu me sentir especial para ele novamente,
cada vez em que nos falávamos, era como se meu coração fosse se
quebrar em pedaços, a dor era tão intensa, a saudades e a vontade de
estar perto eram tão fortes que eu me agarrava às lembranças boas
para ter forças, eu sabia que ele precisava de mim e eu também
precisava dele.
(Trechos do livro Valeu a Pena )
Eu me tornei uma codependente sem saber que era, eu estava buscando informações na internet para tentar entender a doença do meu então namorado adicto, mas, eu não sabia que um/uma codependente também precisa de ajuda e acompanhamento, eu estava 100% focada na recuperação e doença dela, e isso fez com que eu me afundasse em minha doença, e os sinais dela, já estavam aparecendo como no trecho acima, onde eu literalmente me sentia feliz ao ouvi-lo dizer que estava com saudades, ele estava na casa da irmã em outra cidade, cerca de 4 horas de distância, após ter tentado suicídio (já fiz uma postagem sobre esse dia), eu estava com saudades dele e com medo do que iria acontecer dali em diante e saber que ele também sentia saudades era capaz de acalmar a minha "doença", eu estava tão dependente dele quanto ele de mim.
É, isso é ser codependente.
Aos poucos, agente vai entendo essa doença e vai refletindo a respeito e percebendo que precisamos de ajuda para poder ajudar, que se nos anulamos para poder ajudar, já estamos condenados a atrapalhar.
Ser codependente não tem nada de nobre ou heroico, não permitam que essa doença se instalem em suas vidas...
Uma quinta iluminada para todos nós.





















