sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ibogaína - Relato de quem já usou

Ibogaína: droga usada para curar a dependência

Tratamento é feito com uma dose de substância extraída da raiz de uma planta africana. Medicamento não é regulamentado pela Anvisa
(Gabriel Azevedo - Gazeta do Povo)

Diogo Nascimento Busse, 28 anos, era usuário de drogas. Du­­rante 13 anos, a vida dele foi semelhante à de outros usuários: mesmo estudando e trabalhando normalmente, passava dias fora de casa e chegou a sofrer alguns acidentes. Tentou inúmeros tratamentos psiquiátricos, psicológicos, medicamentos e internações. Nada deu resultado. Sem saída, mas com esperança de largar a dependência, há dois anos e meio, a curiosidade empurrou Busse para uma substância pouco conhecida no Brasil: a ibogaína.

Substância extraída da raiz da iboga, arbusto encontrado em países africanos, a ibogaína é usada para fins terapêuticos no país há dez anos, por uma única clínica, com sede em Curitiba. Nesse período, 130 usuários de drogas usaram o medicamento, Diogo foi um deles. Há dois anos e meio livre do crack, o advogado e professor universitário conta como foi a experiência. “Foi um renascimento. Foi uma viagem espiritual, de autoconhecimento, expandiu meus horizontes. É inexplicável. Hoje eu analiso o passado e não tenho lembranças positivas daquele tempo”, diz.

De acordo com o médico gastroenterologista da clínica Bruno Daniel Rasmussen Chaves, a ibogaína produz uma grande quantidade do hormônio GDNF, que estimula a criação de conexões neuronais, o que ajuda o paciente a perder a vontade de usar drogas. A ibogaína, segundo ele, também produz serotonina e dopamina, neurotransmissores responsáveis pelas sensações de prazer. A droga é processada na Inglaterra e vendida em forma de cápsulas. O preço de uma unidade, quantidade suficiente para o tratamento, gira em torno de R$ 5 mil.

As imagens que as pessoas enxergam enquanto estão sob o efeito da droga, segundo o médico, são sonhos. “Não se trata de alucinações, a ibogaína não é alucinógena. É como sonhar de olhos abertos, só que durante muito tempo. Durante o sono temos apenas cinco minutos de sonhos a cada duas horas. Com a ibogaína são 12 horas”, explica Chaves.


Não é um milagre

Mesmo que os resultados sejam animadores – a taxa de recaída entre os usuários da ibogaína gira em torno de 15%, enquanto nos tratamentos convencionais varia entre 60% e 70% – a substância não é um milagre e nem faz tudo sozinha. De acordo com a psicóloga Cleuza Canan, que há mais de 30 anos trabalha com dependência química, os pacientes passam por três fases. “Avaliamos clinicamente e psiquicamente o paciente. Existe uma fase de desintoxicação. São necessários 60 dias de abstinência para o paciente ir para a ibogaína. Depois que ele toma, começa uma fase que consiste na reorganização e readaptação, com terapia individual e de grupo”, afirma.


A reportagem Gazeta do Povo conversou com ex-usuários de drogas que recorreram à ibogaína. Eles foram unânimes em afirmar que, depois de tomar a substância, nunca
mais tiveram vontade de se drogar. “Eu nunca mais tive vontade. Aquela fissura desapareceu. A droga é apenas uma lembrança, nada mais que isso”, diz um paciente que não quis se identificar. Segundo Cleuza, a recaída só é possível se o paciente mantiver os mesmos hábitos. “Se ele frenquentar os mesmos lugares, conviver com os mesmos amigos, achar que está imune”, explica.



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Ibogaína - A droga que cura o vício



A reportagem abaixo foi retirada do site Revista Galileu.

Ibogaína - a droga que cura o vício.
Da planta Iboga é extraída a Ibogaína, uma substância psicodélica que faz sonhar por 12 horas e é cada vez mais usada contra a dependência química.
(Fausto Salvadori)

Deitado numa cama, Wladimir Kosiski, 33 anos, viu, literalmente, sua vida passar como num filme — e descobriu que era um drama ruim. A abertura até prometia: cenas de sua infância e adolescência, o casamento, o emprego como vendedor em uma multinacional em Curitiba (PR), a faculdade, dois filhos... Mas, ao chegar aos 21 anos, o roteiro virava filme B, uma típica história de dependência de drogas, reprisando todos os clichês do gênero. O crack, então, roubava a cena: uma sequência previsível de empregos perdidos, faculdade abandonada e bens vendidos a preço de banana para pagar o vício. E sua carreira de vendedor em multinacional acabou enveredando para a vida de aviãozinho do tráfico em troca de alguns gramas de pedras.

O filme apareceu como uma espécie de sonho acordado durante as 48 horas que Wladimir passou sob o efeito da ibogaína, uma droga psicodélica, em uma clínica no Estado de São Paulo (que prefere não divulgar o nome). Durante esse tempo, ele ficou sonolento, mas plenamente consciente. Viu nítidas as imagens de sua vida, como se fossem projetadas em uma tela de LCD na parede do quarto, logo acima do médico que o observava sobre a cama. Quando o efeito passou, foi a primeira vez em anos que Wladimir acordou sem a fissura, o desejo incontrolável pela fumaça do crack que ataca os dependentes. Nem o desejo, nem as náuseas e nem as dores comuns desse tipo de abstinência apareceram. “Era como se eu nunca tivesse usado droga nenhuma”, diz o hoje administrador de empresas, que passou pelo tratamento e se livrou da dependência em 2007.

A substância que ajudou Wladimir é cada vez mais usada em terapias experimentais contra o vício. De 1962, quando começou a ser testada em dependentes químicos, até 2006, 3.414 pessoas usaram a ibogaína, obtida a partir da raiz de um arbusto africano, a iboga, para fins terapêuticos. Só nos últimos quatro anos, no entanto, 7 mil pessoas passaram pelas terapias, de acordo com dados preliminares de um estudo do Dr. Kenneth Alper, da New York School of Medicine, nos Estados Unidos. O número de tratamentos cresceu tanto que provocou uma escassez da substância, ainda produzida de maneira artesanal, no mundo.

AVAL DA CIÊNCIA> Boa parte dos cientistas torce o nariz diante da ideia de se usar uma fortíssima droga psicodélica para se tratar dependentes químicos. Porém, o crescimento no número de terapias bem-sucedidas e o início de novos estudos deram mais credibilidade à prática. Um deles começou em julho, conduzido pela Associação Multidisciplinar para Pesquisa de Psicodélicos (MAPS, na sigla em inglês), de Santa Cruz, na Califórnia. De acordo com a entidade, trata-se da primeira pesquisa sobre os efeitos de longo prazo da ibogaína na luta contra o vício. O levantamento é feito em cima de usuários de heroína, tratados com a droga por uma clínica do México, a Pangea Biomedics. O interesse dos pesquisadores surgiu após estudos que mostram os benefícios da prática. “Há cada vez mais aceitação por parte da comunidade científica”, afirma Randolph Hencken, diretor de comunicação da MAPS. Os pacientes da Pangea são, em boa parte, americanos que cruzam a fronteira para receber um tratamento considerado ilegal nos EUA (embora a pesquisa seja permitida por lá). A ibogaína também é proibida na Dinamarca, na Bélgica, na Suécia e na Suíça. Já no Gabão, é considerada tesouro nacional. Na África Central, curandeiros usam a raiz em rituais contra as chamadas “doenças do espírito”.

Um deles, da religião Bouiti no Camarões, faz com que o participante coma uma grande quantidade de iboga (que pode chegar a 500 g) enquanto um grupo canta, toca e dança a noite inteira. A cerimônia de três dias pode produzir um coma induzido — o que é entendido como uma viagem ao mundo dos mortos. O objetivo, dizem, é receber revelações, curar doenças ou comunicar-se com aqueles que já morreram. Trabalho da antropóloga paulistana Bia Labate, que estudou a droga, afirma que “acredita-se que os pigmeus tenham descoberto a iboga em tempos imemoriáveis”.

A primeira pesquisa brasileira no assunto está prevista para começar no ano que vem, sob orientação do psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ainda que os resultados sejam positivos, não há chance de cápsulas de ibogaína chegarem às farmácias tão cedo. “Sob estrita supervisão médica, a droga poderia se tornar um medicamento, mas custaria milhões de dólares em estudos e ainda não há investidores para tanto”, diz Hencken. 

O EFEITO> Ainda não se sabe exatamente como essa substância atua no combate à dependência, mas dezenas de pesquisas em animais e humanos indicam que age em dois níveis: tanto na química cerebral como na psicologia do dependente. Por um lado, a droga estimula a produção do hormônio GDNF, que promove a regeneração do tecido nervoso e estimula a criação de conexões neuronais. Isso permitiria reparar áreas do cérebro associadas à dependência, além de favorecer a produção de serotonina e dopamina, neurotransmissores responsáveis pelas sensações de bem-estar e prazer. Isso explicaria o desaparecimento da fissura relatado pelos dependentes logo após sair de uma sessão.

Na outra frente, a ibogaína promoveria uma espécie de psicoterapia intensiva ao fazer o paciente enxergar imagens da própria vida enquanto a mente fica lúcida. Estas visões não seriam alucinações, como as imagens de uma viagem de LSD. É como sonhar de olhos abertos, o que ajudaria os dependentes a identificar fatores que os teriam empurrado para as drogas em determinados momentos da vida. Estudos com eletroencefalogramas feitos pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, apontaram que ondas cerebrais de um paciente que tomou ibogaína têm o mesmo comportamento daquelas de alguém em REM (a fase do sono em que sonhamos). “O sonho renova a mente e, se no sono comum temos apenas cinco minutos de sonho a cada duas horas, na ibogaína são 12 horas de sonho intensivo”, aponta o gastroenterologista Bruno Daniel Rasmussen Chaves, que estuda o tema desde 1994 e participará da pequisa da Unifesp.

RISCOS> No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que não há restrições legais à ibogaína, mas seu uso como medicamento não está regulamentado. Por isso, os tratamentos são considerados experimentais e as clínicas não fazem propaganda. A importação é feita pelos próprios pacientes, que pagam cerca de R$ 5 mil por uma sessão com o derivado da raiz. Após passar por exames médicos, o dependente ingere as cápsulas, deita-se em uma cama e deixa sua mente navegar pelos efeitos, que podem durar até 72 horas. Durante esse tempo, médicos monitoram o paciente. Vale dizer que a literatura médica registra 12 óbitos associados ao uso de ibogaína nas últimas quatro décadas, provocados por diminuição na frequência cardíaca (o equivalente a uma morte a cada 300 usuários). No entanto, estudos de Deborah Mash, neurologista da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, que já acompanhou o tratamento de cerca de 500 pacientes, apontam que não há registro de morte por ingestão de ibogaína em ambiente hospitalar. É preciso que o paciente chegue “limpo” à sessão. “As mortes registradas ocorreram em tratamentos de fundo de quintal, em que as pessoas fizeram uso concomitante de ibogaína e outras substâncias”, afirma Chaves.

NÃO HÁ FÓRMULA MÁGICA> Estudiosos e pacientes avisam: a droga não é uma poção mágica. Para se livrar da dependência, Wladimir Kosiski aliou o tratamento à psicoterapia e mudança drástica de hábitos. Voltou a trabalhar, a estudar e nunca mais pisou no local onde comprava crack. Não foi isso o que fez o professor Gilberto Luiz Goffi da Costa, 44 anos, que se tratou com ibogaína pela primeira vez em 2005. Viciado em drogas desde os 14 anos, Gilberto já acumulava 18 tratamentos fracassados contra dependência. Volta e meia, dormia nas ruas de Curitiba e praticava roubos para comprar crack: já havia sido preso cinco vezes. Após usar ibogaína, achou que estava curado. “Tive uma sensação de bem-estar, mas é um efeito que se perde depois”, afirma. Estava livre do desejo, mas continuou a frequentar os mesmos ambientes e amigos com quem dividia drogas. Em pouco tempo, foi dominado novamente pelo crack. “A ibogaína retira a fissura, mas a pessoa pode continuar a usar droga mesmo sem vontade, como alguém que estraga um regime por gula, não por fome”, diz Chaves. Gilberto só conseguiu permanecer “limpo” após a terceira vez que se tratou, em 2008, quando aliou a substância a uma troca completa de atitudes, seguindo o método dos Narcóticos Anônimos. Sem consumir drogas há dois anos, hoje dá aulas de línguas e é consultor no tratamento de outros dependentes. Ao contrário da viagem pelo mundo dos mortos em uma sessão dos rituais africanos, a ibogaína ajudou o curitibano, pouco a pouco, a permanecer no mundo dos vivos. 

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ibogaína - Considerações gerais



Já faz algum tempo que venho pesquisando sobre o uso da Ibogaína no auxílio do tratamento contra a dependência química, na verdade, ouvi a respeito pela primeira vez em um capítulo de um seriado americano que passa na tv paga chamado Lei e Ordem (Law & Order), nesse capítulo, um psiquiatra forense levou um garoto dependente de heroína para uma clínica de reabilitação para receber a aplicação dessa tal ibogaína, pois, segundo ele, ela livraria o garoto da dependência pois, eles precisavam do depoimento desse garoto e então como esperado, o garoto toma a tal ibogaína e fica limpo.

A verdade é que sabemos o quão difícil é para quem está em adicção ativa, tanto para o dependente quanto para a famíla do mesmo, com isso, de tempos em tempos, aparece alguma novidade promissora no tratamento contra as drogas e o alcóol, o tratamento com a ibogaína já vem sido feito há algum tempo, embora não se tenha ainda a total certeza e comprovação científica que funciona.

Bom, algumas pessoas me disseram que funciona de fato, que essa planta/raiz é capaz de inibir a vontade do uso da droga, mesmo a longo prazo. Uma pessoa que conheci atraves do blog, que trabalha com dependência química em um CAPS AD, me disse que ele mesmo conhece pessoas que fizeram uso da ibogaína que estão bem, recuperados, incluive, ele me ajudou com minha pesquisa, me fornecendo alguns sites quue falam a respeito.Vou postar aqui algumas informações que encontrei na internet e abaixo alguns sites de referência, com os prós e contras.

A iboga é um arbusto com uma raiz subterrânea  é composto de várias espécies. A que mais tem interessado no tratamento da dependência química é Tabernanthe iboga, encontrada nos Camarões, Gabão, República Central Africana, Congo, República Democrática do Congo, Angola e Guiné Equatorial. Algumas espécies animais, entre as quais os mandris e os javalis, alimentam-se das raízes da iboga para conseguir efeitos entorpecentes. Imagina-se que os pigmeus descobriram a eboka (iboga) observando o comportamento desses animais. Até hoje, estas populações utilizam a iboga em seus ritos.

Em 1962, Howard Lotsof, um jovem dependente químico de heroína, acabou descobrindo, por acaso, a iboga na África. Após uma viagem astral de 36 horas, relatou que perdeu o desejo de consumir heroína por completo. Em 1983, Lostsof relatou as propriedades antiaditivas da ibogaína e em 1985 obteve quatro patentes nos EUA para o tratamento de dependências de ópio, cocaína, anfetamina, etanol e nicotina. Fundou o International Coalition for Addicts Self Help e desenvolveu o método Endabuse, uma farmacoterapia experimental que faz uso da ibogaíne HCl, a forma solúvel da ibogaína. Através da administração de uma única dose, cujo efeito dura dois dias, haveria uma atenuação severa dos sintomas de abstinência e uma perda do desejo de consumir drogas por um período mais ou menos longo de tempo.
O número de tratamento de dependentes químicos com a ibogaína está crescendo tanto que vem provocando escassez da planta que ainda é produzida de maneira artesanal.

Os efeitos dessa planta ainda estão sendo estudados, mas pesquisas feitas em humanos e animais indicam que a droga age em dois sentidos, por um lado ela age na química cerebral, estimulando a produção da proteína GDNF, que promove a regeneração do tecido nervoso e estimula a criação de conexões neuronais. Isso permitiria que áreas do cérebro relacionadas com a dependência fossem reparadas e estimularia a produção de neurotransmissores responsáveis pela produção do prazer, a serotonina e a dopamina. São essas substâncias que podem explicar o desaparecimento da fissura pela droga relatados por dependentes logo após saída de uma sessão.

Os tratamentos com ibogaína não são autorizados nos Estados Unidos, Reino Unido, França ou Suíça. Mesmo assim, têm sido adotados clandestinamente. No Panamá, a instituição liderada por Lotsof cobra 15 mil dólares; na Itália, o custo é de 2.500 dólares, e, nos EUA, o tratamento varia entre 500 e 2.500 dólares. Em Israel, a iboga está sendo pesquisada para uso no tratamento da síndrome de pós-guerra que afeta os soldados.

Para quem quiser ler mais a repeito, veja os links abaixo:
http://ibogabrasil.wordpress.com/2011/03/11/diretrizes-para-utilizacao-da-iboga-ibogaina/
http://www.saudeeforca.com/tratamento-da-dependncia-qumica-a-iboga-nova-esperana/
http://banzzi.blogspot.com/

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CODEPENDÊNCIA - SEGUIR EM FRENTE


A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas
só pode ser vivida olhando-se para frente.
(Soren Kierkegaard)


Hoje recebi um e-mail de uma pessoa que há semanas atrás havia me escrito para contar a sua história, essa pessoa estava com medo pois havia descoberto que quem ela amava estava no mundo das drogas. Bom, trocamos vários e-mails e eu tentei expor para ela a importância dela procurar ajuda especializada, e assim ela o fez. Dias depois, ela me escreveu dizendo que tudo parecia estar entrando nos eixos, ele, o seu marido estava se permitindo ser ajudado e ela estava esperançosa.

No e-mail de hoje, senti uma forte tristeza por ela estar passando pelo o que eu já passei. Ele, o marido, ainda não encontrou o seu caminho e nós sabemos que essa jornada muitas vezes pode ser longa e com isso ela está conhecendo um lado dele que ela não conhecia, ele agora a culpa por tudo o que está havendo. (Atitude típica de um adicto, não é um caso particular).

Ela me escreveu contando o que está havendo e me perguntou como eu consegui seguir a minha vida. Pois bem, esse post trata-se disso, SEGUIR EM FRENTE.

Eu não acho que existe um momento certo ou uma regra que faz com que tenhamos certeza de que é o momento de seguirmos em frente, é um momento individual e único de cada um, e comigo não foi diferente.

Eu estava em uma jornada de anulação, de auto sabotagem, de frustrações e decepções. Eu já estava dominada pela codependência e o sentimento de impotência já havia se instalado em minha vida.

Cerca de dez quilos mais magra, sem vontade de me arrumar e nem mesmo pentear o cabelo, com dificuldades em me concentrar na faculdade, na época eu estava no primeiro ano de Psicologia, eu tremia e paralisava toda vez que o telefone da minha casa tocava, podia ser alguma notícia ruim do tipo ele foi preso, ou teve orvedose e enquanto esteve internado o toque do telefone representava a fuga dele da clínica. Esse era o quadro da minha codependência.

Eu simplesmente percebi com o passar do tempo que eu precisava fazer algo por mim, ele estava internado e e a minha doença era tão forte que passei a sofrer até por ele estar internado, porque teoricamente eu não tinha mais preocupações, isso tornava a minha vida sem sentido, eu vivia a dependência dele, eu era dependente dele e ele estando longe, eu me sentia vazia, eu já havia me acostumado com as noites sem dormir, já havia me acostumado a não comer e a não ter mais vida própria.

Não foi de um dia para o outro que minha vida começou a mudar, mas, gradativamente, eu fui voltando à minha vida antiga, com a ajuda de amigos e da minha família, eu fui percebendo que ele precisava seguir sozinho nessa jornada, que eu adoecida, nada poderia ajudá-lo, era eu ou a minha codependência em questão e eu escolhi a mim. Essa foi a minha escolha.

Culpa? Senti por muito tempo, e ainda sinto,foi difícil eu me perdoar por ter escolhido a mim, eu fui egoísta para conseguir me salvar e eu tive que aprender a conviver comigo mesma, com meus medos, minhas fraquezas, meus fantasmas.Hoje, eu sei lidar com tudo isso, hoje eu sei que fiz o que tinha que ser feito, tanto em ajudá-lo quanto em parar de ajudá-lo.

Hoje, sou casada, tenho uma filha e uma relação saudável com meu marido, mas, acreditem, eu luto constantemente contra a minha codependência, ela deixou marcas em minha personalidade que tive que aprender a lidar com elas, eu carreguei comigo o sentimento de que eu tinha sido trocada por drogas e isso tive que trabalhar quando iniciei a relação com meu marido, e é por isso que eu falo que a codependência é como a dependência, não tem cura, porém recuperação.

Eu segui em frente, hoje, sem arrependimentos, para mim, valeu a pena tudo o que eu fiz e vivi.

Eu segui em frente por não ter mais forças, foi um ato de desespero e de vontade de viver, somente isso.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

PLANO DE PREVENÇÃO À RECAÍDA - TERENCE GORSKI

O PPS abaixo é referente ao Plano de Prevenção à Recaída, escrito por Terence Gorski, ele é estudioso e especialista na área de dependência química, tanto alcoólica quanto outras drogas. O texto foi escrito primeiramente para ser aplicado aos dependentes de álcool de posteriormente viu-se que surtiria efeitos também com os dependentes de outras drogas.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Recuperação


 Se uma pessoa falha em aprender com seu próprio passado, 
ela está condenada a repetí-lo.
(Terence Gorski)

Ao procurar no dicionário o significado para a palavra RECUPERAR, encontrei a seguinte definição: Reaver o que se perdeu. Ou seja, a palavra nos faz pensar em algo que está no passado, algo que tínhamos e que perdemos.

Antes de mais nada, é preciso compreender que para que haja a recuperação de um adicto, não basta apenas parar com o comportamento compulsivo, é preciso entender que esse comportamento não surgiu do nada, ele teve uma causa, e é essa causa que precisa ser tratada, precisa ser olhada com muita cautela, caso contrário, mesmo após anos e mais anos em recuperação, na primeira decepção amorosa ou profissional por exemplo, o dependente corre um grande risco de recair, isso porque ele não estava recuperado emocionalmente.

Para haver a recuperação, é preciso haver compreensão do motivos que levaram o dependente ao uso das drogas, é preciso mudar as atitudes, companhias e ambientes frequentados.

O processo de recuperação é longo e muitas vezes sofrido, o dependente passa a enxergar os seus erros e precisa aprender a lidar com eles, precisa se perdoar por tudo o que foi feito no passado para a partir daí, focar no presente e trabalhar o seu emocional para conseguir lidar com seus fantasmas, seus medos, suas frustrações.

O adicto, na maioria das vezes, se sente sozinho, imerso em sua própria confusão, em um mundo distante e vazio e quando inicia o processo de recuperação, ele demora a perceber que não está sozinho, embora esse processo seja algo individual onde ninguém poderá fazer por ele, é também um processo de coletivo, onde a família e os mais próximos são de extrema importância para a recuperação dele.

Na recuperação, o "método" da identificação é de extrema importância, quando o dependente que está iniciando o processo de recuperação vê através de exemplos de quem já passou pelo o que ele passou e que hoje está bem, está em um processo de recuperação diária, o Só Por Hoje, esse dependente que está iniciando a sua jornada de recuperação se identifica com esse outro que já está nela, fazendo com que ele perceba que há saída, que há vida após as drogas, por isso, o adicto que já está em recuperação é uma das pessoas que melhor pode ajudar o adicto a se recuperar.

O mais importante nesse processo todo é que se ele se iniciou, significa que o adicto reconheceu que está doente, seja por vontade própria ou devido a um grande fato que tenha ocorrido, como por exemplo uma overdose, assim como para o alcoólotra, um acidente da carro por estar conduzindo embriagado, é o chamado fundo do poço, onde não se pode cavar além dele. 

Eu chamo de fundo da piscina, pois acredito que quando a pessoa chega lá no fundo e está prestes a se afogar, ela é acometida por uma súbita vontade de viver e então dá um impulso com seus pés no fundo, fazendo com que ela retorne à borda e volte a respirar.

"Para recair não precisa muito, mas pare se recuperar, é uma vida toda".

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Jovem dependente destrói a casa com marretas

Acabei de ler uma notícia de um fato ocorrido em São José do Rio Preto, onde um jovem de 27 anos, dependente de drogas destruiu a sua casa com marretadas, ele destruiu desde o mura da casa até os móveis e eletrodomésticos.

A mãe do rapaz disse que ele  usa drogas (crack e cocaína) desde os sete anos e que a vida deles é um inferno, de dia o rapaz dorme e de noite vai para as ruas.
Ele está internado em um centro de atendimento psicossocial da cidade, enquanto a prefeitura da cidade tenta uma vaga para ele em um Hospital psiquiátrico.
 
Coitada dessa mãe, dessa família... Esse rapaz precisará de muita ajuda, são vinte anos nesse mundo, ele não deve ter nem mais esperanças de que sua vida seja diferente, ele não deve nem saber que existe vida sem drogas. 

Como julgá-lo, se ele está doente? Não podemos, ele está entregue, cavando o seu buraco, ele não tem mais nenhum poder sobre sua vida.

Como vamos querer que ele decida sozinho parar ou pedir ajuda? Ele não tem mais esse poder de decisão, assunto esse que discuti no post O Poder de decidir -  http://livrovaleuapena.blogspot.com/2011/06/o-poder-de-decidir.html

Agora só falta o Ministério da Saúde divulgar uma nota falando que há outros meios de tratamento sem ser a internação.


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domingo, 19 de junho de 2011

O conciliador - Mãe pede ajuda para tratar o filho dependente de crack

Faz cerca de uma hora que a reportagem do Fantástico, O Conciliador acabou e eu ainda estou digerindo a mesma, ainda estou sob o efeito de revolta e repulsa que senti ao ver essa reportagem.

Uma mãe, desesperada, lutando contra a dependência do filho há quinze anos, endividada por não conseguir ver o seu filho mais novo se destruir, por não conseguir ver seu filho se matar lentamente dia após dia e por isso se afundou em dívidas com o plano de saúde, no caso a Unimed BH e com a clínica de reabilitação que seu filho esteve internado, ela buscou a ajuda do quadro do programa com a intenção de conseguir a melhor forma de honrar com suas dívidas e continuar com o tratamento do filho.

A Unimed através do seu representante, em nenhum momento demonstrou o mínimo de compreensão perante a situação daquela mãe, mas, se você procurar no You Tube, vídeos com comerciais da Unimed, encontrará vários, com mensagens lindas, inspiradoras, nos fazendo sentir importantes para eles, e quando de fato há uma situação que eles podem pelo menos serem mais "abertos", se mostram uma empresa com "E" maiúsculo, ou seja, onde o importante é o capital, o dinheiro e não venham por favor me dizer que isso é óbvio, porque ela é de fato uma empresa e consequentemente visa o lucro, não sou hipócrita, sei que ela é uma empresa e não uma casa de caridade, por isso não estou indignada por achar que eles poderiam amortizar a dívida daquela mãe, estou indignada pela falta de flexibilidade da parte deles, vista na reportagem, a Unimed simplesmente não estava disposta a ceder em parte alguma, para ela a parte dela estava feita ao conceder o desconto (que por sinal, não foi nada de extraordinário), cem reais mensais para eles, pode não ser nada, mas, para aqueles pais significa auxílio ao seu filho que está ADOECIDO e que lentamente cava a sua própria cova.

Ainda bem que, como tudo na vida, sempre tem algo bom para compensar o ruim, parabéns pela clínica, por PERDOAR a dívida em questão e ainda por oferecer tratamento novamente para o filho daquela senhora, sem nenhuma despesa.

O que motivou a clínica a fazer isso, não importa, se foi "autopromoção", ou de fato "consciência social", isso para quem esta sofrendo com os filhos nas drogas, é o de menos, desde que o tratamento oferecido seja de qualidade e que traga benefícios.

Para arrematar, para me deixar mais indignada, em nota, o Ministério da Saúde explica que o governo não vê a internação como única forma de tratamento para a dependência química. 

Então, para o caso dessa mãe, o que eles sugerem, o que o governo tem a oferecer?

Eu concordo que há outros meios, aqui mesmo no blog, na entrevista que fiz com um D.Q. que hoje está limpo há um bom tempo, ele conta que não precisou de internação para se livrar das drogas, mas, nem sempre é assim que acontece, às vezes, a internação é necessária, às vezes é por causa dele que o dependente se torna consciente da sua doença e se permite ser ajudado, decide se ajudar.

Esse, foi só um caso, mas, há milhares de mães desesperadas, na mesma situação e o que é feito a respeito?

Segue o link da reportagem http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1665267-15605,00-MAE+RECORRE+A+CONCILIACAO+PARA+TRATAR+FILHO+DEPENDENTE+DE+CRACK+HA+NOVE+ANO.html

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Por que Valeu a Pena?


Algumas pessoas, normalmente as que ainda não leram o livro, me perguntam porque o título do livro é Valeu a Pena, o que foi que me motivou a escolher esse nome, e para explicar, fiz esse post. 
Muitos escritores falam que escolhem o título do seu livro, após terem praticamente concluído suas obras, alguns, escolhem durante, ou seja, enquanto ainda estão escrevendo e poucos, antes de começar a escrever. Esse foi o meu caso, eu escolhi o título para o meu livro, para a minha história, muito antes de começar a escrevê-lo, muito antes de criar coragem de remexer no baú esquecido das minhas lembranças e trazer à tona momentos que eu havia feito questão de esquecer.

E como foi feita essa escolha se o livro nem havia começado?

Um dia, há anos atrás, vendo uma reportagem sobre drogas, eu me lembrei de algumas situações que vivi enquanto namorava um dependente químico e nesse momento, uma espécie de filme passou pela a minha mente e no fim desse filme, eu pensei: - Valeu a pena.

O que isso quer dizer?

No começo do meu livro, antes mesmo do prólogo, há um texto, uma homenagem para "Ele", o meu ex-namorado, um dependente químico e para quem ainda não leu o livro e quiser ler o texto, no site http://www.clubedeautores.com.br/book/42747--Valeu_a_Pena é possível ler as primeiras vinte e cinco páginas, o texto a qual me refiro está na página cinco. Eu começo ele dizendo: 

"Eu conheci um anjo"

Pode parecer contraditório, pode parecer estranho, anjo e dependência química são palavras que parecem não combinarem, e essa foi a intenção, de gerar essa dúvida em quem está lendo. Eu comecei dizendo que conheci um anjo, porque de fato ele foi para mim um anjo, eu quero mostrar para quem está lendo que o Dependente Químico não é um marginal, um delinquente ou um vagabundo, como muitos pensam, eu quero desmistificar essa ideia preconceituosa. Eu termino o texto dizendo:

"É só uma questão de tempo, eu sei que esse anjo encontrará o seu caminho, seguindo a luz que vem do céu, seguindo a ordem Divina de que ele veio à Terra para ser feliz e não para sofrer.
Eu conheci um anjo e por tudo o que vivi, eu digo que valeu a pena "

Talvez, você tenha lido tudo isso e ainda sim esteja se perguntando: - Mas afinal, porque valeu a pena?

E eu digo que VALEU A PENA porque mesmo diante de todo o sofrimento vivido, mesmo após noites sem dormir, dias de medo e angústia, lágrimas que saíram e lágrimas que não conseguiram sair, mesmo depois de achar que tudo estava perdido, eu descobri que VALEU A PENA porque ao relembrar e reviver em minha mente, muitas das situações vividas, eu consegui sorrir, eu consegui me lembrar que houve também bons momentos, momentos de coragem, de alegrias e superações.
Então, cheguei a conclusão de que em qualquer situação, não importa qual, se depois que ela passar, você se lembrar dela e conseguir sorrir, mesmo que ela tenha sido dolorosa para você, isso significa que VALEU A PENA.

Eu espero que você tenha muitos motivos para dizer que VALEU A PENA!

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Hoje, sem postagem

Caros leitores,

Hoje não postarei nada, me desculpem, mas minha filhinha não está muito bem, foi um dia corrido, três médicos em um único dia, estou cansada e amanhã para ajudar vou ter que acordar muito cedo e ficarei fora o dia todo, por isso, acho que voltarei a escrever somente no domingo.
Então, até domingo.
Um ótimo sábado para todos.
Abraços
Giulliana

Suicídio



Os trechos abaixo foram tirados do livro, capítulo 5 - Desespero

...Ele abriu a porta e meus olhos se chocaram com o que estava vendo, ele estava sem camiseta, foi em direção à sua cama e sentou-se de cabeça baixa. Precisei respirar fundo para conseguir dar mais um
passo dentro de seu quarto e fechar a porta atrás de mim, eu estava em choque, seu corpo estava todo cortado, seus braços e pulsos também, aquilo ia além do que eu podia aguentar, não tinha estômago para ver aquilo, mas não tinha escolha, ele precisava de mim e eu tinha que aguentar firme por ele. (Pág. 37)

...Eu o abracei, sem conter as lágrimas que deslizavam pelo meu rosto, eu disse baixinho em seu ouvido que iríamos passar por aquilo juntos, seja lá o que fosse, que ele não ficaria sozinho, eu prometi a ele que estaria do lado dele. Ele retribui o abraço me apertando mais forte contra o seu peito todo marcado, com minha cabeça encostada em seu ombro senti que  ele também estava chorando, pois as lágrimas haviam escorrido pelo seu rosto até a direção do pescoço, ele parecia não querer me soltar e eu ficaria ali, encostada nele o quanto fosse necessário. (Pág. 38)

Eu entrei no quarto dele e  o que eu vi, me fez querer sair correndo de lá, estava mais do que explícito que "Ele" não estava querendo chamar a atenção, ele estava querendo mesmo se matar, ele falhou na tentativa, porque chegaram a tempo, mas, as marcas em seu corpo mostravam a realidade. Se ele tivesse apenas cortado seu corpo, seria uma espécie de auto-flagelação, mas, havia cortes profundos em seus pulsos, quando entrei no quarto dele, ainda escorria sangue pelos seus braços, alguém que quer apenas chamar a atenção, não corta os pulos, pode cortar o corpo todo, mas os pulsos e a garganta não. 

Foi assim que eu o vi, me senti impotente perante àquela situação, ele precisava de mim e eu tinha que me manter firme, mesmo querendo fugir de lá. Eu sabia que sermões ou repreensões não serviria de nada naquele momento. Ele estava adoecido e a tentativa de suicídio era consequência dessa doença. A única coisa que eu queria naquele momento era ter a certeza de que não aconteceria novamente. Eu o abracei e juntos choramos, eu por estar assustada e com medo e ele por estar desesperado.
 
Tempos depois desse acontecido, vim a aprender que forte depressão, pensamentos suicidas e ate mesmo tentativas de suicídios são comuns no caso da Dependência Química e ao contrário do que muitos pensam, quando ele, o Dependente tenta tirar a própria vida, não é um ato para chamar a atenção ou para que os envolvidos sintam pena dele, é um ato de desespero, é a fuga da própria fuga, levando em consideração que muitos começam a se drogar para "fugir" da sua realidade. Muitos falam que quem quer se matar, não ameaça, se mata de verdade, eu concordo com isso e por ter visto as consequências de uma tentativa frustrada de suicídio, posso afirmar que na grande maioria, naquele momento do ato, mesmo que seja por poucos segundos, o adicto de fato pensou em se matar. 

*Pessoas com histórico de abuso de drogas tem 50 vezes mais probabilidade de tentar suicídio dos que nunca usaram. E mais de 40% dos suicidas tem histórico de abuso de alguma droga, seja ela álcool ou alguma outra.

 O ato do suicido é a confissão de que o indivíduo foi vencido pela vida, que ele não fora capaz de compreendê-la. Na verdade, a dependência química e o suicídio caminham lado a lado, há uma espécie de fascinação do dependente pelo suicídio.

A verdade é que o usuário de drogas já está em um processo suicida, lentamente onde cada dia representa vários dias a menos na sua vida.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Esqueça - Para Refletir



ESQUEÇA
Esqueça os dias de nuvens escuras... 

Mas lembre-se das horas passadas ao sol .

Esqueça as vezes em que você foi derrotado...

Mas lembre-se das suas conquistas e vitórias.

Esqueça os erros que já não podem ser corrigidos...

Mas lembre-se das lições que você aprendeu.

Esqueça as infelicidades que você enfrentou...

Mas lembre-se de quando a felicidade voltou.

Esqueça os dias solitários que você atravessou...

Mas lembre-se dos sorrisos amáveis que encontrou...

Esqueça os planos que não deram certo...

Mas lembre-se de

SEMPRE TER UM SONHO...

(Autor Desconhecido)

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

É assim que ELA é


...Levantei a toalha rapidamente e ouvi o barulho, era uma latinha de
refrigerante, com um buraco grande na lateral e dentro pude ver algo
branco. Era a prova física do que eu já suspeitava. (Pág. 30)
... Por alguns segundos, fiquei parada, olhando para a latinha, como
se estivesse com medo dela, como se aquele objeto inanimado pudesse
me fazer algum mal. 


Foi a primeira vez que nos vimos, quem acompanha o blog, já leu algo sobre esse fato no post Ela estava ali, mas hoje falarei desse episódio, do dia em que a conheci.
Fazia pouco tempo que eu havia descoberto que ele estava usando drogas, mas, eu não sabia ao certo diferenciar uma droga da outra, fisicamente falando, nem diferenciar seus efeitos eu não era capaz, saber qual eram as consequências causadas por elas, eu não sabia.

Tão logo eu descobri, as promessas de que ele iria parar começaram, eu na minha ingenuidade não sabia que parar era algo tão difícil, ainda mais se tratando de CRACK, uma droga que eu desconhecia totalmente os seus poderes.

Era domingo de Natal, eu já havia sofrido o suficiente na noite anterior, quando ele desapareceu para consumir sua droga, me deixando a espera dele, para passarmos o Natal juntos. Após lágrimas,promessas e uma noite mal dormida, tudo parecia estar normal na manhã seguinte. É claro, eu não entendia da gravidade do assunto para desconfiar que aquilo era só o começo.

Estávamos na casa dele, aparentemente, tudo parecia estar bem, ele resolveu ir tomar banho para depois sairmos e então esse banho passou a ser longo demais, fazendo com que eu me incomodasse e fosse até a porta do banheiro chamá-lo.

Naquele momento, eu soube que algo estava errado, as batidas na porta do banheiro chegaram a deixar minhas mãos dormentes, eu isnsiti até que ele a abriu e eu entrei, e foi assim que a conheci.

Ela estava escondida, uma toalha estava sobre ela, algo me disse que aquela toalha não devia estar lá e então nos conhecemos, uma latinha de refrigerante, coca-cola para ser específica, um buraco com bordas queimadas em volta e dentro dela uma pedra branca.

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terça-feira, 14 de junho de 2011

A dor da descoberta


...Foi horrível ouvir da boca dele a confirmação daquilo o que eu mais
temia, um punhal foi cravado em meu peito naquele momento,
jorrando sangue para todos os lados. Meu estômago embrulhou, senti
uma forte vontade de vomitar, me senti enfraquecida, desesperada.
(Pág. 19)
...A redoma havia se quebrado e eu estava tentando lentamente 
juntar os caquinhos espalhados pelo chão, minhas lágrimas não eram o
suficiente para que ele se comovesse e dissesse que eu estava
enganada. (Pág.20)
...O fato de ele estar ali, na minha frente com os olhos marejados de
lágrimas, era a prova que eu não queria, era a confissão que durante
semanas desejei não ouvir. (Pág. 21)

Algumas pessoas me perguntam como foi de fato que descobri que ele estava usando drogas, em que momento a dúvida deixou de ser dúvida e passou para o campo de certeza.

Acho que esse momento crucial foi quando ele confirmou a minha pergunta ao ficar calado, em silêncio.
Era semana de Natal, e eu já estava notando algumas diferenças em seu comportamento há alguns meses, entre vários exemplos, como companhias, havia também a falta de interesse em relação ao nosso relacionamento. 

Eu era tratada por ele como se fosse uma princesa, ele adorava fazer surprezas, presentes fora de época e tudo mais, eu viva dentro de uma redoma de vidro, mesmo não querendo, era assim que ele me tratava, e com as drogas, isso foi mudando, eu seria hipócrita se dissesse que descobri devido as mudanças físicas ou emocionais, não, não por isso, eu não percebi que ele estava emagrecendo e nem que estava se afastando de tudo e todos, eu apenas percebi por que ele mudou comigo, mudou dentro do nosso relacionamento, ficando distante, não se importando se fossemos nos ver naquele dia ou não foi assim que descobri.

A redoma de vidro de fato havia se quebrado, no momento em que eu perguntei para ele, naquela noite, após ter trabalhado até às dez da noite na loja que era o meu emprego na época, caminhando sentido à casa dele, se ele estava usando drogas e ele me respondeu me pedindo para deixá-lo se explicar, naquele momento tudo foi para o espaço, a dor que senti me fez querer não existir, meu mundo estava saindo do lugar e as minhas lágrimas não o comoviam ao ponto de fazê-lo dizer para mim que era tudo coisa da minha cabeça, não, ele não fez isso, para o meu desespero, ele negou, mas a negação durou pouco, logo vei a promessa de parar e então percebi que não tinha mais jeito.

E foi no momento em que as promessas começaram que eu soube que não era um pesadelo, que no dia seguinte, depois que eu acordasse, nada mais seria como antes.

A minha história não é diferente de muita gente, eu acredito que ainda tive sorte, porque descobri cedo, fazia pouco tempo que ele estava usando, não descobri pelo motivo mais nobre do mundo, mas ainda sim, acho que serve de exemplo, a maneira, o meio pelo qual você descobre não é mais importante do que a descoberta em sí e a dor ao saber também não será menor nem maior.

O quanto antes essa descoberta for feita, mais chances há na árdua luta de ajudar um dependente químico.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

CANSEI - POR EROTILDES VITTÓRIA












Leia e permita-se sentir, permita-se Cansar...
Por EROLTILDES VITTÓRIA (Uma pessoa iluminada)

 CANSEI

Já fiz o que poderia ter feito,
já disse o que deveria dizer,
ja fui até onde deveria ter ido,
não tenho mais o tempo
que você precisa.
Meus vicios, minha desilusões,
minhas pendências,
acabam agora.
Meu último cigarro,
meu último gole,
minha última ironia.
Cansei, estou indo,
sorria agora, terás
todo o tempo para chorar,
para me chamar,
para pedir que volte.
Estarei longe, não sei onde,
mas longe de você.
Ao me chamar,
não poderei ouvir,
não estarei mais para você.
Sorria agora,
não haverá mais amanhecer,
tão pouco anoitecer.
Para mim e para você,
haverá somente,
o dia e a noite...


Para ver essa e outras poesias acesse: http://clubedeautores.ning.com/profiles/blogs/cansei-1


Todos nós codependentes, em algum momento da nossa "doença" sentimos vontade de jogar tudo para o alto, sentimos vontade "abandonar" os nossos dependentes.

Todos nós codependentes, temos o direito de cansar, mesmo que seja por alguns minutos, mas, ainda sim temos o direito e até mesmo o dever de se sentir cansado e querer simplesmente sumir.

Sinta-se a vontade para se cansar e depois, recupere-se, tem alguém que precisa muito da sua ajuda!

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