segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Poder de Decidir


Nós Somos a soma das nossas decisões.
Desde pequenos, somos bombardeados com informações que nos ajudarão no futuro a moldar o que somos, o que queremos e com isso, nos tornamos capazes de tomar decisões e temos o dever de arcar com as consequências das mesmas, sejam elas boas ou não, positivas ou negativas.

É a Lei de Causa e Efeito, também conhecida como a Lei da Ação e Reação, ela existe, por mais que você não acredite nela. Ela está presente no Espiritismo, no Budismo e em tantas outras religiões, é o que dá sentido ao fluxo das coisas que acontecem em nossas vidas, um exemplo fácil de visualizar e entender essa lei è: se você comer demais (causa), terá uma indigestão (efeito), não há nada de mágico ou místico nisso, é a pura realidade, simples assim.

O que você decidir hoje terá um reflexo ou efeito, seja agora ou daqui a anos, mas, uma coisa é certa, esse reflexo virá e não é por esse motivo que devemos abrir mão das nossas decisões, abrir mão do que queremos, afinal, você pode querer algo hoje e daqui a uma semana não querer mais e isso é maravilhoso, quer dizer que você não está estagnado em suas próprias decisões e voltamos ao ponto de partida, Decisões!

Muitas vezes somos nós mesmos os criadores das barreiras que nos são impostas, somos muitas vezes nossos próprios inimigos, criamos algumas adversidades para a nossa realidade por não termos a total convicção de que podemos e somos capazes de obter os resultados que queremos, acabamos desistindo quando estamos bem próximo de alcançar o que almejamos. Nós temos o poder de nos sabotar e fazemos isso constantemente, por isso somos na maioria das vezes responsáveis pelos resultados que temos.

Dentro desse contexto, eu indago e trago para o blog essa questão: Como fica o poder de decisão de um Adicto?

Não precisa ter muito conhecimento no assunto para saber que o dependente químico, durante a sua adicção perde totalmente o poder sobre a suas decisões, ele se torna refém da sua dependência, permitindo que as drogas lhe tire a capacidade de tomar decisões, ele fica a mercê da sua própria armadilha, perde a dignidade e se torna a sombra dele próprio e, se ele perde essa capacidade, como ele pode estar apto para decidir quando vai querer ajuda? Se é que ele vai ter tempo para isso...

E quanto aos familiares desses dependentes, o que eles devem fazer? Sentar em uma confortável poltrona e assistir o seu ente querido se destruir lentamente, dia após dia?

É justo que fiquemos sentados como se fossemos telespectaores enquanto a vida deles estão correndo perigo?

Eu não concordo com essa situação, não vejo fundamento quando dizem que devemos esperar que eles peçam ajuda, eles não podem responder por eles mesmos, perdem o discernimento do que é certo ou errado, do que é bom ou não, a única coisa da qual eles se lembram é do efeito e do prazer que a droga traz.

Analisando o que foi dito pouco mais acima, ele, o dependente escolheu entrar nas drogas "aparentemente causa" (embora acredito que olhando de um ângulo mais amplo as drogas são os efeitos, a causa está antes disso) e ele tem que saber lidar com os efeitos, ou seja, ele entrou tem que saber sair, tem que arcar com a decisão tomada, mas, esse é um assunto delicado, uma vez que, para entrar ele até tinha um pouco de poder sobre si e suas decisões, mas para sair ele já não é mais apto a tomar tal decisão, seu corpo e sua mente já estão entregue às drogas, dificilmente ele pedirá ajuda, a não ser que ele realmente chegue ao fundo do poço, mas, não sabemos qual é a profundidade desse poço e o quanto ele e todos envolvidos sofrerão até que se chegue lá em baixo.

Não estou dizendo que todo dependente tem que ser internado involuntariamente, não é isso, existe outros meios de começar a ajudar um dependente sem que necessite uma ação tão extrema, acho que a partir do primeiro momento que o dependente se abriu com alguém da família, assumiu que está usando drogas, mesmo que não admita estar doente, esse é o momento de procurar  alguma ajuda, não importa qual seja.

O Dependente Químico, não pode responder por ele mesmo durante a sua adicção, por isso, na minha opinião ele não tem mais nenhum poder de decisão. 

Nós vamos ficar esperando eles pedirem ajuda? Esse dia pode nunca chegar...

domingo, 12 de junho de 2011

Amar


Eu não acredito no amor baseado nas aparências, acho que agente não se apaixona por uma roupa bonita ou um relógio maneiro no braço, não se pode gostar de um carro bonito por muito tempo e menos ainda se encantar com um rosto bonito se por trás dele não tiver mais nada.
O amor não tem regras, não tem jeito certo, basta sentir e nada mais.
Ninguém ama alguém por causa das musicas que esse alguém gosta, ou por causa da sua educação ou inteligência, isso são só fatores externos, contribuem para o encantamento, mas não são esses fatores que fazem com que os corações se acelerem, não mesmo.
O que torna o amor verdadeiro é o brilho nos olhos, o friozinho na barriga, a vontade de estar perto, o sentimento de invencibilidade quando está ao lado dessa pessoa, se ela está doente, você muitas vezes deseja estar no lugar dela, sentir aquela dor no lugar dela, isso é amor.
Agente não escolhe quando vamos nos apaixonar e nem por quem, mas, acredito que quando isso acontece, sempre há um motivo, uma razão. Por isso, aceite o outro como ele é, apenas contribua para que ele seja cada vez melhor e recebe dele, o mesmo sentimento.
Amar um dependentente químico não é fácil, é uma estrada de muitas pedras, desvios, buracos, mas também há flores, o céu também é azul, se houver amor e paciência, você está no caminho certo.

Para falar de AMOR, uma linda Crônica do Arnaldo Jabor.

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.





Senador Demóstenes Torres propõe Cadeia e Punição para usuários

Será que foi só eu que ficou estarrecida com a entrevista do Senador Demóstenes Torres, (Senador de Goiás pelo DEM) feita pela revista época onde ele fala sobre o projeto de lei 111/2010, cujo ele é o autor, que consiste na volta da punição para o usuário?
Isso é um retrocesso, desde 2006 o usuário de drogas deixou de ser considerado criminoso e agora ele volta com essa ideia, no conceito dele, o viciado (odeio essa palavra) seria preso e o juiz poderia converter a pena em internação médica obrigatória.
Pera aí, ele sugere que o viciado vá primeiro para a cadeia, para depois ser encaminhado para um clínica de recuperação ou algo semelhante? 
E depois, como será a reintegração dessa pessoa na sociedade?  Porque uma coisa é a reintegração de uma pessoa que é dependente químico e está em recuperação, visto que, a dependência química é uma doença, outra bem diferente é a de alguém que já foi preso, ou melhor, fichado, como dizem. 
Será que ele não percebe que isso causaria danos ainda maiores para os dependentes químicos que já sofrem discriminação constantemente, e quanto as famílias? Meu Deus, alem delas terem que saber enfrentar o fato de terem em casa um dependente químico, coisa que não é fácil, ainda vão ter que conviver com a situação de que essa pessoa está doente e ainda foi pra cadeia... Isso é um absurdo!
Não estou aqui falando do usuário eventual, como dizem, estou falando dos dependentes de drogas mais pesadas, como Cocaína, Crack e agora Oxi, esses dependentes, por já estarem dependentes não são capazes de responder pelos seus atos e suas atitudes, e isso, não é malandragem, é DOENÇA!
Nossa, fico espantada, não sou a favor da legalização e nada disso, pelo contrário, inclusive, achei muito interessante a proposta do filme Quebrando o tabu em discutir o assunto, mas não concordo de forma alguma e aí de repente, me deparo com uma reportagem dessa, que caminha contra a tudo que já evoluiu até agora.
Bom, esse projeto ainda não tem data para ser votado, e espero que fique assim eternamente.
Fica aqui o meu desabafo...
Para quem quiser ler a entrevista na íntegra, segue o link http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI238687-15228,00-SENADOR+PROPOE+PUNICAO+AO+USUARIO+DE+DROGAS+TRATAMENTO+MEDICO+OBRIGATORIO.html

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ajudando um dependente químico


Não existe uma regra a ser seguida, não existe fórmula secreta para ajudar um dependente químico, a única coisa real e concreta que se pode dizer é que se ele está dependente da droga, ele precisa de ajuda, mas, não há uma forma correta de ajudar, não existe um único meio e sim vários, mas, existe algumas coisas que as famílias devem evitar de fazer, com isso, estão ajudando mais do que imaginam.

  • Descobriu que seu filho(a), namorado(a), ou alguém próximo está usando drogas? Bom, eu costumo dizer que se você descobriu é porque ele já está dependente da droga e deixou de alguma forma alguma deixa, essa é a primeira prova de que algo precisa ser feito, se você descobriu, quer dizer que ele já está sem controle e não se deu conta, porém o que ele menos precisa no momento é der sermões, brigas, de que você o recrimine, ou procure achar motivos, não tentem fazer "apelos" emocionais, isso não funciona com o dependente.
  • Ele vai prometer parar, prometer mudar, você vai se comover, mas não acredite nele, a doença torna o dependente um mestre em manipulações, é a única forma que ele encontra para prolongar a aceitação de que está adoecido.
  • Não procure motivos, não se culpe, não cultive a raiva, isso vai lhe deixar vulnerável e assim você não poderá ajudá-lo(a).
  • Não tente justificar os atos do depentente, não o poupe da responsabilidade de seus atos, eles precisam, para o bem deles, saber que mesmo adoecidos, as consequências existem, eles precisam arcar com elas para então pedirem ajuda.
  • Não se anule em nome dele, não deixe de viver a sua vida por causa dele, você se tornando um codependente não terá condições de ajudá-lo.
O dependente precisa de tratamento, acompanhamento, mas, na maioria das vezes ele não tem condições de se ajudar, ele precisa que alguém tome temporariamente as rédeas, fazendo com que ele começe a frequentar um grupo de ajuda como por exemplo o N.A, isso é fundamental para a recuperação dele e não só isso, é importante que você também frequente um grupo ajuda mútua, como o Nar-Anon, a família e todos os envolvidos precisam estar preparados, nesses grupos você aprende a identificar quando está sendo manipulado, quando está se tornando um codependente, o que está fazendo que pode estar prejudicando ele e assim mudar de atitude.
Não é fácil, mas, não desanime, ele está doente e desanimar faz parte da doença dele e não sua!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

SUPERAÇÃO - Uma entrevista com um Dependente Químico em Recuperação


Primeiramente quero dizer que eu, como autora, escritora e como ser humano, acredito na recuperação do Dependente Químico. 
Meu intuito ao fazer essa entrevista foi de mostrar o outro lado, quando que, atualmente na mídia há um trabalho mais reforçado para a prevenção, óbvio é o ponto de partida, é importante, mas, e os que já estão nas drogas? E essas famílias que devem estar se sentido perdidas, sem enxergar a luz no fim do túnel? 
Foi pensando nessas pessoas que fiz essa entrevista, para mostrar que é possível a recuperação de um Dependente Químico. Abaixo, um exemplo mais que real.

Entrevistado: Davi Palante – Dependente químico em RECUPERAÇÃO.
Criador do blog www.tolimpo.blogspot.com, um blog que serve de inspiração e motivação. É aprova de que é preciso saber viver um dia de cada vez, dia após dia, e assim o caminho a ser percorrido, a jornada, se torna mais fácil, menos dolorida.  Em poucas palavras - Um exemplo de SUPERAÇÃO!

None: Davi Palante
Idade: 33 anos
Tempo de Adicção: 13 anos
Tempo em que está em recuperação/ Limpo: 6 anos 5 meses e 7 dias
Drogas em uma palavra: dor
Família em uma palavra: vida
Espiritualidade em uma palavra: DEUS
Você em uma palavra: Vitória

Valeu a Pena: Davi, em minhas leituras ao longo dos anos, pude constatar que em muitas vezes, não sempre, mas em muitas, o Adicto já está adoecido antes mesmo de provar a sua primeira droga, às vezes por falta de estrutura na família, ou problemas de baixa auto-estima e por aí vai. Você atribui o fato de você ter começado a usar drogas a alguns desses fatores? 
Davi: Tenho DDA – Distúrbio de Déficit de Atenção – falta de concentração e organização, acredito que isso possa ter influenciado sim!!

Valeu a Pena: Você acha que teve um motivo que naquele determinado momento parecia ser uma boa justificativa?
Davi: Foi basicamente a curiosidade, o embalo  a amizade. 

Valeu a Pena: Qual foi o momento mais crucial enquanto a sua adicção estava ativa?
Davi: Quando me dei conta que seria capaz de fazer qualquer coisa para usar, estava com medo de começar a roubar minha própria casa para consumir droga.

Valeu a pena: Você precisou chegar ao chamado Fundo do poço para perceber que estava doente e precisava de ajuda?
Davi: Posso dizer que sim, pois cheguei no meu limite!!! Lugar mais baixo não existia, era somente sofrimento e dor.

Valeu a Pena: E quanto às internações, o que você acha?
Davi: Não fui internado, mas em conversa com minha noiva, pai e mãe decidi fazer terapia e freqüentar grupo de N.A.  e é claro muito desejo de parar de usar!! Porém deixei claro para eles que se não desse certo que gostaria de ser internado.

Valeu a Pena: E internações involuntárias, você acha válido?
Davi: Acho que sim, pois quando chega a esse ponto é porque estamos totalmente fora de controle de nossas ações, muito longe da razão, não temos consciência do certo e do errado.

Valeu a Pena: Algo que pouco se fala, mas que é um fato comprovado é que o D.Q. quando está em recuperação, nos primeiros meses, acaba trocando uma compulsão pela outra, ou seja, ele transfere a sua compulsão pela droga por comida, sexo, a até mesmo religião. Você concorda com essa afirmação? Você se viu alguma vez inserido nesse quadro?
Davi: Sim, nos transferimos a compulsão com facilidade, nossa doença é baseada de compulsão e obsessão, no meu caso transferi a compulsão por jogo “Bingo” que quando eu perdia sentia as mesmas sensações do uso da cocaína. Pois não basta parar de usar temos que mudar o comportamento e tentar nos perceber. 

Valeu a Pena: OS doze passos, você os seguiu? Acredita na funcionalidade dele?
Davi: Sim, Totalmente. Posso garantir que foi fundamental para minha recuperação

Valeu a Pena: É sabido que a família e/ou os mais próximos acabam se tornando codependentes do Dependente Químico, criando um ciclo vicioso onde a própria família cria justificativas para o que ela está passando e com isso, muitas vezes o codependente sem querer acaba prejudicando o D.Q. Em sua opinião, hoje que você está do lado de cá, o que um codependente não deveria fazer? O que ele faz achando que está ajudando e no fim só está piorando a situação?
Davi: Bom tem inúmeras coisas que poderia citar, porém falarei do que acho mais importante. No meu caso solicitei a ajuda de todos da minha família com isso dei liberdade a eles de ficarem no meu pé.  O ato de ser facilitador prejudica muito a nossa recuperação, é necessário um compromisso de rigidez onde o codependente não deixe que o adicto te manipule, pois somos muito bom nisso, alguns aprendem com a dor e outros através do amor. Por mais que seja difícil a situação o codependente não pode afrouxar a rédea. (esse é o meu ponto de vista baseado em minha experiência)

Valeu a Pena: Para você, qual é a importância dos grupos de auto-ajuda na recuperação do Adicto e na permanência dele nessa nova condição: A de um dependente em recuperação?
Davi: Acho fundamental, os grupos de auto-ajuda nos mostram uma nova maneira de viver sem drogas, cosegui  Além de ter sempre uma porta aberta para todos sem preconceitos com religião, raça ou opção sexual eu continuo voltando, pois quero dar de graça o que recebi de graça.

Valeu a Pena: Qual é o papel da sua família na sua recuperação diária?
Davi: Motivação Total!!! É um vinculo de fidelidade que cresce a cada dia, posso dizer que é um dos motivos que me da mais ambição de conquistar meus objetivos. 

Valeu a Pena: Davi, hoje, o que você já conquistou após ter decidido viver sem as drogas? O quanto a sua vida mudou. Exemplifique para nós, para que outras pessoas possam ver que existe vida após as drogas.
Davi: Sei o quanto minha família tem orgulho de mim e o quanto eu cresci com esses anos, e as coisas mudam em recuperação! Hoje estou casado a 4 anos e sou pai de 2 meninos maravilhosos um de 2 anos e 10 meses e outro de 1 ano e 9 meses, tive muito amadurecimento nesse período de recuperação e hoje posso dizer que eles são a razão do meu viver. Em recuperação consegui construir a minha família e sou responsável por eles e essa responsabilidade eu conquistei em recuperação um dia de cada vez.. Tenho hoje reconhecimento profissional e sou bem remunerado por isso. Não consegui conquistar todos meus objetivos mais sei que isso é questão de tempo.... “Só por hoje conquistarei todos os meus objetivos, porque eu acredito, porque tenho fé e porque sou capaz....”

Valeu a Pena: Em algumas palavras, defina a Oração da Serenidade, o que ela significa para você?
Davi: Para mim a oração deixa claro de quem eu sou e como eu sou e tenho que adaptar minha vida  e minhas atitudes para fazer o melhor dentro da minha realidade. 

Valeu a Pena: Uma última pergunta: Nos fale um pouco sobre o Projeto Independente ?(http://www.wix.com/projetoindependente/acampamentos#!) pelo o pouco que li sobre ele, posso dizer que para mim é a maior prova de que a RECUPERAÇÃO é possível.
Davi: Bom, o Projeto Independente era um projeto que estava no papel  a uns 2 anos antes de  entrar em Recuperação, sou da área de Educação Física e minha esposa é Terapeuta Ocupacional, tivemos o interesse de poder promover recreação e lazer para pessoas com necessidades especiais. Assim que completei um mês limpo comecei a focar no andamento do projeto me doando de coração e com uma vontade incrível de fazer acontecer. E o inusitado aconteceu consegui fazer as primeiras programações como passeios e baladas e logo em seguida começamos os Acampamentos de Férias (temporada de 7 dias) começamos a unir pessoas com deficiência (Paralisia Cerebral, Síndrome de Down, Hidrocefalia, Deficiência Intelectual e outros..) com crianças de 6 a 14 anos sem deficiência, fazendo assim um trabalho único de Inclusão Social, nosso objetivo é de quebrar as barreiras e as diferenças, através de atividades recreativas conseguimos realizar esse trabalho com sucesso...  E já convido todos para nossa 13ª Temporada de Férias – Acampamento Inclusivo Julho 2011 – de 16 á 23/07 em Ibiúna/SP.
Mais informações : 8758-3215 Davi ou por email: projetoindependente@hotmail.com

Valeu a Pena: Fique à vontade para fazer as suas considerações gerais e comentar o que acha ser importante na recuperação de um dependente.
Davi: Gostaria muito que todos dependentes tivessem a oportunidade de conhecer um grupo de auto ajuda, que todos tivessem o mesmo desejo que eu tive de parar de usar. Mas não posso fazer isso, o que posso fazer e me manter limpo e mostrar que vale a pena, que existe felicidade e sonho em recuperação. Para você que ainda não teve o privilégio de vivenciar a recuperação e ter controle novamente de sua vida fica o recado....
SÓ DEPENDE DE VOCÊ.............vale muito a pena!

Para finalizar essa entrevista, convido a todos que visitem o site do Projeto Independente citado acima, não é apenas a prova da recuperação de um dependente, é um exemplo de humanidade, um projeto de inclusão muito bonito e bem estruturado. 

Davi, obrigada pela coragem, sinceridade e exemplo. Parabéns! Só Por Hoje você é um vencedor! E assim será, um dia de cada vez...




domingo, 5 de junho de 2011

Um ato de coragem


...E se eu desmoronar
Se não pudesse mais aguentar 
O que você faria?
...E se eu quisesse lutar
Pelo resto da vida implorar
O que você faria?
(The Kill - Pitty)


DESMORONAR, NÃO AGUENTAR MAIS, LUTAR, IMPLORAR, são palavras que exemplificam bem  o cotidiano de um/uma codependente. 
Lembro-me das lutas internas que eu travei comigo mesmo, toda vez que algo acontecia, toda vez que "Ele" recaía, parte de mim queria desistir, queria colocar um ponto final naquilo tudo e outra parte dizia que eu não podia fazer aquilo, dizia que eu tinha que permanecer alí e lutar, lutar por ele, ao lado dele e às vezes até mesmo contra ele.
"Ele", havia fugido da clínica mais uma vez, e desse vez, quando ele me procurou, eu não o recebi da forma como eu estava acostumada a receber, eu estava frustrada, desapontada, com raiva por ele ter fugido.
...Nos olhamos e eu quase gemi de dor ao vê-lo me fitar com os olhos tristes, antes mesmo que ele começasse a falar, as lágrimas já estavam escorregando dos meus olhos, cheguei mais perto, mas eu não consegui fazer mais nada além disso, eu não tive outra reação, não o abracei, não o beijei, e ele também não se moveu, eu vi o desespero em seu olhar e imaginei o que ele pudesse estar vendo em meus olhos, se ele estaria vendo a raiva que eu estava sentindo naquele momento, pois era o que eu realmente estava sentindo, ele estava estragando tudo, ele havia estragado tudo quando decidiu fugir mais uma vez, era mais do que eu podia suportar, eu havia descido até o inferno por ele e ele não era capaz de reconhecer isso e se manter longe de encrencas.
- Então é isso? - perguntou ele com a voz trêmula. - Você desistiu de mim?
Senti o peso do monte Everest cair sobre a minha cabeça. Desistir? O que eu estava fazendo então era desistir? Eu simplesmente não tinha mais forças, só isso!
- Eu não desisti de nada. - respondi asperamente. - Eu te disse que enquanto você lutasse eu estaria ao seu lado, quem desistiu foi você. (pág. 100/101)
Eu tenho recebido e-mails de codependentes que me confessam que muitas vezes sentem vontade de desisitir, de jogar tudo para o alto, de abandonar "os seus dependentes", porque não aguentam mais, porque estão se sentindo sozinhos, sem valor, sem amor. 
É normal sentir tudo isso, todo codependente passa por esse turbilhão de emoções, o que é preocupante é que a maioria dos codependentes, assim como eu, sentem culpa ao pensar na hipótese de desistir, de seguir em frente sem a outra pessoa, essa é a característica mais marcante no codependente, é o que o torna de fato um codependente.
Eu desejei ter forças para continuar mas, eu já estava vivendo em um estado de torpor, onde eu não pensava nem em desistir e nem em lutar, eu estava esperando o fim chegar, somente isso.
Até para desistir é preciso ter coragem. E desistir dele, foi o ato mais corajoso que tive nessa jornada, foi o ato mais dolorido e crucial de todos.
Eu desisti, não porque eu não tinha mais coragem para lutar, eu desisti porque eu não tinha mais condições de sofrer.

sábado, 4 de junho de 2011

Alguém que se importa

Semana passada tive o prazer de conhecer essa pessoa a quem atribuí o título de não ser mais um que se importa e sim ser alguém que se importa, e isso faz toda a diferença.
Seu nome é Nelson Hossri Neto, ele é o Idealizador da ONG “Sou feliz sem drogas” www.soufelizsemdrogas.blogspot.com, especialista em Dependência Química pela UNIFESP, formado em Ciências Jurídicas e assumiu recentemente o cargo de Coordenador de Prevenção às Drogas junto a Secretaria Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Publica de Campinas.
O noso primeiro contato foi através da internet e confesso que antes mesmo de conhecê-lo eu já havia criado uma certa simpatia por ele, primeiramente por causa do seu blog, que eu fiz questão de ler inteiro e que me deixou fascinada pelo trabalho que ele vem realizando e em segundo por ele se mostrar tão solícito, colocando inclusive um link do meu blog/livro no blog da Ong dele.
Eu aproveitei a 6ª Semana Sobre Drogas (idealizada por ele também) realizada durante a semana passada inteira em Campinas e o conheci pessoalmente. O que só veio confirmar o que eu já achava. Penso eu que não foi à toa que ele começou com esse trabalho, porque eu o assistí ministrando uma palestra, ele utiliza uma linguagem simples, compreensível que é capaz de prender a atenção do jovem (que é o público alvo), sem termos técnicos, sem preconceitos ou julgamentos. Valeu a Pena.
No encerramento da semana sobre drogas, houve um debate no auditório da Faculdade Véris/Metrocamp - Campinas,  sobre a legalização ou não das drogas. Foi um debate muito bem organizado, claro e proveitoso.
Os debatedores a favor da legalização eram: Maurides de Melo Ribeiro - Professor de Direito Penal e Criminologia na FACAMP. Criminalista, Mestre e Doutorando em Direito Penal e Criminologia pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Presidente da Comissão de Política Nacional de Drogas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e Ex-Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes - CONEN/SP e Nathalí Di Martino Sabino  - Psicóloga atuante na área de dependência de drogas. Mestre em Psicologia e Ciências pela USP. Atua em consultório particular e em Centro de Tratamento para dependentes de álcool em outras drogas.
Os debatedores contra eram: Lindomar Dionizio da Silva - Conselheiro Tutelar do Município de Campinas, Filósofo e Teólogo e Nelson Hossri Neto cujo o currículo profissional eu já expus acima.
Ambos os lados defenderam suas idéias com clareza, o que tornou o debate agradável, a conclusão que tirei no final é a de que ambos os lados querem acabar com esse mal que se tornou o mal do século, mas, cada um de uma forma diferente.
Gostei muito da fala da Dra. Nathalí quando ela disse em outras palavras que: "devemos nos preocupar no por quê essas pessoas estão se drogando" , ou seja, na Causa e não só no Efeito. Gostei também do ponto principal de defesa do Nelson: Se hoje nem as drogas que são lícitas, no caso duas, o cigarro e o álcool o governo consegue controlar, uma vez que facilmente uma criança entra em um bar e adquire qualquer uma dessas duas drogas, como poderá controlar as demais? ( Acho que é algo a se pensar de fato antes de decidirmos se somos ou não a favor da legalização, mesmo que seja com o intuíto de controlar a droga e quem a consome).
Enfim, Valeu a Pena!
Nelson, obrigada pela oportunidade e como você falou via twitter: Juntos somos mais fortes!

Debate sobre legalização ou não das drogas - 27/05
Palestra sobre Crack e OXI - Escola Carlos Gomes - Campinas

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Só por hoje, não vou sentir culpa

Só por hoje não vou sentir culpa, 
não vou sentir culpa de ser quem eu sou, 
não vou sentir culpa pelos meus atos, 
não vou sentir culpa por mim, 
nem por ninguém, 
só por hoje, 
não vou me desculpar.
(Camila Ortiz)

 Hoje eu acordei um pouco nostálgica, acordei com um sentimento dentro de mim que há tempos venho tentando contornar. O sentimento de CULPA. Talvez esse sentimento tenha aflorado novamente devido ao post de ontem (Aonde quer que você fosse), com ele, eu relembrei de alguns fatos que fizeram vir à tona esse sentimento.

Para quem já leu o livro, sabe do que estou falando, nele a minha codependência é bem exemplificada e demonstrada, para quem não leu, vai então o meu desabafo.

Era um relacionamento normal, como qualquer outro, a não ser pela imensa afinidade que tínhamos um com o outro, que parecia ser fora do normal, elogiada e vista por todos, chegavam a dizer que parecíamos irmãos e de fato, tínhamos mesmo algumas semelhanças físicas, mas, não era isso que tornava para mim, o nosso relacionamento especial, era a sinceridade que havia entre nós.

Logo no começo do nosso namoro, ele fez questão de me falar sobre o seu passado, sobre a sua dependência química, ele teve a coragem de se expor de uma maneira que muitos não teriam, ele me contou coisas que fez durante a sua adicção das quais ninguém gostaria de ouvir e no fundo eu sei que ele teve a coragem de contar porque desde as primeiras palavras ditas, eu demonstrei compreensão e cumplicidade e foi por isso que ele continuou e terminou a sua história de vida.

Nosso relacionamento foi construído à base de sinceridade, ele nunca teve medo de demonstrar suas fraquezas para mim, eu havia me tornado o pilar dele e assumi essa responsabilidade.

Quando ele recaiu, eu estava ali, ao lado dele e ali permaneci por muito tempo, mas não pelo tempo suficiente, porque com a queda dele, eu, que era o pilar dele não suportei o peso por muito tempo, não o suficiente para que ele pudesse se reerguer novamente.

Essa culpa, que sinto hoje, não tem nada a ver com amor entre duas pessoas do sexo oposto, porque graças a Deus, hoje eu tenho um relacionamento saudável, tenho uma família, essa culpa trata-se de algo superior, é um sentimento entre um ser humano e outro, às vezes eu sinto que falhei com ele, um ser humano que precisava de ajuda. Quando esse sentimento tenta me dominar, eu peço a Deus que "ele" um dia me perdoe e que entenda os meus motivos.

Pois é, eu escrevi um livro com a intenção de mostrar ao mundo como é a vida de uma codependente, os erros e acertos de uma codependente e hoje, escrevo um post que exemplifica bem o que essa doença causa. Mesmo anos depois do acontecido, há coisas que Eu, na condição de codependente não sou capaz de esquecer.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Acredite

Acreditar é mais que uma palavra, é uma declaração
Uma declaração daqueles que não Desistem
Impossível? Está aí algo que Não existe para eles
Só os que realmente acreditam realizam feitos grandiosos.
E a grandiosidade muda o homem inspira o mundo
Leva todos nós a também a ACREDITAR
Afinal, ACREDITAR é o início de TUDO.
By Universal Channel

Essa postagem eu dedico para uma pessoa que me procurou e que me comoveu com a sua história.
M. Tenha fé !

Quando descobri que ele estava usando drogas, me senti perdida, sem chão, meu mundo parecia estar desabando, eu era totalmente leiga no assunto, meu conhecimento sobre drogas se limitava em saber que faz mal e que eu deveria ficar longe delas e de quem as consumissem. Eu não sabia nem as diferenças que havia entre elas, na minha cabeça a diferença seria entre maconha e as demais em outro grupo e não pensem que é porque eu era desinformada, alienada, pelo contrário, sempre fui aluna aplicada, sempre gostei de ler jornais e tudo mais, mas, a verdade é que muitas vezes a informação está lá ao nosso dispor, mas achamos que nunca vai acontecer com agente e então para que ler não é mesmo?

No começo, eu achei que tudo estava sob controle, que ele iria parar da mesma forma que começou. Eu não tive coragem de contar a ninguém e sem saber eu estava abrindo as portas para a codependência, eu a convidei para entrar e se instalar, só faltou eu servi-lhe uma xícara de chá, porque eu a deixei comandar a minha vida dali em diante.

Eu fui deixando de lado as minhas coisas por causa dele, fui abrindo mão de fazer coisas que para mim eram importantes, prazerosas para poder estar 100% ao dispor dele.

Mas espera aí, há algo errado nessa relação, não há?

Há sim, com o passar do tempo, ela se tornou uma relação adoecida, enfraquecida, mas, ele era meu namorado e eu não podia abandoná-lo, então me enfiei de cabeça, me anulei, neguei a minha existência e perdi o que eu mais tinha de valor, o amor próprio.

Éramos dois adoecidos, a diferença é que a doença dele estava visível, latente, a minha veio a se manifestar com mais força algum tempo depois.

Ainda sim, se você me perguntar se eu acho que não vale a pena então ajudar um Dependente Químico, eu vou dizer que com toda a certeza Vale a Pena, porque embora seja uma doença incurável, ela pode ser controlável, e só por isso já vale a pena.

Para que haja recuperação é preciso haver entrega, dedicação, vontade, amor...

O dependente químico não faz parte de uma outra raça ou algo do tipo, ele é igual a mim, igual a você, ele apenas está adoecido e como tal, precisa de ajuda e merece ser ajudado.

M., não existe caso perdido, a partir do momento em que o adicto decide se ajudar, decide pedir ajuda, reconhece que está adoecido, uma porta pequena se abre e depois dessa porta há tantas outras maiores que se abrirão.

Você pode perder tudo, ou quase tudo, mas, jamais perca a sua fé enquanto você a tiver, você não terá perdido nada.

Aonde quer que você fosse

Quando namorávamos, essa música estava no auge  (The Calling) e eu costumava cantá-la para ele, lembro-me de tê-la decorado porque ela exemplificava o que eu sentia naquele momento. Mas, nessa época, eu ainda não tinha iniciado a minha descida ao inferno, ainda tínhamos um relacionamento saudável...

Wherever You Will Go      Aonde Quer Que Você Fosse

If I could, then I would                     Se eu pudesse, eu iria
I'll go wherever you will go               Eu iria aonde quer que você fosse
Way up high or down low,               Para lá em cima ou lá em baixo,
I'll go wherever you will go               Eu iria aonde quer que você fosse

Me desculpa, mas eu não fui... Eu não consegui, a minha codependência estava acabando comigo e eu não pude ir mais além, eu saltei do barco mesmo querendo ficar, eu fui talvez mais fraca do que você, porque eu não estava sob o efeito de nenhuma droga e ainda sim eu fugi.

Não pense que eu não olhei para trás ao saltar desse barco, isso não é verdade, não houve um dia em que eu não me culpasse pela a minha fraqueza e meu egoísmo, mas, eu tinha uma decisão a tomar: a minha saúde ou a sua doença. E eu tomei a decisão.

Hoje, não sei se estava certa, não sei se eu tivesse agido diferente mudaria alguma coisa, faria com que você encontrasse seu caminho, não sei e nunca saberei. 

Carregarei comigo esse sentimento.

Espero um dia ouvir notícias suas, saber que se recuperou, saber que encontrou seu caminho com suas próprias pernas. 

Rezo por isso

Eu preciso disso, para aliviar esse sentimento. 




quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ela estava ali.

Eu pensei que ele já a tivesse esquecido quando o conheci, pensei que ela não fazia mais parte da vida dele, que era uma página virada, uma página virada e dobrada, para nunca mais ser lida.

Eu acreditei que os meus sentimentos fossem capazes de preenchê-lo por completo, de não deixar nenhuma lacuna vazia para mais nada, mais ninguém ocupá-la.

Eu estava enganada.

Eu não sabia que ela ainda o dominava, que ela ainda tinha o poder de lhe tirar o fôlego, lhe causar arrepios, acelerar seu coração e fazê-lo perder o sono, fazê-lo perder o apetite.

Eu não sabia e ele também não.

Eu não podia estar enganada, eu vi o brilho dos seus olhos quando me viu pela primeira vez, eu sei que ele sentiu o que eu senti e ainda sim ela estava lá, encolhida, enterrada em algum canto profundo dele, em algum lugar que nem ele sabia, talvez seja por isso que ela ainda estivesse lá, porque nem ele mesmo tinha o conhecimento da  força dela, do poder destrutível que ela tinha. Se ele não a tivesse subestimado, talvez ela o teria deixado em paz, teria partido para outra, mas, ele sem saber que ela estava próxima, a desafiou, fazendo com que ela reaparecesse.

E como a Fénix que renasce das cinzas, ela renasceu e acendeu dentro dele a vontade de tê-la novamente, de sentí-la, de tocá-la, de se embriagar e se entorpecer na sensação prazerosa que a presença dela trazia, mesmo sabendo que ela era maquiavélica, que ela sempre o abandonava depois dessa sensação, deixando-o sozinho, frustrado, assustado, desesperado e com mais saudades dela ainda.

Ela foi esperta, nos passou a perna, porque ela não veio de uma vez, eu sei que não, ela foi chegando sem que percebêssemos, foi se aproveitando de cada pequeno buraco que havia na peneira emocional dele, e com isso, ela foi fazendo com que esses buracos, que eram para ser somente pequenas adversidades, se tornassem algo aterrorizantemente gigante e isso o deixou assustado, com medo.

E então ele decidiu ir procurá-la, ele descobriu que ele sabia aonde achá-la, ele descobriu que ela sempre estivera ali, ao lado dele e ele fez o que eu nunca imaginei que faria. Ele a chamou de volta para a sua vida.

E foi assim que ela ganhou espaço, no momento em que ele a chamou de volta para a sua vida, ele a assumiu publicamente, alegando que não conseguia mais ficar sem ela, porque ela trazia alívio para a vida dele e naquele momento, era aquilo que importava.

E eu senti a maior dor que eu já havia sentido até então, eu me senti trocada, me senti traída, eu não queria, não podia acreditar que ela fosse capaz de fazê-lo mais feliz do que eu, eu não podia permitir que isso acontecesse, porque eu sabia que ele não estava me trocando por alguém que fosse capaz de fazê-lo seguir em frente, de apoiá-lo quando ele mais precisaria, se ela fosse desse tipo, motivadora, amiga, leal, companheira, se ela tivesse por ele sentimentos verdadeiros, eu aceitaria a troca, eu reconheceria que o nosso tempo havia acabado e que era hora de deixá-lo seguir com ela. Mas, eu a conheci pessoalmente, tive o desprazer de encará-la de frente, dentro da casa dele e eu vi nos olhos dele que eu ainda tinha importância para ele, porque naquele momento que ele nos viu frente a frente, eu e ela, ele hesitou e eu pude ver que ela exercia um poder sobrenatural sobre ele, que não era real o sentimento que havia entre eles e que ele ficou confuso ao ter que escolher ela ou eu.

Foi por isso que eu não desisti, eu me mantive ali, fiel, pronta para segurá-lo quando ele precisasse. Não sei se fiz o certo, não sei se eu deixei de ser importante para ele no momento em que ela assumiu o comando, não sei se fantasiei, achando que ainda haveria espaço para mim dentro dele, mas, ainda sim, eu decidi caminhar com ele. Não ao lado dele, porque infelizmente ele decidiu trilhar um caminho onde só era permitido a presença dela, mas, caminhei sempre o mais próxima possível dele, o quanto eu aguentei.

Quanto a ela, bom, ela continuou o seu trabalho sujo e impetuoso, tentando destruí-lo a todo custo, não há algo mais desprezível do que ela, aquela maldita pedra branca chamada Crack.

Luz da Vela

Para refletir. Achei lindo quando lí.
Luz da Vela - Por Erotildes Vittoria -

O que realmente você procura e
onde você acha que pode encontrar?
O que você precisa de tão importante,
que necessita com tanta urgência?
Um novo amor, um novo emprego,
uma nova amizade, um novo caminho,
ou a procura por você mesmo?
A luz de uma vela pode te guiar
e mostrar parte de um caminho,
a luz da alma, do teu interior,
pode mostrar todo o percurso.
Toda beleza está contida
dentro de você mesmo.
O externo te mostra apenas a ilusão,
e o dentro de você, a verdade.
Se teus olhos não podem ver tudo,
tua alma serena e tranquila,
te leva para dentro onde tua visão é total.
Não necessitas de luz artificial,
mas da luz da tua beleza interna.
Não podes procurar,
se não sabes o que procuras.
Não podes ver, se não consegues enxergar.
No silêncio da tua dor, da tua tristeza,
o caminho escurece e parece não ter fim.
O sol que brilha dentro de você,
não consegue estender seus raios,
porque você fechou a porta com
cadeados de magoas e ingratidão.
É preciso que saibas o que deseja,
e abra tuas portas para receber.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Chegando nas mãos certas

Hoje, um amigo que estimo muito e que leu recentemente o meu livro, me falou que ele resolveu dar o exemplar do livro que ele tem para uma pessoa que se interessou em lê-lo.
Eu fique feliz, mas não só pelo fato de que assim, a minha meta será cumprida e mais pessoas lerão o meu livro que nada mais é que o meu desabafo, eu fiquei feliz porque essa pessoa em questão acabou de sair de uma clínica de recuperação, esse meu amigo é chefe dele e como tal, fez o que muitos não fariam, abriu as portas da sua empresa para esse rapaz novamente, mesmo sabendo que é um túnel escuro a ser percorrido, mesmo sabendo que a dependência química não tem cura, porém é controlável, ele não só recebeu novamente esse rapaz que hoje se encontra em uma jornada diária de recuperação (Só Por Hoje), como teve uma conversa de apoio e motivação com esse rapaz e falou para ele um pouco do que ele leu em meu livro, do quanto um codependente, que pode ser um pai, uma mãe, uma namorada, sofre com a dependência do adicto.
Meu amigo disse que esse rapaz ficou feliz ao pegar o livro, que ele demonstrou interesse em lê-lo.
Eu, fico aqui, na expectativa de que ele leia e que de alguma forma, o "Valeu a Pena" sirva para tocá-lo e ajudá-lo, dia após dia.
Deixo aqui o meu pensamento positivo para essa pessoa, envio a ele nesse momento, muita luz...
Ao meu amigo, obrigada e parabéns, você saber ser chefe, sabe ser líder. Você está fazendo a sua parte como ser humano e não só como chefe.

Vídeo Book - Trechos Cap.7 - A Fuga

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fazendo mais um novo laço.

Vou  falar de mais um blog que eu venho seguindo e que tem me causado bastante comoção, é o amandoumdependentequimico.blogspot.com, é uma espécie de blog/diário, onde a narradora Poly conta diariamente o seu sofrimento na batalha contra a dependência do marido e a sua própria codependência.
São postagens que para quem vive ou já viveu situação semelhante, mexem e tocam dentro dos nossos corações, ela usa de uma sinceridade tão grande que nos faz querer estar ai lado dela só para falar que vai dar certo.
Ela conta as suas angústias, seus medos, suas fraquezas, suas vitórias e conquistas diárias sem medo de falar o que sente. Revivi muitos capítulos da minha história e da minha codependência lendo o blog dela, me emocionei e também chorei ao me lembrar de algumas coisas que passei e que ela etá passando
Eu não a conheço pessoalmente, somento pelo blog, mas pelo o que eu já lí, (leio o blg dela todos os dias) posso afirmar que ela merece a tão sonhada paz, que ela merece Só Por Hoje e Sempre que o marido se recupere e se mantenha em estado de recuperação Sempre!

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